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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

INCONSTITUCIONALIDADE

Conselho Municipal de Política Cultural
Crato-Ceará
Eleição 2015

 

Há mais de dois penosos anos a gestão cultural do Crato vem acontecendo inexplicavelmente sem o cumprimento legal de fazer funcionar o Conselho Municipal de Cultura, de acordo com Lei datada do final dos anos 90. 

Depois de muita peleja, já com outra legislação, de 9 de dezembro de 2014 – a Lei Municipal nº 0912001/2014-GP – ajeitada em gabinete e sem participação direta da comunidade, finalmente dá-se início, neste fevereiro de 2015, aos trâmites para a composição do agora denominado Conselho Municipal de Política Cultural. 

Foi ontem, dia 19. Alegramo-nos no primeiro momento e depois fomos tomados de triste surpresa ao ler o Edital nº 01/2015, da Secretaria de Cultura do Crato, publicado no Diário Oficial do Município nº 3144, de 13 de fevereiro do corrente ano, chamando para a eleição dos representantes da sociedade civil no Conselho Municipal de Política Cultural, período 2015/2016. O Artigo 4º, que trata do registro de candidaturas, estranhamente VETA A PARTICIPAÇÃO de membros dos diversos segmentos culturais que porventura sejam funcionários públicos do Município, do Estado ou da União, quando, textualmente, exige do/a cidadão/dã, no Inciso 4.2.2, “Declaração de que não é servidor público (esferas municipal, estadual ou federal) (...).” 

A determinação aludida fere o princípio da participação democrática nos conselhos setoriais, não sendo, por isso, constitucional! 

Diante dessa situação, reivindicamos da Secretaria de Cultura do Crato: 

1. Revogação do Edital nº 01/2015 e publicação de nova chamada, desta feita sem a frase impeditiva da participação dos servidores públicos municipais, estaduais e federais, e respeitando a Lei Municipal nº 0912001/2014-GP, Artigo 40, Inciso II, Parágrafo 3º, que diz: “Nenhum membro representante da sociedade civil, titular ou suplente, poderá ser detentor de cargo em comissão ou função de confiança vinculada ao Poder Executivo do Município.”; 

2. Definição de novo calendário, em que a eleição de representantes da sociedade civil se dê nos fóruns de linguagens, conforme sugere o manual do Sistema Nacional de Cultura, de modo que a escolha seja mais participativa e qualificada (as linguagens são, de acordo com a Lei Municipal: música; tradição; artes visuais; fotografia; audiovisual; teatro, circo e dança; literatura; patrimônio; memória; artesanato; moda; gastronomia; design);

3. Abertura para cadastramento de eleitores e candidatos também nos respectivos fóruns (o edital atual fixa o prazo de 18 de fevereiro a 03 de março de 2015, no sítio da secretaria de cultura ou em sua sede).

Esperamos atendimento. Queremos diálogo.

Crato-CE, em 20 de fevereiro de 2015.

Cacá Araújo
Professor, Ator, Diretor, Dramaturgo
Guerrilha do Ato Dramático Caririense



CONSULTAS: 
Lei, Divulgação Secult, Edital, Diário Oficial do Crato, Cartilha SNC.

https://www.facebook.com/culturacrato/photos/a.1393887624175402.1073741838.1391018957795602/1595537807343715/?type=1&theater
http://conselhoculturacrato.blogspot.com.br/p/conselho-municipal-de-politica-cultural.html
http://pt.calameo.com/read/0003074718521c9301f56
http://www.simplit.com.br/diario/
http://www.cultura.gov.br/documents/10907/963783/cartilha_web.pdf/8cbf3dae-0baf-4a30-88af-231bd3c5cd6e

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

CARNAVAL DA SAUDADE 2015

 
Estamos mais uma vez realizando o já tradicional Carnaval da Saudade do Crato Tênis Clube. Em 2015 comemoramos os 10 anos deste evento que tem se destacado na região do Cariri como a mais marcante festa do período momino. Uma festa marcada pelas marchinhas, frevos e sambas.

Em 2015 a festa será animada por duas orquestras da região do Cariri: A Orquestra Prisma, e a Orquestra Carnavalesca Azes do Ritmo, com as participações especiais do Maestro Hugo Linard e do grande Crooner Francisco Peixoto, que certamente farão o "Clube do Pimenta" ferver de alegria e muita emoção.

Dois grandes nomes da nossa cultura serão os homenageados: O Dr. Maurício Almeida Filho, Mauricinho, ex-presidente do Crato Tênis Clube, fundador da inesquecível "Cratucada", que tanto animou os carnavais do Crato, e um dos criadores do "Desfile das Virgens", famoso bloco de carnaval que começou nos anos 1970. O outro homenageado é o Maestro Hildegardo Benício, "in memorian", um músico de alma inteira, que viveu a maior parcela de sua existência, alegrando os seus semelhantes. Grande saxofonista que abrilhantou festas, tertúlias, e muitos eventos por esse Cariri afora. Um dos maiores ícones da nossa história musical.

E, como já é tradição, o Carnaval da Saudade 2015 vai sair a partir das 4 horas da manhã do CTC para encerrar em apoteose, na Praça Siqueira Campos.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

GUERRILHA DAS ARTES 2014



PROGRAMAÇÃO

06 | Quinta
19h – CAPITÃES DO ASFALTO (12 anos, 50min, Trupe dos Pensantes, Crato-CE)
20h30min – O HÓSPEDE (12 anos, 60min, Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, Juazeiro do Norte-CE)

07 | Sexta
19h – MACULELÊ (Livre, 60min, Dança, Grupo de Capoeira Muzenza, Crato-CE)
20h30min – FULANA, SICRANA, BELTRANA (12 anos, 60min, Equipe Teatral de Serra Talhada-PE)

08 | Sábado
19h – AS PROSOPOPEIAS DE CASSIMIRO COCO (Livre, 60min, Grupo Independente de Atores, Iguatu-CE)
20h30min – A COMÉDIA DA MALDIÇÃO (Livre, 60min, Cia. Brasileira de Teatro Brincante, Crato-CE)
22h – RAP NACIONAL (Livre, 40min, Música, Realidade do Gueto, Juazeiro do Norte-CE)

09 | Domingo
19h – PELEJAS DE UM CORAÇÃO (Livre, 60min, Tá na rua, Crato-CE)
20h30min – DE 4 É MAIS GOSTOSO (Livre, 60min, Humor, Cia. Kanoistraveizdinovo de Teatro, Crato-CE)

10 | Segunda
19h – A FADINHA E A NATUREZA (Infantil, 50min, Grupo Tábua de Pirulito, Crato-CE)
20h30min – BORBOLETÁRIA (14 anos, 50min, Teatro-Dança, Coletivo Dama Vermelha, Juazeiro do Norte-CE)

11 | Terça
19h – O PALHAÇO MÁGICO (Infantil, 50min, Tio G Eventos, Juazeido do Norte-CE) 20h30min – 5 CONTRA 1 (12 anos, 60min, Grupo Curumins de Teatro, Farias Brito-CE)

12 | Quarta
19h – O CASAMENTO DO PALHAÇO NENEN, Livre 50min, Cia. Circo da Alegria, Crato-CE)
20h30min – BATALHA DE BREAK (Livre, 50min, Dança, Oficina Ensaio Aberto, Crato-CE)

13 | Quinta
19h – PERIPÉCIAS DE FILISMINA (Livre, 8min, Academia dos Cordelistas do Crato-CE)
19h30min – SÓ NO CRATO MESMO (Infanto-Juvenil, 40min, Dança-Teatro, Projeto AABB Comunidade, Crato-CE)
20h30min – ECOOU UM CANTO LIVRE NA SENZALA (Livre, 40min, Grupo de Teatro Zaíla Lavôr, Juazeiro do Norte-CE)

14 | Sexta
19h – E POR QUE PALHAÇO? (Infantil, 50min, Grupo de Performances Circenses, Juazeiro do Norte-CE)
20h30min – METANOIA - UMA MUDANÇA DE MENTE (14 anos, 40min, Dança-Teatro, Cia. de Teatro e Dança Traquejo, Exu-PE)

15 | Sábado
19h – ÂNGELA, A BRUXINHA BOA (Infantil, 50min, Cia. Makra, Crato-CE)
20h30min – A DIFERENÇA QUE HÁ EM MIM (14 anos, 40min, Dança-Teatro, Grupo Cícera de Experimentos Cênicos, Juazeiro do Norte-CE)
22h – ACORDA GUETO (Livre, 60min, Música, Irmandade Rap, Crato-CE)

16 | Domingo

19hmin – SILÊNCIO POR UM MINUTO (16 anos, 45min, Cia. Ortaet de Teatro, Iguatu-CE)
20h30min – STAND UP COM HENRIQUE VIDAL (Livre, 60min, Crato-CE)

Realização:
Sociedade Cariri das Artes
Cia. Brasileira de Teatro Brincante

Parceria:
Grupos e companhias de teatro, dança e circo do Cariri cearense
Foobá – Site de Entretenimento
GPC – Grupo de Performance Circense
Circo-Escola Alegria
Coletivo Camaradas
Rede Coletivos

Apoio:
Prof. Robério Nogueira
Corretor Lucieldo Moreira
Bubbas Lanches

Patrocínio:
Prefeitura Municipal do Crato
Secretaria de Cultura do Crato

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Era pra ser apenas mais um carnaval...
E seria assim não fosse os descaminhos que a vida nos prepara.
Alfredo Ossian, um executivo perfeito, parado em frente à janela da sua sala, olhava para rua calado, inerte. Pensativo. Ora ria, ora sério, ora assoviava. Seu jeito sisudo de ser e o seu comportamento padrão, escondia naquele executivo, um homem carente de alegrias. Ávido de liberdade. Há tempos não sabia o que era um carnaval. Desde quando a adolescência se foi, ele assumiu a postura de homem sério.
Mas naquele ano a alegria lhe parecia chegar com toda a sua plenitude. Nada que mudasse o seu conceito sobre a festa. Afinal, o carnaval se reveste de dias de alegria. Liberdade e alegria em conluio se refazem nos quatro dias de festa. Mas a vida lhe exigira aquela postura.
Ninguém sabia, mas por trás daquela cara amarrada, estava um homem que amava. Também estava ali um homem que traía. Que se entregava às lides de Baco quando a liberdade o permitia.
Aos poucos o som do surdo se instalara na sua cabeça numa intermitente marcação de frevo, insistindo em não lhe deixar pensar em outra coisa que não fosse C A R N A – V A L... TUM-tum...TUM-tum...TUM-tum.... Nessa hora o sangue corre mais rápido nas veias daqueles que anseiam alegria. Corações em festa. São momentos em que a ansiedade de folião de repente se faz presente na cabeça e o pensamento lhe remete às velhas marchinhas tão presentes nos quatro dias de Momo....
♫ô abre alas que eu quero passar... eu sou da Lira não posso negar...Rosa de Ouro é quem vai Ganhar..
♫Êêêêuu fui uma tourada em Madriii...eeee quase não volto mais aquiii...prá ver Periii...beijar Ceciii....
Assim é que, em meio à multidão em festa, se vê passando um bloco do eu sozinho, outro bloco do nós juntos, e outro bloco, e outro, e outro... Avidez ambulante procurando alegrias coletivas regadas a largos brindes no banquete Dionisíaco. Uma parada aqui...outra ali... Nas esquinas, Nos bares e botequins o burburinho das palavras se misturavam. As pessoas trocavam ideias enquanto faziam planos para o reinado da folia.
Era sábado gordo. E era fim de tarde. Destaque para o Beco das Margaridas. Uma rua pequena onde ainda resistia o calçamento de pedra batida e de paredes largas denunciando a idade dos casarões que se transformaram em bares. Outrora lupanares, agora eram ambientes perfeitos para cervejas num fim de tarde. Entre os frequentadores do Beco das Margaridas, destacava-se Alfredo; aquela pessoa comum, séria, calada, muito querida na empresa em que trabalhava, onde era supervisor de vendas e coordenava uma equipe de seis pessoas que, formalmente, o tratavam por Dr. Alfredo Ossian.

Extremamente sério quando em serviço, Alfredo adorava uma mesa de bar e um happy hour regado à cervejotas e petiscos. Bastava a primeira dose para desabrochar o personagem que guardava a sete chaves. Eram momentos em que Alfredo se transformava numa pessoa alegre, descontraída, loroteiro, gostava de piadas e gargalhava alto sempre que algo lhe parecia engraçado.
Alfredo Ossian era casado com Rosa Aline, uma mulher loira, alta, bonita, dada às lides de casa. Cuidar de filhos era um passatempo. Carinhosa, porem, geniosa ao extremo. Há tempos, Rosa reclamava e desconfiava do marido. Inclusive, alguns rapapés já teriam sido gerados pela desconfiança e o ciúme de uma tal Leila. Bonita, morena, solteira e frequentadora do Beco das Margaridas.
Alfredo resolvera ir ao Beco e naquele dia encontraria amigos no boteco de sempre. Seria mais um encontro informal. Porém, o happy hour de hoje tinha uma cor e um ar diferente. O Boteco era o de sempre, os amigos eram os de sempre, mas o clima era outro. Era carnaval.
Alí, mulheres enfeitadas, espalhavam no ar o cheiro de perfumes afrodisíacos. Brilhos no pescoço em colares coloridos, pulseiras e pratarias lhes enfeitavam os pulsos e os dedos. O vermelho das bocas molduravam lábios carnudos e desejantes. Os olhos também brilhavam, assim como os olhos dos homens que, ao derredor, sonhavam orgias infindas.
Ao fundo, em meio às gargalhadas e ao tilintar de copos em brindes, as marchinhas começavam a encher o ar com uma eminente alegria, acompanhadas por um, ainda tímido, coral informal.
E assim...entre sussurros..., a noite começa. E o Carnaval chegou...
Hoje o dia passou rápido e a noite, sem rodeios, dava o ar da graça com um cenário colorido... teremos uma noite diferente. A alegria se instalara no Beco das Margaridas desde as ultimas horas da tarde deste sábado gordo.
A balada apenas começava. As calçadas agora já tomadas pelas mesas era o palco do carnaval. O ambiente momino se fez nascer de vez. Agora, pessoas iam e vinham. Umas voltavam para as suas casas, outras passavam, outras chegavam e ficavam. Siiiimmm...realmante já era carnaval.

Na calçada em frente, alguém com colar havaiano e camisa florida, cantarolava alto enquanto desenrolava no ar as primeiras serpentinas. Outros mais comedidos,   ensaiavam bitocas e combinações para o “mais tarde” baquiano. Desenroladas e atreladas aos fios elétricos, as serpentinas coloridas davam ao Beco das Margaridas, a sua perfeita fantasia.

De repente, aos olhos de Alfredo, o cenário do Beco se enfeita de vermelho. Era Leila que chegava em passos lentos. Num salto alto exibindo toda a graça de que lhe presenteara a vida. Lábios carnudos, olhos pretos e bem abertos,cílios postiços lhes realçavam e os cabelos encaracolados lhe escorriam pelos ombros. Vestia um vermelho com um generoso decote que, bem colado deixava à mostra a perfeição de um belo par de pernas e o arredondado perfeito de suas nádegas. Uma Deusa.
Olhos nos olhos, Leila passa como quem não quer nada mas, no fundo, se faz presente a uma ínfima distancia de Alfredo. Provocante...adocicando o ar.
Olhos nos olhos, agora mais insistente, Alfredo provocava uma aproximação desinteressada, porém, caliente. Conversaram bastante. Alfredo sentindo o clima, pensou duas vezes. Melhor não tentar... Deu de ombros...pediu a conta e se foi pra sua casa. No caminho a insistente imagem de Leila quase não o deixa ver as ruas, o transito. A medida que chegava em casa se lhe recobrava o juizo.
Dificil para Rosa Aline não perceber...não imaginar o que ocorrera. Já era praxe uma briguinha por causa do Beco das Margaridas. Porém, naquela noite, Alfredo não segurava o seu desejo de voltar e estar com Leila. Rosa notou a sua indiferença e sem hiato de tempo disparou:
• Conheço a sua cara de desconfiado. Com certeza estava acompanhado e eu já imagino com quem você estava...dizia Rosa.
Claro que eu estav com os amigos de sempre...Alfredo respondia à meia boca, asiim...meio calado.
A certa altura a discussão tomou outro rumo, cobranças de parte à parte e as agressões verbais também. Os ânimos se acirraram e Alfredo, de súbito, toma uma decisão: voltaria ao Beco das Margaridas. Não adiantou os pedidos de “fique” e nem as ameaças de Rosa Aline. A decisão se concretizou.
No trajeto de volta os pensamentos se misturavam entre a ira provocada pela discussão e a certeza de que reencontraria Leila. A paixão alimentada e tantas vezes recolhida viera como um relâmpago. Seu coração disparara. Por que não? Perguntava a si mesmo como que fosse uma justificativa ao que pensava em fazer naquela noite.
Ao chegar ao Beco das Margaridas uma ultima decisão. Na primeira oportunidade se declararia a Leila. Imaginava não ter outra oportunidade. A briga em casa, o carnaval, os drinks, o vestido de Leila, a boca, o perfume, tudo era pretexto.
Os amigos ainda estavam no bar. Mesmo desconfiados festejaram a volta de Alfredo que, atento, fazia passear os olhos procurando por Ela em meio aos foliões. A caminho do banheiro encontra a sua Deusa. Atrapalharam-se na passagem, bateram-se de frente e....buuuuummmm. “ é agora ou nunca mais – pensou...”
Investiu sem medo. Um beijo na boca carnuda selou de vez a realização de desejos há tempos guardados. E foi um beijo quente, molhado, em câmera lenta. A mão na nuca ajudava no passeio de sua língua na boca de Leila. Boca na boca, Tentando roçar pernas Leila correspondia aos carinhos enquanto Alfredo se deleitava por aquela que lhe despertou tanto desejo.
A noite seguiu, a partir daí, em clima de romance à la shakespeare. Mão na mão. Cadeiras coladas, promessas, palavras doces, carinhos no rosto, por vezes mão no ombro, por vezes mão na perna. Bitocas, línguas. Era enfim o sonho.

O surdo continuava a sua intermitente marcha. O vai e vém de pessoas não deixou que ninguém desse conta da chegada de Rosa Aline. Parada, estática em frente à mesa, assistia ruborizada a mais um beijo do casal recém-formado. Ela não podia acreditar no que via. Mas a surpresa veio acompanhada de uma incendiada revolta. Aí a ira e a geniosidade falou mais alto dando lugar à parcialidade.
Frente a um casal literalmente parado e de olhos esbugalhados ela parece calada enquanto o coração ainda lhe repete a cena que presenciara a instantes. Num trágico rompante, Rosa puxou da bolsa uma pequena pistola.
Naquele momento, entre os rufos da caixa de guerra e a marcação do surdo, ecoa um som estridente, quebrando o ritmo da musica. Rosa Aline dispara quatro tiros certeiros e fatais.
Dalí a não mais que alguns minutos o som que se ouve não é mais o som dos clarins de momo. Ecoa no Beco das Margaridas o som estridente das sirenes dos carros de policias e de ambulâncias.

Agora o Beco está quase deserto. No chão dois corpos. Dois filetes vermelhos se deslocam para o canto do meio fio. O casal está desfeito. Uma vela para dois. O vermelho da paixão, está desfeito em sangue que percorre o meio fio.
Rosa seguiu com os policiais, deixando para traz as cores carnavalescas, agora tristes, enlameadas pelo vermelho sangue que restou daquela tragédia.
O Beco das Margaridas está em silencio sepulcral. Está de luto. Ao longe, em outras plagas, ainda se ouvia, trazidos pelo vento, o som de um fim de noite de carnaval...
• ♫é de fazer chorar, quando o dia amanhece e o ultimo frevo tocar

• ♫ó quarta feira ingrata, chegou tão depressa , só pra contrariar...
(WILTON DEDÊ)
Fotos:Internet

terça-feira, 20 de maio de 2014

Coletivos do Cariri se fortalecem com a criação de rede



No cariri é crescente o aumento de Coletivos que desenvolvem atividades no campo do ativismo social, da arte, da cultura, da educação e do esporte. 

Pluralidade e unidade marcou o II Encontro de Coletivos da região do Cariri realizado dia 19  de maio,  no auditório do Geopark Araripe no Crato. O objetivo do encontro  foi a criação de rede de articulação e comunicação dos coletivos.   

Os participantes do encontro decidiram criar a Rede ColetivoS que terá como finalidade  potencializar de forma colaborativa e midiática as ações dos coletivos; Lutar pela implementação de políticas públicas para cultura; Possibilitar o diálogo e a parcerias entre os coletivos; e impulsionar a criação de novos coletivos.  De acordo com os integrantes do ColetivoS ampliar a rede significa fortalecer os processos de produção, circulação, organização política, acessibilidade e possibilita o surgimento, a escuta e a ampliação de novas vozes que estão surgimento. Em documento a rede afirma  que  não é uma organização de representação dos coletivos da região do Cariri, nem pretende ser. É um espaço de comunhão, pluralidade, colaboração e potencialização das ações de cada coletivo.

A rede já prepara uma grande ação para o mês de agosto que é a realização do “Estopim”, uma  ação colaborativa e independente que visa ocupar criativamente  as ruas e praças do Crato com os trabalhos dos diversos grupos da região Cariri.

A rede Coletivos terá encontro no dia 09 de junho, as 18h00, no Teatro Marquise Branca. Os coletivos interessadas em compor a rede pode obter informações adicionais na fanpage: www.facebook.com/redecoletivos

COLETIVOS QUE COMPÕEM A Rede ColetivoS:
Coletivo Veja Diferente
Coletivo Foobá
Coletivo Mia
Coletivo Oficina Ensaio Aberto
Coletivo Cena Ativa
Movimento Vil
Coletivo Crato Tem Dança
Coletivo Pés de Valsa
Bando Coletivo
Nativa
Coletivo Realidade do Guetto
Muzenza
Companhia Brasileira de Teatro Brincante
LEVE Arte Contemporânea
Instituto Buxixés
MDC Hip Hop
E-MC´s
Coletivo Foto Crato
Ponto de Liberdade
Imandade Nativa

Coletivo Camaradas    

quinta-feira, 1 de maio de 2014

As origens da Revolução Pernambucana de 1817






As origens da Revolução Pernambucana

 
A Revolução Pernambucana, também conhecida como Revolução dos Padres, devido a importância que os mesmos tiveram em sua organização e divulgação, foi um movimento separatista contra a Coroa Portuguesa que ocorreu em 1817 na capitania de Pernambuco.

Pernambuco possuía uma longa tradição de buscar a solução de seus problemas com recursos próprios, desde a expulsão dos holandeses do nordeste brasileiro em 1654, após nove anos de guerra com pouco apoio dos portugueses. O contato com a administração holandesa, que permitia certa autonomia comercial e cultural, somada à vitoriosa luta contra estes, tornou o povo pernambucano particularmente orgulhoso e receptivo às ideias de liberdade e respeito aos seus méritos, julgando-se com direito de contestar em diversas ocasiões a autoridade do governo português, como na Guerra dos Mascates(1), em 1710.

No início do século XIX, a cidade Olinda e a vila Recife somavam mais de 40 mil habitantes, um conjunto urbano grande para a época. Pernambuco possuía um porto muito movimentado em Recife, alguns povoados e vilas com um comércio ativo, muitas plantações de cana e algodão, além de centenas de engenhos que fabricavam açúcar.

 A exclusividade comercial com Portugal garantia a arrecadação dos tributos à Coroa e dava aos comerciantes portugueses o controle sobre os prazos e o preço das mercadorias, em uma relação desvantajosa que gerava um crescente desagrado para os brasileiros. Outro motivo de descontentamento da elite pernambucana era motivado pelo fato dos brasileiros raramente conseguirem ocupar os cargos mais importantes da administração pública, reservados aos portugueses.

A crescente pressão dos abolicionistas na Europa criou crescentes restrições ao tráfico de escravos, o que tornava esta mão-de-obra cada vez mais cara, sendo a escravidão o motor de toda a economia agrária pernambucana.

Os holandeses passaram a produzir e comercializar açúcar a partir de suas colônias na América Central (Antilhas), fazendo o preço do produto cair no mercado e diminuir o número de compradores, prejudicando os lucros dos senhores de engenho e comerciantes pernambucanos, tornando mais difícil o pagamento de dívidas, a importação de mercadorias e dos cada vez mais caros escravos africanos.

Em 1816 uma grande seca atingiu Pernambuco e região, causando uma queda na produção do açúcar e do algodão, que sustentavam a economia, o que gerou miséria e fome para parte da população, com falta de farinha e feijão.

Este conjunto de dificuldades pelas quais passava a capitania levou os pernambucanos em busca de saídas para a crise, e eles encontraram novas inspirações nos exemplos dos Estados Unidos e da França. Além disso, o apoio da Inglaterra e dos Estados Unidos aos hispano-americanos em conflito contra a metrópole espanhola alimentava a expectativa de que iniciativas revolucionárias na América portuguesa pudessem contar com o mesmo tipo de ajuda. O fato de haver uma considerável quantidade de ingleses estabelecidos nas grandes cidades brasileiras e movimentarem uma quantia cada vez maior de dinheiro em seus negócios reforçava essa expectativa, uma vez que os interesses dos britânicos eram os mesmos que os das elites nordestinas, como o fim do monopólio e estabelecimento do livre comércio.

Com a vinda da família real para o Brasil, em 1808, ocorre a abertura dos portos brasileiros às nações amigas, favorecendo os comerciantes brasileiros, que não precisavam mais dividir seus lucros com os intermediários portugueses. No entanto, as iniciais vantagens econômicas e culturais com as visitas de estrangeiros não foram seguidas por vantagens políticas.

A instalação da sede da monarquia portuguesa no Rio de Janeiro fez com que todas as capitanias tivessem que pagar novos impostos sobre a exportação do açúcar, tabaco e couros, criando-se ainda uma série de outras taxas, afetando diretamente as capitanias do norte, que a Corte sobrecarregava com recrutamentos e com as contribuições para cobrir as despesas das guerras na Guiana e no Prata(2).

As riquezas que saiam de Pernambuco eram usadas para custear a crescente estrutura burocrática do reino e financiar obras públicas para a modernização da cidade do Rio de Janeiro, de modo a aumentar o conforto da corte portuguesa e o prestígio com os visitantes estrangeiros.

Outro efeito da vinda da família real portuguesa para o Brasil foi o deslocamento do eixo de importância política no Brasil do norte para o sul, o que, juntamente com o sucessivo aumento de impostos, contribuiu para aumentar a instabilidade política e as tensões sociais.


Na mesma medida em que diminuíam os lucros e o poder político da elite pernambucana, aumentavam o descontentamento e desejo de autonomia. As conversas criticando a Coroa Portuguesa aconteciam abertamente nas ruas, festas e repartições públicas, tendo como um dos principais alvos o governador da capitania desde 1804, capitão-general Caetano Pinto de Miranda Montenegro. O experiente ex-governador do Mato Grosso era considerado tolerante, omisso e pouco voltado para o trabalho, o que resultou em uma administração ineficiente, com estradas e edifícios públicos mal conservados e serviços essenciais, como a limpeza nas ruas, feitos com desleixo. Os militares, recebendo baixos salários com atraso, pouco cuidavam dos problemas de segurança.

Entre aqueles que publicamente espalhavam ideias liberais e republicanas destacavam-se os padres formados no Seminário de Olinda.


Pelo menos 70 padres participaram do levante, segundo os cálculos feitos [...] sobre os autos da devassa. Entretanto, como muito dos documentos sobre 1817 foram destruídos pelos próprios revolucionários no momento em que as forças realistas encurralavam os levantados, e como a devassa foi encerrada antes de chegar às suas primeiras conclusões, é presumível que o número de eclesiásticos na revolução pernambucana seja ainda maior. [...] A documentação é abundante em demonstrar que o clero se empenhou em persuadir e aliciar a população a favor da revolução, consolidando conquistas e intimando indecisos e desobedientes. Próximos aos militares, os padres desempenharam diversos papéis nas tropas desde capitães de guerrilha até soldados. Há até casos em que alguns conventos serviram de campo de treinamento militar ou mesmo como local para alojar armas. A revolução de 1817 só terá sucesso em se difundir por regiões mais amplas quando fizer uso do aparelho eclesiástico, atingindo até mesmo os sertões por meio de fios que ligavam os vigários, as igrejas e paróquias às grandes autoridades do bispado. Os púlpitos, pastorais e até os livros de tombo das paróquias estarão impregnados pelo ideário revolucionário. O governo provisório por meio do clero fez circular pastorais instruindo os fiéis a abandonarem as rivalidades que dividiam o rebanho entre brasileiros e europeus [...]. Dessa forma, as pastorais, amparadas pelas explanações do clero serviram como um dos vários instrumentos políticos de doutrinação para legitimar o levante. (Andrade, 2011:246-247).

Os comerciantes portugueses, ligados à exportação de açúcar e algodão, estavam cada vez mais amedrontados no ambiente hostil em que viviam, preocupados por um lado com a violência de uma possível revolta de negros e mulatos e, por outro lado, com a rivalidade dos grandes proprietários brasileiros, que se consideravam nobres por possuírem terra e chamavam os lusitanos pejorativamente de “mascates” ou “marinheiros”, porque estes chegavam da Europa em navios. Contribuía para aumentar a hostilidade, o fato dos portugueses emprestarem dinheiro aos brasileiros com juros mais altos do que a outros portugueses, e cobrarem pesadas multas por atrasos nos pagamentos.
 
Fonte: Revista do Instituto do Ceará – A história da revolução de 17, por Muniz Tavares na parte relativa ao Ceará.
http://historiasylvio.blogspot.com.br/2013/11/revolucao-pernambucana-de-1817.html

 
 

Adesões à Revolução Pernambucana


Adesões à Revolução Pernambucana


O movimento ganhou o apoio da Ilha de Itamaracá, decretou a prisão do juiz de foro da cidade de Goiana, associado à Monarquia e mandou emissários para outras capitanias procurando apoio.

O capitão José de Barros Falcão de Lacerda, que entre 1811 e 1812 foi comandante do presídio da Ilha de Fernando de Noronha, foi designado para ir a esta ilha, neutralizar suas fortificações e trazer para Recife os arquivos militares, a maioria dos militares que lá se encontravam em serviço e recrutar presos condenados por penas leves.

Para a Bahia foi por mar o padre José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima (padre Roma). Parando em Sergipe, consegue a adesão do tenente-coronel Antônio José Vitoriano Borges da Fonseca, comandante de Alagoas, então comarca de Pernambuco. Chegando, porém às imediações da cidade de Salvador, foi preso ao desembarcar na praia de Itapoã, por ordem do governador da capitania baiana, onde já havia chegado a notícia da rebelião pernambucana. Padre Roma ainda teve tempo de jogar na água papéis comprometedores que trazia. O que não impediu que fosse rapidamente julgado, condenado e fuzilado em 29 de março de 1817, três dias depois de ser preso.

Para o Ceará seguiu por terra o jovem subdiácono(5) José Martiniano de Alencar que, após participar juntamente com seus familiares da proclamação da república na vila do Crato em 03 de maio de 1817, foi preso neste local com os outros envolvidos e enviados para Fortaleza. A República do Crato durou apenas oito dias, não contando com a participação de parte de sua população, o que facilitou o fim do movimento na cidade e consequentemente no Ceará.
Na Paraíba e Rio Grande do Norte instalaram-se também, com rápida e fácil adesão, governos republicanos aliados ao pernambucano. Destacam-se os governos revolucionários pernambucano e paraibano pela intensa documentação criada em seu pouco tempo de existência.

Na Paraíba, repleta de ex-alunos do Seminário de Olinda e primeira a aderir à revolução, o movimento se iniciou poucos dias depois de Recife, na vila de Itabaiana, graças ao apoio de sua principal autoridade militar, o tenente-coronel de cavalaria de linha Francisco José da Silveira. Além dele, participaram ativamente João Batista Rego, um dos chefes locais e proprietário de terras, além de Manuel Clemente Cavalcante, jovem de importante família local e que estudou em Recife. Manuel Clemente provocou um levante dos proprietários e recebeu apoio de várias vilas e povoações vizinhas, marchando sobre a cidade de Pilar e em seguida sobre a capital, a cidade da Paraíba. Não havendo resistência, formou-se uma junta governativa republicana em 13 de março de 1817. No entanto, muitos proprietários que a princípio apoiaram o movimento não gostaram da forma como foi realizada a eleição da junta, por considerarem que a escolha de seus membros não beneficiava igualmente a todos. Alguns retornaram a suas terras, apoiando depois a reação governista.

No Rio Grande do Norte, então capitania subalterna de Pernambuco, o governador, capitão-mor José Inácio Borges, considerado como simpatizante das ideias liberais, procurou na cidade de Goianinha o rico proprietário do engenho Cunhaú, coronel de milícias André de Albuquerque Maranhão, para um pacto sobre a defesa da monarquia. André Maranhão, depois de hesitar durante algumas horas, mandou prender o governador quando este pernoitava no engenho Belém, retornando à Natal. Enviou-o preso para Recife. Em 29 de março de 1817, diante do desinteresse da população, criou-se uma junta revolucionária dirigida pelo padre Feliciano José Dornellas e composta pelo coronel André de Albuquerque Maranhão, o tenente-coronel José Peregrino e o capitão-mor João de Albuquerque Maranhão.

O CEARÁ NA REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817


 

MARTINIANO DE ALENCAR E A REVOLUÇÃO DE 1817

 

O rápido progresso da revolução no Brasil contagiou os patriotas pernambucanos, pensavam que as províncias do norte (NE) mais distantes da corte, seriam mais solícitas com o movimento, a base do plano era apressar a revolução na Bahia e no Ceará, dois pontos da maior importância.

 

Dois sacerdotes foram enviados como agentes secretos a essas duas províncias; para o Ceará ofereceu-se o jovem subdiácono José Martiniano de Alencar. A sua oferta foi aceita por ser ele natural da Vila do Crato e pessoa muito querida pelo pároco dessa Vila, os párocos do Sertão tinham grande influência. O Capitão-Mor da mesma vila era um certo Filgueiras, pessoa cruel a quem os sertanejos temiam e chamavam de bruxo, devido a impunidade com que vivia, sua casa era um covil de criminosos que cometiam todo tipo de atrocidade ao mais simples aceno de Filgueiras.

 

Os ingênuos patriotas de Pernambuco acreditaram que se conquistando tal indivíduo, ganhava-se a província inteira do Ceará, e que para ganhá-lo bastaria a vontade do pároco, o qual não podia deixar de ceder ao pedido do seu predileto. Para ajudar Martiniano nessa missão, acompanhou-lhe um certo Miguel Joaquim Cézar, pessoa que parecia prudente e dia ter relações nos sertões daquela província.

 

Durante a viagem, iam os mensageiros com cautela, mas se encontrassem alguém disposto a aderir a causa, poderiam incitar seu patriotismo, mostrando as vantagens de não serem mais governados por estrangeiros que sugavam as riquezas do Brasil e tratavam a todos com tirania. Deveriam ir até Pombal ter com o vigário, onde teriam notícia da comarca do Ceará e do padre Luiz José, caso o vigário de Pombal estivesse solidário à causa, deveria José Martiniano ficar com ele e dali escrever cartas aos amigos de Icó, essas cartas deveriam ser persuasivas, mas sem comprometer o destinatário. Caso o padre Luiz José não estivesse favorável à revolução, seguiriam até o Crato, mas se pudessem contar com o padre, fariam a revolução no Crato e Icó. Depois, pedindo apoio a Pernambuco, poderiam seguir para Aracati e Sobral, e com o apoio dessas quatro vilas, mesmo sem a ajuda de Pernambuco, poderiam atacar a vila de Fortaleza.

 

Chegando ao Crato, Martiniano se separou de seu companheiro, que ficou na fazenda do Padre Luiz José, e seguiu ao encontro do padre, onde contou-lhe os acontecimentos das províncias revoltadas, valendo-se da amizade entre os dois para convencê-lo a conquistar o temível Capitão-Mor. Porém, foi em vão essa tentativa e o padre tentou dissuadi-lo do contrário, temendo pela vida do amigo, suplicou-lhe que desistisse da revolução, mas, em vão.

 

Por acaso, encontrou Martiniano um carmelita, frei Francisco de Santa Mariana Pessoa, a quem vinha recomendado. Tentou convencer então, reforçado pelo frei, ao poderoso Capitão-Mor Filgueiras, que de nada adiantou, nada convencia aquele velho mandão. Depois de longo silencio originado pelo desprezo e não pela meditação, dignou-se a responder que a tentativa de revolução era pouco segura e que não a apoiaria. Pediu então Martiniano, que ao menos não se opusesse a vontade do povo, a velha raposa concordou, mas era tudo artifício para engana-los, que crédulos, de nada desconfiaram. Logo Martiniano comunicou aos companheiros e começaram a planejar a revolução na vila.

 

O próximo dia santo, em que ele devia celebrar, foi o dia marcado para o inicio da revolução. Congregaram-se na igreja os fiéis, ao final de celebração, Martiniano vestido com sua batina, sobe ao púlpito e conta ao povo as ideias de independência , todos gritaram vivas e aplaudiram, retiraram-se para o terreno em frente a igreja e hastearam um bandeira branca, em sinal de alegria, dispararam a espingarda que traziam. Continuavam a festejar quando viram Filgueiras ao longe, isso fez com que cabisbaixos todos fossem para suas casas. E vão tentou Martiniano convencê-los de que a presença do homem era para testemunhar a alegria, pois seria tolerante com a manifestação. Poucos creram nisso e com simplicidade entoaram vivas à Pátria. Aproximou-se então o Capitão-Mor e com um simples gesto, impôs silencio, fez arrancarem a bandeira branca e com que gritassem “Viva El-Rei”, todos humildemente obedeceram. Ainda não satisfeito, mandou agarrarem Alencar e três dos seus principais companheiros e leva-los para a cadeia, onde com pesadas correntes no pescoço, foram arrastados de prisão em prisão até a capital, sofrendo todo tipo de tormentos e torturas, por toda a viagem. Não escaparam da fúria do monstro nem mesmo o padre Luiz José e D. Bárbara de Alencar, bem como outros revolucionários, alguns dias depois. Assim finalizou a revolução do Crato, as demais vilas não deram sinal de vida.

 

Era governador do Ceará, Manoel Inácio de Sampaio, e sua vigilância redobrou depois isso. Não tendo forças suficientes para atacar as províncias insurgidas, contentou-se em assegurar a que governava, dando ordens severas a todos os Capitães-Mores e agindo com toda a violência contra qualquer cidadão do qual desconfiasse, como fez com o ouvidor da comarca João Antônio Rodrigues de Carvalho, que por ter tido relações de amizade com Domingos José Martins, a ambos mandou prender e transferir para as prisões de Lisboa.

 

Fonte: Revista do Instituto do Ceará – A história da revolução de 17, por Muniz Tavares na parte relativa ao Ceará.

http://historiasylvio.blogspot.com.br/2013/11/revolucao-pernambucana-de-1817.html

http://coisadecearense.blogspot.com.br/2011/04/martiniano-de-alencar-e-revolucao-de.html
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