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terça-feira, 10 de abril de 2012

Artistas promovem turnê em 11 Municípios do Cariri!



O grupo, que tem raízes no Cariri, circula por várias cidades brasileiras
FOTO: DIVULGAÇÃO

O evento começa neste sábado e segue até o próximo dia 18 de abril com apresentações diárias na região

Juazeiro do Norte Cinema, teatro, arte popular e encantamentos mil com a presença da Cia. Carroça de Mamulengos, um dos últimos grupos mambembes que circula o Brasil e que tem raiz também no Cariri. Desta vez, o grupo volta à região para fazer uma turnê que inclui 12 cidades, 11 delas na região, com a Turnê Cariri 2012, em parceria com o Cinearte Sarau.

Um festival de arte acessível ao povo, com oficinas de perna-de-pau, cinema ao ar livre, e um espetáculo inesquecível. Começa neste sábado de Aleluia, pela cidade de Jardim, embarcando do dia 7 até o dia 18 com apresentações diárias na região e, somente no dia 21, em Olinda, no Estado de Pernambuco.

As palhaceatas ao ar livre, com as apresentações teatrais e as oficinas rendem praticamente um dia inteiro em cada cidade, com a presença mágica da família, que, no ano passado, esteve realizando turnê pelo Cariri, em junho. O projeto conta, mais uma vez, com o patrocínio da Petrobras, proporcionando ao público uma programação inteiramente gratuita.

Para a atriz Maria Gomide, integrante do grupo, é com muita alegria que o grupo retorna à região, considerada um dos grandes redutos da cultura nordestina e do Brasil. Ela informa que, na programação, além das oficinas de perna-de-pau, palhaceatas, haverá apresentação do espetáculo Felinda, da Cia. Carroça de Mamulengos, e exibição do filme O Palhaço, de Selton Mello, além da projeção de imagens produzidas com a população local durante o dia. Toda a programação será realizada nas ruas e praças das cidades.

"A ideia é não apenas levar o espetáculo, mas inserir o público de cada cidade nesse contexto", diz Maria Gomide. Segundo a artista, a Turnê Cariri 2012 - Cinearte Sarau e Cia. Carroça de Mamulengos será registrada em foto e vídeo e, diariamente, será editado um curta de dez minutos, projetado na telona no final de cada noite.

Tradição

Os espetáculos acontecerão, além da cidade de Jardim, em Crato, Barbalha, Santana do Cariri, Nova Olinda, Saboeiro, Campos Sales, Caririaçu, Assaré, Iguatu e Araripe, no Cariri. Já são 36 anos de estrada, circulando o Brasil inteiro. Maria Gomide é a filha mais velha do criador do grupo, Carlos Gomide, iniciado em 1976, em Brasília, e Schirley França, que encontrou com Carlos em 1982.

Maria Gomide diz ter nas veias a arte circulando e a missão de levar os valores desta nação por onde passa, mas destaca que não tem sido fácil fazer esse tipo de arte pelo Brasil.

O Cinearte Sarau tem levado cinema de qualidade para os lugares mais distantes e inusitados do País, sempre em telas infláveis instaladas ao ar livre, em praças e espaços públicos. Como o próprio nome sugere, o projeto remete aos antigos saraus, nos quais as pessoas se reuniam para desfrutar de boa música, poesia, arte e literatura.

Parceria

A história da Cia. Carroça de Mamulengos com o Cariri cearense vem de longe: além da cidade de Juazeiro do Norte ter sido escolhida como uma das sedes da companhia, no ano passado, a trupe realizou, com o patrocínio da Petrobras, uma turnê por oito cidades da região, atingindo mais de oito mil espectadores com oficinas e apresentação de espetáculos.

Não por acaso, os dois grupos estarão realizando as apresentações, tendo o Cariri como palco principal da maior parte delas. "E com o objetivo de levar arte a comunidades que, muitas vezes, não tem acesso a bens culturais, além de incentivar manifestações artísticas regionais e ofertar um fazer artístico, na busca de preservar saberes e fortalecer a identidade cultural da população", diz Maria Gomide.

Além do patrocínio da Petrobras, a turnê Cariri 2012 conta com o apoio de todas as Prefeituras das cidades que serão visitadas. O espetáculo "Felinda" é o mais recente trabalho da companhia, que conta a história de uma moça, nem feia e nem linda, que fugiu do circo e foi deixada para trás.

A oficina de perna-de-pau tem como objetivo apresentar esse brinquedo popular e suas diversas formas de equilíbrio a quem quiser experimentar a emoção de andar mais próximo das nuvens. Os participantes serão convidados a subir nas pernaltas, maquiar o rosto, vestir um figurino e integrar a palhaceata que vai percorrer as ruas.

O Cinearte Sarau, que integra as apresentações, foi criado em 2006. Durante esse período, já percorreu cerca de 450 Municípios em 19 Estados brasileiros, tendo atingido um público de mais de 250 mil pessoas.

Mais informações

Cia. Carroça de Mamulengos
Telefone: (21) 3251.1699
Cinearte Sarau
Telefone: (31) 9744.1900
Região do Cariri

ELIZÂNGELA SANTOS
REPÓRTER


Fonte:http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1123554

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Carroça de mamulengos!

Carlos Gomide

Carlos Gomide começou a trabalhar com arte em 1975 em Brasília, junto ao diretor Humberto Pedrancini em um grupo chamado Carroça. Participou de duas montagens: “Pedro Malazartes” - texto de Maria Helena Kuhner, e “Cidade que não tinha rei” - montagem coletiva.
Com o dissolvimento do grupo Carroça, Carlos herdou o nome “Carroça” e começa a traçar um caminho próprio.
Em 1976 Carlos conheceu a poética do mamulego através do espetáculo “Festança no reino da mata verde” do grupo Mamulengo Só Riso, onde o saudoso Nilson Moura brincava o personagem principal - Tiridá, com direção de Fernando Augusto.
Em 1977, já encantado com a força do teatro de bonecos, linguagem que se tornou base de criação de seus trabalhos, montou um espetáculo com bonecos de sucata “As Bravatas do Professor Tiridá na Usina do Coronel de Javuna” - texto do mamulengueiro pernambucano Januario de Oliveira. Com essa brincadeira começou a viajar o Brasil tornando o Carroça um grupo itinerante.
Em 1978, participando de um festival no SESC Madureira (Rio de Janeiro), conheceu o mestre Antônio Alves Pequeno (Antônio do Babau), brincante de uma espetacular originalidade da cidade de Mari - PB. Em 1979 Carlos viajou ao encontro de Seu Antônio do Babau para conviver como “discípulo” de um mestre. Para Seu Antônio foi enaltecedor receber uma pessoa “de fora” com desejo de aprender e valorizar sua arte. Após um ano e meio de convivência no roçado, nas festas e nas brincadeiras, Carlos terminou de completar seu terno de mamulengo (conjuntos de bonecos de uma brincadeira) e teve a permissão de levar essa tradição mundo afora.
Esse aprendizado norteou o caminho do Carroça de Mamulengos, pois a partir daí sempre esteve junto aos mais diversos mestres e brincantes das mais variadas manifestações populares. Convivendo, com uma relação de amor, respeito e cumplicidade, Carlos Gomide foi lapidando uma linguagem estética única pra o grupo.

Schirley França

Schirley França começou a trabalhar com teatro em 1980 com o Grupo Retalhos, tendo como foco de trabalho a criação de espaços para apresentações artísticas e a formação de platéia. Participou de vários espetáculos circulando por Brasília e pelas cidades do entorno.
Em 1982, na passagem da Cia. Carroça por Brasília, Schirley, então com dezessete anos, conhece Carlos Gomide. Tornou-se sua esposa e integrante do grupo, deixando para trás Brasília, sua companhia de teatro, universidade de artes Dulcina de Moraes e a família, para seguir um caminho completamente diferente: a construção de uma arte vivida no dia a dia, o desafio de criar uma família na estrada, educar, cultivar a fartura, tornar todo espaço um lar que aconchegue a grande família que a Cia. Carroça formou em todos esses anos rodados.

A família

Com o nascimento dos filhos: Maria - 1984, Antonio - 1986, Francisco -1988, João - 1990, Pedro e Mateus -1995, Luzia e Isabel -1998, houve a necessidade de criar uma concepção cênica que possibilitasse a participação das crianças dentro de uma consciência de que vida e arte se complementam. Assim, de forma orgânica, Carlos e Schirley foram integrando conceitos de arte e educação na formação dos filhos que, desde sempre, acompanham seus pais em sua itinerância pelo país. Em cena transformam arte em vivência.
É assim que em função do amadurecimento de cada filho, naturalmente, a dança, a música, o canto, os bonecos e os elementos circenses foram incorporados às brincadeiras.
O picadeiro, para essa família, é sagrado, é a extensão do próprio lar. Hoje, a Companhia Carroça de Mamulengos apresenta suas brincadeiras por praças, feiras, ruas, teatros e festivais. Trilha um caminho de fé, acreditando na vida e na arte como meio capaz de tocar profundamente os corações de homens, mulheres e crianças. Abraça o Brasil e por ele é abraçado.

fonte:http://www.carrocademamulengos.com.br/
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