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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Ulrick Graf: O Suíço que foi alçado a ícone na mitologia do “País de Mossoró”

Ulrick Graf: O Suíço que foi alçado a ícone na mitologia do “País de Mossoró”

(*) José Romero Araújo Cardoso

Ulrick Graf nasceu na Suíça, mas marcou profundamente a história social e econômica da capital do oeste potiguar, pois ao transferir seus negócios do ramo de importação e exportação de Macaíba para Mossoró, chegando na companhia de Adolfo Mayer, futuro abolicionista das lutas que culminaram com o 30 de setembro de 1883, imprimiu marca indelével lembrada com entusiasmo em razão da sua clarividência e do seu empreendedorismo ímpares.
Em meados da segunda metade do século XIX, devido ao assoreamento do Porto do Aracaty, na foz do rio Jaguaribe, determinou-se que houvesse a transferência do empório comercial que até então se vislumbrava no Ceará para a área próxima a desembocadura do rio Apodi-Mossoró, pois as exportações sertanejas tinham que ser processadas nas imediações do antigo pólo econômico cearense, intuindo dar continuidade ao escoamento da produção do Ceará, da Paraíba e do Rio Grande do Norte.
Devido à posição geográfica privilegiada, Mossoró assumiu a vanguarda desse processo, tendo crescido, a partir de então, de forma vertiginosa e impressionante. Diversas firmas do ramo de exportação e importação começaram a se instalar no pequeno lugarejo, instalando-se ainda a navegação de cabotagem, aproveitando-se das condições favoráveis propiciadas pelo Porto Franco, localizado hoje, não obstante inativo, estando dominado hoje em quase toda sua extensão por salina, no município de Grossos.
Graf, observador atento da riqueza que a natureza disponibilizou para Mossoró, pensou imediatamente que para Mossoró faltava meio de transporte adequado para escoar a produção salineira.
Conseguiu do governo imperial licença para construir estrada de ferro que ligaria Mossoró ao rio São Francisco, mas devido inúmeros fatores esta caducou e Graf não conseguiu lograr seu intento.
Outro ponto da clarividência de Graf foi a necessidade de estruturar lócus de aprendizagem que viabilizasse a convivência do homem com as condições adversas do semiárido. O sonho de Grafo foi conseguido através da luta de Vingt-un e Dix-huit Rosado para a concretização da Escola Superior de Agronomia de Mossoró, atual Universidade Federal Rural do Semiárido.
Caso as pregações de Graf tivessem sido concretizadas na época, com certeza teria havido condições mais coesas da região se desenvolver de forma proeminente, não obstante as lutas empreendidas desde então a fim de dotar o oeste potiguar e o próprio Rio Grande do Norte de infraestrutura que possa efetivar conquistas que beneficiem o gênero humano.
Desiludido com as provações que teve de enfrentar, Graf abandonou a área que acreditou ser possível para efetivar contribuição e migrou provavelmente para a região amazônica, não havendo mais notícias do seu paradeiro.
Alçado ao status de ícone na mitologia do “País de Mossoró”, Graf é referência quando o assunto é a luta em prol de nobres ideais a fim de subsidiar a luta histórica visando o engrandecimento da capital do oeste potiguar e sua área de influência.
Como homenagem ao europeu que buscou dar significativa contribuição para o crescimento de Mossoró, existe bairro residencial cujo patrono é Ulrick Graf, idéia defendida por Jerônimo Vingt-un Rosado Maia que via no suíço exemplo de coerência na defesa da capital do oeste potiguar.


(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente.

Expocrato - Uma visão goela abaixo.


Estamos no ano de 2010. Os tempo evoluíram tanto que não sabemos direito o que nos vem pela frente. A cada minuto temos a sensação que o segundo que passou já está obsoleto. Tudo é ultrapassado, as novidades não são mais ditas, são observadas e descobertas a cada instante. Em um mundo midiático, guiado para você, funcionando de acordo com as suas preferências (ah se fosse realmente assim!), gostos e ideologias, vem ainda muitas sensações de engolir a seco. Você vive frequentando lugares e vivendo de acordo com o que te faz bem. É a democracia da escolha, do gosto, da sensação de prazer. Será que a nossa constante insistência em viver é obsoleta? Será que temos realmente que admitir que estamos ultrapassados? que temos que pendurar as chuteiras e deixarmos de ser ranzinzas?
As últimas versões da Expocrato, há cerca de 10 anos, vem me dando essa sensação. Engulo à seco e choro intimamente quando tenho o desprazer de ver a programação musical dessa festa que acontece exatamente no Cariri, região cantada, versada e dita como expoente da cultura do nosso país. Nessa festa que tomou rumos e proporções inacreditáveis. Nesse evento que traz para todo o caririense a sensação de unidade, de sentir a alegria de que ser dessa região é ser feliz, e que, ainda, temos orgulho de receber os turistas, seja em hotéis e pousadas, que ainda são poucos para o evento, seja nas nossas casas, que se abrem impressionantemente para receber os nossos familiares e convidados. Mas a festa cotinua e a farra com as nossas emoções e nossos princípios culturais anda à solta. Marcada pela imposição goela abaixo de quem faz a programação musical da expocrato e desfaz os nossos gostos, as nossas preferências e ditatoriamente diz: "Não! Você tem que ver e ouvir o que nós queremos, e tem mais, vai pagar caro por isso!". "We don't need no education". Nós não precisamos de educação. Nós não precisamos ser controlados. Nós queremos é ter acesso e direito aos nossos direitos. Nós queremos música de verdade, diversão e arte. Não nos interessa seus cofres cheios e os nossos bolsos secos. Não nos interessa a sua ignorância inconsequente. Precisamos e queremos sim, a nossa alma e o nosso coração vivos e felizes por ser parte da história viva da região do Cariri, e por sermos disseminadores de tudo isso, por esse mundo afora.
Descruzemos os braços. Façamos a nossa parte. Vamos nessa Cariri!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Tropeiros da Borborema: Tradução precisa da aventura almocreve pelas veredas da terra do sol







Tropeiros da Borborema: Tradução precisa da aventura almocreve pelas veredas da terra do sol

(*) José Romero Araújo Cardoso


Raimundo Yasbek Asfora e Rosil Cavalcanti uniram-se para escrever a letra de uma das mais belas canções em língua portuguesa, a qual homenageia a segunda cidade do Estado da Paraíba.
Nenhum dos autores de “Tropeiros da Borborema” era Campinense de nascimento. Asfora, nascido em 1930 e falecido tragicamente em 1987, era cearense de Fortaleza, descendente do grupo árabe que aportou na terra de Iracema fugindo da convocação forçada pelos ingleses na primeira guerra mundial, enquanto Rosil, cujas músicas antológicas Jackson do Pandeiro, que formou a dupla “Café com Leite” com o grande gênio da música regional nordestina, gravou e imortalizou-as, como “Cabo Tenório”, “Lei da Compensação”, “Quadro Negro” e o clássico “Sebastiana”, entre inúmeras outras, era pernambucano, nascido em Macaparana, no dia 20 de dezembro de 1915. Rosil faleceu em Campina Grande, na fria noite de 10 de julho de 1968.
A importância dos tropeiros para a história social e econômica da antiga Vila Nova da rainha foi tão impressionante que não há como dissociar a dinâmica cidade com a presença dos antigos agentes econômicos que vinham do brejo, do agreste, do curimataú, do sertão, etc., bem como de Estados vizinhos, como o Rio Grande do Norte e o Ceará, carregados com seus fardos de pele e de algodão, em direção a Goiana e Olinda, no Estado de Pernambuco, importantes empórios comerciais no século XIX.
Campina Grande começou a evoluir quando foi observado que boa parte da produção transportada pelos velhos tropeiros poderia ficar em solo paraibano. O investimento em máquina de beneficiar algodão foi de importância basilar para o desenvolvimento local, pois isto permitiu que a cidade se transformasse em grande exportadora do “ouro branco”, o que significou um dos momentos cruciais do “boom” econômico da “Rainha da Borborema”.
A chegada da máquina número 3, da Great Western, no dia dois de outubro de 1907, representou também as condições para que o progresso fosse implementado a partir de então, pois era a garantia da facilidade para o escoamento da produção algodoeira.
Para vencer os obstáculos representados pelo Planalto da Borborema, conduzindo tropas de burros, precisava ser muito corajoso. Conforme a professora Inês Caminha Lopes Rodrigues, em “Revolta de Princesa: Contribuição ao Estudo do Mandonismo Local”, a barreira orográfica era um grande empecilho para o escoamento da produção sertaneja, o que justifica em parte as decisões dos produtores da região polarizada por princesa de buscar na época as praças pernambucanas a fim de implementar os negócios.
Os tropeiros da Borborema sintetizaram a coragem inaudita do povo interiorano em vencer barreira, razão pela qual a imortalidade suscitada na eterna composição de Asfora e Cavalcanti tem a característica de ser oportuna e pioneira na homenagem aos grandes seres humanos que hoje estão representados em monumento em Campina Grande.
A belíssima canção reconhece em seus refrães finais que Campina Grande somente tem a sua grandeza devido à presença dos antigos tropeiros que buscavam pousadas quando demandavam a Pernambuco em tempos idos, mas que as brumas do tempo não conseguem apagar, graças, em muito, à genialidade de dois fenômenos extraordinários que foram beneficiados pela voz e pelo talento de outro gênio chamado Luiz Gonzaga do Nascimento, responsável pela impecável voz para a eternidade da música, pois quando o eterno “Rei do Baião” interpretou “Tropeiros da Borborema” lançou imediatamente as bases da imortalidade desta magistral poesia nordestina surgida nas paragens da antiga Vila Nova da Rainha.
O acúmulo de capitais a partir das bases lançadas com os tropeiros da Borborema foi sendo responsável pela contínua evolução de Campina Grande, a ponto hoje de ser conhecida como “O Vale do Silício Brasileiro”, devido à presença de várias empresas que desenvolvem tecnologia de ponta, havendo ênfase ainda aos estudos e experiências que resultaram nas impressionantes fibras do algodão colorido, que são orgulhos da cidade de Campina Grande e motivos que a tornaram conhecida internacionalmente como pólo dinâmico e criativo de um nordeste que precisa e pode crescer em ritmo cada vez mais intenso.

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Contatos: romero.cardoso@gmail.com. (MSN) romeroc6@hotmail.com.

Grande espetáculo teatral em Crato e Juazeiro do Norte

Festa de Barbalha na visão artísica e fotográfica de Allan Bastos

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Luiz “Lua” Gonzaga: Uma emoção indescritível




Luiz “Lua” Gonzaga: Uma emoção indescritível


(*) José Romero Araújo Cardoso


Não obstante nunca ter fumado ou bebido. Luiz Gonzaga foi garoto-propaganda do Fumo DuBom, divulgando a qualidade do produto, a cultura nordestina e aproveitando para buscar equilíbrio financeiro em razão do ostracismo ao qual foi relegado em razão do advento de tendências musicais inspiradas em culturas do estrangeiro, como a Jovem Guarda.
Imagens que se fixaram em minha mente, nas minhas lembranças, difíceis e impossíveis de serem apagadas, foram gravadas provavelmente no início da década de setenta do século passado.
Quando de um show promovido pelo Fumo Dubom em Pombal (PB), na lateral do velho cruzeiro que marca a passagem do século XVIII para o século XIX, de frente à Igreja do Rosário, meu pai, que era homem de bom gosto musical, pois era fã incondicional da eterna e sublime arte de Luiz Gonzaga, tendo “Juazeiro” como canção-identidade, me levou para assistir um dos momentos marcantes de sua vida.
Quando ele me levantou e me colocou em seu pescoço, pois muito pequeno era impossível ver o que se passava logo adiante, devido ao grande número de pessoas que se acotovelava intuindo melhor lugar para desfrutar das músicas que eram cantadas, cenário indescritível se descortinou aos meus olhos, com a extraordinária performance do “Rei do Baião”.
Àquele homem, com um imenso chapéu de couro, abrindo e fechando compassadamente a sanfona, todo encourado, iluminado pelas luzes de inúmeros refletores, marcou profundamente para o resto da minha vida.
Entendi a razão por que todo dia meu pai nos acordava com o rádio em toda altura quando programação dedicada ao “Rei do Baião” era iniciada. Luiz Gonzaga é eterno, ímpar em despertar a autenticidade e a identidade do sertanejo, pois cantou em versos extraordinários, a maioria em parceira com Humberto Teixeira e José Dantas de Sousa Filho, o sertão em corpo e alma.
Imortalizou a nossa flora, os nossos passarinhos, as secas inclementes, as parteiras, os frouxos, os valentes, o chofer de praça, a pobreza do nordeste, os retirantes, enfim, a verdadeira alma do nordeste, a essência que deve permear todas as práticas pertinentes aos filhos da terra do sol.
Luiz Gonzaga em sua simplicidade amava sua terra e seu povo de forma incondicional, pois lhes dedicou antológicas composições que fazem do seu legado um dos mais importantes e respeitáveis repositórios da verdadeira nordestinidade.
A importância de Luiz Gonzaga era tão grande que o fascino despertado fez com que Benito di Paula, grande artista nacional, dedicasse ao “Rei do Baião” uma das mais belas homenagens prestadas ao sertanejo do Exú, pois ao invocar a sanfona branca o povo, o chapéu de couro que lembrava a valentia dos cangaceiros, estava sendo selada a referência de um gênio a um mito do cancioneiro popular em todos os tempos.
Cabe a nós, nordestinos natos, intensificar a reverência à memória e á arte do eterno Luiz “Lua” Gonzaga, pois ameaça inaudita se consubstancia quando há nítida aculturação em prol da ênfase à deturpação dos nossos valores através do advento de pseudo-defensores da cultura nordestina que pensam mais em cifras do que em buscar a permanência das nossas tradições, pois intercalando a barulheira estridente dos instrumentos eletrônicos com os sons cadenciados dos verdadeiros equipamentos que produzem a música genuinamente nordestina, invertem a real dimensão das pregações efetivadas por Luiz “Lua” Gonzaga, o eterno e insubstituível “Rei do Baião”.

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente.

Banda Mundo Livre S/A e DJ Dolores são as principais atrações no quarto aniversário do CCBNB-Cariri

Centro Cultural Banco do Nordeste comemora quarto aniversário no Cariri

Internacionalmente reconhecidos, a banda Mundo Livre S/A e o DJ Dolores são as principais atrações da programação especial gratuita, comemorativa do quarto aniversário do Centro Cultural Banco do Nordeste-Cariri, localizado na região sul do Ceará. Os artistas encerram a programação no próximo sábado, 5, na Praça da RFFSA – Rede Rodoviária Federal, no município do Crato. Liderada por Fred 04 (autor dos manifestos e fundador do movimento musical Mangue Beat ao lado de Chico Science, Nação Zumbi e DJ Dolores), a apresentação do Mundo Livre S/A acontece às 22 horas.

Em seguida, o DJ Dolores apresenta o show “1 Real”, título do seu terceiro CD, à meia-noite. Premiado e requisitado para arranjos musicais e trilhas sonoras de cinema, o DJ Dolores propõe uma experiência de mixagem característica dos DJ’s, porém com um diferencial, ao vivo e com banda, apresentando um show feito para dançar. DJ Dolores já se apresentou nos principais festivais de música da Europa, dividindo, inclusive, o palco com artistas de peso como Bjork, Moby, Chemical Brothers e Elvis Costello. Remixou músicas de Bob Marley, assinou a trilha sonora do filme e da peça “A Máquina”, de João Falcão, além de ter vencido uma das edições do prêmio TIM de música, conquistado na categoria Música Eletrônica.

O Amor segundo Chico Buarque

A programação especial do aniversário de quatro anos do Centro Cultural BNB-Cariri (rua São Pedro, 337 – Centro – fone: (88) 3512.2855) tem início na sexta-feira, 4, com a apresentação do espetáculo cênico-musical “Segunda Toada para João e Maria – o Amor segundo Chico Buarque, Lado B”, com o grupo paulistano Núcleo Toada. O musical destaca músicas do cantor, compositor e escritor Chico Buarque e textos de alguns poetas e pensadores, contando a história de um casal como tantos outros. O espetáculo acontecerá no cineteatro do CCBNB-Cariri, em Juazeiro do Norte. Classificação indicativa: 12 anos.

Emboladas, cordéis, zabumbeiros e forró


Simultaneamente, a programação do quarto aniversário do CCBNB-Cariri acontece durante a X Exposição de Produtos da Agricultura Familiar (X EXPROAF), no Crato. Também às 20h da sexta-feira, 4, a dupla de emboladores piauienses Jotinha e Jotão se apresenta divulgando a arte, a poesia popular e a riqueza de suas emboladas que cantam o modo simples do povo nordestino. Às 21h, a dupla reprisa a embolada ao vivo, no mesmo lugar. Entre as duas apresentações de Jotinha e Jotão, serão lançados dois cordéis: “Piqui é Mãe Generosa”, de Espedito Arnaldo, do Crato, às 20h30; e “Valorize a Agricultura Familiar”, de Maria Rosimar Araújo, de Juazeiro do Norte, às 20h45. O primeiro cordel mostra a valor do piqui para o Cariri cearense: pela ótica do poeta Espedito, o piqui é a mãe que dá o vestir, o comer e o lazer do caboclo caririense. Já o segundo apresenta a importância que há em toda a produção da agricultura familiar.

Em seguida, às 21h30, a banda Zabumbeiros Cariris, de Juazeiro do Norte, exibe seu proseado de rabeca, triângulo, pífano, viola e zabumbas, para alegrar o palco desenhando o vale encantado do homem-cariri. Quem encerra nesse dia (sexta-feira, 4), a partir das 23h, a programação especial do quarto aniversário do CCBNB-Cariri, é a banda cratense Forró Soper de Serra, tocando o autêntico Forró Pé-de-Serra. O grupo apresenta grandes clássicos da música popular nordestina, mostrando a simplicidade e os valores do verdadeiro forró de raiz.

Atividades infantis, Mundo Livre S/A e DJ Dolores

Na tarde do sábado, 5, a programação especial é dedicada à garotada, com apresentação de teatro infantil, contação de histórias e realização de uma oficina de arte, nas dependências do CCBNB-Cariri. Em duas sessões, às 14h e às 16h, o grupo Armadilhas Cênicas, do Crato, apresenta o espetáculo “Terreiro de Histórias”. Na peça dirigida por Edceu Barbosa, o grupo faz suas malas e sai pelo mundo em busca de terreiros, para que possa estacionar suas bicicletas e armar a lona para fazer ali mais uma sessão de contação de histórias.

Às 15h, o Grupo Parque de Teatro, oriundo de Aquiraz (CE), apresenta a contação de historias intitulada “As Novas Leis do Reino de Foncé”. No enredo, dois atrapalhadores contadores de histórias chegam atrasados para uma apresentação, onde contarão a história do príncipe Dauzinho – um garoto que, durante as férias do rei e da rainha, criou leis para deixar todo mundo igual, gerando uma enorme confusão.

Às 15h30, o arte-educador Cícero Carlos Oliveira, de Juazeiro do Norte, ministra a oficina “Brincando, fazendo bonecos e arte com a palha do milho”. O objetivo da oficina é trabalhar o lúdico, ao passo em que as crianças aprendem brincando a fazer os bonecos utilizando a palha de milho. À noite, na Praça da RFFSA, a programação especial de aniversário de quatro anos do CCBNB-Cariri se encerra duas atrações internacionais: os shows da banda Mundo Livre S/A, às 22h, e do DJ Dolores, à meia-noite.

ENTREVISTAS E INFORMAÇÕES ADICIONAIS:

Lênin Falcão (gerente do Centro Cultural Banco do Nordeste-Cariri) – (88) 3512.2855 / 8802.0362 – lenin@bnb.gov.br
Luciano Sá (assessor de imprensa do Centro Cultural Banco do Nordeste) – (85) 3464.3196 / 8736.9232 – lucianoms@bnb.gov.br

Fonte: Centro Cultural banco do Nordeste Cariri - CCBNB
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Barbalha se torna vitrine de manifestações folclóricas durante a Festa de Santo Antonio

REISADO DE BAILE, que estava extinto, foi resgatado no Município de Barbalha. O grupo se apresentou na abertura da Festa de Santo Antônio. Para quem visita e participa da programação é uma oportunidade de conhecer a cultural local do Cariri. Durante 13 dias, a cidade de Barbalha está cheia de atrativos para quem quer reverenciar Santo Antônio

Barbalha. A Festa de Santo Antônio foi aberta no domingo, mas a tradicional programação durante os 13 dias de festa continua sendo realizada. Um dos principais atrativos são os grupos folclóricos. São cerca de 50, entre os quais penitentes, vaqueiros, maneiro pau, bandas cabaçais e reisados. Eles desfilam pelas ruas centrais da cidade. As imagens coloridas dos grupos enchem as ruas. A cidade se transforma numa vitrine das manifestações culturais da região do Cariri. A imagem de Santo Antônio visita diversas ruas da cidade. Na Igreja Matriz é rezada a trezena, uma espécie de novena, que, diferentemente, da novena rezada em nove dias em homenagem ao santo (por ser o dia 13 o seu dia de festejo) é rezada em 13 dias. A trezena iniciada em Portugal foi levada pelos portugueses para outros países e antigas colônias. Ao lado da igreja, foram instaladas quermesses. É o ponto de encontro da tradicional família de Barbalha.

É a festa do reencontro, da confraternização e do aperto de mãos entre conterrâneos que estavam morando fora. A Prefeitura montou palcos em quatro pontos estratégicos da cidade com o objetivo de promover shows com artistas regionais. No palco Marco Zero, a programação foi aberta, ainda no domingo, com Dorgival Dantas, Cheiro Nordestino Fernandinho e Banda Casa de Reboco. Na Praça da Estação, já se apresentaram Ítalo e Reno, Flávio Leandro e Maninho e Banda. No Largo do Rosário, Caninana do Forró Joãozinho do Exu Luiz Fidelis. A maior movimentação ocorre no Parque da Cidade, um espaço reservado para eventos. A programação abriu com Nando Cordel, Chico Pessoa e Os Águias. Estão confirmados shows com Louro Santos e Victor Santos, Forró Moleca Atrevido, Yegor Gomes, Forró Tapera, Arreio de Ouro, Banda Encantus, Índio e Sua Tribo, Diassis Martins, Forró Caboclo, Chicabana, Forró de Taipa e Leonardo.

Uma figura que já virou destaque na cidade foi a empresária Socorro Luna. Solteirona "juramentada", como diria Odorico Paraguaçu, personagem da novela "O Bem Amado", ela transformou sua casa, na Rua do Vídeo, Centro, no polo de divulgação dos poderes milagrosos de Santo Antônio, conhecido como "Santo Casamenteiro". Ali, são vendidos kits com simpatias para casamento. A renda é destinada à paróquia. É uma forma de alimentar a crendice de que a moça solteira que pega no pau da bandeira casa em menos de um ano. Em nome dessas lendas, são vendidos chás e kits milagres feitos com a casca do pau. Este ano é um jatobá, espécie considerada como medicinal. Socorro que, segundo afirma nunca casou porque não quis, mas sempre conseguiu pretendentes, graças a Santo Antônio, mandou estampar em frente à sua casa a frase: "Socorro Luna, a solteirona mais famosa do Brasil". É verdade, a solteirona já foi entrevistada nos programas Jô Soares e Mais Você, da Rede Globo. Este ano, sua casa foi transformada num ponto de visitação. Ela diz que ser solteirona bem sucedida é um privilégio. Não faltam pretendentes.

Além de vender os kits feitos da casca do pau, Socorro mantém sob seu controle uma rede de devotos e devotas de Santo Antônio que conseguiram "desencalhar", ou estão com o casamento marcado. É o caso de Camila Soares que tocou na árvore da festa do ano passado. Este ano, ela voltou com o noivo, Alan Luna, com o casamento acertado para o próximo mês. A origem da fama de Santo Antônio como santo casamenteiro, segundo o padre Renato Simoneto, vigário de Barbalha, deve-se ao fato de que ele era um excelente conciliador de casais. Segundo a lenda, essa fama do Santo remonta talvez a um episódio em que uma senhora, que fora reduzida à miséria, decidiu prostituir a própria filha para sair da pobreza. A moça então recorreu à ajuda de Santo Antônio. Rezou com todo o fervor diante da imagem dele quando, de repente, caiu das mãos da estátua um bilhete que a moça pegou nas mãos. O bilhete era dirigido a um próspero comerciante da cidade e dizia: "Senhor N..., queira obsequiar esta jovem que lhe entrega este bilhete com tantas moedas de prata quanto for o peso do mesmo papel. Deus o guarde! Assinado: Antônio".

A jovem teve fé e levou o bilhete à loja do comerciante que pesou o papel, colocando o bilhete num prato da balança e uma moedinha de prata em outro. Mas, para surpresa, o bilhete pesava mais do que a moedinha de prata, e o comerciante, sem entender o que se passava, começou a colocar mais e mais moedas no prato da balança até conseguir equilibrar os dois pratos da balança com a soma de 40 escudos. A história correu pela cidade e a moça passou a ser procurada por rapazes bons e honestos que lhe propunham casamento. Ela escolheu um bom moço, casou-se e foi feliz. Daí em diante as mulheres que querem casar recorrem a Santo Antônio para pedir ajuda.


Antonio Vicelmo
Repórter do Jornal Diário do Nordeste

Colaborador do Blog do Crato

fonte:http://blogdocrato.blogspot.com/
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