segunda-feira, 29 de abril de 2013

Black Dog no Terraçus bar, a festa que vai marcar o Cariri!


João e Maria apresenta:




Dia 1º de Maio, Feriado do trabalhador, Ferreirinha do Acordeon no " João e Maria Boteco " à partir das 18:00 hs . Venham curtir forro pé de serra.... todos convidados, vai ser show!!!!

SOERGUENDO UMA INTELIGÊNCIA RARA. Por: Marinalva Freire da Silva

SOERGUENDO UMA INTELIGÊNCIA RARA

Marinalva Freire da Silva

Ao abrirmos as páginas de Textos vivos e reverenciados de um imortal nordestino, deparamo-nos com a apresentação “Romero Cardoso: uma inteligência rara!”, de autoria do jornalista Clemildo Brunet que assim se expressa: “Bom seria que nós, seres humanos, estivéssemos sempre prontos a falar coisas boas de nossos semelhantes, e assim estaríamos cumprindo a recomendação do apóstolo Tiago, 15, 4-11 [...]” .

Dessa forma, o ilustre comunicador inicia sua apresentação sobre o geógrafo e historiador José Romero Araujo Cardoso, autor da obra que acabo de organizar.

Paraibano nascido em Pombal, Romero está radicado em Mossoró desde 1998, quando se submeteu ao concurso de professor efetivo na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Campus Central, Mossoró-RN, e foi aprovado.

Romero tem uma vida dedicada à pesquisa, é um estudioso assíduo da cultura e dos costumes nordestinos, principalmente de Mossoró, cidade que o acolheu como filho. Temas como Lampião, Luiz Gonzaga, Josué de Castro, lendas e folclores da região, cordel, guerra dos Canudos, Padre Cícero do Juazeiro, aboio, seca entre outros são uma constante nos seus escritos.

Retomando o perfil de Romero Cardoso, o apresentador revela:

Foi de Romero que ouvi pela primeira vez, que eu era descendente direto do grande naturalista francês Louis Jacques Brunet, cientista renomado que foi o responsável pela descoberta e fomento na condução da carreira do maior artista plástico paraibano, o areiense Pedro Américo. Romero Cardoso, esta homenagem que lhe presto, não é simplesmente por ser seu amigo, poderia haver até razão de ser. Mas não é por esse lado. A verdade é que desde o dia em que travamos o nosso primeiro diálogo, descobri a suficiência de sua capacidade e a maneira simples como você a expressa: Sem vaidade e sem orgulho. Daí a razão do título deste artigo. Romero Cardoso: Uma Inteligência Rara!

Lançando um olhar no prefácio –“Reverenciando e referenciando obra e autor” , cujo autor é o insigne escritor Archimedes Marques, encontramos este define José Romero Araújo Cardoso “[...] um verdadeiro homem na expressão da palavra, além de culto, ícone inconteste de densidade e de maturidade acadêmica, um homem que pela sua história de vida, dentre os tantos percalços, pedras e espinhos na sua caminhada, sempre se fez vitoriosos”

Dialogando com Pe Chitumba sobre Romero, através de correio eletrônico, eis como este se expressou:
Quanto ao livro sobre Romero, a professora sabe que eu tenho uma admiração fora de série por ele pela sua sabedoria, pelo seu empenho em buscar e cultivar a sabedoria que é dom e ao mesmo tempo depende do cultivo e "interesse" que lhe damos; e Romero se entrega de corpo e alma a esse trabalho. Ele acredita naquilo que diz e faz e, portanto, muito coerente. Eu admiro nele também este belíssimo contraste quase, diria... musical, isto é, de sábio e inteligente que é, com a humildade que ele cultiva e o livro dele, " Fazenda da Esperança Santa Rosa: reminiscência de um processo de retorno à vida", onde ele não se envergonha de falar de suas crises, é um exemplo vivo disso. Ele é uma pessoa muito grata, e sabe fazer-se companheiro de todos: sorri facilmente com os que sorriem e chora com os que choram. Também é explosivo, no sentido de que não tolerar facilmente a injustiça, venha ela de que "bancada" ou de quem vier e nem todos o suportam, por isso.
Cara professora, em poucos meses que eu estive com ele foi isso que observei dessa figura humana.
Com referência aos posfácios, observamos que Francisco Cardoso se refere ao cronista Romero nos seguintes termos:
Falo de Romero como um dos homens mais corajosos que conheci nos últimos tempos. A história paginada nos livros nordestinos deve muito a este jovem pesquisador, porque ele emprega o seu tempo, dias e noites adentro, pesquisando vida e obra dos destacados líderes regionais.
O nosso escritor é a cultura viva de que tanto necessitamos para os momentos sagrados da pesquisa. Ele tem dentro de si a vivacidade do grande Luiz Gonzaga, através do seu cancioneiro lembrado a cada instante por todos nós.
Sobre os temas abordados por Romero, o citado posfaciador nos chama a atenção, pois “são obrigatórios para qualquer escritor, como a busca pela integração regional no planeta, a eterna disputa entre o socialismo e o capitalismo, os conflitos constantes no Oriente Médio, são focos [...]fundamentados no ódio, na injustiça social, no ouro chamado petróleo”,o que nos preocupam. Conclui seu escrito com a certeza de que “Romero será introduzido na galeria dos Escritores Amigos do “Caldeirão Político” e receberá o Troféu de “Gonzagueano do Ano”.
Retomando os posfácios, observamos que em “Os escritos de Romero”, de autoria do insigne escritor Ignácio Tavares, destacamos:
[...] a sua insistente leitura de livros da literatura do cangaço influenciou de forma marcante [em Romero] o seu gosto por esse segmento literário. Mas, a diversidade dos seus textos é tanta que nos leva a crer que outras opções literárias assimiladas, em razão da leitura diversificada, da mesma forma o influenciou, conforme se observa nas formas e estilos com os quais seus textos são escritos.
Sinto-me feliz porque faço parte de uma corrente de amigos de Romero que, unidos, estamos conseguindo soerguê-lo e mostrar-lhe que “viver é uma arte de aprendizado”, que vale a pena voar livre como as gaivotas, sobrevoar como as águias no imenso firmamento construído pelo Arquiteto do Universo-Deus.
Voltando meu olhar para os “Textos vivos....”, acho oportuno destacar que todos os artigos e/ou crônicas que integram este livro foram publicados em blogs, revistas, livros, apontamentos de aula. É tão evidente a recepção dos escritos romerianos que motivaram os alunos da UERN a desenvolver, com o professores José Romero Araújo Cardoso e Benedito Vasconcelos Mendes, um projeto de pesquisa cujo tema escolhido foi Josué de Castro com “Geografia da fome” por ser esta ( a fome) um monstro que apavora o Planeta e inquieta “os que comem pelo medo dos que não comem”.
Assim, construindo e reconstruindo mosaicos literários permeados com o compromisso ético-cristão de ensinar “aos que comem “ que não ‘tenham medo dos que não comem’, mas que. compartilhem com estes o pão e o peixe , a fim de termos um mundo melhor porque mais justo . É nesta linha de raciocínio que Romero conclama Josué de Castro com sua Geografia da fome, obra que deve figurar nas grades curriculares da universidades brasileiras numa modalidade transdisciplinar com vistas a conscientizar aqueles que têm que os excluídos são nossos semelhantes e , portanto, merecem também desfrutar do alimento que a terra presenteia ao homem com a permissão divina, embora a ganância, a ambição não permitem que sobre algo para os desprovidos do mínimo para se viver- a alimentação.
Como podemos deduzir do que se encontra aqui escrito sobre Romero, trata-se de uma pessoa sensível, hiperativa, inquieta, ainda desencontrado no campo do amor, isto talvez por motivo de sua inquietude, insegurança, fatores que o levaram por um tempo a trilhar por um caminho diferente do seu dia a dia, cujo preço foi–lhe muito alto. Mas não merece censura, apenas compreensão, carinho palavra amiga e de soerguimento. Sabemos que Deus, diferentemente do homem, não escolhe pessoas capacitadas para a sua messe, capacita os escolhidos como o fez com Saulus (Paulo) e, agora, Romero. O que ocorreu com Romero é normal nos gênios. O bom é que ele ergueu-se, caiu para novas quedas, até que encontrou o prumo e segue firme e inabalável como a rocha. Assim seja, Romero, porque Deus é AMOR.
Não sendo eu uma especialista nos temas abordados por este baluarte, custou-me um pouco organizar esta obra erigida com artigos dispersos dado a sua riqueza conteudística e a sua inter e transdisciplinaridade, de caráter pedagógico na sua maioria. Mesmo assim o fiz e entrego ao público-leitor de Romero Cardoso para que possa desfrutar desta miscelânea literária.
Desfrutem, pois, desta maravilha de Textos vivos e reverenciados de um imortal nordestino.
 
 
Professora Doutora Marinalva Freire da Silva
 
 
 
Prof. José Romero Araújo Cardoso
 
 
 
Marinalva Freire da Silva
 

Licenciada em Letras Clássicas e Vernáculas (1973) e em Pedagogia (1979) - Universidade Federal da Paraíba-1973. Mestre em Letras –PUC-Curitiba-PR (1982). Doutorado em Filologia Românica (1990/1991)-Universidade Complutense de Madrid (Espanha). Pós-graduação em Pedagogia Religiosa: Teologia. Arquidiocese da Paraíba/ Institutos Paraibanos de Educação/ Universidade Federal da Paraíba- João Pessoa (1997) . Professora de Língua Portuguesa - Universidade Federal da Paraíba-João Pessoa (1974/1994). Professora Colaboradora Honorífica da Faculdade de Filologia Românica da -Universidade Complutense de Madrid (1987/1988- 1990/1991). Consultora da Universidade Estadual da Paraíba-Campus III –Guarabira-PB (1994-1996). Professora Visitante da Universidade Estadual da Paraíba -Campus I – Campina Grande (1997-1999) e Professora Titular (a partir de 1999). Professora Convidada da Faculdade de Formação de Professores de Goiana –PE (a partir de julho/2011). Delegada de Direito da Pessoa Humana. Tradutora de Espanhol. Membro da Associação de Professores de Espanhol da Paraíba (Presidente de 1992/2002) e de São Paulo; International Writers and Artists-IWA,/OHIO,USA; da Academia de Estudos Literários e Linguísticos de Anápolis/GO; da União Brasileira de Escritores da Paraíba-UBE/PB; da Academia Feminina de Letras e Artes da Paraíba-AFLAP/PB e do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica. Obras publicadas: Ditames do Coração (1989); Genealogia de Daura Santiago Rangel (1991); Genealogia de José Freire de Lima (Parceria com Expedito Freire de Lima; 1992); Perspectivas Poéticas (1992); Plural dos nomes em -ão na língua portuguesa: uma abordagem filológica (1993); Daura Santiago Rangel: Perfil de uma Educadora(1993); Español Instrumental (lª a 9ª ed. ,1996-2006; Reflexiones(1997); Homenagens em Poesia (1998; 2ª ed. 2013); Recordar conforta a alma (1998); Augusto dos Anjos: Vida e poesia (1998; obra traduzida, 2001); Edición Crítica del Regimento Proueytoso contra ha Pestenença (Publicación en CD,1991); edição impressa, 2008); Daura Santiago Rangel: una Educadora (Traduzida, 2000);YO (Eu de Augusto dos Anjos (Tradução em parceria, 2000; 2ªed. 2010); Español a través de textos I (2002); Coletânea poética (2002); Dicionário Erótico Brasileiro (2004); Español a través de textos II (2005); Daura Santiago Rangel: Reconstrução de uma época (2006); Estudos Filológicos. Literatura. Cultura (2007); Español a través de ejercicios (2007); Semântica Toponímica dos Municípios Paraibanos (Parceria, 2007); Edição Crítica do Regimento Proueytoso contra ha Pestenença (edição em língua portuguesa, 2008); O Despertar da Cultura (Org.; 2008); Na trilha da transdisciplinaridade...(Org., 2010). O Universo Poético de Luiz Fernandes da Silva (Org. em parceria, 2010); A Interculturalidade em ação...(Org, 2010); Presencia de los arabismos en las lenguas castellana y portuguesa... (2011); Trabajando el texto en Lengua Española (Org., 2011); Español en la enseñanza básica (2011); Em busca das identidades linguísticas e culturais (Org., 2012); Um olhar sobre a Pedagogia Moderna (Org., 2012); Entrelaçando as culturas na trilha da cidadania (Org., 2013); Literatura & Linguagens (Org., 2013); Adauto Ramos. O baluarte da Genealogia e Heráldica da Paraíba (2013); Reminiscências literárias (2013); Amelinha Theorga Ayres, a Paisagista do Mar (2013). <marinalvaprof@gmail.com> .

OS ESCRITOS DE ROMERO. Por: Ignácio Tavares de Araújo

OS ESCRITOS DE ROMERO

Ignácio Tavares de Araújo

Se eu leio logo escrevo. Parafraseio Descartes para poder evidenciar dons de Romero para o exercício da arte de escrever. Proativo, irrequieto, excessivamente curioso, razão pelo o qual sempre foi um leitor compulsivo. Desde a mais tenra idade começou a devorar os primeiros livros. Quando aqui residia foi um frequentador assíduo da minha biblioteca que reúne mais de dois mil livros.

A sua preferência era pelos livros do gênero cangaço nordestino. Mas, não era somente livros dessa natureza que despertava o seu interesse. Assim sendo, outros livros que lhe despertasse curiosidade entravam na sua lista de leitura, logo pedia para leva-los. Foi sempre assim e assim continua até hoje, com certeza, ao frequentar outras bibliotecas mundo afora.

É obvio que ler é a forma mais eficiente para acumular saberes, conhecimentos, bem como, ainda assimilar estilos. Romero desenvolveu o seu próprio estilo na arte de escrever. Refiro-me ao seu estilo requintado o que faz prazeroso a leitura dos seus textos. São textos diversificados a envolver diversas áreas do conhecimento humano.

Não restam dúvidas que a sua insistente leitura de livros da literatura do cangaço influenciou de forma marcante o seu gosto por esse segmento literário. Mas, a diversidade dos seus textos e tanta que nos leva a crê que outras opções literários assimilados, em razão leitura diversificada, da mesma forma o influenciou, conforme observa-se nas formas e estilos com os quais seus textos são escritos.

Alem dos textos sobre a história do cangaço, há outros que dizem respeito a questão globalização, bem como sobre o precursor da literatura social do Nordeste, Josué de Castro, entre outros tantos temas que seria impossível enumera-los aqui. É importante ressaltar que a maioria dos textos já era do meu conhecimento, pois, acompanho e leio os seus escritos postos nos diversos portais do estado.

É verdade que quem lê reúne condições ideais para escrever bem. José Romero é um exemplo a ser seguido, principalmente pelas novas gerações que pretendem incursionar nessa importante área, qual seja, escrever e levar conhecimentos a todos que estejam a precisar particularmente neste momento em que pouca importância se dá a boa leitura.

Ignácio Tavares de Araújo. Economista. Professor aposentado da UFPB. Escritor.
Ignácio Tavares de Araújo




Textos Vivos e Reverenciados de um Imortal Nordestino. Por: Francisco Alves Cardoso

Textos Vivos e Reverenciados de um Imortal Nordestino
 
Francisco Alves Cardoso



Falando sobre uma revelação, o inesquecível Tristão de Athaíde disse certa vez: “Não há nada mais gostoso para o crítico do que ser castigado de um preconceito. Encontrar o contrário do que esperava. Ser vencido pelo livro. E sentir, pouco a pouco, que vai nascendo um sol debaixo de seus olhos. Qualquer coisa de definitivo. Qualquer coisa que de ora avante vai fazer parte do seu espírito e da sua realidade”. Até minutos antes a literatura brasileira estava vazia desse livro. E de agora em diante, já não pode viver sem ele.

Ao escrever “Textos Vivos e Reverenciados de um Imortal Nordestino”, José Romero Araújo Cardoso faz renascer com vibração nomes reais da cultura regional, rasgando alguns esquecimentos, às vezes até propositais, para fazer justiça total aos nomes mais famosos da história dessa região brasileira tão massacrada e esquecida pelos poderes públicos, só lembrada nos períodos eleitoreiros.

José Romero chegou com a paixão ardente pelas coisas do Nordeste, fiel a tudo o que existe de marcante nesse pedaço do Brasil tão forte como seus filhos bravos e lutadores.

Ele grita como o verdadeiro advogado dessa gleba de terra chamada Nordeste, formada pelos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

Romero, o pesquisador, buscou o Brasil de ponta a ponta, para invadir esse tema palpitante chamado globalização, que toma conta a cada instante da mente criadora das grandes nações, cada qual enveredando os caminhos mais curtos para vencer as mais fracas.

Como escritor, Romero exercitou sua mente rápida, sagaz e criativa para falar dos Textos Vivos e Reverenciados, coisa que ele gosta de levar ao seu público imenso, por esse Brasil afora.

Falo de Romero como um dos homens mais corajosos que conheci nos últimos tempos. A história paginada nos livros nordestinos deve muito a esse jovem pesquisador, porque ele emprega o seu tempo, dias e noites adentro, pesquisando vida e obra dos destacados líderes regionais.

O nosso escritor é a cultura viva de que tantos necessitamos para os momentos sagrados da pesquisa. Ele tem dentro de si a vivacidade do grande Luiz Gonzaga, através do seu cancioneiro lembrado a cada instante por todos nós.

Recentemente participei, na cidade de Pombal, sertão paraibano, do lançamento do livro “Maringá – O Nome Verdadeiro”, do escritor pombalense Severino Coelho Viana, que narra a lenda da cabocla Maringá. É uma das mais belas histórias culturais do Nordeste brasileiro, ignorada ainda pelos campos ricos de regiões outras. E Romero fala com propriedade dessa riqueza, que tem o grande senador paraibano Ruy Carneiro como uma das figuras principais.

No livro “Maringá – O Nome Verdadeiro”, Romero já diz: “O folclore sertanejo é riquíssimo e precisam ser resgatadas com grande interesse as lendas esquecidas com a névoa do tempo e pelos efeitos da aculturação, a exemplo da história (ou estória?) transmitida de boca em boca de Maria, uma cabocla sensual que migrou da região do Ingá (no Agreste da Paraíba) para a cidade de Pombal (Sertão da Paraíba) em uma grande seca ocorrida no século XIX.

Faz justiça ao cangaceiro Lampião, nascido em Pernambuco, uma figura que tem ocupado os escritores famosos com a sua história antes e depois de entrar para o cangaço.

Retrata o coronelismo ainda hoje mandante e o modelo maldito que tanto reinou entre nós, a mancha negra chamada escravidão. Faz questão de ressaltar aspectos de nossa rica cultura, abrindo espaços grandiosos para a literatura de cordel, uma das mais belas páginas nordestinas. Narra também detalhes, como as palavras de Manoel de Acopiara que diz: “A nossa região é a terra melhor do mundo, pois a maior virtude está justamente na afabilidade do seu povo e no coração imenso que bate no peito dos sofridos e esperançosos nordestinos”.

Temas tratados por Romero no seu livro são obrigatórios para qualquer escritor, como a busca pela integração regional no planeta, a eterna disputa entre o socialismo e o capitalismo, os conflitos constantes no Oriente Médio, são focos que nos preocupam, pois são fundamentados no ódio, na injustiça social, no ouro chamado petróleo.

Nunca deixamos de viver momentos dramáticos no mundo, basta lembrar o pronunciamento do grande Otávio Mangabeira, relembrando quatro milagres que ocorreram para salvar à humanidade: “O primeiro, o da resistência britânica, mais do que prometera a força humana, como diria o épico, após a retirada de Dunquerque. O segundo exibiu-se, ostentou-se na capacidade e no heroísmo com que os russos expulsaram do seu solo um invasor vitorioso e arrogante, através de episódios incríveis como o foram os da defesa de Moscou e Stalingrado. O terceiro levou Hitler o que chamei de a loucura de invadir a União Soviética, e ocultou um gênio alemão, a tantos títulos incomparáveis, o segredo final da bomba atômica. O quarto foi o milagre americano”.

Quem ousaria negar que a sociedade é sempre muito defeituosa. Porque vive eternamente brigando pelo bem e pelo mal. É sempre acobertada pelo ódio, pela infâmia, pelo desrespeito e principalmente na luta pelo poder. Joracy Camargo diz em sua peça teatral “Deus lhe Pague”: “A sociedade é muito defeituosa. Pela lógica, o mendigo deveria ser sempre pobre. Pelo menos, enquanto fosse mendigo. Entretanto, pobres, realmente pobres, são os ricos. Pobres de espírito, pobres de tranquilidade, de fraternidade, e, às vezes, até de dinheiro.

E na sua enorme sabedoria diz: “Não há mais filósofos. A sabedoria humana está muito espalhada. Hoje, todos sabem tudo. Não há mais segredos, nem mistérios. O último dos ignorantes julga-se capaz de salvar a humanidade. Ninguém mais aprende, todos ensinam”.

Romero tem a sabedoria técnica do Padre Cícero Romão Batista, o homem que ainda hoje abala o Juazeiro, o Brasil e o Vaticano com a sua história mítica respeitada e reverenciada como o “Santo do Nordeste”.

Tem nas suas entranhas a determinação íntegra de Antonio Conselheiro, na luta pela posse da terra para os mais necessitados agricultores.

E a métrica revolucionária de Patativa do Assaré, criador de um mundo apaixonado pela poesia, para todos os recantos das terras brasileiras.

Ninguém pode apagar a coragem cultural de Romero Cardoso, e neste livro ele surge como um novo Luiz Waldvogel, em “Vencedor de Todas as Batalhas”. Durante a Revolução Francesa procurou-se por todos os meios apagar o espírito do povo a ideia de Deus e da religião, já queimando bíblias e fechando igrejas ou prendendo os crentes. Um dos heróis dessa cruzada ímpia afirmou certa vez a um piedoso camponês, que a igreja da aldeia seria destruída, para não haver o que trouxesse ao povo a lembrança da Divindade. A isto replicou o campônio: “Então o senhor terá de apagar as estrelas”. Devo afirmar que para retirar a inteligência de Romero só teria que acabar todos os seus retalhos de lembrança, que Deus lhe outorgou.

Defende ardorosamente o Nordeste brasileiro, afirmando com força que “é extremamente nefasta a imagem disseminada da pobreza crônica e insolúvel dos destinados nordestinos”. Na verdade, o escritor tem razões sobradas para aplicar essa defesa da nossa região, que tem uma esplêndida e riquíssima cultura, especialmente quando se fala em literatura de cordel.

O escritor lança o sábio verbo em “A Lenda do Poço Frio”, narrando “Noites de Luas Cheias”, para enaltecer a cultura nossa, causadora de inveja a outras regiões. Na verdade, usam as maldosas forças da riqueza material, traduzida em finanças, para massacrar o nosso povo trabalhador, humilde e rico do mundo cordelista, marco da valorização do folclore sempre crescente e belo entre os nordestinos.

Traça, ainda, neste livro, perfis com grande profundidade de figuras lendárias como Jesuíno Brilhante, uma estrela do cangaço. E as secas do Nordeste, só lembradas nos anos pré-eleitorais, a busca dos políticos pelos votos dos coitados quase derrubados pela força de escassez d’água e de alimentos.

Você, José Romero, disserta com propriedade sobre fatos inesquecíveis do universo, como o 11 de setembro de 1973, no Chile, passando pela deposição do governo Arbenz, na década de cinquenta na Guatemala. E não retira da sua mente a figura imortal chamada Che Guevara.

Meu herói, com a minha seriedade de sempre resumo a sua obra: O mundo está no seu livro e o livro vai ganhar o mundo. Parabéns!

Mesmo sem conhecer ainda o Parque Cultural “O Rei do Baião”, na Comunidade São Francisco, município de São João do Rio do Peixe, localizado no Vale do Rio do Peixe, na Paraíba, o professor José Romero de Araújo Cardoso receberá expressivas homenagens no dia 24 de agosto do corrente ano de 2013, por ocasião da realização do VI FESMUZA – Festival de Músicas Gonzagueanas, promovido pelo Grupo União São Francisco, com apoio do “Caldeirão Político”, pelos relevantes serviços prestados a essas duas Instituições nordestinas, mantenedoras das festividades do “Rei do Baião”.

Romero será introduzido na Galeria dos Escritores Amigos do “Caldeirão Político” e receberá o Troféu de “Gonzagueano do Ano”.

 

Advogado, Jornalista, Professor, Cronista, Pesquisador, Memorialista, Escritor, Produtor Cultural, Fundador e Editor do Caldeirão Político.

 
 
 
Prof. José Romero Araújo Cardoso

“TEXTOS VIVOS E REVERENCIADOS DE UM IMORTAL NORDESTINO” - REVERENCIANDO E REFERENCIANDO OBRA E AUTOR. Por: Acrimedes Marques

“TEXTOS VIVOS E REVERENCIADOS DE UM IMORTAL NORDESTINO”

REVERENCIANDO E REFERENCIANDO OBRA E AUTOR


Archimedes Marques




Dr. Archimedes Marques

Voltar a prefaciar um livro do escritor paraibano, José Romero Araújo Cardoso,para mim é uma honrosa incumbência, pois além de estar reverenciando uma grande obra, também estou ao mesmo tempo referenciando um verdadeiro homem na expressão da palavra, além de culto, ícone inconteste da densidade e da maturidade acadêmica, um homem que pela sua história de vida, dentre os tantos percalços, pedras e espinhos na sua caminhada, sempre se faz vitorioso.

A presente obra literária como um todo, composta de textos diversos, trata-se de abordagens consistentes, substanciais e, por que não dizer, textos vivos (como sugere o título do livro), acerca de assuntos históricos e populares não repetitivos e cansativos, muito pelo contrário, contados com a maestria própria daqueles que nasceram para a imortalidade cultural, embora entenda o autor, seja a sua obra uma modesta contribuição para o debate. Discípulo da formação humanística, pacificadora, mas também guerreira própria dos grandes homens nascidos nas terras nordestinas, Romero Cardoso, neste livro, transita com destreza em áreas interdisciplinares como a História Contemporânea Mundial ingressando, assim, na questão da sua Globalização, revivendo posteriormente a questão inicial da dolorosa tragédia no Cone Sul ocorrida no Chile, entretanto, seu pico maior em tais escritas e interpretações ora abalizadas, está na área dos eternos e constantes problemas da seca e do sertãonordestino brasileiro, em vários dos seus aspectos, lendas e fatos vividos e vivenciados pelos seus bravos componentes, suas alegrias e tristezas, em destaque para o sofrimento desse povo, principalmente quando exalta o grande escritor Josué de Castro no cenário do Nordeste brasileiro com excelentes artigos pertinentes à sua valorosa obra “Geografia da Fome”. O leitor dotado de observação sutil não deixará de perceber sua capacidade magistral de retratista da paisagem humana e social do povo sertanejo ao sofrer todas as agruras de uma época mais remota até a atual.

Misto de escritor, professor, pesquisador, estudioso e empreendedor, Romero Cardoso, consegue transmitir às páginas de seu livro o entusiasmo e o gênio que se fazem necessários em todas as áreas das suas escritas. Detentor de grande capacidade criativa, interpretativa e de inteligência aguçada que alia teoria com operacionalidade até mesmo investigativa com diversas e importantes entrevistas para excelentes conteúdos culturais, o autor é extremamente feliz nas abordagens dos temas relacionados aos seus textos, pautando-se por um mesclado de abstração em pequena parte deles e realidade na sua grande maioria, mas, ao mesmo tempo, sem perder de vista sua aplicação prática no labor passado, presente e futuro, desempenhando também seu sentido vital no cotidiano de nossa gente.

A contextura da obra traz à baila discussões oportunas, pertinentes e necessárias gerando uma ampla compreensãoao leitor, por mais leigo que seja, visto ser patente que intrínseca e simetricamente o autor designa na maioria dos textos como pontos de apoio à verdadeira história, sem invencionices ou extravagâncias, mas contadas a seu modo, um modo gostoso de ler.

Passear na região de Patú e suas cercanias, no Rio Grande do Norte, junto com o protetor dos fracos e oprimidos, o cangaceiro gentlemam Jesuíno Brilhante, é reviver momentos brilhantes dentro de uma época de extrema seca no mundo dos considerados “coronéis” que se achavam donos do poder e do povo, verdadeiros “semideuses” na então “vida de gado” do sertanejo tão morto de sede quanto de fome, tão sedento de justiça quanto faminto por direitos.

Analisar e vivenciar a literatura de cordel em defesa do lado bom do nordeste é algo gratificante. Melhor entender desse gênero literário popular escrito freqüentemente na forma rimada, originado em relatos orais e impresso em folhetos pelos poetas e escritores do meio do povo, além de gratificante é emocionante, principalmente quando ainda vemos em feiras livres das pequenas cidades do interior esses poetas recitarem tais versos de forma melodiosa e cadenciada, por vezes acompanhados de viola. São os nossos grandes e humildes poetas populares também raízes da nossa cultura. Em resumo, é tudo isso e muito mais que o autor pretende incutir quando do texto relacionado à importância do cordel em sala de aula.

Tomar conhecimento da lenda do Poço Feio para saber que, de geração a geração, o povo entende que em noites de lua cheia uma linda e fogosa mulher encantada atrai e afoga os homens que se atrevem a banhar-se naquelas águas é algo encantador, faz parte da cultura imaginativa do nosso povo, dos mistérios da crença popular.

Viajar de volta ao passado, em espécie de túnel do tempo, para melhor conhecer a linda e estonteante Cabocla Maringá e seus amores arrebatadores, é um verdadeiro deslumbre que faz bem aos olhos, mente e coração até mesmo do leitor mais cético que seja.

Seguir sertão adentro, nas terras áridas, no rastro das alpercatas de Virgulino Ferreira da Silva, o poderoso bandoleiro Lampião, símbolo de coragem e determinação de um povo tão sofrido quanto orgulhoso, saber de maiores detalhes sobre a sua vida, sua biografia, algumas das suas andanças, sua vingança contra o “Coronel” Zé Pereira - antes seu protetor - é sem dúvida viver um tempo de verdadeiros cabras-machos.

Melhor saber sobre a entrada de Sabino das Abóboras para o cangaço, sobre a história inusitada e corajosa do cangaceiro Meia Noite e o fogo da casa de farinha do sítio Tataíra, assim como sobre o covarde trucidamento de Jararaca em Mossoró, faz qualquer leitor imaginar a época de sangue e lágrimas que viveram os nossos antepassados. A história cangaceira é muito rica e é enriquecida mais ainda quando é contada por um grande pesquisador como Romero Cardoso.

Comprovando que Romero Cardoso é um estudioso e grande pesquisador do tema cangaço, no ano de 1998, fora convidado a escrever a introdução na produção fac-similar à edição de 1926, da obra“Lampeão Sua História”, do escritor paraibano Érico de Almeida, ou seja, um dos livros pioneiros relacionado a esse assunto. Como bem disse o próprio autor introdutor: “Reeditá-la significa, antes de tudo, resgatar uma preciosidade da nossa historiografia esquecida nas brumas do tempo”. E tem toda razão o autor com tal assertiva.

Ainda dentro desse prisma, relacionado ao tempo do cangaço de Lampião, o quão faz bem ler sobre o fotografo e cinegrafista Benjamim Abraão Botto que deixou gravado na história as tantas imagens dos cangaceiros, provas inequívocas dos seus gostos, usos e costumes.

Espetacular também é reviver e vivenciar a linda história de amor entre Xanduzinha e Marcolino Pereira Diniz (protetor de Lampião) ocorrida entre as batalhas da época, casal imortalizado através da arte musical do grande e inigualável Luiz Gonzaga, nosso eterno Rei do Baião, por sinal também dos mais exaltados pelo autor, com honras e méritos, noutros textos da presente obra que canta e encanta todo e qualquer leitor. Aliás, nada poderia ser diferente partindo das escritas de Romero Cardoso, pois o grande homem de Exu, dos mais importantes pernambucanos da história, Luiz “Lua” Gonzaga do Nascimento, a maior personalidade musical que o Nordeste brasileiro deu para o mundo, cantou alegrias, cantou tristezas, chorou o choro dos mais necessitados, aboiou junto com os vaqueiros, idolatrou e penou os seus amores perdidos, amou os seus familiares e amigos, denunciou as injustiças dos homens, louvou a devoção aos Santos (em especial a São João), exaltou o fenômeno “Padinho Ciço” do nosso povo crente e carente e, de uma maneira toda especial e somente sua narrou em embutidas lágrimas o triste problema da seca dos nossos sertões que se arrasta a passos curtos por anos a fio sem solução governamental, com programas ineficientes que ganharam até a nomenclatura de “Indústria da Seca”. Suas imortalizadas canções que rodam o mundo comportam a essência mais autêntica de que realmente viveu aquilo que cantou, por isso nos encantou, por isso também continua encantando os mais jovens. Sua vida era sua obra e sua obra foi eternizada no seu ofício de louvar a vida do seu povo de uma maneira simples, direta e verdadeira, dizendo aquilo que por experiência carregava na memória e perpetuava no que cantava. Sem dúvida de todos os verdadeiros nordestinos, a sua obra é nossa eterna adoração musical que com certeza sobreviverá sem fim.

Relacionado à questão da chamada“Indústria da Seca” anteriormente citada, que de uma maneira indireta, ou quase direta, é pauta também de alguns textos da presente obra, o dito fator artificial tem sido o modelo utilizado pelos políticos há décadas no Nordeste - desde o tempo do Império para ser mais preciso - cujos atos de corrupção tem como causa a incompetência, a leniência e o descaso principalmente do governo federal passando também pelo crivo dos governos estaduais, sem esquecer a inércia do próprio Poder Judiciário, que diante dos desmandos e desvios de verbas públicas, bem como da sua utilização para servir de moeda de troca eleitoral, tem ceifado vidas de crianças, adultos, idosos e animais, aniquilado famílias, arrasado plantações, sendo a principal causa do êxodo rural dos nossos sertanejos que terminam por virar marginais nas favelas dos grandes centros.

Em análise ao teor de mais dois artigos da obra em pauta, em tempos de relações líquidas e efêmeras vividas pelo povo sertanejo, ao sofrer a violência da natureza, dos cangaceiros e do próprio Estado via das já citadas más ações governamentais, bem como das arbitrariedades e crimes praticados pela polícia volante - que em tese seria sua protetora - o autor também se preocupou em mostrar o outro lado da moeda através das narrativas muito bem pesquisadas, arquitetadas e montadas relacionadas aos textos sobre os Coronéis Manuel Benício e Manuel Arruda de Assis, este último em entrevista pessoal falando sobre os métodos de sangramento utilizados tanto pelos cangaceiros quanto pelas volantes, ou seja, comprovando que a polícia e o bandido estavam sempre no mesmo patamar.

O autor vislumbra outros textos não menos importantes a respeito de Leandro Gomes de Barros; do navegador João de Calais; dos Tropeiros de Borborema; sobre a região de Mossoró que hoje é a sua morada e terra amada, questões diversas ligadas a esse município como a caprinovinocultura em assentamentos rurais, a bem pensada e merecida exaltação às parteiras tradicionais, em especial, à parteira das mulheres pobres da localidade, Senhora Maria Joaquina de Souza, pessoa que merece os aplausos de todos os brasileiros; também sobre a importância da Cera de Carnaúba na economia regional dos seus cultivadores e produtores.

De volta ao passado, o autor passeia galhardamente com artigos pertinentes a personalidades como João Pessoa, Gilberto Freyre, Delmiro Gouveia, Ariano Suassuna, dentre outros nomes não menos expressivos que emergem e imergem nas suas concatenadas escritas; bem discorre sobre Vingt-Um Rosado e sua batalha em defesa da pesquisa de petróleo na Bacia Potiguar; analisa a insurreição de Princesa, então liderada pelo “Coronel” Zé Pereira; entra no mérito do boom econômico nordestino depois da primeira Guerra Mundial. Tudo em comprovação de que o seu conhecimento é vasto e muito bem pesquisado, também um grande e exímio professor.

Pode-se destacar, ainda, a relevância da preocupação do Romero Cardoso que em consonância com sua trajetória de excelente professor e pesquisador, debruça-se em rápidas e excelentes pinceladas de cores vivas sobre as questões controversas relacionadas ao Padre Cícero Romão Batista, assim como também sobre Canudos, a guerra desumana e cruel quando verdadeiros exércitos federais dizimaram os comandados de Antonio Conselheiro. Nesses termos o leitor também pode apreciar a história do bravo Pajeú, que sem dúvida foi o maior estrategista da resistência de Canudos, então transformada em ruínas e cinzas pelos vencedores, se é que houve vitoriosos, vez que foi uma guerra totalmente desigual e desproporcional entre grandes exércitos bem treinados, bem armados e municiados, com fuzis, canhões e tudo mais, contra pessoas do povo com armamento obsoleto, muitos armados com enxadas, foices, facas, facões e até paus e pedras.

Enfim, o livro oferece ao leitor um relato das vicissitudes dessa viagem ora denominada de textos vivos e reverenciados, textos conscientes de seu próprio valor, textos que certeza tenho terão a anuência de todos, pois retratam acima de tudo a alma do autor, põem em devido relevo o ser sertanejo, o ser nordestino, o ser cabra-macho, não somente por ter nascido, crescido, amadurecido e continuar morando nesse rincão brasileiro, mas principalmente por possuir as qualidades da inteligência arguta, hospitalidade franciscana e valentia obstinada, um imortal na arte das letras.

Ao finalizar, conclamo a todos procederem à leitura de obra tão valorosa, culminância de um trabalho de pesquisa de anos a fio dedicados pelo autor em artigos separados com publicações imediatas ou periódicas em inúmeros sites, blogs, portais, jornais impressos e revistas e, agora organizados em livro pela consagrada Escritora, Professora e Doutora em Filologia Românica, Marinalva Freire da Silva.


Aracaju, 25 de março de 2013

Archimedes Marques

Delegado de Polícia em Sergipe e Escritor.

archimedes-marques@bol.com.br

GRANDES ANÁLISES, PEQUENOS RESULTADOS. Por Flávio Rezende

GRANDES ANÁLISES, PEQUENOS RESULTADOS
Por Flávio Rezende*
Ao retornar para casa, no fim da tarde, gosto de sintonizar o rádio numa FM para saber as notícias do dia, uma vez que sempre absorto em atividades diversas, na maioria das vezes não fico sabendo o que está rolando no planeta que habito com renovado prazer.
Hoje temos uma grande variedade de programas, migrando a FM de espaço exclusivo de música, para um mosaico de muitas coisas, notadamente piadas, futebol, política, religião e comentários.
Vários programas apresentam comentaristas diversos e, alguns, pródigos em fácil verbalização de análises, conseguem fixar nossa atenção, devido a uma perfeita junção de frases de efeito com entonação de voz e, domínio do assunto eleito para aquele momento.
O danado é que as análises muitas vezes convergem para uma confiança absoluta de que o dito e o previsto, vão acontecer, nos levando a crer, devido ao enfeitiçamento em que somos mergulhados no caldeirão das capacidades apresentadas pelo analista, de que, de fato, o dito vai ser o futuro.
O tempo passa e, a realidade, teimosa que só ela, mostra um presente totalmente diferente e, tudo o que foi analisado e dito como caminho natural do pensado, não se traduz, frustrando o ouvinte e, encaminhando sua própria análise do analista e futurista, de que o mesmo tem mesmo é muita lábia, lero-lero, grande capacidade de expressar pensamentos, mas que suas colocações não passam de orgasmo mental.
Isso acontece com muitas pessoas. Elas começam a falar e essa capacidade que tem, além de causar admiração nos que estão próximos e naqueles que estão ouvindo através da mídia, também as embriaga, a pessoa passa a curtir a si mesma, se achar muito capaz, inteligente, ai começa a misturar zuada de lambreta com zero na caderneta, entrando num oito que deixa todo mundo extasiado, mas, que não passa disso, um vai e vem de frases fiadas sob o manto de um tema, que no fim, não produz um vestuário e, sim, um farrapo oratório.
Encontramos também esses analistas sem resultado concreto no futebol. O cara faz um comentário esculhambando o time e dizendo que da maneira que está o escrete não vai a lugar nenhum, ai no segundo seguinte, o mesmo time que não prestava para nada, começa a fazer gols, com o comentarista mudando da água para o vinho e, intitulando aquele mesmo time, de esquadra, seleção, timaço.
Essa é a vida, imprevisível, que parece não gostar de ser adiantada, preferindo acontecer como ela é, no momento, fugindo de regras, de paradigmas e, revelando a todo instante que não adianta falar bonito e citar grandes pensadores, afinal a única coisa que não muda, é que tudo muda e, a própria mutação como lei universal, não permite que no presente, possamos seguramente, querer saber o futuro.
· É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

Cleydson Monteiro e a autêntica poesia popular do Nordeste Brasileiro. Por: José Romero Araújo Cardoso

Cleydson Monteiro e a autêntica poesia popular do Nordeste Brasileiro
José Romero Araújo Cardoso
Licenciado em Letras, cuja conclusão do curso ocorreu no ano de 2012, graduação esta alcançada com êxito na Faculdade de Ciências e Tecnologia Professor Dirson Maciel de Barros, pós-graduando em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Literatura; Ensino de Artes: Técnicas e Procedimentos–UCAM- Rio de Janeiro-RJ (2012-2013). Destaca-se ainda como professor da rede municipal e estadual de ensino de Pernambuco, além de membro da União dos Cordelistas de Pernambuco - UNICORDEL, da Sociedade dos Poetas Vivos e Mortos de Timbaúba e da Fundação Jader de Andrade, sendo possuidor de diversas obras publicadas, a exemplo de Desafio (2001); Meu Lugar sem Endereço (2003); Farsas e Farsantes (2009); Antologia Novos Poetas (2012); Minha Antologia de Cordel (2012); Literatura e Linguagens (Capítulo, 2013), constando ainda em seu curriculum como autor de 75 cordéis, Cleydson Monteiro vem enriquecer significativamente o extraordinário acervo literário da autêntica poesia popular do Nordeste Brasileiro com a publicação dessa importante antologia de cordel.
Berço de grandes talentos literários, nossa região vem se destacando pela ênfase ao legado ibérico dos folhetos de cordéis em razão da projeção de figuras imponentes como o paraibano Leandro Gomes de Barros, cuja menção honrosa de Carlos Drummond de Andrade classificou-o como o verdadeiro príncipe dos poetas brasileiros.
Nove cordéis compõem essa nova produção do brilhante versejador pernambucano, os quais destacam da beleza lírica que enaltece o encanto feminino em Mulher do olho bonito faz homem morre de amor – II, a ênfase ao imaginário fantástico em A mulher que expulsou o diabo de Timbaúba – O Reencontro. Em seguida o autor faz recordar noites enluaradas de um sertão ainda afastado da modernidade, quando em alpendres eram lidos folhetos contando as histórias fantásticas dos doze pares de França e o romance da donzela Teodora. O título do quarto cordel que integra esse importante trabalho literário de autoria de Cleydson Monteiro é A História da donzela que bem triste faleceu.
O quinto cordel, de cunho histórico, destaca a figura de Maria Quitéria, a heroína brasileira.
O sexto cordel destaca sublimes aspectos da inteligência e do raciocínio do autor através de O ABC das coisas.
O sétimo instiga o leitor a pensar em se tratar de algo que no final mostra-se totalmente diferente do imaginado, cujo título é Marcas de uma noite de amor, o qual prima pela jocosidade, por que não dizer pelo cômico em sua expressão maior.
O penúltimo cordel prima pela ênfase às emoções mais intensas em A saudade não mata, mas maltrata o coração de quem ama e vive ausente.
O último traz mensagem ecológica bastante atual através de A natureza carece de nossa preservação.
Livro de bolso principalmente do povo nordestino, o qual elegeu o cordel como símbolo de identidade, a presente obra vem contribuir de forma incisiva para a valorização de um patrimônio grandioso da maravilhosa cultura da terra do sol.

A SAGA DA FAMÍLIA IGNÁCIO CARDOSO D'ARÃO: A PRESENÇA DE UMA COMUNIDADE JUDAICA EM POMBAL (PB). Por Ignacio Tavares

A SAGA DA FAMÍLIA IGNÁCIO CARDOSO D'ARÃO: A PRESENÇA DE UMA COMUNIDADE JUDAICA EM POMBAL (PB)
Por Ignacio Tavares (Foto)
Não sabemos com precisão o ano que os irmãos João Ignácio Cardoso D’arão e Francisco Ignácio chegaram à cidade de Pombal. Admite-se que tenha sido no começo do século XIX. O que se sabe que eles são originários do sítio Jacoca, hoje Conde, do engenho Forte Velho e do engenho Tibiri, hoje, localizado no município de Santa Rita. Segundo a Professora Anita Novinsk em seu livro “Inquisição - Rol dos Culpados”, em 1732 o senhor Ignácio Cardoso, Cristão Novo e um dos proprietários do Engenho Tibiri, foi alcançado pelo o Tribunal do Santo Oficio, através da sua representação na Cidade de Recife, por praticas religiosas não compatíveis com o pensamento único da Fé Cristã.
O senhor Ignácio Cardoso, abjurou o Judaísmo, submeteu-se ao batismo forçado e momentaneamente, tudo ficou resolvido. Acontece que mais ou menos no fim do século dezoito para o inicio do século dezenove, ocorreu mais uma denuncia, desta vez feita por um padre que se indispôs com a família Cardoso por razões de ordem sentimental, pois este padre se apaixonara por uma bela moça daquela família. Este talvez tenha sido o grande motivo para mais uma dispersão da família Cardoso, em particular os descendentes de Ignácio Cardoso. É provável que João Ignácio Cardoso D’Arão, seja filho de Arão, filho de Ignácio Cardoso. A cultura familiar Judaica costuma adicionar o nome do pai aos descendentes. Eis a razão do nome João Ignácio Cardoso D’Arão, que quer dizer, João Ignácio Cardoso, filho de Arão.
Embora os mais velhos da família soubessem de toda história, as gerações mais novas pouca ou nada sabiam. O desenrolar do processo contra a família Cardoso, muita gente da família sabia, através da tradição oral, passada de pais para filhos. Assim sendo, as historias que chegaram ao nosso conhecimento é essa mesma que os livros contam. Naquela ocasião, os FAMILIARES, como eram chamados os denunciantes ou os dedos duros a serviço do Tribunal do Santo Oficio, que se fez presente na Paraíba, juntamente com o senhor vigário, fizeram graves denuncias contra a família Cardoso o que resultou numa reação instantânea tendo como vitima principal o senhor vigário e alguns elementos dos FAMILIARES, particularmente aqueles mais exaltados. Por conta desse entrevero, grande parte da família Cardoso foi obrigada a buscar outros lugares onde pudessem viver longe das perseguições religiosas e neste momento, também policiais.
João Ignácio Cardoso D’Aarão e seu irmão Francisco Ignácio fugiram para o Estado do Ceará, mais precisamente para serra dos Cardosos, situada entre os municípios do Crato e Juazeiro onde já residiam parentes seus. Não deu certo porque os motivos religiosos nessa região eram fortes e eles podiam ser descobertos. Vieram para o Estado da Paraíba, mais precisamente para uma pequena povoação conhecida como Umari dos Seixas, localizada no município de São João do Rio do Peixe. Nesta povoação conheceram duas irmães, Catarina Moura Mariz e Isabel Moura Mariz. João Ignácio Casou-se com Catarina e Francisco Ignácio com Isabel.Surgiu um novo problema. Catarina e Isabel descendiam de um Padre que teve um caso de amor furtivo com uma mucama mulata, filha de uma escrava. As duas jovens viviam sob a custódia do vigário. Dessa forma não era interessante pra eles viverem sob a dependência de um religioso que pouco tinha a ver com os princípios religiosos herdados de seus antepassados. Assim sendo resolveram migrar para o município de Pombal, longe da curiosidade do senhor vigário.
Ao chegarem em Pombal, compraram as melhores terras do município localizadas ás margens do rio Piancó. Construíram suas casas próximas á margem do rio, que mais tarde denominou-se Rua de Baixo em contraposição à Rua de Cima, como era a conhecida Rua do Comércio Velho. A família se multiplicou assim como o número de casas e nesta localidade nasceram, Israel que morreu muito jovem, Abel, Aarão, Luiz D’Arão, Benigno, Florência e Filadélfia, Ana, Regina, Generosa e Guilhermina, todos filhos de João Ignácio Cardoso D’Arão e Catarina Moura Mariz de quem sou descendente pela quarta geração. Não há registros ou batistérios nos arquivos da Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso de nenhum filho de João Ignácio. Isso, por conta da sua indiferença ao batismo segundo os preceitos da igreja católica. O que se sabe, segundo o Historiador Wilson Seixas, parente pelo lado de Catarina Moura Mariz, é que existia por trás do arruamento dos Cardoso uma casa de oração onde eles se reuniam semanalmente para fazer suas preces e leituras, segundo as suas convicções religiosas.
Com o tempo essa casa foi destruída pelo o avanço das águas do rio restando apenas os escombros que aos poucos foram soterradas por conta do assoreamento. O irmão, Francisco Ignácio gerou também muitos filhos entre ao quais se destacam Luiz Ignácio Cardoso, França, Caboclo Liberato e tantos outros. Os filhos de João Ignácio, todos casaram e geraram filhos.
Aarão Ignácio Cardoso, casou-se com a sobrinha Facunda Liberato de Alencar, filha da sua irmã Ana Cardoso de Alencar, esposa de Felix Antônio Liberato de Alencar, também da mesma família. O senhor Aarão preferiu construir, em 1870, sua residência na rua de cima, hoje rua coronel João Leite, número 323, casa esta que se propõe o seu tombamento, posto que, é a única que guarda o registro do passado judaico da família Ignácio Cardoso, pois no seu frontispício foi erguido uma espécie de candelábrio oriental encimado por uma estrela de David.
A família Cardoso, cresceu progressivamente. Para se ter uma idéia, um neto de João Ignácio Cardoso, José Liberato de Alencar, ao morrer em 1943, deixou 36 filhos vivos, sendo 4 homens e 32 mulheres, isto é de três casamentos. Outros familiares seguiram caminhos parecidos, o que assegurou um alto índice de reprodução familiar. Naquele tempo não havia restrições quanto ao tamanho da família porque a maior riqueza era a terra e eles eram grandes proprietários e assim sendo podiam acomodar toda família na medida do seu crescimento.
A vasta área de terra que pertencia a família Cardoso compreendia uma extensão de beira rio que ia do xique-xique a camboa, seja quase seis quilômetros de extensão ainda as propriedades mufumbo, juá, estrelo, nova vida, capim verde e genipapo. Dessa vasta área de terra pouca coisa pertence a família, hoje. A família cresceu, urbanizou-se e se espalhou por todos os recantos do Brasil.
Esta é a história da família Ignácio Cardoso D’Arão, que por muito tempo permaneceu no silêncio da família e de certo modo compreensível porque se tratava de uma questão de segurança. Os mais velhos da família, adeptos do cristianismo, falavam que ser judeu no sertão não era boa coisa. Lembravam que todas as vezes que iam a missa na semana santa, na homilia o padre fazia questão de enfatizar a participação dos judeus na condenação de Jesus e no outro dia a população estava malhando Judas como se fosse o símbolo do povo judeu. Neste caso é justificável tão profundo silêncio.
Temos ainda outras informações sobre o resto da família, mas carece de fundamentos e sendo assim preferimos não relatar neste texto.
Ignacio Tavares - Contato: itavaresaraujo@yahoo.com.br
As fotografias acima é de uma residencia situada na Rua do Comércio, Pombal-PB, construção do final do século 19(1874?). Trata-se de uma prova inconteste da presença judaica na nossa cidade.
Foi residencia de Airão Inácio Cardoso que era filho de JOÃO IGNÁCIO CARDOSO D’ARÃO E CATARINA MOURA MARIZ F1 – Benigno Ignácio Cardoso D’Arão cc Cândida Coelho Cardoso N1 – Ana Benigno de Sousa cc Filemon Estevão de Sousa Fugidos da perseguiçao católica, os Cardosos vieram para Recife e Joao Pessoa. Os Cardosos de Pernambuco fugiram para EEUU e fundaram nada menos do que New York. Outra parte fugiu para os sertões da Paraiba (Pombal) e do R.G do Norte.
Toda a rua do Comercio, assim como o centro de Pombal, encontra-se tombado pelo IPHAEP. Esperamos que esta parte da história de Pombal não seja demolida.
Obs.1: O candelabro da foto encotra-se estilizado (modificado) por conta do medo que os Judeus tinham da perseguiçao. No entanto, deve-se observar que foi muita "ousadia" e demostraçao de fé, colocar na porta de casa um simbolo judaico.
Outro fato é que a familia Cardoso teve um membro (a jovem Branca Dias) retirada do seio da familia pelo tribunal inquisitor e levada para a Bahia e de lá para Portulgal aonde foi queimada viva. Na época a familia cardoso d'arão ocupava toda a area onde hoje situa-se Gramame, distrito industral , Conde e parte de Santa Rita (a Fazenda Engenho Velho).
Ignacio Tavares, tetra neto de Joao Inacio Cardoso D'árão se interessou em adquirir a residencia só que não teve exito. Pombal precisa preservar o frontispício desta resdiencia. (texto de Romero Cardoso)

ARTIGO: “O heroísmo das parteiras tradicionais”, por Romero Cardoso

ARTIGO: “O heroísmo das parteiras tradicionais”, por Romero Cardoso

Publicado em 25.04.2013
ARTIGO: “O heroísmo das parteiras tradicionais”, por Romero Cardoso
O isolamento e a ausência da ação do Estado em diversas regiões do globo tornaram imprescindível o trabalho das parteiras tradicionais, sendo a maioria detentora de conhecimentos empíricos transmitidos de geração a geração, pois a preservação das técnicas de como realizar partos de forma mais eficiente possível vem possibilitando a salvação de inúmeras vidas nos quatro cantos do mundo, razão pela qual o cinco de maio é internacionalmente dedicado a essas heroínas anônimas.
Embora percentual majoritário de quem dedica-se ao trabalho de viabilizar a vinda de uma nova vida ao mundo seja do gênero feminino, existem registros em diversas regiões de parteiros realizando essa missão humanitária.
A zona rural é tradicionalmente desassistida pelos programas de saúde, motivo pelo qual as parteiras ainda exercem forte influência nas sociedades tradicionais quando mulheres começam a demonstrar os sinais inconfundíveis de que estão prestes a ter seus filhos, principalmente quando os partos se mostram complicados.
Esquecendo os perigos que rondam a calada das noites, concentradas apenas na certeza de que a presença imediata é indispensável, as profissionais leigas não medem distância a fim de enfatizar seu ofício intuindo salvar vidas.
Técnicas em grande proporção eficientes, aprendidas com antepassados, são postas em prática e, dependendo do caso, logo alcançam o objetivo que fizeram das parteiras tradicionais figuras respeitadas em suas comunidades, não obstante a imensa maioria não desfrutar de melhores qualidades de vida, vivendo em condições semelhantes às famílias que assiste.
Gonzagão, embora desgostando a viúva do autor da música, devido as modificações profundas que realizou na canção, imortalizou a importância dessas heroínas anônimas interpretando com invulgar perfeição “Samarica parteira”, composição fruto da genialidade de Zé Dantas, o qual como médico obstetra, nativo do semiárido, nascido em uma região carente e esquecida do sertão pernambucano, sabia perfeitamente das dificuldades que a sertaneja enfrenta devido a ausência de profissionais da medicina, fato que infelizmente persiste até os dias de hoje.
O trabalho realizado pelas parteiras tradicionais no nordeste brasileiro também é marcado pelas superstições, tendo em vista que muitas dessas profissionais práticas se inspiram no ciclo lunar para poder realizar partos.
A religiosidade também se faz presente, pois oração como a Salve Rainha é feita antes de começar o trabalho de assistir as mulheres nos partos. Caso a parteira erre a reza significa que a parturiente deve ser imediatamente conduzida para lócus apropriado que disponha de condições suficientes para evitar que mãe e filho/a não sejam salvos.
Regiões extremamente carentes no setor de saúde, a exemplo do Norte e do Nordeste, ainda contam de forma expressiva com o trabalho das parteiras tradicionais para realizar partos em mulheres.
Heroínas anônimas, indispensáveis na ênfase em salvar vidas, as parteiras tradicionais precisam ser reconhecidas e valorizadas em razão do grande trabalho social que vem exercendo ao longo dos séculos, sobretudo quando se intensificam as diferenças inter-regionais em razão que as diferenças ainda não foram solucionadas, principalmente na área de saúde, a qual deve nortear prioridade de forma democrática e humana em qualquer plataforma governamental que obrigatoriamente deva prezar o bem-estar da população em sua totalidade.

José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-adjunto da UERN.

CONTATO: romero.cardoso@gmail.com

FONTE: http://www.liberdade96fm.com.br/noticia/artigo+%E2%80%9Co+heroismo+das+parteiras+tradicionais%E2%80%9D+por+romero+cardoso-9549

A CAATINGA: BIOMA FANTÁSTICO DE DIVERSIDADES

A CAATINGA: BIOMA FANTÁSTICO DE DIVERSIDADES
 
Enviada por João de Sousa Lima (Paulo Afonso - BA) em 29/04/2013 13:53
A caatinga, palavra originária do tupi-guarani, que significa “mata branca”, é o único sistema ambiental exclusivamente brasileiro. Possui extensão territorial de 734.478 de quilômetros quadrados, correspondendo a cerca de 10% do território nacional, está presente nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia, Piauí e norte de Minas Gerais.


As temperaturas médias anuais são elevadas, oscilam entre 25° C e 29° C. O clima é semiárido; e o solo, raso e pedregoso, é composto por vários tipos diferentes de rochas.

A ação do homem já alterou 80% da cobertura original da caatinga, que atualmente tem menos de 1% de sua área protegida em 36 unidades de conservação, que não permitem a exploração de recursos naturais.

As secas são cíclicas e prolongadas, interferindo de maneira direta na vida de uma população de, aproximadamente, 25 milhões de habitantes.

As chuvas ocorrem no início do ano e o poder de recuperação do bioma é muito rápido, surgem pequenas plantas e as árvores ficam cobertas de folhas.

A região enfrenta também graves problemas sociais, entre eles os baixos níveis de renda e de escolaridade, a falta de saneamento ambiental e os altos índices de mortalidade infantil.

Desde o período imperial, tenta-se promover o desenvolvimento econômico na caatinga, porém, a dificuldade é imensa em razão da aridez da terra e da instabilidade das precipitações pluviométricas. A principal atividade econômica desenvolvida na caatinga é a agropecuária. A agricultura se destaca na região através da irrigação artificial, possibilitada pela construção de canais e açudes. Alguns projetos de irrigação para a agricultura comercial são desenvolvidos no médio vale do São Francisco, o principal rio da região, juntamente com o Parnaíba.

Vegetação – As plantas da caatinga são xerófilas, ou seja, adaptadas ao clima seco e à pouca quantidade de água. Algumas armazenam água, outras possuem raízes superficiais para captar o máximo de água da chuva. E há as que contam com recursos pra diminuir a transpiração, como espinhos e poucas folhas. A vegetação é formada por três estratos: o arbóreo, com árvores de 8 a 12 metros de altura; o arbustivo, com vegetação de 2 a 5 metros; e o herbáceo, abaixo de 2 metros. Entre as espécies mais comuns estão a amburana, o umbuzeiro e o mandacaru. Algumas dessas plantas podem produzir cera, fibra, óleo vegetal e, principalmente, frutas.


Fauna – A fauna da caatinga é bem diversificada, composta por répteis (principalmente lagartos e cobras), roedores, insetos, aracnídeos, cachorro-do-mato, arara-azul, (ameaçada de extinção), sapo-cururu, asa-branca, cutia, gambá, preá, veado catingueiro, tatupeba, sagui-do-nordeste, entre outros animais.

Por Wagner de Cerqueira e Francisco
Graduado em Geografia
Equipe Brasil Escola
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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