seja um seguidor da CULTURA CARIRI

segunda-feira, 22 de junho de 2015

UNIDADE DO MOVIMENTO CULTURAL


Pauta:
Elaboração de documento-base para os FÓRUNS da UNIDADE DO MOVIMENTO CULTURAL

Finalidade:
Criação de plataforma unificada que oriente nossas reflexões, lutas, reivindicações, projetos diversos e contribua para a ação coletiva em defesa de políticas e programas de desenvolvimento artístico e cultural com centralidade na valorização e protagonismo do artista caririense.


Comissão Organizadora
Cacá Araújo - (88)99921.7140 / 98801.0897 
André de Andrade - (88)99754.9899 / 988016642 
Gilsimar Gonçalves - (88)98825.0571


(Foto: Gessy Maia)

quarta-feira, 10 de junho de 2015

III Encontro de Coletivos do Cariri será realizado no Crato






  

A rede ColetivoS realizará nesta sexta-feira, dia 12, às 16h00, no auditório do Geopark Araripe – URCA Campus Pimenta, no Crato, o III Encontro de Coletivos d Cariri.

O encontro tem como objetivo potencializar e aproximar a ação dos coletivos da região. A rede Rede ColetivoS aglutina grupos de dança, fotografia, produção cultural, bandas, grupos de teatro e ativismo.

Cada grupo participante terá 5 minutos para apresentar o trabalho do seu grupo não é necessário inscrição.  

Os coletivos também definirão a preparação da segunda edição do Estopim – Mostra das Artes da Rede ColetivoS previsto para ser realizado em agosto  deste ano. A ultima edição foi realizada em 2014 e reunido diversas linguagens artísticas.

A rede está  mapeando os grupos artísticos da região do Cariri e os dados gerados são socializados com os coletivos mapeados, pesquisadores e produtores como forma de potencializar  ações,  parcerias e intercâmbios.

Os que grupos que ainda não forammapeados pode basta clica no link e preencher o formulário: http://goo.gl/forms/3RWL5GmXmk                

sábado, 4 de abril de 2015

REDE GLOBO será malhada como Judas neste sábado em Crato-CE

Auto profano-popular abordará a mídia fascista e conservadora que prega o golpe contra a democracia, incita a intolerância e o ódio, defende a privatização do patrimônio nacional e a submissão do país ao capital internacional.

Programação:

14h00min: Cortejo do Judas. Percurso: Sede do Coletivo Camaradas (Gesso) / Rua Dom Melo / Rua São Francisco / Rua Monsenhor Assis Feitosa / Centro Cultural do Araripe 
17h:00min: Chegada ao Sítio do Judas, montado no Largo da RFFSA (Centro Cultural do Araripe)
17h30min: Show de artistas circenses
18h30min: Distribuição e leitura do Cordel/Testamento do Judas
19h30min: Malhação do Judas, com show pirotécnico
20h00min: Forró pé-de-serra com Zin e Trio Simpatia. 
21h00min: Encerramento.



TESTAMENTO
Versos de Cacá Araújo

Promotor de Justiça:

1 A causa desta assembleia
É nobre por sua justeza
Hoje vai a julgamento
Um câncer da realeza
Mestra mor da traição
Antro de corrupição
Império da malvadeza

2 O seu nome é Globogolpe
Filhota da ditadura
Encobriu muita desgraça
Mentira, morte, tortura
E fofoca, fraude, intriga
Do país é inimiga
A decência ela censura

3 Meritíssimo, estou convicto
Que a perigosa bandida
Impede a democracia
E merece ser banida
Requisito neste instante
Que condene a meliante
Ela tem que ser punida

Juiz:

4 Eu acolho sua denúncia
Mas antes da decisão
Quero ouvir a delinquente
Com maior detalhação
Que faça uso da fala
Desembucha, desentala
Só não quero enganação

(Continua...)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

INCONSTITUCIONALIDADE

Conselho Municipal de Política Cultural
Crato-Ceará
Eleição 2015

 

Há mais de dois penosos anos a gestão cultural do Crato vem acontecendo inexplicavelmente sem o cumprimento legal de fazer funcionar o Conselho Municipal de Cultura, de acordo com Lei datada do final dos anos 90. 

Depois de muita peleja, já com outra legislação, de 9 de dezembro de 2014 – a Lei Municipal nº 0912001/2014-GP – ajeitada em gabinete e sem participação direta da comunidade, finalmente dá-se início, neste fevereiro de 2015, aos trâmites para a composição do agora denominado Conselho Municipal de Política Cultural. 

Foi ontem, dia 19. Alegramo-nos no primeiro momento e depois fomos tomados de triste surpresa ao ler o Edital nº 01/2015, da Secretaria de Cultura do Crato, publicado no Diário Oficial do Município nº 3144, de 13 de fevereiro do corrente ano, chamando para a eleição dos representantes da sociedade civil no Conselho Municipal de Política Cultural, período 2015/2016. O Artigo 4º, que trata do registro de candidaturas, estranhamente VETA A PARTICIPAÇÃO de membros dos diversos segmentos culturais que porventura sejam funcionários públicos do Município, do Estado ou da União, quando, textualmente, exige do/a cidadão/dã, no Inciso 4.2.2, “Declaração de que não é servidor público (esferas municipal, estadual ou federal) (...).” 

A determinação aludida fere o princípio da participação democrática nos conselhos setoriais, não sendo, por isso, constitucional! 

Diante dessa situação, reivindicamos da Secretaria de Cultura do Crato: 

1. Revogação do Edital nº 01/2015 e publicação de nova chamada, desta feita sem a frase impeditiva da participação dos servidores públicos municipais, estaduais e federais, e respeitando a Lei Municipal nº 0912001/2014-GP, Artigo 40, Inciso II, Parágrafo 3º, que diz: “Nenhum membro representante da sociedade civil, titular ou suplente, poderá ser detentor de cargo em comissão ou função de confiança vinculada ao Poder Executivo do Município.”; 

2. Definição de novo calendário, em que a eleição de representantes da sociedade civil se dê nos fóruns de linguagens, conforme sugere o manual do Sistema Nacional de Cultura, de modo que a escolha seja mais participativa e qualificada (as linguagens são, de acordo com a Lei Municipal: música; tradição; artes visuais; fotografia; audiovisual; teatro, circo e dança; literatura; patrimônio; memória; artesanato; moda; gastronomia; design);

3. Abertura para cadastramento de eleitores e candidatos também nos respectivos fóruns (o edital atual fixa o prazo de 18 de fevereiro a 03 de março de 2015, no sítio da secretaria de cultura ou em sua sede).

Esperamos atendimento. Queremos diálogo.

Crato-CE, em 20 de fevereiro de 2015.

Cacá Araújo
Professor, Ator, Diretor, Dramaturgo
Guerrilha do Ato Dramático Caririense



CONSULTAS: 
Lei, Divulgação Secult, Edital, Diário Oficial do Crato, Cartilha SNC.

https://www.facebook.com/culturacrato/photos/a.1393887624175402.1073741838.1391018957795602/1595537807343715/?type=1&theater
http://conselhoculturacrato.blogspot.com.br/p/conselho-municipal-de-politica-cultural.html
http://pt.calameo.com/read/0003074718521c9301f56
http://www.simplit.com.br/diario/
http://www.cultura.gov.br/documents/10907/963783/cartilha_web.pdf/8cbf3dae-0baf-4a30-88af-231bd3c5cd6e

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

CARNAVAL DA SAUDADE 2015

 
Estamos mais uma vez realizando o já tradicional Carnaval da Saudade do Crato Tênis Clube. Em 2015 comemoramos os 10 anos deste evento que tem se destacado na região do Cariri como a mais marcante festa do período momino. Uma festa marcada pelas marchinhas, frevos e sambas.

Em 2015 a festa será animada por duas orquestras da região do Cariri: A Orquestra Prisma, e a Orquestra Carnavalesca Azes do Ritmo, com as participações especiais do Maestro Hugo Linard e do grande Crooner Francisco Peixoto, que certamente farão o "Clube do Pimenta" ferver de alegria e muita emoção.

Dois grandes nomes da nossa cultura serão os homenageados: O Dr. Maurício Almeida Filho, Mauricinho, ex-presidente do Crato Tênis Clube, fundador da inesquecível "Cratucada", que tanto animou os carnavais do Crato, e um dos criadores do "Desfile das Virgens", famoso bloco de carnaval que começou nos anos 1970. O outro homenageado é o Maestro Hildegardo Benício, "in memorian", um músico de alma inteira, que viveu a maior parcela de sua existência, alegrando os seus semelhantes. Grande saxofonista que abrilhantou festas, tertúlias, e muitos eventos por esse Cariri afora. Um dos maiores ícones da nossa história musical.

E, como já é tradição, o Carnaval da Saudade 2015 vai sair a partir das 4 horas da manhã do CTC para encerrar em apoteose, na Praça Siqueira Campos.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

GUERRILHA DAS ARTES 2014



PROGRAMAÇÃO

06 | Quinta
19h – CAPITÃES DO ASFALTO (12 anos, 50min, Trupe dos Pensantes, Crato-CE)
20h30min – O HÓSPEDE (12 anos, 60min, Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, Juazeiro do Norte-CE)

07 | Sexta
19h – MACULELÊ (Livre, 60min, Dança, Grupo de Capoeira Muzenza, Crato-CE)
20h30min – FULANA, SICRANA, BELTRANA (12 anos, 60min, Equipe Teatral de Serra Talhada-PE)

08 | Sábado
19h – AS PROSOPOPEIAS DE CASSIMIRO COCO (Livre, 60min, Grupo Independente de Atores, Iguatu-CE)
20h30min – A COMÉDIA DA MALDIÇÃO (Livre, 60min, Cia. Brasileira de Teatro Brincante, Crato-CE)
22h – RAP NACIONAL (Livre, 40min, Música, Realidade do Gueto, Juazeiro do Norte-CE)

09 | Domingo
19h – PELEJAS DE UM CORAÇÃO (Livre, 60min, Tá na rua, Crato-CE)
20h30min – DE 4 É MAIS GOSTOSO (Livre, 60min, Humor, Cia. Kanoistraveizdinovo de Teatro, Crato-CE)

10 | Segunda
19h – A FADINHA E A NATUREZA (Infantil, 50min, Grupo Tábua de Pirulito, Crato-CE)
20h30min – BORBOLETÁRIA (14 anos, 50min, Teatro-Dança, Coletivo Dama Vermelha, Juazeiro do Norte-CE)

11 | Terça
19h – O PALHAÇO MÁGICO (Infantil, 50min, Tio G Eventos, Juazeido do Norte-CE) 20h30min – 5 CONTRA 1 (12 anos, 60min, Grupo Curumins de Teatro, Farias Brito-CE)

12 | Quarta
19h – O CASAMENTO DO PALHAÇO NENEN, Livre 50min, Cia. Circo da Alegria, Crato-CE)
20h30min – BATALHA DE BREAK (Livre, 50min, Dança, Oficina Ensaio Aberto, Crato-CE)

13 | Quinta
19h – PERIPÉCIAS DE FILISMINA (Livre, 8min, Academia dos Cordelistas do Crato-CE)
19h30min – SÓ NO CRATO MESMO (Infanto-Juvenil, 40min, Dança-Teatro, Projeto AABB Comunidade, Crato-CE)
20h30min – ECOOU UM CANTO LIVRE NA SENZALA (Livre, 40min, Grupo de Teatro Zaíla Lavôr, Juazeiro do Norte-CE)

14 | Sexta
19h – E POR QUE PALHAÇO? (Infantil, 50min, Grupo de Performances Circenses, Juazeiro do Norte-CE)
20h30min – METANOIA - UMA MUDANÇA DE MENTE (14 anos, 40min, Dança-Teatro, Cia. de Teatro e Dança Traquejo, Exu-PE)

15 | Sábado
19h – ÂNGELA, A BRUXINHA BOA (Infantil, 50min, Cia. Makra, Crato-CE)
20h30min – A DIFERENÇA QUE HÁ EM MIM (14 anos, 40min, Dança-Teatro, Grupo Cícera de Experimentos Cênicos, Juazeiro do Norte-CE)
22h – ACORDA GUETO (Livre, 60min, Música, Irmandade Rap, Crato-CE)

16 | Domingo

19hmin – SILÊNCIO POR UM MINUTO (16 anos, 45min, Cia. Ortaet de Teatro, Iguatu-CE)
20h30min – STAND UP COM HENRIQUE VIDAL (Livre, 60min, Crato-CE)

Realização:
Sociedade Cariri das Artes
Cia. Brasileira de Teatro Brincante

Parceria:
Grupos e companhias de teatro, dança e circo do Cariri cearense
Foobá – Site de Entretenimento
GPC – Grupo de Performance Circense
Circo-Escola Alegria
Coletivo Camaradas
Rede Coletivos

Apoio:
Prof. Robério Nogueira
Corretor Lucieldo Moreira
Bubbas Lanches

Patrocínio:
Prefeitura Municipal do Crato
Secretaria de Cultura do Crato

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Era pra ser apenas mais um carnaval...
E seria assim não fosse os descaminhos que a vida nos prepara.
Alfredo Ossian, um executivo perfeito, parado em frente à janela da sua sala, olhava para rua calado, inerte. Pensativo. Ora ria, ora sério, ora assoviava. Seu jeito sisudo de ser e o seu comportamento padrão, escondia naquele executivo, um homem carente de alegrias. Ávido de liberdade. Há tempos não sabia o que era um carnaval. Desde quando a adolescência se foi, ele assumiu a postura de homem sério.
Mas naquele ano a alegria lhe parecia chegar com toda a sua plenitude. Nada que mudasse o seu conceito sobre a festa. Afinal, o carnaval se reveste de dias de alegria. Liberdade e alegria em conluio se refazem nos quatro dias de festa. Mas a vida lhe exigira aquela postura.
Ninguém sabia, mas por trás daquela cara amarrada, estava um homem que amava. Também estava ali um homem que traía. Que se entregava às lides de Baco quando a liberdade o permitia.
Aos poucos o som do surdo se instalara na sua cabeça numa intermitente marcação de frevo, insistindo em não lhe deixar pensar em outra coisa que não fosse C A R N A – V A L... TUM-tum...TUM-tum...TUM-tum.... Nessa hora o sangue corre mais rápido nas veias daqueles que anseiam alegria. Corações em festa. São momentos em que a ansiedade de folião de repente se faz presente na cabeça e o pensamento lhe remete às velhas marchinhas tão presentes nos quatro dias de Momo....
♫ô abre alas que eu quero passar... eu sou da Lira não posso negar...Rosa de Ouro é quem vai Ganhar..
♫Êêêêuu fui uma tourada em Madriii...eeee quase não volto mais aquiii...prá ver Periii...beijar Ceciii....
Assim é que, em meio à multidão em festa, se vê passando um bloco do eu sozinho, outro bloco do nós juntos, e outro bloco, e outro, e outro... Avidez ambulante procurando alegrias coletivas regadas a largos brindes no banquete Dionisíaco. Uma parada aqui...outra ali... Nas esquinas, Nos bares e botequins o burburinho das palavras se misturavam. As pessoas trocavam ideias enquanto faziam planos para o reinado da folia.
Era sábado gordo. E era fim de tarde. Destaque para o Beco das Margaridas. Uma rua pequena onde ainda resistia o calçamento de pedra batida e de paredes largas denunciando a idade dos casarões que se transformaram em bares. Outrora lupanares, agora eram ambientes perfeitos para cervejas num fim de tarde. Entre os frequentadores do Beco das Margaridas, destacava-se Alfredo; aquela pessoa comum, séria, calada, muito querida na empresa em que trabalhava, onde era supervisor de vendas e coordenava uma equipe de seis pessoas que, formalmente, o tratavam por Dr. Alfredo Ossian.

Extremamente sério quando em serviço, Alfredo adorava uma mesa de bar e um happy hour regado à cervejotas e petiscos. Bastava a primeira dose para desabrochar o personagem que guardava a sete chaves. Eram momentos em que Alfredo se transformava numa pessoa alegre, descontraída, loroteiro, gostava de piadas e gargalhava alto sempre que algo lhe parecia engraçado.
Alfredo Ossian era casado com Rosa Aline, uma mulher loira, alta, bonita, dada às lides de casa. Cuidar de filhos era um passatempo. Carinhosa, porem, geniosa ao extremo. Há tempos, Rosa reclamava e desconfiava do marido. Inclusive, alguns rapapés já teriam sido gerados pela desconfiança e o ciúme de uma tal Leila. Bonita, morena, solteira e frequentadora do Beco das Margaridas.
Alfredo resolvera ir ao Beco e naquele dia encontraria amigos no boteco de sempre. Seria mais um encontro informal. Porém, o happy hour de hoje tinha uma cor e um ar diferente. O Boteco era o de sempre, os amigos eram os de sempre, mas o clima era outro. Era carnaval.
Alí, mulheres enfeitadas, espalhavam no ar o cheiro de perfumes afrodisíacos. Brilhos no pescoço em colares coloridos, pulseiras e pratarias lhes enfeitavam os pulsos e os dedos. O vermelho das bocas molduravam lábios carnudos e desejantes. Os olhos também brilhavam, assim como os olhos dos homens que, ao derredor, sonhavam orgias infindas.
Ao fundo, em meio às gargalhadas e ao tilintar de copos em brindes, as marchinhas começavam a encher o ar com uma eminente alegria, acompanhadas por um, ainda tímido, coral informal.
E assim...entre sussurros..., a noite começa. E o Carnaval chegou...
Hoje o dia passou rápido e a noite, sem rodeios, dava o ar da graça com um cenário colorido... teremos uma noite diferente. A alegria se instalara no Beco das Margaridas desde as ultimas horas da tarde deste sábado gordo.
A balada apenas começava. As calçadas agora já tomadas pelas mesas era o palco do carnaval. O ambiente momino se fez nascer de vez. Agora, pessoas iam e vinham. Umas voltavam para as suas casas, outras passavam, outras chegavam e ficavam. Siiiimmm...realmante já era carnaval.

Na calçada em frente, alguém com colar havaiano e camisa florida, cantarolava alto enquanto desenrolava no ar as primeiras serpentinas. Outros mais comedidos,   ensaiavam bitocas e combinações para o “mais tarde” baquiano. Desenroladas e atreladas aos fios elétricos, as serpentinas coloridas davam ao Beco das Margaridas, a sua perfeita fantasia.

De repente, aos olhos de Alfredo, o cenário do Beco se enfeita de vermelho. Era Leila que chegava em passos lentos. Num salto alto exibindo toda a graça de que lhe presenteara a vida. Lábios carnudos, olhos pretos e bem abertos,cílios postiços lhes realçavam e os cabelos encaracolados lhe escorriam pelos ombros. Vestia um vermelho com um generoso decote que, bem colado deixava à mostra a perfeição de um belo par de pernas e o arredondado perfeito de suas nádegas. Uma Deusa.
Olhos nos olhos, Leila passa como quem não quer nada mas, no fundo, se faz presente a uma ínfima distancia de Alfredo. Provocante...adocicando o ar.
Olhos nos olhos, agora mais insistente, Alfredo provocava uma aproximação desinteressada, porém, caliente. Conversaram bastante. Alfredo sentindo o clima, pensou duas vezes. Melhor não tentar... Deu de ombros...pediu a conta e se foi pra sua casa. No caminho a insistente imagem de Leila quase não o deixa ver as ruas, o transito. A medida que chegava em casa se lhe recobrava o juizo.
Dificil para Rosa Aline não perceber...não imaginar o que ocorrera. Já era praxe uma briguinha por causa do Beco das Margaridas. Porém, naquela noite, Alfredo não segurava o seu desejo de voltar e estar com Leila. Rosa notou a sua indiferença e sem hiato de tempo disparou:
• Conheço a sua cara de desconfiado. Com certeza estava acompanhado e eu já imagino com quem você estava...dizia Rosa.
Claro que eu estav com os amigos de sempre...Alfredo respondia à meia boca, asiim...meio calado.
A certa altura a discussão tomou outro rumo, cobranças de parte à parte e as agressões verbais também. Os ânimos se acirraram e Alfredo, de súbito, toma uma decisão: voltaria ao Beco das Margaridas. Não adiantou os pedidos de “fique” e nem as ameaças de Rosa Aline. A decisão se concretizou.
No trajeto de volta os pensamentos se misturavam entre a ira provocada pela discussão e a certeza de que reencontraria Leila. A paixão alimentada e tantas vezes recolhida viera como um relâmpago. Seu coração disparara. Por que não? Perguntava a si mesmo como que fosse uma justificativa ao que pensava em fazer naquela noite.
Ao chegar ao Beco das Margaridas uma ultima decisão. Na primeira oportunidade se declararia a Leila. Imaginava não ter outra oportunidade. A briga em casa, o carnaval, os drinks, o vestido de Leila, a boca, o perfume, tudo era pretexto.
Os amigos ainda estavam no bar. Mesmo desconfiados festejaram a volta de Alfredo que, atento, fazia passear os olhos procurando por Ela em meio aos foliões. A caminho do banheiro encontra a sua Deusa. Atrapalharam-se na passagem, bateram-se de frente e....buuuuummmm. “ é agora ou nunca mais – pensou...”
Investiu sem medo. Um beijo na boca carnuda selou de vez a realização de desejos há tempos guardados. E foi um beijo quente, molhado, em câmera lenta. A mão na nuca ajudava no passeio de sua língua na boca de Leila. Boca na boca, Tentando roçar pernas Leila correspondia aos carinhos enquanto Alfredo se deleitava por aquela que lhe despertou tanto desejo.
A noite seguiu, a partir daí, em clima de romance à la shakespeare. Mão na mão. Cadeiras coladas, promessas, palavras doces, carinhos no rosto, por vezes mão no ombro, por vezes mão na perna. Bitocas, línguas. Era enfim o sonho.

O surdo continuava a sua intermitente marcha. O vai e vém de pessoas não deixou que ninguém desse conta da chegada de Rosa Aline. Parada, estática em frente à mesa, assistia ruborizada a mais um beijo do casal recém-formado. Ela não podia acreditar no que via. Mas a surpresa veio acompanhada de uma incendiada revolta. Aí a ira e a geniosidade falou mais alto dando lugar à parcialidade.
Frente a um casal literalmente parado e de olhos esbugalhados ela parece calada enquanto o coração ainda lhe repete a cena que presenciara a instantes. Num trágico rompante, Rosa puxou da bolsa uma pequena pistola.
Naquele momento, entre os rufos da caixa de guerra e a marcação do surdo, ecoa um som estridente, quebrando o ritmo da musica. Rosa Aline dispara quatro tiros certeiros e fatais.
Dalí a não mais que alguns minutos o som que se ouve não é mais o som dos clarins de momo. Ecoa no Beco das Margaridas o som estridente das sirenes dos carros de policias e de ambulâncias.

Agora o Beco está quase deserto. No chão dois corpos. Dois filetes vermelhos se deslocam para o canto do meio fio. O casal está desfeito. Uma vela para dois. O vermelho da paixão, está desfeito em sangue que percorre o meio fio.
Rosa seguiu com os policiais, deixando para traz as cores carnavalescas, agora tristes, enlameadas pelo vermelho sangue que restou daquela tragédia.
O Beco das Margaridas está em silencio sepulcral. Está de luto. Ao longe, em outras plagas, ainda se ouvia, trazidos pelo vento, o som de um fim de noite de carnaval...
• ♫é de fazer chorar, quando o dia amanhece e o ultimo frevo tocar

• ♫ó quarta feira ingrata, chegou tão depressa , só pra contrariar...
(WILTON DEDÊ)
Fotos:Internet

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