segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Dane de Jade – Cultura enquanto desenvolvimento humano



A produtora cultural, atriz e pesquisadora Dane de Jane assumirá a partir de janeiro de 2013 a Secretaria de Cultura do Crato. 

"Na função de Secretária de Cultura da minha cidade natal, espero poder contribuir para o alargamento das ações que buscam desenvolver o ser humano, na perspectiva da construção de uma sociedade melhor.  Ela destaca  “Vamos analisar cada ponto da “Carta Compromisso com a Cultura” e buscar junto às três esferas do poder público e a sociedade os meios para honrar esse compromisso. A “Carta” trata-se de um documento político assinado pelos quatro candidatos a prefeito do Crato que assumem compromissos com politicas públicas para cultura. O documento foi elaborado a partir de uma proporção nacional elaborada pela Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura."    

Alexandre Lucas - Quem é Dane de Jade?
Dane de Jade - Natural do Crato - Ceará, atriz-pesquisadora, produtora, arte-educadora, radialista e gestora cultural. Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Regional do Cariri - URCA, cursou também arte-educação na URCA, pós-graduação em Gestão Estratégica nas Organizações de Terceiro Setor na Universidade Estadual do Ceará – UECE e Doutoranda em Turismo, Lazer e Cultura pela Universidade de Coimbra em Portugal. Dirigiu o Departamento de Promoção, Difusão e Ação Sócio-Cultural da Fundação Cultural J. de Figueiredo Filho em Crato-CE, fomentou a criação e gerenciou o Programa Cultura do SESC Ceará por 14 anos, onde desenvolveu e coordenou, entre outros projetos, a Mostra SESC Cariri de Culturas.

Foi a responsável pela curadoria do projeto “Traga a França para os meus versos e leve os meus versos para França”, dentro da programação do Ano França/Brasil na Universidade de Poitiers e criou a Mostra SESC Luso-Brasileira, em Coimbra/Portugal. Por 13 anos foi a curadora representante do Ceará nos projetos Palco Giratório - Rede Nacional de Difusão e Intercâmbio das Artes Cênicas e Sonora Brasil - Formação de Ouvintes Musicais.
Participou e atou em diversas peças de teatro no Ceará, com indicação ao prêmio de melhor atriz pelo espetáculo “O Baile do Menino Deus.” Atuou no monólogo “A Hora da Bruxa”, dirigida pela argentina Vanina Fabiak e participou da fundação do Grupo Armazém de Teatro - GAT em 1996.

Como curadora, participa do Festival Cena Brasil Internacional (Rio de Janeiro e São Paulo),  da comissão de seleção do Festival de Curitiba e do Edital Verão Cênico 2012 em Salvador/BA, integrou o núcleo curador do Prêmio Myriam Muniz em 2009, a comissão do Programa Petrobras Cultural 2010 e a delegação brasileira no Festival de Edimburgo/Escócia em 2011.  É integrante da Rede de Programadores Conexões Latinas sediada em Buenos Aires/Argentina.

Sócio-fundadora da Ong BEATOS - Base Educultural de Ação e Trabalho de Organização Social. Realiza palestras e oficinas sobre Gestão Cultural em diversas regiões do país. Vencedora do Prêmio Claudia 2012 (maior premiação feminina da América Latina realizada pela editora Abril) na categoria Cultura. Membro do Conselho Estadual de Cultura do Ceará, consultora da Associação Teatro da Boca Rica. Desenvolve trabalhos e pesquisa na área de tradição popular, atualmente aceitou convite para assumir a secretaria de Cultura do Crato.

Alexandre Lucas - Quando ocorreram seus primeiros contatos com as artes?

Dane de Jade - Boa parte de nossa infância, minha e dos meus irmãos, foi vivida dentro do Cinema da Rádio Educadora de Crato, mantido pela Fundação Padre Ibiapina. Quando estavam em cartaz filmes que meu pai, Raimundo Inácio,  considerava “apropriados” para a nossa idade, assistíamos das cadeiras, quando ele dizia que os filmes eram “proibidos”, ficávamos na cabine de projeção vendo-o trabalhar e observando os rolos com as películas. Papai foi operador cinematográfico e minha mãe, Luzanira, professora da Fundação, ela ensinava corte e costura, era uma artista das mãos que além de excelente costureira bordava, pintava e fazia artesanatos belíssimos. Meus pais sempre foram, para mim, motivo de grande admiração: ele, pela honestidade, serenidade e perseverança; ela, pela bondade, sabedoria e sensibilidade artística que manifestava até em tarefas cotidianas como cozinhar, costurar, na relação amorosa e afetiva com as pessoas, sem fazer distinção de posição social. Então meu primeiro contato com a arte vem dessa educação que recebi de meus pais.

Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória.

Dane de Jade - Quando muito pequena recebi de uma tia o apelido que me acompanharia por toda a vida. Crianças que costumam fazer traquinagens são chamadas de “danadas”. No meu caso, o nome passou por variações desde “Danoca, Danada” até virar “Dane”, quando comecei a me iniciar no meio artístico recebi o complemento “de Jade” batizada por João do Crato, devia ter uns 15 anos. Iniciei meus estudos em uma escola municipal chamada Teodorico Teles, onde fui alfabetizada por Tia Mariza. Estudei no Colégio Pequeno Príncipe e Madre Ana Couto, em seguida, no Colégio Diocesano do Crato, ambos ligados à Fundação Padre Ibiapina. Ainda na escola comecei a participar de apresentações teatrais, musicais, grupos de lapinhas e quadrilhas juninas, inicialmente era brincadeira, mas com o passar dos anos essas atividades foram ocupando cada vez mais o meu tempo. Atuei em espetáculos teatrais como “O Belo e a Fera”, “FM Histérica”, “Até que a morte me separe”, “TV Devora – A emissora que traça todas”, “A Vingança do Carapanã Atômico”, “O Baile do Menino Deus”, entre outros; participei de ações musicais como “Coral Boca de Sapo” e shows em barzinhos, fiz vocal no cd de Hildelito Parente (eu e Auci Ventura). Em 1996 atuei, em comemoração ao Ano da Terceira Idade, no monólogo “A hora da bruxa – o mito do corpo sempre jovem”, em que fui dirigida pela argentina Vanina Fabiak.

Trabalhei sempre com ações culturais, em instituições privadas, órgãos públicos ou produções independentes. Participei das gestões do ator e diretor Fernando Piancó e do cineasta e poeta Rosemberg Cariry na secretaria de Cultura de Crato, quando trabalhei em diversos projetos: Festival CHAMA – Chapada Musical do Araripe, Encontro de Cultura Popular do Nordeste, Auto da Malhação do Judas, Dia de Reis, entre outros. No mandato de Rosemberg na gestão do prefeito Raimundo Bezerra iniciamos uma articulação junto à Prefeitura para aquisição da propriedade onde se deu um importante episódio histórico da região Cariri, o “Caldeirão da Santa Cruz do Deserto”, movimento social liderado pelo Beato José Lourenço e cujas características lembram Canudos, na Bahia. A partir desse momento me envolvi mais diretamente com grupos de tradição popular: Reisados, Maneiro-Pau, Cocos, Bandas Cabaçais, Lapinhas, Guerreiros e tantos outros que compõem o vasto caldeirão de manifestações do nordeste.

Nesse mesmo período, mobilizamos a criação da Fundação Mestre Elói. A proposta inicial encabeçada pelo Mestre Elói (poeta popular, radialista e folclorista) era homenagear o rabequeiro Cego Aderaldo, mas, com sua morte (Mestre Elói) a instituição passou a ser chamada Fundação Elói Teles de Menezes, uma homenagem a esse baluarte da cultura popular com quem tive a honra e a satisfação de conviver e aprender.

Em 1998, o Serviço Social do Comércio, o SESC, estava reinaugurando sua Unidade no Crato e abriu seleção para coordenador de Cultura. Participei da seleção, fui aprovada e ocupei este cargo por dois anos, quando pudemos trazer iniciativas desenvolvidas nacionalmente como os projetos “Dramaturgia – Leituras em Cena”, “Palco Giratório” e “Sonora Brasil”, entre outras ações capitaneadas por Sidnei Cruz e Wagner Campos, ambos do Departamento Nacional do SESC, foi nesse período que encaminhamos a reforma do auditório do Sesc Crato para ser adequado e estruturado como espaço cênico, o Teatro-Auditório Adalberto Vamozi.

Logo me identifiquei com os ideais do Sidnei Cruz (grande amigo) e passamos a pensar, sonhar, executar e organizar ações para região Cariri, uma delas a elaboração do projeto “Desenvolvimento e Consolidação do Teatro no Cariri”,   que dividimos em três eixos: (1) “Um Teatro Atrás do Outro”, (2) “Banco de Textos Teatrais” e (3) “Mostra SESC Cariri de Teatro,” cuja primeira edição foi realizada em 1999 em Crato, apesar da programação relativamente tímida, já continha, no seu embrião, a possibilidade de expansão que veio a se concretizar nos anos seguintes.  

 Com o apoio e incentivo da direção do SESC Ceará, Presidente Luiz Gastão Bittencourt e a diretora Regina Leitão, geramos uma grande efervescência cultural na região Cariri com desdobramentos e reverberação em todo o país. Convidada a assumir a gerência regional do Programa Cultura do SESC-CE, em 2001 me transferi para Fortaleza com minhas filhas Jade e Clara. Desempenhei as funções relativas a esse cargo até 2011, regularizando, nesse período,  o Programa Cultura do SESC em nível estadual, buscando promover maior articulação entre as programações das unidades SESC no Ceará. Para isso estruturamos uma equipe capacitada para sistematizar, formatar, elaborar e acompanhar ações e atividades no âmbito do programa cultura.

Atualmente estou envolvida em ações de curadoria junto a festivais nacionais como Festival Cena Brasil Internacional (Rio de Janeiro e São Paulo) e Festival de Teatro de Guaramiranga, participo de comissões de seleção de mostras em Fortaleza, Aracaju, Bahia, Curitiba, entre outras cidades. Realizei na cidade de Antônio Cardoso/BA o Festival Bule Bule – Um Conto de Poesia, em homenagem ao grande poeta, cantador e repentista Mestre Bule Bule.

Integrei a curadoria do projeto Palco Giratório, do programa Petrobras Cultural e FUNARTE.
Em nível internacional, participei da curadoria do Festival de Edimburgo e coordenei a Mostra Luso Brasileira de Culturas na cidade de Coimbra, Portugal. Participei do Festival Del Caribe, em Santiago de Cuba, do intercâmbio em Pontedera na Itália e do Encontro de Programadores em Buenos Aires na Argentina.

Ao final do ano de 2011, fui convidada pela presidente a assumir a Consultoria Institucional de Cultura no SESC Ceará, função que desempenhei até o final de 2012, quando recebi o convite do prefeito Ronaldo Gomes de Matos e seu vice Raimundo Filho para assumir a Secretaria de Cultura do Crato.

Alexandre Lucas - Como você ver a produção artística na região do Cariri?

Dane de Jade - Percebo um momento de elevados níveis de consciência artística, quando as pessoas estão em busca de maiores e melhores critérios para organização dos seus trabalhos, uma vontade coletiva de cada vez mais  de qualificar as suas ações.

Entretanto, percebo também que, apesar dos esforços investidos, as dificuldades continuam limitando a expansão do setor, dificuldades que estão presentes em todo o país e  se expressam com maior ou menor intensidade nos lugares.

Implementar políticas culturais no Brasil, diante de tanta riqueza e diversidade, é sempre um desafio. Temos poucos históricos de políticas sistematizadas e regularizadas no âmbito da cultura.

O campo da cultura ainda está em ajustes. Os orçamentos disponíveis são restritos para dar conta de todas as demandas, o que termina por fortalecer a indústria cultural protagonizada pela grande mídia.

Precisamos pensar a cultura a partir de outra lógica que não a economicista. O retorno dos investimentos em cultura não se traduzem, nem podem se traduzir, em lucros financeiros. São investimentos na transformação humana com fins sociais.

Toda política pública deveria ser, acima de tudo, uma política cultural, e, nesse sentido, uma politica social.

O campo da cultura, sobretudo aquele que se manifesta por meio dos princípios e das formas artísticas,  possui o que se costuma chamar de fecundidade. Ele é capaz de dar origem, de propiciar algo, de instigar, de transformar.

Precisamos avançar na salvaguarda do patrimônio cultural brasileiro, revigorando e fortalecendo o diálogo permanente com as nossas manifestações tradicionais. É também por meio dessas tradições, enquanto espaço aberto para a reflexão e a consciência, que a cultura pode contribuir de maneira significativa para o engrandecimento humano e para o desenvolvimento social sustentável.

Alexandre Lucas -  Você foi uma das idealizadoras da “Mostra  Sesc” no Cariri que ao longo dos anos recebeu vários nomes e é um evento que vem se consolidando na Região Metropolitana do Cariri. Qual a importância da Mostra?

Dane de Jade - Ainda na Fundação Cultural eu pensava numa proposta que abraçasse a realização de um festival no Crato, uma ideia que pude dar forma concreta depois que ingressei no SESC em 1998.  Apresentei a proposta e ela foi melhor estruturada por meio do projeto Desenvolvimento e Consolidação do Teatro no Cariri, que elaborei em parceria com Sidnei Cruz (na época, técnico em teatro do Departamento Nacional do SESC).

Inicialmente, o principal objetivo era estimular a produção teatral na região, proporcionando o desenvolvimento dos artistas e a participação do maior número possível de grupos, espetáculos, artistas, estilos e visões distintas no fazer cênico. A proposta era incentivar a troca de informações, ampliar o campo de referências e contribuir para a comunhão dos que fazem  teatro no Ceará, acabamos por ampliar as linguagens e trazer para Mostra ações nos diversos segmentos que compõem o programa cultura do Sesc como literatura, música, tradição, cinema e artes visuais.

A partir desse conceito surgiu a Mostra Sesc Cariri de Teatro, passando à Mostra Sesc Cariri de Artes, numa parceria com a SECULT Ceará e em seguida, à Mostra Sesc Cariri de Culturas, que hoje abrange essa diversidade de linguagens e ações que se espalham por toda a região.

A Mostra se constitui como uma ação fundamental para o Cariri, irrigando a região com o que há de mais instigante no panorama artístico nacional.

Nesse sentido, ela oportuniza o intercâmbio das artes, dos artistas e das comunidades locais, proporcionando formas de difusão e valorização das culturas, fomentando as práticas e os saberes locais. Ela assume o desafio de se inserir nos diversos municípios que compõem e região, mantendo a sua capacidade de renovação com o compromisso de atrair, cada vez mais, investimentos e esforços que possam se traduzir em políticas de cultura.

Alexandre Lucas - Você vem desenvolvendo no Crato um trabalho na ONG Beatos. Fale desse trabalho.

Dane de Jade - A ONG BEATOS - Base Educultural de Ação e Trabalho de Organização Social, é um espaço coletivo com ações integradas voltadas para os saberes de tradição oral, a troca de ideias e a pesquisa. Ela se constitui como uma organização da sociedade civil criada com o intuito de defender e promover os direitos humanos, econômicos, sociais, culturais, ambientais e simbólicos das comunidades onde se insere.  A Beatos é uma associação sem fins lucrativos que reúne pessoas atuantes na preservação, melhoria e revigoramento das tradições populares. Uma proposta em cultura, patrimônio e educação voltada para o desenvolvimento das pessoas, construída a partir do sentimento de coletividade e comunhão, fundamentada no pensamento dos beatos, como por exemplo, Pe. Ibiapina e José Lourenço, idealizadores  de uma civilização para um mundo melhor.

Dentre os seus objetivos estão o fortalecimento da democracia e a busca do desenvolvimento social, a preservação ambiental, o uso de tecnologias sustentáveis, o respeito e salvaguarda da memória e do patrimônio cultural dos povos. No seu conjunto de ações podemos destacar o Centro de Referência, Transmissão, Pesquisa e Memória das Culturas do Cariri recentemente certificada pela Gaia Education.

Enquanto sócia-fundadora da ONG,  tenho atuado na articulação de projetos e propostas como a implantação do Programa de Fortalecimento do Centro de Referência de Cultura para Sustentabilidade da Região do Cariri Cearense – Gaia Cariri com o intuito de promover, permanentemente, o envolvimento, o compromisso e a participação das comunidades locais no manejo e aproveitamento dos recursos naturais, de acordo com os critérios de sustentabilidade.

Buscamos focar em ações culturais que possam contribuir para o fortalecimento das nossas identidades, para a transmissão das culturas e saberes de tradição oral e para a preservação do meio ambiente.

A proposta da BEATOS é ser um espaço coletivo com ações integradas, focadas nas trocas simbólicas e afetivas, que possam envolver as comunidades e a região do Cariri. 

Alexandre Lucas - Nos últimos meses os artistas do Crato vêm se mobilizando e discutindo políticas públicas para a cultura. Você é uma das pessoas que tem participado dessas discussões. Na sua avaliação o que representa para o Município o desenvolvimento de políticas públicas ao invés de política de gestão?

Dane de Jade - Na verdade uma coisa não está dissociada da outra; políticas públicas e políticas de gestão podem ter um sentido de complementaridade.

O que realmente considero necessário para a elaboração e implementação de políticas públicas de cultura é o dialogo permanente. É a partir desse diálogo que poderemos perceber e compreender as demandas socioculturais.  Entendo a cultura como algo que não necessariamente está relacionada ao puro entretenimento. Acima de tudo ela tem uma função sociopolítica. A sua proposta deve estar relacionada ao desenvolvimento humano, à “ampliação da esfera de presença do ser”, nas palavras de Teixeira Coelho.

Alexandre Lucas - A indicação do seu nome para Secretaria de Cultura do Crato é avaliada como positiva por diversos segmentos da cultura. Como você encara esse desafio?

Dane de Jade - Como você bem coloca, encaro como um desafio, entretanto, numa perspectiva bastante otimista, por saber que estarei contando com o apoio das pessoas, dos artistas e dos gestores municipais, o Prefeito Ronaldo Gomes e do Vice Raimundo Filho.

Gestão cultural é a minha área de afinidade, de paixão. Sou militante da cultura e busco sempre, enquanto cidadã, levantar a  bandeira da Cultura, destacando a sua importância fundamental para os processos de desenvolvimento das sociedades.

Na função de Secretária de Cultura da minha cidade natal, espero poder contribuir para o alargamento das ações que buscam desenvolver o ser humano, na perspectiva da construção de uma sociedade melhor.  É um prazer e uma honra poder fazer isso a partir do Crato, a partir do Cariri. 

Alexandre Lucas - A “Carta Compromisso com a Cultura” foi assinada pela candidatura  do Prefeito eleito. Como você pretende honrar esse compromisso?

Dane de Jade - Assumiremos no dia 01/01/2013.  Inicialmente, a nossa intenção será nos debruçar sobre o planejamento, considerando as realizações e projetos de gestões anteriores.

Vamos dar continuidade ao que merece ser continuado. Vamos analisar cada ponto da “Carta Compromisso com a Cultura” e buscar junto às três esferas do poder público e a sociedade os meios para honrar esse compromisso, inscrevendo as ações no Plano Municipal de Cultura definindo com democracia e transparência estratégias de desenvolvimento para o Crato que queremos viver.

Alexandre Lucas - Como pretende manter o diálogo como os artistas e demais segmentos da cultura?

Dane de Jade - Esse é o maior dos desafios. Compreendo a construção da cultura como algo que se constitui por meio do diálogo. Meu gabinete estará aberto para todas e todos, quero estabelecer e institucionalizar canais de participação para que a sociedade tenha o protagonismo na construção das politicas publicas e nas decisões a respeito dos destinos da cidade no âmbito da cultura. Vamos realizar a conferencia de cultura e espero sair da conferencia com os canais de participação devidamente formalizados.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Mostra Nacional de Vídeos sobre Intervenções e Performances começa segunda no Crato




A I Mostra Nacional de Vídeos Intervenções e Performances – Mostra IP  será realizada nos dias 17 e 18 de dezembro na cidade do Crato-CE.  A Mostra tem o objetivo de exibir  vídeos de registros de trabalhos performáticos e de intervenções de artistas e grupos brasileiros.  

A Mostra exibirá trabalhos de artistas e coletivos dos estados do Ceará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Amapá e Pará. O Material recebido será posteriormente disponibilizado numa plataforma virtual que  poderá auxiliar como ferramenta pedagógica os professores de artes.
A abertura da Mostra acontece nesta segunda-feira, dia 17, às 18h30, no Teatral Municipal Salviano Arraes. Já terça-feira, dia 18,  a Mostra começa a tarde a  partir das 14h00 e a noite a às 18h30.

As escolas que participarem da Mostra IP receberão um kit de Arte composto por livro, documentário, cordéis, postais e vídeos.

A Mostra é uma realização do Programa Nacional de Interferência Ambiental – PIA, em parceria com a Pró-Reiotoria de Assuntos Estudantis e  Pró-Reitoria de Extensão da URCA, Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Juventude do Crato, Centro Universitário de Cultura e Arte da União Nacional dos Estudantes – CUCA da UNE e Coletivo Camaradas.

Para o artista/educador, Alexandre Lucas, idealizador da Mostra IP, o evento visa criar um canal de intelocução entre os artistas brasileiros que desenvolvem ações no campo da performance e da intervenção. Ele destaca que esse tipo de fazer artístico tem uma ligação muito forte com o registro fotográfico e audiovisual, tendo em vista, que é a partir do registro que é possível torna o trabalho discutido e conhecido.      

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Por: ATEA - Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos.


Há 10 anos, no dia 10 de novembro de 2002, o humorista Jorge Lafond foi convidado a participar do quadro “Homens x Mulheres” no programa Domingo Legal, no SBT. Caracterizado de Vera Verão, Lafond integrava o lado feminino da disputa e foi retirado do palco após um pedido do padre Marcelo Rossi, que se apresentaria dali a alguns minutos. Enq
uanto aguardava consternado nos bastidores, a produ
ção solicitou insistentemente que ele retornasse logo após a apresentação do padre. Porém, constrangido e amargurado com a situação, ele não voltou. Lafond entrou em depressão profunda após o episódio e não saiu de casa e nem deu notícias por sete dias.

No dia 17 de novembro de 2002, uma semana depois do incidente, Lafond foi internado em estado grave, com problemas cardíacos. "Ele não teve como reagir a esta agressão e durante toda a semana ficou cabisbaixo e pensativo", disse o seu empresário, Marcelo Padilha, o que teria, acredita ele, culminado no mal-estar sentido por Lafond no domingo. Num primeiro momento, os médicos diagnosticaram uma crise hipertensiva. Depois deste dia, diversas foram suas internações no hospital, sendo a última em 28 de dezembro de 2002, quando seu problema de saúde se agravou com uma crise renal, levando-o à morte.

A intolerância não é uma questão sequer a ser pensada ou repensada. É para ser abolida do meio da sociedade. A atitude preconceituosa e irresponsável de um padre causou muito mal e pode ter contribuído para a morte de uma pessoa que ganhava a vida honestamente fazendo as pessoas rirem. O mesmo padre que hoje fatura milhões vendendo livros e CD’s com o título “Ágape”, que significa amor incondicional, que não discrimina e não tem pré-condição. Até quando vamos tolerar tamanha leviandade e desrespeito ao ser humano?

Para pensar.

LINK PARA MATÉRIA DA FOLHA DE SÃO PAULO SOBRE O CASO: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u29940.shtml

Texto polêmico de Walter Navarro sobre os índios Guarani Kaiowá


fonte: http://www.bhaz.com.br/texto-polemico-de-walter-navarro-sobre-os-indios-guarani-kaiowa/


Confira o texto que foi removido do site do Jornal O TEMPO
“Tem coisa mais chata, hipócrita, brega e programa de índio que este pessoal do Facebook adotando o nome Guarani Kaiowá? Gente cuja relação com o verde se resume à alface do McDonald’s… Mais ou tão irritante só os apresentadores da GloboNews chamando a opinião de “Guga Chacra, correspondente de ‘O Estado de S. Paulo’, em Nova York” sobre o furacão Sandy sem KY em NY… Aliás, este Guga Chacra, com seu sotaque do Itaim Bibi é um mala! E o nome Itaim Bibi também é osso, será primo dos insuportáveis guarani kaiowá? Gosto é dos Nambiquaras, que estão extintos?
Uma dessas chatas do Facebook reclamou da minha gozação dizendo que todo brasileiro é guarani kaiowá. Eu não! Nunca nem ouvi falar e, se é pra escolher, prefiro descender dos tapaxotas ou tapaxanas. Mas bom mesmo é de destapar…
Guarani, só meu time em Campinas, campeão brasileiro de 1978.
Como diriam o Marechal Rondon e os irmãos Villas Boas, “Índio bom é índio morto”! “Matar, se preciso for, morrer, nunca!”.
Tudo em São Paulo tem nome de índio. Consciência pesada dos bandeirantes: Anhanguera, Ibirapuera, Canindé, Aricanduva, Morumbi, Jabaquara, Tucuruvi, Tatuapé e agora Haddad, da tribo dos Ali Babás… Ô raça!
Por falar na terra de Maluf e do PT, o que está acontecendo em São Paulo? Acho que a Lei do Desarmamento não pegou por lá. Principalmente quando tem eleição. É assim: Lula liga pro Zé Dirceu, que liga pro Gilberto Carvalho; daí pro Genoíno, que liga pro Marcos Valério, que liga pros presídios e manda matar o Celso Daniel; quer dizer, matar policiais e concorrentes, em troca de banho de sol, visita íntima e regalias mensais.
Outra paulistana, aquela maconheira da Rita Lee, tem até modinha cantando: “Se Deus quiser, um dia eu quero ser índio, viver pelado, pintado de verde, num eterno domingo, ser um bicho preguiça, espantar turista e tomar banho de sol…”.
Credo! Fico pelado só para fins de reprodução, odeio domingo, preguiça é pecado; sou viajante (turista, gosto nem de ver) e banho de sol, repito, é coisa pra petista.
Viver pelado, pintado de verde, também é bom não. Imaginem se me confundem com um palmeirense.
E chamar índio de preguiçoso é preconceito, ignorância histórica. Índio é correligionário do ócio criativo… Ou, simplesmente do ócio, pronto.
Tem mais. Estes petistas, ambientalistas de Facebook, de passeata e de domingo, partidários dos Espelhinhos & Miçangas (Guaranis Kaiowá), também enchem o saco dizendo que todo mundo lamenta os estragos do furacão nos EUA e fala nada sobre Cuba. Ô raça!
É aquela piada: “Barak Obama e Gordon Brown estão num jantar na Casa Branca. Um dos convidados aproxima-se e pergunta: ‘De que é que estão conversando de forma tão animada?’.
‘Estamos fazendo planos para a terceira Guerra Mundial’, diz Obama.
‘Uau!’, exclama o convidado: ‘E quais são esses planos?’
‘Vamos matar 14 milhões de argentinos e um dentista’, responde Obama.
O convidado, confuso, pergunta: ‘Um… dentista? Por que é que vão matar um dentista?’.
Brown dá uma palmada nas costas de Obama e exclama: ‘Não te disse? Ninguém vai perguntar pelos argentinos!’.
Argentino, cubano, tudo boliviano!
E se Nova York acabar, onde vou comer meus “hot dogs” do Nathan’s? No Haiti? Façam-me o favor… Misericórdia! Jesus me chicoteia!
Quando Darwin, Lévi-Strauss e Diogo Mainardi descobriram o Brasil, tiraram várias conclusões sobre os guaranis kaiowá, um povo pescador de baiacus, que captura borboletas, retalha suas asas e coloca-as em cinzeiros de vidro para espantar, melhor, para vender aos turistas.
Protérvia ignara! Os guaranis kaiowá não passam de recolhedores de mel no meio do mato. É o povo mais primitivo do mundo, nem chegou à Idade da Pedra. Petistas “avant la lettre”! Comem cupim. Intimidam até malária! Pigmeus, parecem formigas gigantes e caracterizam-se pela insuportável pneumatose intestinal, o que faz deles companhia deveras desagradável.
Além de incestuosos, trocam os filhos por um reles anzol. Por isso, o Brasil é assim, uma mistura de índios flatulentos com criminosos portugueses…
Andam nus, exibindo suas vergonhas; os homens portam nem mesmo um estojo peniano. As mulheres são libidinosas e se vão com qualquer um. As moças tomam banhos coletivos, fazem suas necessidades nas moitas, fumam juntas e entregam-se a brincadeiras de gosto duvidoso, como cuspir uma na cara da outra.
PS: A vadiagem dos guaranis kaiowá pelo menos é lucrativa. Ontem, troquei um canivete suíço (falso) por várias toras de mogno de sua reserva.”
A polêmica gerada pela coluna de Walter Navarro, publicada na última quinta-feira (8) pelo jornal O Tempo, culminou em seu afastamento da função que exercia na Sempre Editora. A decisão foi divulgada em um comunicado postado agora há pouco na fan page da empresa no Facebook. leia mais

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Gilberto Gil, Santanna e Dominguinhos na programação do centenário de Gonzagão em Exú



fonte:

http://ne10.uol.com.br/canal/interior/sertao/noticia/2012/12/07/gilberto-gil-santanna-e-dominguinhos-na-programacao-do-centenario-de-gonzagao-em-exu-385616.php


Do NE10Núcleo SJCC/Caruaru
A cidade onde nasceu Luiz Gonzaga, Exú, no Sertão de Pernambuco, será palco de uma grande festa em homenagem ao centenário do Rei do Baião. Serão cinco dias de festa, a programação começa na terça-feira (11) e sábado (15).
Serão realizados shows, apresentações de dança e produções audiovisuais e ainda serão realizadas oficinas. As apresentações musicais serão realizadas em quatro palcos. Entre as atrações estão cantores bastante conhecidos no cenário nacional como Gilberto Gil, Dominguinhos, Santanna e Elba Ramalho, entre outros.

Confira a programação:
PALCO GONZAGÃO
Módulo Esportivo - A partir das 21h 

Quarta-feira (12) (Abertura às 19h30)
- Orquestra Sinfônica de Teresina com João Cláudio 
- Danilo Pernambucano
- Zé Nilton
- Chambinho do Acordeon
- Santanna
    
Quinta-feira (13) 
- Daniel Gonzaga
- Dominguinhos
- Gilberto Gil 
- Joquinha Gonzaga

Sexta-feira (14)
- Joãozinho de Exu
- Amazan
- Elba Ramalho
- Waldonys

Sábado (15) 
- Sanfona de Januário
Genaro, Beto Hortis, Agostinho do Acordeon, Camarão, Cezzinha e Dudu do Acordeon 
- Xote das Meninas
Cristina Amaral, Edilza Aires, Irah Caldeira, Liv Moraes, Nádia Maia, Patrícia Cruz, Terezinha do Acordeon e Walkiria Mendes
- Novinho da Paraíba
- Jorge de Altinho

PALCO AZA BRANCA
Parque Aza Branca - A partir das 20h 

Quinta-feira (13)
- Taís Nogueira e João Silva (com participação especial de Dominguinhos)
- Josildo Sá
- Alcymar Monteiro 
- Adelmário Coelho 

Sexta-feira  (14)

- Luizinho Calixto, Zé Calixto e Truvinca
- Trio Nordestino 
- Quinteto Violado 
- Flávio Leandro 

Sábado, 15/12
- Bia Marinho / Em Canto e Poesia
- Maria Lafaete (Com participação de Sérgio Gonzaga)
- Projeto Meu Araripe 
Os Gonzaguinhas, Fua Carvalho, Zezinho de Exu, Forrozeiros do Gonzagão, Ana Paula, Maurício Jorge, Leonardo Luna, Edgar do Cedro, Baião Mais Eu, Sarah Leandro, Sotaque Nordestino
- Maciel Melo 
    
PALCO  JUAZEIRO
Parque Aza Branca

Domingo (16)  (A partir das 15h)
- João do Pife e Banda Dois Irmãos
- Ivan Ferraz
- Bel Lima
- Jaiminho de Exu
- Claudiana
- Toinho do Baião
- Dijesus

PALCO ARARIPE
Fazenda Araripe

Quinta-feira (13) (A partir das 9h)
- Seguidores do Rei 
- Os Cabas de Gonzaga
- Chá Cutuba 
- Vital Barbosa 
- Epitácio Pessoa 
- Donizete Batista 
- Leninho de Bodocó 
- Tárcio Carvalho 
- Coral de Aboios de Serrita
- Flávio Baião 
- Antônio da Mutuca
- Os Três do Cariri 




AUDIOVISUAL


II Cine Exu – Mostra Sertões do Estado de Pernambuco 
Dias 12 e 13/12
Fazenda Velho Lua e Praça de Eventos de Exu

Mostra Itinerante Cinema na Estrada
De 12 a 15/12 – Exu e Bodocó 
- Boi Ventania (Ficção, 14 minutos, PE, 2010), de Marcos Carvalho, Ednéia Campos e Herbert Santos
- Até o Sol Raiá (Animação, 12 minutos, 2008), de Fernando Jorge e Leandro Amorim
- Zé Monteiro – O Homem que venceu as 5 mortes (Documentário, 20 minutos, 2012, PE), de Wilson Freire
- Dia Estrelado (Animação, 17 minutos, 2011), de Nara Normande
- Exu de Gonzaga, (Documentário, 20 minutos, 2012, PE), de Guida Gomes

DANÇA

Quarta-feira (12) 
Xaxado, Meu Bem Xaxado – O Centenário de Luiz Gonzaga 
Grupo de Xaxado Cabras de Lampião (Serra Talhada-PE)
Com exibição do documentário “Luiz Gonzaga – A Luz dos Sertões”

CULTURA LIVRE NAS FEIRAS

Terça-feira, (11) 
8h - Apresentações na Feira Livre de Timorante
Ivonete Ferreira, Forrozeiro Léo Barros, Hellen e Mistura Nordestina

Quarta-feira (12)
8h - Apresentações na Feira Livre de Granito 
Poetisa Socorro Oliveira, Grupo Pisando no Terreiro (dança), Encontro de Aboiadores (Pedro Brígido e Antônio),  Forró Raízes do Brígida 

Sábado (15)
Apresentações na Feira Livre de Exu 
7h - Roda de Contos e Prosa com Amigos do Araripe
8h - Saída em Caravana no Pau de Arara com os sanfoneiros de Exu (William Sanfoneiro, Jonnes, Serginho Gomes, Boiadeiro Franco, Ed Carlos do Exu, Clebson, Mauro Sanfoneiro, Dijesus, Epitácio Pessoa, Vital Barbosa, Elmo Oliveira e Januário)
9h - Causos contados por amigos exuenses de Luiz Gonzaga
10h - Cortejo com a Banda Cabaçal Exuense, Grupo de Flautista Sabiás e a chegada no Pau de Arara com os Sanfoneiros de Exu
11h – Forró de encerramento com Joãozinho de Exu e convidados


FEIRAS CULTURAIS


Sábado e domingo, 15 e 16
Culminância do projeto Feiras Culturais nas Escolas Públicas, com participação de grupos artísticos estudantis de Araripina, Exu, Granito, Ouricuri e Trindade.


FORMAÇÃO CULTURAL - EXU 

OFICINAS 

Xilogravura 
Facilitador: José Lourenço 
Data: 11 a 14/12  
Horário: 14h às 18h
Local: Colégio Municipal Bárbara de Alencar 

Cineclubismo
Facilitador: Natália Lopes e Marlova  
Data: 11 a 13/12                                                                                                           
Horário: 14h às 18h
Local: Colégio Municipal Bárbara de Alencar 

Cinema de Animação e Lançamento da Animação "A volta da Asa Branca"
Facilitador: Lula Gonzaga 
Data: 10 a 14/12                                                                                                         
Horário: 14h às 18h
Local: Colégio Municipal Bárbara de Alencar 

Oito Baixos (Iniciação)
Facilitador: Luizinho Calixto  
Data: 05 a 14/12                                                                                                         
Horário: 14h às 18h
Local: Colégio Municipal Bárbara de Alencar 

A simbologia da moda contada através da história da indumentária de Luiz Gonzaga
Facilitadoras: Rebecca Menezes e Roberta Duarte
Data: 10 a 14/12                                                                                                         
Horário: 14h às 18h
Local: Colégio Municipal Bárbara de Alencar 

Patrimônio e Preservação
Facilitadores: Diomedes Neto e Mário Gouveia 
Data: 12/12                                                                                                                                       Horário: 9h às 17h 
LOCAL: Colégio Municipal Bárbara de Alencar
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