domingo, 27 de fevereiro de 2011

Com a palavra Monyerviny


Monyerveny é uma dessas meninas que escreve, como diz o poeta Chacal que coloca os seus bichos para fora. Após várias tentativas e inúmeros pedidos a jovem Mony, se assim ela permite, tira do seu baú de pandora, as suas escrituras que tem a marca das suas descobertas e dos seus conflitos.

Descobri Mony pelos corredores do EEFM Polivalente do Crato e desde então vinha insistindo para conhecer o seu trabalho com as palavras, insistência que valeu a pena. Uma perseguição do bem, na crença de que a menina de poucas palavras poderia jorrar poesias.

A cada instante quero descobrir e publicar os brincantes e guerreiros das palavras que estão no anonimato. Monyerveny foi uma das primeiras. Se a arma do poeta é a palavra, então Mony não tem outro jeito, agora arma-se.

As angústias do tempo

Tento explicar o que não entendo,

o que não sei dizer,

o que já pude sonhar,

o que já pude viver.

Tento construir meu futuro

com meu simples olhar

por que não sei o que querer

não sei o que pensar.

Sei a dificuldade que sinto,

sei onde eu quero chegar

mas cada lágrima que sai do meu peito

me faz ter medo,

me faz te amar.

Sinto meu coração doer,

mas não consigo entender

porquê me pus a sonhar.

Amar

Amar é uma aventura

amar é um desespero

e não há censura.

O que resta de mim agora

é sonhar ao travesseiro

O que acontece com o sentimento

que aparece de repente?

Que nos faz amar,

que nos faz querer,

que nos faz apoiar

o amor fortemente.

Sigo entre as linhas,

esse amor tão singelo

que me acalma na vida

e que é tão sincero

pois te amo sem te ver

você é tudo que eu quero.

O que resta dessa paixão doentia?

Dessa nossa nova emoção?

Desse amor tão perigoso

que maltrata meu coração.

O que resta desse amor,

é só dor,é só dor.

Chance

Quando quiser partir,vá sem chorar

a escolha é sua,vá sem chorar

já disse para ficar,

mas você não quis escutar.

Será que uma chance

vai rolar entre nós dois?

ao menos um beijo

não se deixa para depois.

Palavras não dizem o que você é para mim

se há uma chance

não me deixe triste assim.

Será que nosso amor vai continuar?

Ou se essa chance nunca vai rolar?

Já disse para ficar

mas você não quis escutar.

Te esquecer

Às vezes,quando penso em te deixar

me sinto só,tentando entender o significado do amor.

Mas me iludo,não sei como evitar

de maneira alguma como não te amar

por que nosso amor tem que acontecer

e eu chorei tentando te esquecer

Alguma vez por amor eu aprendi a confiar

Me apaixonei por você sem perceber

Você me enfeitiçou como em um toque de amor

E desde então,sofro com o adeus.

Onde algum dia pude acreditar?

Como um lugar mágico de amor

Não sei como enviar uma carta escrita para te amar

por que nosso amor tem que acontecer

e eu chorei tentando te esquecer.

Foi embora

As estrelas que eu olho no céu

são tão lindas que não pude evitar

com o olhar você despertou em mim

cada lágrima que pude chorar.

Onde está meu amor que não liga

se não está mais no meu pensamento.

Se não concorda por favor me diga

Por favor meu amor.

Foi embora,

não sei por que me desprezou

de porta a fora,

sem saber o que era amor

Naquela hora,

a solidão que me pegou

Você não quis mais saber

não quis mais saber de mim

Paixão sem fim

Esse olhar que me atrai

mora dentro de mim.

Não tenho como explicar

a paixão nunca teve fim

Sempre quando te vejo

me sinto nas nuvens

com o gosto do teu beijo

me sinto apaixonada,louca,alucinada

querendo então te ver

que desperta em mim um sonho

meu amor eu te proponho

para sempre me querer

Meu mundo é teu

teu mundo é meu

e assim ficamos

pois nos amamos

sinto,mas essa garota te perdeu.

Lula Gonzaga – Redescobrindo o Brasil com muita animação

Aos 15 anos, o pernambucano Lula Gonzaga se encantou com o cinema e hoje é a principal referência da cinematografia de animação do Brasil. Comunista, cineasta, disseminador da arte de animação no Norte-Nordeste, defensor da política de Pontos de Cultura como forma de empoderamento dos movimentos sociais. Lula Gonzaga será homenageado no Cariri – Estado do Ceará com Mostra de Animação que levará o seu nome e será realizada pelo Coletivo Camaradas em 2011.

Alexandre Lucas - Quem é Lula Gonzaga?

Lula Gonzaga - Pernambucano, cineasta de animação onde iniciou sua trajetória no desenho animado em 1971. Realizou sete curtas-metragens nas mais variadas bitolas: Super-8, 16mm, 35mm e em vídeo. Coordena o Ponto de Cultura Cinema de Animação e o Pontão de Cultura Cine Anima em Pernambuco. O nosso Ponto é principalmente um projeto itinerante que percorre todo o país realizando oficinas e mostras de animação em especial nas regiões Nordeste e Norte, já realizamos etapas também em outros países.
Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Lula Gonzaga - Aos 15 anos quando entrei pela primeira em uma sala de cinema de bairro no Recife, decidi que iria trabalhar com cinema. Aos 18, no final dos anos 70, fui para o Rio de Janeiro e 1971, comecei minha carreira profissional na PPP Produtora francesa no bairro da Glória.

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?


Lula Gonzaga - Várias, partindo das salas de exibição onde assisti vários filmes de animação da Disney, a produção francesa e checa pois havia amigos que tinham estes filmes em Super-8, fundindo com as influências do grafismo regional da xilogravura, da literatura de cordel que observava nas feiras e mercados públicos, dos bonecos de barro de Caruaru que comprava para brincar, dos mamulengos e da música regional de Luiz Gonzaga etc.

Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Lula Gonzaga - O ser humano não suportaria a vida sem a música, sem o cinema, sem a pintura, é inerente a condição humana, e tudo que diz respeito ao ser humano passa pela política, desde o preço do pão, a educação, a saúde, os rumos de uma nação, então todos precisam da arte e da política, não tem como separar, você pode não fazer política partidária, mas a política no sentido amplo está intrínseca a cada pessoa.

Alexandre Lucas - Contextualize a produção de animação no Brasil ?

Lula Gonzaga - A animação no Brasil como em todo o planeta está em momento de expansão, a animação está em todos os lugares: no cinema, na TV, na Internet, no celular. No Brasil, a animação sempre foi marcada pela dominação da indústria americana que monopoliza todos os canais de comunicação com o público, começando nas salas de cinema, na TV, agora na Internet, no celular e em todas as novas mídias que surgem. Em função desta dominação, a animação exibida no país sempre muito focada no público infantil, pois é onde começa a funcionar a “lavagem cerebral”, crianças a partir dos 2 anos de idade são alienadas pela produção exibida pelas “xuxa´s” e Cia. Trabalhando sem cessar nas cabeças dos nosso filhos para formar os novos aliados e futuros consumidores dos shoppings, delivery, Coca-cola, fost food etc. Hoje com as salas de exibição alternativas e em especial a internet, os jovens começaram a descobrir as produções de outros países que produzem filmes também para crianças e para outras faixas etárias em especial para a juventude. Com a chegada dos vídeos-games, vídeos clips e animação para celular, além do acesso às novas tecnologias digitais que barateiam e fazem com que um jovem possa realizar sua animação e finalizar em um computador simples, a animação entrou de vez na juventude, que enxerga também uma oportunidade de mercado de trabalho. Grande parte das empresas de produção de animação opera com equipe de jovens, hoje o Brasil produz uma grande quantidade de filmes de curta e longa-metragem, séries para TV, animações para comerciais, vídeos-games. Nossa produção atual além de muito diversificada em gênero e estilo também está espalhada pelo país inteiro, temos núcleos funcionado em São Paulo e Rio, também no interior de São Paulo, no Rio Grande Sul, Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo em Minas, Brasília, Goiás, em Pernambuco, Bahia, Ceará, Maranhão, Rondônia e Amazonas.

Alexandre Lucas - Quais as dificuldades que você encontrou no início de sua carreira?

Lula Gonzaga - No início o maior complicador era de o país ter uma produção muito pequena, basicamente reduzida aos comerciais para TV e fixada exclusivamente no eixo Rio-São Paulo. A grande dificuldade de assistir os filmes de diferentes países como ainda acontece hoje. Não havia nenhum instrumento de fomento, como os editais que existem hoje.

No meu caso tive sorte pois em 1981 a CAPES/MEC acertou um convênio com a Embrafilmes para a parceria de um projeto de 3 bolsas de estudo para animação no exterior, 3 vagas para todo o país e eu peguei a vaga do Nordeste e fui estagiar na Croácia e República Checa o que me deu um outra dimensão do universo da animação no planeta.

Alexandre Lucas - Ainda consumimos muita animação de outros países? Como você vê produção de animação no Brasil e o monopólio da Mídia?

Lula Gonzaga - Claro, e sempre vamos consumir o desenho de outros países. A questão é que basicamente só consumimos a produção dos Estados Unidos da América e uma parte menor da produção comercial japonesa. Temos que abrir nosso mercado para a produção de todos os países, para que nossas crianças e jovens possam conhecer as diferentes culturas, isto é essencial. E para exibir as nossas produções, durante muito tempo, nem mesmo a turma da Mônica era exibida nas nossas TVs! Também é necessário abrir os espaços para a produção brasileiras nos cinemas e TVs para os outros países. Hoje a animação nacional está no mesmo nível de qualidade da produção dos países produtores mais avançados, as animações importadas geram bilhões de dólares, citamos por ex. Bob Esponja, no ano de 2008 rendeu 1 bilhão de dólares em licenciamento, com a venda de bolsas, sapatos, cadernos etc. O mercado não brinca em serviço! A discussão agora é cultural, pois trata da afirmação da nossa identidade como povo, de economia e tudo passa é claro por decisão política.

Alexandre Lucas - A circulação é um dos desafios para democratizar a produção de animação no Brasil?

Lula Gonzaga - É o nosso grande gargalo, como estamos completamente dominados pela engrenagem de distribuição nas grandes mídias optamos, por falta de força política, operar pela beirada, nos Festivais de Audiovisual, nos diversos projetos de exibição itinerantes, nas TVs públicas como a TV Brasil e a TV Cultura, nos Cines Clubes, nos Cines+Cultura, na Programadora Brasil etc. São muito importantes os meios de acesso a produção brasileira, mais ainda estamos muito longe de chegar aos grandes sistemas de comunicação.

Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?

Lula Gonzaga - Nosso trabalho sempre foi focado na cultura brasileira em especial nas regiões Nordeste e Norte, sempre trabalhamos com formação, produção e difusão. Toda nossa equipe é de jovens que foram formados no próprio projeto, todas as nossas oficinas sempre foram com jovens alunos das escolas públicas e as exibições do cinema itinerante ou de cineclube sempre priorizamos as cidades sem ou com muito poucas salas de exibição para comunidades sem acesso a este importante veículo de comunicação de massa e divulgação da nossa cultura.
Alexandre Lucas - A atual conjuntura política no campo da cultura tem contribuído para ampliar a produção e circulação do cinema de animação no Brasil?
Lula Gonzaga - Sim e muito, na era Lula / Gil estivemos no melhor momento da nossa produção e acesso à cultura, em especial com o programa Cultura Viva que tem como locomotiva os 2.500 Pontos de Cultura funcionando no país, nos diversos editais para a produção audiovisual, na SAV - Secretaria de Audiovisual - que incluiu editais específicos para animação e nos avanços dos Cineclubes, da Programadora Brasil e nos cinemas itinerantes
Alexandre Lucas - O Coletivo Camaradas realizará em 2011 a “Mostra de Animação Lula Gonzaga” o que isso representa para você?

Lula Gonzaga - O Nordeste do país, hoje tem uma importante produção de Animação que o público da nossa região ainda não teve a oportunidade de conhecer.

A Mostra que vamos realizar com o Coletivo Camaradas, será uma oportunidade para prestar contas a sociedade do que estamos realizando com os recursos públicos em nosso Ponto de Cultura, vamos apresentar como funciona o nosso processo de formação, de produção e de difusão do Cinema de Animação que atua nas regiões Norte e Nordeste, nesta Mostra apresentaremos um painel através da exibição dos filmes e vídeos produzidos no nosso projeto, buscando permitir o acesso a cultura cinematográfica, a informação, abrir novas oportunidades no mercado de animação, a troca de idéias e a busca de novas parcerias.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Mona Gadelha: Salve a Beleza, Por: Lizandra Pronin

Fonte:http://www.territoriodamusica.com/canalpop
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=780912

Passeando essencialmente na praia da MPB, Mona Gadelha chega ao 4º disco da carreira, "Salve a Beleza". Para o novo trabalho, a cantora e compositora contou com participações especiais de Rômulo Fróes e Curumin.

Mona é dona de uma voz aveludada e tranquila, do tipo que envolve o ouvinte logo de cara. Talvez não seja uma voz especialmente marcante. E não espere agudos ou gritos. Mona interpreta calmamente, de modo que cada palavra cantada ganha emoção e importância.

Com um belo grupo de músicos a acompanhando - Alexandre Fontanetti (guitarra, violão), Curumin (bateria), Fernando Nunes (baixo), Zé Ruivo (teclado) e Bruno Fiacadori (programações e voz) - a cantora fica à vontade para soltar a voz em meio aos caprichados arranjos. Fontanetti, que já havia trabalhado com Mona anteriormente, também assina a produção do álbum.

Artista independente, Mona Gadelha pode não ser muito popular, mas sua carreira tem força para seguir firme com a agradável mistura de sons e elementos da bossa nova, jazz e pop.

Das 11 faixas, 6 são autorais ou compostas em parceria. No repertório se destacam "A Dor", que abre o álbum melancólica e cheia de questões existenciais, "Ou Nada", "Sem Cena" e também "Apenas Meninas", um protesto contra a prostituição infantil.

Outro destaque é "Estrela Morta", de Fernando Chuí, com sua letra que descreve um amor que se acabou e se apagou. O compositor, que também é artista plástico, é responsável pela bela arte que ilustra a capa e o encarte do álbum.

01. A Dor
02. Estrela Morta
03. Minha Casa É Você
04. Desolado Samba
05. Ou Nada
06. Salve A Beleza
07. Apenas Meninas
08. Sem Cena
09. Não Ligo Pra Você
10. Sentimento Nobre
11. Gol

QUERDITE CUMPADE, MAI JÁ VI QUASE TUDO!Rangel Alves da Costa




Mas não pode seu Lameu, o senhor ainda é bom moço pra dizer que já passou, já viveu e já viu essas coisas todas, afirmou o turista encantado com as histórias contadas pelo velho sertanejo.
Não era ancião de curvar o corpo nem viver dolorido em cima de uma cama, mas era bem velho sim, pois tinha uns setenta anos. E a pessoa que chega a essa idade no sertão já é pra estar com o corpo moidinho, com as forças desvanecidas, a saúde num deus-dará e as esperanças correndo logo pra debaixo da terra.
No sertão, o menino já se torna adulto num pé de vento; o adulto envelhece sem se tornar velho; e o velho, quando dá sorte de envelhecer, se torna num misto de pedra e mandacaru esturricado que nem morre nem deixa de existir debaixo do sol do sertão. Seu Lameu era assim, pedra e mandacaru, cacto histórico com a teimosia de não querer partir.
E contava as peripécias de ser testemunha ocular de acontecimentos que ninguém dava por verdadeiros e os que diziam não passar de estórias de trancoso. Mas o velho jurava, e no final ficava valendo o juramento do homem, mesmo que ninguém jamais dissesse que botava a mão no fogo sobre o dito e relatado.
"Pois é, menino, vi tudo nessa vida, e num sou homi de menti não, nem os meus oios se engana facirmente não. Se digo qui foi pruque foi, e ai daquele qui venha me driminti, qui é pa eu dizê mai coisa pa lhe cortá coração...".
"Vi vaca e boi chorá cuma chora minino cum fome. Foi na seca de 70, quano o sertão quasi incidiou e a terra esturricou todinha qui parecia peda rachada queimano os pé da gente. Inté mandacaru, xiquexique e facheiro morreu, os tanque foi tudo aterrado pela poeira seca, as cacimba sumiu tudim dos riacho, cumida num tinha mai nem pá homi nem pá bicho. Inquanto gente morria de fome. sede e tristeza, os bicho chorava qui nem criança. Teve vaca qui se jogou ribancera abaixo só pá morrer mai ligero. Isso ninguém diz qui é mentira não, pruque eu vi. A vaca era minha, e era a única qui eu tinha...".
Mas não chore seu Joaquim, pois isso já passou, dizia o turista. Mas a coisa foi assim tão braba mesmo?
"Num foi tum braba cuma foi assombrosa, medonha, uma danação mermo. Mai vi muito mai coisa seu moço. Aqui mermo nesse lugar, aqui mermo nesse sertão, já vi bicho falá, já vi gente disinterrá butija, lobisome e bicho sem cabeça aparecer, pade ser amante de mai de cem, gente boazinha inlouquecê de uma hora pa outa, famia comeno parma feito bicho, coroné de mil tarefa mandá matá o vizinho pru causo de dois parmo de chão, o sol chorano dizeno qui tá cum sede e a lua num querer aparecer cum medo da escuridão..."
Mas não pode ser seu Lameu, o senhor viu mesmo isso tudo acontecer? Então me conte, me conte, insistia o turista, colocando na mão do homem mais uma nota dobrada. E depois de passar o canto de olho sobre o dinheiro e guardá-lo na calça de muito uso, o velho continuava:
"O causo das butija era ansim; o povo de famia mai rica aqui do sertão, tarvez cum medo de Lampião e seus cabra e inté da poliça, qui num podia ver dinheiro que levava, tinha um modo de esconder seus dinheiro e suas riqueza embaixo do chão, num buraco que eles cavava ali mermo na casa ou nos arredor e qui somente eles sabia o lugar certo onde tava. Quando percisava só era ir lá, cavar um bucadim e tirá o ouro qui quisesse ou a quantia qui precisasse. Só qui muitas veiz, o sujeito rico morria e a riqueza ficava lá interrada. E aí quano o difunto se arrependia pro ter deixado tantas coisa sem serventia e quiria ajudá argum parente ou argum pobre, aparecia a eles de noite, feito visagem, feito arma do outro mundo, e dizia cuma a pessoa devia fazê para desenterrar a tar butija. Só que as exigença era muita e qui eu saiba sumente uma pessoa do lugar cunsiguiu disinterrá uma butija. Só qui o difunto já tava pobe e pensava que tinha murrido rico. No final das conta, o que o homi disinterrou foi somente doi réis, qui num deu nem pagá o trabaio que teve...".
"E tem aquele dos boi e das vaca qui falava. Foi ansim: um dia eu ia caminhando...".
Já chega seu Lameu, já chega. Estou muito satisfeito com suas histórias, disse o turista, parecendo não estar disposto a saber o que conversavam os animais. Já imaginava o que eles diziam entre si: "Você hoje está um estouro de touro, vamos dar um voltinha?"; "Você continua uma vaca, hein?".



Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com      
   

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

CURSOS DA SOCIEDADE DE CULTURA ARTÍSTICA DO CRATO

ACOMO mais um site de compra coletica no Cariri!

Chegou na Região do Cariri mais um site de compra coletica: o Acomo.com.br. Assim como os demais ele trás descontos em diversos segmentos de produtos e serviços. A coisa funciona assim: Todos os dias a Acomo Compra Coletiva traz uma oferta imperdível, a preços incríveis. Essa oferta fica disponível durante um curto período de tempo e só é liberada se um número mínimo de pessoas se comprometerem a comprá-la. Quando o número mínimo de compradores é batido, a oferta é liberada, e o cupom de desconto é enviado por email ou acessado pelo site para ser usado direto no estabelecimento. Se a meta de compradores não for atingida, a venda é descartada, e a quantia é devolvida ao consumidor. Isso só é possível porque o número de consumidores é relativamente grande e compensa para o comerciante fornecer o desconto. Com o crescimento cada vez maior
do número de pessoas que compram pela internet; com a segurança fornecida por empresas de intermediação financeira, tais como o PAGSEGURO, PAYPAL etc. Fica evidente que esta tendência torna-se cada vez mais acessível a todos os ninchos sociais, mesmo porque o acesso à internet também está se expandindo. Bom, agora é conferir...para quem tem interesse em adquirir produtos e serviços com até 90% de desconto é só acessar o site www.acomo.com.br

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Mestre Armando Leão visita o Cariri para articular congresso da UNEGRO




O mestre de Capoeira de Angola, Armando Leão esteve nesta segunda-feira (21/02) na região do Cariri para se reunir com lideranças do movimento negro com o objetivo de articular a mobilização para o congresso nacional da União de Negros pela Igualdade – UNEGRO que será realizado em julho deste ano.

O Congresso da entidade é composto por etapas regionais e estaduais. De acordo com o coordenador estadual da UNEGRO, Armando Leão o congresso desempenha papel importante na defesa de bandeiras de lutas pela igualdade racial, tolerância religiosa e também serve para ampliar as lutas e fortalecer as conquistas políticas e sociais para o conjunto da população.

No Ceará será realizado neste sábado, dia 26, no auditório do Sindicato dos Bancários, em Fortaleza, o Seminário preparatória para etapa estadual do Congresso. Armando frisa que do Cariri deverão participar cerca de 15 lideranças dos diversos segmentos do movimento negro, como quilombolas, copoeiristas, MCs, mães e pais de Santo. Ele destaca que manteve contato com representantes do Grupo de Valorização Negra do Cariri – Grunec, Coletivo Camaradas, Berimbalarte, quilombolas e pessoas de terreiro.

A Pró-Reitoria de Extensão PROEX da Universidade Regional do Cariri – URCA, A secretária de Esporte e Juventude de Juazeiro do Norte e a Prefeitura de Potengi são algumas das parcerias no Cariri da UNEGRO, além dos movimentos sociais.


Luiz Domingos de Luna*

A Cela do existencialismo dos seres humanos é inexorável. A inteligência em projeção pouco, ou nada tem feito para outros dados amostrais da arte do existir. A busca de fundamentação teórica dos componentes químicos para a composição da existência somente consolida a tela da fortaleza da prisão, pois em nada acrescenta ao substrato de outras formas de se fazer presente no panorama permeado a todos, vez o estudo do passado, seja como principio ativo ou não, o processo culminará sempre com a realidade do agora.
A filosofia tem se debruçado sobre a justificativa para a devoradora de vida no planeta terra – Na verdade, a peregrinação epistemológica tem sido mais para a justificativa da morte, dificilmente, se encontra uma escola filosófica para um estudo sério de como vencê-la, a ciência pouco tem feito para derrotar esta assassina de vidas. Dessa forma até parece que a morte é soberana é algo que está acima da compreensão humana. O reinado da morte parece ser eterno.
A morte de fato não derrota ou devora a vida, mas sim, apenas limita, pois a sobra da morte, a história, que a seqüência, forma a epistemologia genética da humanidade que é base para a civilização humana.
O Problema nasce quando a vida é estudada como a variável e a morte como a certeza, quando de fato, deveria ser o contrário, a vida como certeza e a morte como variável, isto acontece porque a humanidade se curva a inferioridade de uma existência perecível, ou seja, o presídio é concreto, vive em todas as abstrações dos humanos e sempre é vencedor, sendo a morte a heroína que fecha qualquer ciclo vital.
A solução se torna inatingível, pois tanto a inteligência quanto a ciência qualifica este caracteres como parte do Carrossel existencial, pois, a falta de uma forma diferenciada de existir faz sempre a vida no encaixe do tempo: passado, presente e futuro, até hoje esta fatalidade tem sido uma constante na vida dos seres vivos no planeta ainda azulado.
A desfragmentação da existência em outros patamares é base a libertação do homem, se não existe espaço dentro da lógica real, palpável, ou do alcançável, que seja oferecido novos modelos existenciais, se esta possibilidade inexiste dentro do campo racional do existencialismo que se busque uma ferramenta para tal fim, assim, a fé será sempre um caminho de Luz.
(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra – Aurora - Ceará.

Pombos


Os pombos sujam o arco
Criam uma poética
E solidificam suas fezes
E o vento compõe doenças
Fico aqui intrigado com a beleza dos pombos
E seus passos de paciência
Bendita ciência
Que desvenda
A merda
Das aves símbolo da paz.

Alexandre Lucas

Lifanco – Um guerreiro da Nação Cariri



Compositor, músico e fundador do reisado Nação Cariri. Lifanco deve produzir em breve uma coletânea de músicas engajadas. Lifanco tem composições com artistas do Cariri como Fatinha Gomes, Luciana Dantas, Cacá Araujo e o musico paraibano Rangel Junior, além de várias outras parcerias.
Alexandre Lucas - Quem é Lifanco?

Lifanco - Uma pessoa do bem

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Lifanco - Como musico aprendiz em 74, tempos de rock´s, baladas e leves blues que falavam de paz e de amor...que tempo !!!!

Anos 80 comecei a tocar em bandas, só a partir de 98 comecei a compor e cantar minhas vivências e também imaginações, pois ninguém é de ferro, né?!

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Lifanco - Todas!! Ainda hoje tenho influências... Desde que passem pelo crivo critico da minha capacidade de sentir.

Alexandre Lucas - O que é música para você?

Lifanco - Tudo !!! A musica tem o poder tipo: moldar pensamentos e atitudes, por isso o cuidado meu e de outros artistas na qualidade do que faz !!

Exemplos ??!! Temos de sobra estão ai no ``mêi do mundo´´ o que se esta criando em termos de comportamentos tendo como meio divulgador a musica ??!! É brincadeira!!
Os que podem fazer alguma coisa preferem ficar em suas casas e mansões com os seus, ouvindo e assistindo o que acham melhor. Ao resto? Resta a pergunta : Será ?!!

Alexandre Lucas - Você tem composições em parcerias com vários artistas. Fale dessas parcerias.

Lifanco - Ressumo numa pequena frase : É o que sustenta a vida e me dar a alegria de vivê-la.

Alexandre Lucas - Você tem composições engajadas?

Lifanco - Sim, divulgadas ? Esta perto(espero).

Alexandre Lucas - O seu novo trabalho será uma coletânea dessas musicas engajadas?

Lifanco - Com certeza !! Aguardo paciente o que falta, não depende mais só de mim.

Alexandre Lucas - Como você analisa o cenário musical do Cariri?

Lifanco - Sobre apresentações musicais com os nossos artistas não sei se posso analisar, até porque saio muito pouco, se esta acontecendo alguma coisa, falta divulgação.

Alexandre Lucas - Qual a sua relação com a brincadeira do Reisado?

Iiihhh !!! A mais prazerosa e descontraída possível !! A gente vira criança! É um outro mundo !!

Fundamos o ``Reisado Nação Cariri´´ gravamos 02 cd´s que considero uma das coisas mais importantes na minha historia. Mas.... (tem sempre esse mas, né?) Por força da falta de força tivemos que parar.

Alexandre Lucas - Como você ver a participação dos músicos e interpretes do Cariri nos grandes eventos da Região?

Lifanco - Relação intima nenhuma rsrsrsrsr, temos eventos promovidos com outras intenções.

O trabalho dos nossos artistas deve ter uma boa estrutura financeira e estética pra poder ser mostrado aos que nos visitam, ficamos com um espaço quase que vergonhoso em expocratos, expoafres, berros e etc... Os artistas da região foram os pioneiros, hoje não são nem chamados, mesmo que seja pra se submeterem a uma seleção... Também pudera !! Então é isso (os artistas que falo são os que estão engajados num bem comum, que fazem um trabalho consciente, musical e poético) os que estão na midia (nada contra) não passam por esse tipo de coisa.

Valeu !! E viva a nossa guerrilha, o nosso coletivo camaradas, a Mostra Sesc de teatro, o nosso festival cariri da canção, a mostra sesc de musica, nossas terreiradas com seus mestres e mestras, nossos compositore(a)s, atore(a)s,poetas, poetisas e cantores e viva nossa cultura viva e pulsante nas veias dos pensantes e atuantes caririzeiros.

Alexandre Lucas - Quais são os seus próximos trabalhos?

Lifanco - Compor sempre que sentir ser necessário e gravar quando for possível.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

TEATRO NO CRATO

PROGRAMA GUERRILHA EM MOVIMENTO
APRESENTA


SINOPSE

Uma família desestruturada a partir da chegada de um hóspede, “o Garanhão”, em sua casa, em suas vidas e “em suas camas”, trazendo à tona desejos e sentimentos outrora guardados e hoje revelados, enfim “chutaram o balde”. Albânia a matriarca, é o sinônimo de preconceito, arrogância e hipocrisia, “uma recalcada, isso sim!”, tentando com isso comandar a vida de todos e, não vendo seu autoritarismo surtir efeito, entra em total desajuste emocional, “uma surtada”. É aí que se dá o desenrolar da trama. Amores não correspondidos, desejos aflorados, morte, descoberta, libertação... Tudo isso está reunido em “O Hóspede”.

É HOJE

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

ENCONTRO DE GUERRILHEIROS DAS ARTES

ÚLTIMAS NOTÍCIAS - Prefeito Samuel Araripe consegue 4 milhões de reais para as obras emergenciais do Canal do Rio Grangeiro


ATENÇÃO - A notícia que todos os Cratenses aguardavam!




O prefeito Samuel Araripe informa que acaba de conseguir com o ministro da integração nacional, Fernando Bezerra Coelho, recursos para a recuperação emergencial do canal do Rio Grangeiro. O valor já foi creditado na conta da Prefeitura do Crato no início da noite de ontem , quinta-feira ( 17 ). O prefeito Samuel Araripe frisa que o Crato trabalha pela liberação de duas verbas federais distintas: a emergencial, que é da órdem de 4 milhões de reais, que servirá para atender às situações mais urgentes do município, e outra verba maior, para a reconstrução do canal do Rio Grangeiro através de um novo projeto.

O prefeito do Crato ressalta a intermediação do deputado Federal Arnon Bezerra, que esteve também na reunião realizada na semana passada com o ministro da integração nacional em Brasília, a fim de solicitar a liberação desses recursos federais hoje conseguidos.

Por: Dihelson Mendonça

Roberto Siebra - O ajudante de pedreiro que se fez doutor

Filho de merendeira e marceneiro, Roberto Siebra tem uma história de vida que orgulha os filhos da classe do proletariado deste país. Quando menino vendeu pão picolé, inventou de ser engraxate, já adulto foi ajudante de pedreiro e atualmente é professor doutor da Universidade Regional do Cariri – URCA. Siebra foi perseguido na sua juventude por causa da sua militância política e é uma das figuras históricas do Partido Comunista do Brasil na Região do Cariri por ter ajudado a construir o partido no período da semi-cladestinidade.

Alexandre Lucas - Quem é Roberto Siebra?

Roberto Siebra - Um rapaz nascido e criado no bairro do Seminário, no município do Crato, tendo uma bela vista do Sopé da Chapada do Araripe, filho de uma merendeira de escola pública e de um marceneiro, casal que criou seus 4 filhos de forma honesta e ética, ensinamentos estes que até os dias atuais tomo como guia nas ações que pratico no cotidiano.


Alexandre Lucas - Como teve início o seu contato com o Partido Comunista do Brasil – PCdoB?

Roberto Siebra - O meu contato foi no inicio da década de 80, quando na oportunidade participava dos movimentos de juventude existentes no nosso município. Naquele período o Brasil vivia os dias finais da ditadura militar, com grandes manifestações da sociedade civil e política participando de milhares de movimentos pela liberdade e pela democracia. Foi em um destes momentos que conheci o PCdoB, ainda na clandestinidade.

Alexandre Lucas - Você teve um trabalho importante na construção do PCdoB na região do Cariri, no tempo em que o partido ainda vivia na clandestinidade. O que foi ser comunista neste tempo?

Roberto Siebra - Lembro bem que neste período éramos obrigados a termos nomes falsos, o meu era Mauricio, e as reuniões eram feitas obedecendo a várias regras de segurança, entre as quais, a de nunca exceder o numero de três pessoas, não fazer anotações, não se reunir sempre no mesmo lugar, etc.

Foi um período muito difícil para mim, então com 17 anos, que tive que trocar vários prazeres da juventude, pela prática política semi-clandestina. Significou por um bom tempo ter que mentir para família (Ex. varias vezes tinha reunião em Fortaleza e ai dizia que íamos para um encontro religioso, uma viagem de ferias, etc.)

Significou também enfrentar um grande preconceito de pessoas e instituições, e como exemplo lembro um episodio que mim marcou profundamente, a solicitação, na época de pessoas da Igreja Católica exigindo que retirasse do movimento de juventude, pois isto podia prejudicá-lo, etc.

Outro exemplo marcante foi a minha expulsão do Colégio Agrícola do Crato, depois de ter sido arrombado o meu armário e retirado alguns pertences, entre os quais alguns documentos tidos como subversivos. Mas, nada disto nos tirava a certeza de que o novo sempre vem, como diz o poeta Belchior. E, poucos anos depois, pudemos comprovar isto na prática com o fim da ditadura militar e o retorno a um país democrático.

E como as coisas mudaram, sinto feliz em ter dado esta contribuição. Esta é a melhor coisa que tenho, é o meu bem mais precioso, que deixo aos meus filhos, meus netos e próximos da minha geração. Dizer-lhes e provar-lhes que ajudei a construir um país livre da opressão e da miséria, tarefa que ainda continuo até hoje e pretendo levar até os dias finais de vida.

Alexandre Lucas – Quais eram os desafios?

Roberto Siebra - O grande desafio da época era combinar o trabalho semi-clandestino com o trabalho legal, mas o grande trabalho era organizar o combate a Ditadura Militar, daí tínhamos uma grande participação no movimento secundarista e de bairros.

Alexandre Lucas – Você vem da classe operária e teve uma vida sem facilidades. Antes de receber a titulação de doutor foi servente da
construção civil.

Roberto Siebra - Desde cedo aprendemos a lição reservada aos filhos das classes pobres – TRABALHAR. Comecei vendendo pão, depois picolés e até, sem muito sucesso tentando ser engraxate. Depois fui contratado por uma construtora para trabalhar nas casas populares, inicialmente como servente e depois, por conta de algumas facilidades, ascendi para apontador. Infelizmente esta carreira na construção civil durou pouco, pois ao descobri que tinha uma militância política e na obra estava tentando sindicalizar alguns funcionários, fui demitido.
Consegui emprego junto aos trabalhadores em transportes rodoviários, passando a atuar especificamente no sindicato dos trabalhadores desta categoria por um longo tempo, e ao sair fui ser Agente de Saúde no Crato, sendo posteriormente conduzido ao Sindicato Estadual dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde.

No decorrer da minha vida sempre mim virei para conseguir trabalho, mas o que é fundamental que nunca larguei os estudos. Mesmo tendo que trabalhar, conclui a minha graduação em História na Faculdade de Filosofia e fiz duas especializações na UECE, o que mim qualificou a trabalhar inicialmente na URCA como professor colaborador sendo contratado como professor efetivo, em decorrência de ter passado no primeiro concurso publico promovido por esta instituição. Foi uma das maiores alegrias da minha vida e da minha família.

Dentro da universidade, e com muita dificuldade lutei para conseguir galgar a patamares maiores. Afirmo com orgulho que eu sou um destes casos excepcionais numa sociedade como a nossa que reservou os melhores lugares sociais, políticos e econômicos, para as classes dominantes e abastardas. Imaginar que uma pessoa que teve a minha origem e história chegar a um dos maiores títulos acadêmicos em uma universidade brasileira – SER DOUTOR.

Alexandre Lucas – Essa sua trajetória é marcada por momentos difíceis?

Roberto Siebra - É verdade, aminha vida não foi nem é fácil. O importante nisto tudo é como enfrentamos e resolvemos estas dificuldades e tomei a decisão de enfrentá-las através de muito trabalho, de ser sincero, honesto e ético. Principalmente de nunca esquecer minha origem e em especial o esforço que o meu pai e mãe (Cristovão e Altina) fizeram para chegar aonde cheguei. Sem meus genitores, não estaria onde estou hoje e a eles dedico todas estas conquistas.

A esta trajetória gostaria de tirar uma lição aprendida na prática, por mais difícil que seja a vida, podemos conseguir sair vitorioso, mas isto significar ir a luta e não só ficar em casa se lamentando ou criticando os outros. Eu sou a prova viva disto.

Alexandre Lucas – Antes você ajudava a construir prédios e hoje ajudar a construir consciências?

Roberto Siebra - Esta é maior tarefa que existe e que enfrento. Construir consciências é um prédio muito difícil de levantar, até porque nunca estará concluso, sempre terá um andar para subir, o que exige um cotidiano de práticas e compromissos. Na construção das consciências existem dois fatores importantes, de caráter objetivo e subjetivo. O primeiro está relacionado como a pratica da educação formal e informal e o fator subjetivo engloba outras situações, muito difíceis de enfrentar numa sociedade onde o valor supremo é o dinheiro e o poder material, em detrimentos de outros valores éticos e morais transformados em moeda de troca no mercado de ações capitalistas.

Construir consciência significa construir um novo mundo calcado em valores supremos de dignidade e respeito aos valores fundamentais dos seres humanos. Significa em primeiro lugar acabar com a fome a miséria da maioria de nossa população.

Alexandre Lucas – O que significa a educação para você?

Roberto Siebra - Um passo importante, mas não o único, para iniciarmos o processo da construção de nossas consciências, um aliado fundamental para darmos dignidade a pessoa humana, e um instrumento valiosos na construção de uma ova sociedade. Não podemos prescindir do papel da educação como essencial no processo de produção e transformação das riquezas materiais, ou melhor dizendo, alavanca fundamental no avanço das forças produtivas e conseqüente mudança das relações sociais.

Alexandre Lucas – Existe uma crença de que a educação fará a revolução. Você acredita nisso?

Roberto Siebra - Não acredito que educação faça revolução até porque se isto fosse verdade os professores seriam agentes altamente revolucionários e aqueles que tem mestrado e/ou doutorado seriam seus lideres. E a realidade é bem diferente, pois a história mostra que este segmento nunca foi capaz de avançar ou liderar processos revolucionários significativos, ficando sua participação política restrita a lutas especificas, como melhoria salarial, etc.

É bem verdade que a educação formal pode ser um componente importante no processo de transformações de uma sociedade, mas se isto for acompanhado de um processo de conscientização política que ocorra em outras arenas da vida.

Alexandre Lucas – Qual o seu papel enquanto professor?

Roberto Siebra - O mesmo que tinha quando estava na fabrica, contribuir para a construção de um mundo melhor. Não mudou nada o fato de ser professor no que diz respeito ao meu papel, só o terreno da prática, pois é mais difícil ser professor universitário do que ser operário. O palco é diferenciado com grande predominância da vaidade e da falta de humildade, fatores que impedem que vejamos as outras categorias como parceiras e que exercem um papel fundamental na construção de uma nova realidade


Alexandre Lucas – O índice de analfabetismo em Cuba é baixíssimo. Quando você esteve em Cuba pode perceber diferenças no sistema educacional brasileiro?

Roberto Siebra - Tenho viajado muito, Europa, América Central e mais recentemente vários países da América Latina e isto mim fez ter muito cuidado na hora de fazer avaliações sobre as realidades especificas de cada país. São contextos históricos, sociais e políticos completamente diferentes dos nossos e temos que levar isto em consideração sob pena de cometermos erros de avaliação.

O caso cubano é mais complicado porque temos que levarmos em consideração um fator importante na construção histórica deste país, refiro-me a tentativa deste povo construir uma nova sociedade diferente daquela que estamos acostumados e que tem como base a mercantilização das relações. Isto é diferente e vai de encontro a falsa realidade que permeia a maioria da humanidade construída principalmente pelas classes dominantes dos grandes países imperialistas modernos, especialmente os Estados Unidos.

Não precisamos aqui fazemos nenhuma apologia a realidade cubana, pois os dados estatísticos referentes a conquistas sociais, nos quais está inserido a educação, são provas cientificas da vitalidade do sistema e dos grandes avanços conseguidos por este povo. É bem verdade que existem grandes problemas a serem enfrentados e vencidos e isto tem sido uma pratica cotidiana deste povo.

Alexandre Lucas - O seu doutorado é em Sociologia e sua tese tem como título: Os subterrâneos do poder: corrupção e instituições de controle no Estado do Ceará. O que você pode concluir a partir desta pesquisa?

Roberto Siebra - São varias as conclusões, mas especialmente, no que se diz respeito a corrupção podemos afirmar que é um fenômeno histórico, datado e não natural como afirma o senso comum. Isto significa dizer que esta pratica política, assim como teve inicio pode ter fim.

A corrupção é uma prática política de poder relacionada às elites dominantes que sempre a usaram como forma de manter os seus privilégios, motivo pela qual persistem nas instituições governamentais.

Outro fator importante diz respeito a relação entre corrupção e democracia, na medida em que esta ultima pode ser um antídoto poderoso para combater esta pratica ilícita.

Alexandre Lucas – No final do ano passado você vez uma aventura pela America Latina que lembra o revolucionário Ernesto Che Guevara. Como foi essa experiência em conhecer os países vizinhos como mochileiro?

Roberto Siebra - Estive recentemente na Bolívia, Peru, Chile e Argentina, conhecendo estes lugares, seu povo e historia de uma forma que lembra Guevara.Mas apesar de ter adotado a mesma forma de conhecimento, isto é, usar meios alternativos para esta aventura, nunca tive a presunção de imitar o comandante, até porque isto seria impossível, por vários motivos. Foi uma viagem de conhecimento, já que tive acesso a povos, culturas e costumes em tempo real, sem intermediários, vivenciando o cotidiano de nossos irmãos latino americanos. Isto é fundamental para o aprendizado de um cientista social de profissão e de coração que acredita que a busca do conhecimento tem que ter dois pilares inseparáveis: a teoria e a prática.

Todo este roteiro foi feito a pé, de bicicleta e de ônibus, seguindo um projeto que foi pensado por cerca de 10 meses e que foi finalmente concretizado, com todos os percalços que uma empreitada desta pode oferecer, inclusive risco de vida. Certamente foi uma das maiores aventuras de minha vida e mim impulsionou a transformá-la numa rotina a ponto de esta já planejando uma próxima

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Entoada

Quero a companhia dos teus lábios
A doçura das tuas palavras
A firmeza das tuas mãos
A convicção dos teus prazeres
A certeza do teu não
O canto da revolução
O corpo
A alma
O campo minado
Com bombas de ternura
Metralhadoras de rosas vermelhas
E o vôo libertário
Entoando os nossos laços.

Alexandre Lucas

CINEMA - Documentário sobre Reisado do Sassaré começa a ser gravado


O quinto documentário do Projeto “No Terreiro dos Brincantes” registrará o reisado de caretas de Potengi, mais conhecido como o Reisado do Sassaré, liderado pelo Mestre Antônio Luiz. O Reisado de Caretas ou de Couro é um dos poucos da região do Cariri.

Os brincantes do Reisado usam máscaras confeccionados em madeira e couro para dançar ao ritmo da música que é marcada por pisadas fortes. De acordo com o Mestre Antônio, o acervo de máscaras vem desde a criação do grupo quando ele ainda tinha 18 anos, atualmente o mestre tem 54 anos. As primeiras gravações aconteceram no ultimo sábado, dia 12, na casa do Mestre numa descontraída e produtiva conversa. As próximas gravações terão continuidade no dia 19 deste mês, aonde serão feitos os registros das danças e entremeios.

O projeto “No Terreiro dos Brincantes” é uma iniciativa da Universidade Regional do Cariri – URCA, através da Pró-Reitoria de Extensão – PROEX, Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC e tem a parceria do Coletivo Camaradas. Para a produção desse documentário a Prefeitura de Potengi também entrou na parceria. O projeto tem como objetivo produzir pequenos documentários sobre as manifestações da cultura popular mostrando além dos aspectos artísticos e estéticos, o contexto social aonde acontecem às brincadeiras. O material é um importante recurso pedagógico para ser usado em sala de aula e uma importante fonte de pesquisa para pesquisadores da área.

Documentários já produzidos:
Mulheres do Coco
Mestra Zulene Galdino
Reisado Dedé de Luna
Mestre Círilo

Serviço
Para adquirir os documentários solicite por escrito cópias na PROEX/URCA - Campus Pimenta

Fonte: Via Demétrius Silva - Editor de Cinema do Blog do Crato e Cinemania Cariri

domingo, 13 de fevereiro de 2011

GRUTA DE SEU JEFRÉSSO

Xilogravura de Carlos Henrique para composição do cenário da peça A DONZELA E O CANGACEIRO, de Cacá Araújo, que estreará em maio de 2011, com a Cia. Cearense de Teatro Brincante

Seu Jefrésso:

(Fora de cena. Misterioso, com voz de velho, macia, cheia, sombria e grave)

Quem istá chamando a isfinge?
Quem ousa mi dispertá?

(Aparece solenemente com música condizente com sua realeza. É uma versão sertaneja das esfinges gregas: um velho magro, semblante terno, alto, apoiado num cajado, calçando sandálias de couro, roupas e longas barbas brancas, duas asas de trançados de palmeiras verdes)

Edimundo Virgulino:

(Humilde)

Sô um simples cangacêro
Eu só vim li consutá 

(Levanta-se, mas continua em posição de reverência. Convicto. Com serenidade)

U sentido da mi’a vida
É a conquista da cura
Pru mal qui sofre uma flô
Inucente, bela i pura... 

Tombém quero a liberdade
Dus vivente da floresta
Pois aqui a crueldade
Ambição, prevessidade   
Matô muito i pôco resta

Seu Jefrésso:

(Simpático)

Percebo tua bondade
Porém num posso mudá
U rumo da umanidade

(Levanta o cajado e soam trovoadas com raios incandescentes. Sons de cantos e pisadas em ritual. Canta em tom de mistério)

Proporei u meu enigma
Morre si num decifrá
Istauta di barro i lata 
É u qui vô ti transformá

(Sonoro e firme)

Decifra ô ti condena:

(Compassado)

Di manhã tem quato pé
É criatura terrena
Mêi dia passa a tê dois
Tem fecundidade plena

Máis us pé, di tardezinha
Pode sê quato di novo
Seno dois iscundidinho
Du jeito du pinto im ovo

I di noite vai tê trêiz
U tipo di criatura
Mi diga di uma só vêiz

(Nota: Trecho da peça A DONZELA E O CANGACEIRO, de Cacá Araújo)

Documentário sobre Reisado do Sassaré começa a ser gravado

O quinto documentário do Projeto “No Terreiro dos Brincantes” registrará o reisado de caretas de Potengi, mais conhecido como o Reisado do Sassaré, liderado pelo Mestre Antônio Luiz. O Reisado de Caretas ou de Couro é um dos poucos da região do Cariri.

Os brincantes do Reisado usam máscaras confeccionados em madeira e couro para dançar ao ritmo da música que é marcada por pisadas fortes. De acordo com o Mestre Antônio, o acervo de máscaras vem desde a criação do grupo quando ele ainda tinha 18 anos, atualmente o mestre tem 54 anos.

As primeiras gravações aconteceram no ultimo sábado, dia 12, na casa do Mestre numa descontraída e produtiva conversa. As próximas gravações terão continuidade no dia 19 deste mês, aonde serão feitos os registros das danças e entremeios.

O projeto “No Terreiro dos Brincantes” é uma iniciativa da Universidade Regional do Cariri – URCA, através da Pró-Reitoria de Extensão – PROEX, Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC e tem a parceria do Coletivo Camaradas. Para a produção desse documentário a Prefeitura de Potengi também entrou na parceria. O projeto tem como objetivo produzir pequenos documentários sobre as manifestações da cultura popular mostrando além dos aspectos artísticos e estéticos, o contexto social aonde acontecem às brincadeiras. O material é um importante recurso pedagógico para ser usado em sala de aula e uma importante fonte de pesquisa para pesquisadores da área.

Documentários já produzidos:
Mulheres do Coco
Mestra Zulene Galdino
Reisado Dedé de Luna
Mestre Círilo

Serviço
Para adquirir os documentários solicite por escrito cópias na PROEX/URCA
Campus Pimenta

Ministro Fernando Bezerra e Governador garantem verbas para o Crato


"Nós não cometeremos essa irresponsabilidade; De estarmos aqui trazendo uma notícia verdadeira e alguém querer de forma irresponsável, desculpe o termo forte da palavra, querer tirar um proveito para desmerecer o trabalho que está sendo conduzido pelo prefeito municipal, pelo governador do Estado do Ceará e aceito, e muito bem aceito pelo ministro Fernando Bezerra Coelho."

Arnon Bezerra

O governador em exercício Domingos Filho e o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, acertaram em uma ligação telefônica ocorrida na tarde desta quinta,10, todos os detalhes que irão assegurar a reconstrução da cidade do Crato. " O ministro Fernando Bezerra foi muito atencioso com as reivindicações apresentadas e que serão atendidas para garantir a recuperação do Crato", afirmou o governador em exercício Domingos Filho ao portal Ceará Agora.

No acordo firmado com o aval do governador em exercício Domingos Filho ficou tudo bem definido: o Governo do Ceará através do DER irá fazer o projeto de reconstrução do canal do Grangeiro e de outras obras necessárias por causa das chuvas e o Ministério da Integração Nacional irá liberar as verbas para a execução.

Esse entendimento tranquiliza a população do Crato e põe fim a polêmica sobre o real interesse do ministro Fernando Bezerra em atender as reivindicações do prefeito Samuel Araripe com o aval do Governo do Ceará. " O ministro Fernando Bezerra tem todo interesse e sensibilidade com a gravidade dos problemas vividos pelo Crato", disse Domingos Filho.

Quem também ressaltou o trabalho do ministro Fernando Bezerra foi o deputado federal Arnon Bezerra. Hoje,Arnon conversou com o ministro que reafirmou sua vontade de ajudar o Crato. Arnon também destacou todo o empenho pessoal do governador em exercício Domingos Filho em intervir para solucionar os problemas enfrentados pelas vítimas das chuvas no Crato.

Em entrevista ao Programa Antonio Vicelmo, na Rádio Educadora do Cariri, Deputado Arnon Bezerra desmente boatos de que o Ministro não iria ajudar o Crato


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Arnon Bezerra: "É uma alegria poder voltar aqui, poder dar essa informação. Eu de pronto fico satisfeito com a notícia que você leu anterior à nossa conversa, a notícia sobre o governador, porque nós estivemos com o ministro na Sexta-feira, através do telefone, quando aconteceu o incidente, na semana que passou, durante 3 vezes, e duas vezes essa semana. São 6 vezes. E eu quero dizer aqui ao povo do Crato, do cariri e do Ceará, que eu estou satisfeito com essa declaração do governador, porque tenho tido, e o prefeito pode testemunhar isso e o governador também, toda a atenção que um ministro pode dar a um parlamentar, sempre se prontificando, inclusive repetiu na frente do prefeito, do governador, a vontade de vir ao Crato.

É claro que a gente sabe, durante esse período inteiro, que sobretudo nesse início de ano, janeiro, por exemplo, não foi só o Crato; Grande parte do país se viu momentos com chuvas com enchentes, e outros com sêcas, como está havendo agora no próprio estado do Rio Grande do Sul. E essa notícia que saiu ontem, impressionante, que a notícia foi divulgada pela informação de alguém que esteve presente no gabinete do ministro, e eu não sei com que intenção uma pessoa espalha uma notícia dizendo que o ministro não teve a atenção necessária para com o Crato, não se sensibilizou... Ora, qualquer pessoa se sensibiliza, imagina um homem público que está com a responsabilidade de atender. Esse reparo que eu quero fazer aqui é o que foi dito, e eu sei mais ou menos de onde partiu, realmente é desgastante. A gente procura fazer todo um esforço, sensibilizar o ministro, e de repente, você é acordado ainda muito cedo do dia de ontem com o ministro perguntando "o que tinha dito de errado para parte da imprensa do ceará divulgar notas infundadas como aconteceu. É lamentável.

Vicelmo: É lamentável, inclusive eu vi, não li aqui porque achei que não tinha cabimento...

Arnon Bezerra: "Uma grosseria que foi feita com o ministro, uma grosseria. Isso é para querer desmerecer um trabalho que nós estamos fazendo. Quem quiser chegar junto,pode chegar. E eu quero fazer uma ressalva aqui: Recebi telefonemas de apoio da própria bancada, o prefeito se prontificou de conversar com a bancada federal, lá com os 3 senadores e os 22 deputados federais pra ver isso. Recebi, repito, telefonemas e conversei bastante com o deputado Manoel Salviano, conversei com Eudes Xavier, o próprio deputado José Guimarães, o Senador Inácio Arruda, enfim, todos que chegaram e manifestaram ( Senador Eunício Oliveira e o Pimentel também ). Então, são pessoas que estão chegando e fazendo força, agora não tem necessidade de chegar lá todo mundo. Evidentemente que tem aqueles parlamentares que se responsabilizam por determinados setores, ou então um trabalho, e a gente vai na medida do possível, todos eles se prontificaram. Agora, teve gente que pariticipou e saiu com essa notícia "LOUCA" ferindo inclusive...só para registrar que tudo o que o ministro fez foi uma atenção muito especial. Fez o trabalho necessário. O governador disse a ele nas palavras iniciais, o prefeito está aqui e pode testemunhar isso, e eu quero dizer ao povo do Crato, ao povo do Cariri para evitar qualquer dano que venha a acontecer. A gente faz um trabalho, quem quiser somar a esse trabalho, todos nós o receberemos bem, não eu só, mas sobretudo o povo do Crato e do Cariri. Nós não queremos espalhar aqui ressentimentos e fazer um trabalho do "eu sozinho". Não existe essa estória do "eu sozinho". Eu acho que discurso político é uma coisa, discurso que vem apenas a atrair a simpatia do voto é outra coisa e nós não cometeremos essa irresponsabilidade; De estarmos aqui trazendo essa notícia verdadeira e alguém querer de forma irresponsável, desculpe o termo forte da palavra, querer tirar um proveito para desmerecer o trabalho que está sendo conduzido pelo prefeito municipal, pelo governador do Estado do Ceará e aceito, e muito bem aceito pelo ministro Fernando Bezerra Coelho."

Com informações do Blog do Crato, Site Ceará Agora e Rádio Educadora do Cariri.

www.blogdocrato.com

sábado, 12 de fevereiro de 2011



A coreografa e bailarina Daniele Esmeraldo a frente da Secretária da Cultura, Esporte e Juventude possibilitou uma nova dinâmica na gestão de políticas públicas e de eventos na cidade do Crato. Com apenas cinco anos ela conheceu o universo das artes e uma das pioneiras na dança contemporânea na Região do Cariri.


Alexandre Lucas - Quem é Daniele Esmeraldo ?

Daniele Esmeraldo - Cratense,orgulhosamente.Sagitariana,nascida em 03 de dezembro, mãe aos 14, de duas filhas encantadoras,filha de pais inigualáveis, descendente da Família Esmeraldo, da qual tenho muito orgulho. Não me considero nenhuma intelectual; Mas idealista, persistente, que gosta de criar e realizar; Tenho na minha essência o amor pela arte, pela dança,e a ela, minha gratidão por muito do que sou hoje. Muitos desafios e obstáculos vencidos, numa sucessão de acontecimentos, que engrandeceram minha forma de ver e viver a vida!!! Hoje tenho uma missão maior, de cuidar, e proporcionar o bem-estar material e espiritual de muitas pessoas; Bailarina, coreógrafa, diretora, produtora, pedagoga, professora, que disseminou a dança na região do cariri, e na educação, inovou com a Dança na Escola, através da arte-educação, utilizando a arte e o lúdico como meio facilitador da aprendizagem cognitiva.

Atualmente, gestora com muita honra e mais responsabilidade ainda, de uma pasta fascinante, que é a Secretaria da Cultura, Esporte e Juventude do Crato, que em muito me dá prazer em geri-la, mesmo que ainda com algumas limitações.... mas, quando a gente ama, a gente cuida!E eu amo a Arte, a cultura e a vida!

Sou uma pessoa que busca no dia-a-dia, o aprimoramento e a elevação espiritual, tendo sempre em mente, o princípio“ O Espírito é o principal, a Mente obedece e o Corpo acompanha, além de trazer para bem perto de mim, o treinamento da gratidão, humildade e obediência, buscando caminhar pelos trilhos e pelos caminhos que me levem a aproximar-me cada vez mais de Deus! Sou feliz, porque amo e me sinto amada!

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Daniele Esmeraldo - Enveredei pelo caminho da arte, aos cinco anos iniciando com aulas de acordeom. Um ano depois fiz aula de piano, canto coral, no tão mágico Pequeno Coral, da Sociedade de Cultura Artística do Crato. Paralelamente e felizmente, iniciei meus primeiros passos aos 6 anos, com aula de ballet, jazz e sapateado, na Academia de Danças Silvia, a Pioneira da região, minha grande mestra! Aos 13, assumi a direção de um espetáculo, no dia do ensaio geral, em substituição à minha diretora, Silvia, que saiu para cuidar de sua filha que estava prestes a dar a luz!! Aquela foi a minha primeira experiência em direção.... Imaginem, uma menina, dirigindo mais de 200 bailarinos entre crianças e adultos, iluminadores, cenógrafos, sonoplastas.... kkkkk, ainda bem que deu tudo certo! A minha primeira Academia foi criada aos meus 16, em Barbalha, e aos 17, A Corpo e Movimento se instalava no Crato, com o apoio incondicional dos meus queridos pais, que acreditou no meu trabalho. Durante mais de 11 anos, foram desenvolvidas atividades na área de dança, teatro, produções artísticas e culturais. Foi também, nessa época que se deu o início do Grupo de dança Corpus x Corpus.

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Daniele Esmeraldo - Os primeiros passos me foram ensinados pela Pioneira da dança no Cariri, Inês Silvia, na trajetória de 12 anos de aula, eu passei por vários mestres, como Vera Passos, Lucinha Machado, Cláudia Pires, Mário Nascimento, Valéria, hoje da Cia. Vatá( sapateado) e na pesquisa e inspiração, claro a magnífica Pina Baush,Rodolflaban, Débora Colker, Grupo Corpo, kaiser Cia. de Dança.



Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória?

Daniele Esmeraldo - Como já citei acima, iniciei minhas primeiras experiências profissionais aos 15, em Barbalha, com a criação da Academia Som e Fantasia, durante um ano....esse foi um dos períodos que mais me esforcei para me especializar e profissionalizar. Há, mais antes disso, já dava aula na Academia que estudava, para alunas de Baby Class.Com 12 anos, já ganhava meus primeiros trocadinhos. Em 1988 inaugurei no Crato a Academia Corpo e Movimento, realizando 11 Festivais de Dança, nas categorias infantil e adulto, somando na verdade não 11, mas 22 espetáculos.... pois, eram 2 atos em 1. Ballet, Jazz,Dança Cigana, Mambo, anos 60, sapateado, Contemporâneo, foram ritmos que fizeram parte do nosso conteúdo e que se espalharam pela cidade, não só nos Festivais, mas em desfiles, aniversários, e eventos sociais, dançando inclusive na EXPOCRATO, num momento de intervenção inédita, quando a dança contemporânea, invadiu a maior festa popular, atraindo os olhares do público, que parou pra observar, aquela arte não muito conhecida ainda. Foi uma grande experiência. Passei mais ou menos, três anos para conquistar o reconhecimento do meu trabalho, por ser muito nova, as pessoas não acreditavam muito na minha capacidade. Dançávamos em chão batido, coreografava de graça, sem remuneração nenhuma... mas sempre lembrando ao grupo de bailarinos, que um dia poderíamos ser reconhecidos! Hoje, já posso me orgulhar dessa trajetória, e dizer que os conhecimentos adquiridos ao longo das experiências vividas, em sua maioria, me foram oportunizado pela dança. Todo o esforço sincero em contribuir para a cultura da minha cidade, talvez tenha repercutido na escolha do Prefeito Samuel Araripe e da primeira dama Mônica Araripe, em me confiar a gestão da Secretaria da Cultura, Esporte e Juventude, o que me enche de orgulho, pois, como filha do Crato, sei do grande potencial e celeiro cultural, que está sob nossa administração. É muita responsabilidade também!

Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Daniele Esmeraldo - Vendo política como um caminho para a idealização, construção e realização de ações para o bem comum de um povo, ou de um determinado grupo social, e vendo um politico como aquele que tem a vocação para cuidar de um coletivo, e fazendo um paralelo da política com a arte, vejo que através dela, se manifesta desejos, se busca o equilíbrio, se encanta a vida, ideias são externadas, vidas são mudadas. Por tudo, a arte também é um majestoso caminho para transformar, propor, insultar e até mesmo denunciar. A arte não pode ser mais tão subjetiva, creio que devemos usar os palcos, a música, as telas e telões, também como uma ferramenta de mudar e transformar o mundo. Como vejo ainda, o artista como um grande político, que acopla pessoas, através do seu talento, sendo o grande gestor de sua arte.

Alexandre Lucas - Hoje a dança contemporânea está bastante difundida. Você foi uma das pioneiras neste estilo de dança no Cariri. Fale deste trabalho.

Daniele Esmeraldo - Quando iniciei as aulas de ballet, me sentia presa, aos passos que só doíam, mas que foram estritamente necessários para a técnica e o aprimoramento dos movimentos da dança. Logo veio o jazz, que já era mais solto, mas o que me encantou mesmo foi poder aproveitar e utilizar a técnica do ballet, os passos soltos do jazz, juntamente com o início do trabalho de próprio de percepção e criatividade que a dança contemporânea nos remete. Inspirei-me e estudei as técnicas desse estilo inovador, tendo a grande Pina Baush, como responsável pela minha afinidade ao contemporâneo, estilo esse, que nos faz interagir consigo e com o nosso meio. E para estreitar ainda mais a grande relação com o contemporâneo, vale ressaltar, tive o grande privilégio e a grande honra, de dançar em terras cratenses, no auditório da URCA, para Ela, Pina Baush, a maior sumidade da dança contemporânea do mundo, em sua visita ao Cariri, é mole?. Um presente proporcionado por meu mestre, doutor, Fábio Rodrigues, à nossa Companhia o Grupo CorpusXCorpus, com o espetáculo Beatos. E hoje o contemporâneo invadiu o mundo, e como não o Crato, o Cariri.

Alexandre Lucas - A dança contemporânea exigi um estudo da realidade?

Daniele Esmeraldo - O contemporâneo busca aproximar o homem sim da sua realidade.Foi com a idéia de estreitar o relacionamento do homem com o mundo, de vivenciar, sentir e se autodescobrir, que se iniciou essa maravilhosa forma de dançar. A dança contemporânea não se define em técnicas ou movimentos específicos, pois o intérprete/bailarino ganha autonomia para construir suas próprias partituras coreográficas a partir de métodos e procedimentos de pesquisa como: Improvisação, Contato Improvisação, propriocepção, Método Laban, Técnica de Release. Esses métodos trazem instrumentos para que o intérprete crie suas composições a partir de temas relacionados a questões políticas, sociais, culturais, autobiográficas, comportamentais, cotidianas como também a fisiologia e anatomia do corpo. Cabe ao coreógrafo, como acontece com todo artista, descortinar sua criação, traduzindo através do movimento, os seus sentimentos e a sua visão de mundo.

Alexandre Lucas - Você costuma dizer que antes de ser Secretária é artista. Qual a importância de uma artista assumir uma Secretária da Cultura?

Daniele Esmeraldo - Lembro-me, ao me levantar para produzir meus Festivais, quando eu exercia quase todas as funções, de coreógrafa, professora, bailarina, diretora, produtora (divulgação, captação de recursos)o quanto eu sentia dificuldades para conseguir recursos. Muito chá de cadeira, muitos nãos.Todos os pingos de suor, se distribuíam pelas salas de ensaio e respingavam no interesse dos patrocinadores em apoiar os Festivais..... salve os empresários da época. Sempre tive o cuidado de me colocar na situação daquele que está ali do outro lado da mesa, que tanto foi e será o lugar no qual estive e estarei. Valorizar cada arte, dar a real importância que merece nossos artistas, e saber que nós somos pessoas perseverantes e que batalhamos muito ainda para realizar uma determinada obra, são sentimentos que me norteiam na forma de conduzir o meu trabalho como gestora da Cultura.

E é com esse sentimento de reconhecer o grau de valor que tem a nossa cultura, em toda sua diversidade, que tento, juntamente com o nosso gestor maior, atender às necessidades dos nossos artistas e da nossa Capital da Cultura, fazendo jus ao seu nome, e me esforçando para dar não o mínimo para o artista, mas o nosso máximo em apoio, estrutura, atenção e valorização. Creio que a nossa sensibilidade e vontade de acertar é maior do que os obstáculos enfrentados!

Alexandre Lucas - Quais os principais desafios a frente da Secretaria?

Daniele Esmeraldo - A resposta não é de se surpreender, recursos, recursos e recursos. Existe uma previsão orçamentária, pelo fundo geral do Município, que não quer dizer, que necessariamente existe o recurso. Somente, com os recursos da Prefeitura, fica inviável promover a cultura, em todos os seus segmentos. Precisamos de muita criatividade e muita dança, para conseguir executar os projetos. Apesar de ter um gestor, que valoriza e acredita no valor e na importância da nossa Cultura, ainda assim, é muito difícil!

Alexandre Lucas - Quais os avanços?

Daniele Esmeraldo - Bom, em princípio, não existia no Crato uma pasta específica de Secretaria da Cultura, bem como Conselho de Cultura, nem Lei Municipal de Incentivo á Cultura, nem Fundo Municipal. Hoje o Sistema Municipal (Secretaria, Conselho, Fundo Municipal) já está legalizado e em pleno funcionamento. Realizamos duas Conferências Municipais, acreditando plenamente no valor de uma gestão participativa, cujo resultado se deu com a elaboração do nosso Plano Municipal de Cultura. Pensando em promover,dar continuidade e fortalecer, vários projetos de políticas públicas foram criados e desenvolvidos, como a EMMA (Escola de Música maestro Azul), cujos frutos já se podem ser reconhecidos, através da Banda Mirim do Crato. A Casa Harmônica (Núcleo de Projetos Sócio-Culturais), idealizados pela Primeira Dama Mônica Araripe,que desenvolve projetos de inclusão e formação cultural, com a participação de mais de 500 crianças, nas áreas de Dança e Teatro, culminando estas na criação da EMCART( Escola Municipal de Cultura e Arte), realizadas no Teatro Municipal, e aulas de Artes Plásticas, Incentivo á leitura e ao desporto. O Festival Cariri da Canção, hoje a maior festa da música que acontece na Região do Cariri. O apoio incondicional à Cultura Popular, que é o que a gente tem de mais rico nessa terrinha cratense. Vários eventos com cunho educacional, histórico, pesquisa, inclusivo e de tradição, são realizados anualmente, como o Desfile das Virgens,Chapada Viva do Araripe,O Abriu Pra Juventude,Cariri Cangaço, Festival Folclórico e Doce Natal,todos eles acontecem com o intuito de aprimorar conhecimentos, difundir, divulgar, valorizar, fazer intercâmbio entre atores, artistas, mestres, músicos, historiadores, crianças e adolescentes. No setor de Museus, foram restauradas as valiosas obras sacras e uma grande parte das Obras de arte, no Museu Histórico e de Arte Vicente Leite. Além de termos o Centro Cultural do Araripe, com a Budega Cultural, O Café Maria Fumaça, A Biblioteca Municipal, e a Galeria de Artes, formando o maior complexo cultural da região, sendo este, nossa casa, nosso palco, nosso chão, nosso teto, onde tudo acontece, um lugar onde se respira a mais pura arte. Alexandre Lucas - O que ainda precisar ser feito para avançar nas políticas públicas para a cultura?

Daniele Esmeraldo - Algo muito importante, creio que a implantação de uma política de Edital própria do Município para que possamos democratizar o acesso aos recursos. Realizar Fóruns, para sensibilizar as pessoas Físicas e Jurídicas para se tornarem amigos da Cultura, fazendo suas doações, patrocínios, para o Fundo Municipal de Cultura. É de extrema importância também, realizarmos ações , ampliarmos e fortalecermos os projetos já desenvolvidos pela Secretaria, descentralizando-os, atingindo não somente na Sede, mas nos bairros mais distantes e nos distritos do Crato, apesar, de já realizarmos algumas ações neles. Ah! Vamos lutar também por nossa sala de Cinema.

Alexandre Lucas - O Ministério da Cultura avançou em termos de ampliar, consolidar e descentralizar recursos públicos para cultura. Você acredita que isso repercute nos Municípios?

Daniele Esmeraldo - Claro que sim. Gilberto Gil, Juca Ferreira, ambos Nordestinos, foram nossos grandes defensores, no que diz respeito á descentralização dos recursos federais, tendo em vista que a fatia maior ou quase todo o bolo de recursos sempre ficavam lá pras bandas do sul. Espero que essa política democrática, com a nossa nova Ministra Ana Buarque, possa dar continuidade e avançar mais ainda. E agora temos mais uma esperança de tempos melhores. Com a aprovação do Sistema Nacional de Cultura, que prevê o repasse de recursos de 2% União –1,5% Estado – 1%Município, que com certeza nos assegurará uma condição maior para a execução de Projetos e Políticas Públicas na nossa Cidade.

Alexandre Lucas - Quais os próximos trabalhos da Secretária?

Daniele Esmeraldo - A nossa prioridade hoje, além de dar continuidade e melhorar todos os projetos já desenvolvidos por essa Administração, é a modernização e aquisição de equipamentos para os Espaços Culturais. Teatro Municipal, Biblioteca Municipal, Auditório do Centro Cultural do Araripe e Museus. Estamos formatando um projeto para trazer o Museu de Arte para a galeria do Centro Cultural da Araripe. E logo, logo, estaremos inaugurando a nossa Rádio Cultural do Araripe, que funcionará no Bairro Alto da Penha, com o programa Alô Rabo da Gata, que será conduzido por crianças e adolescentes daquela localidade. É imprescindível, termos esses espaços em pleno funcionamento, até porque, eu também quero usufruí-los, durante e quando não mais estiver ocupando o cargo de Secretária.

Alexandre Lucas - Quais os seus próximos trabalhos artísticos?

Daniele Esmeraldo - Muitas pessoas me param na rua e me indagam a volta dos meus Festivais, talvez elas não estejam acompanhando de perto, e o quanto eles ainda estão acontecendo, e estão muito mais vivos, com o Doce Natal, que é um espetáculo de Arena, a céu aberto, com mais de 200 crianças a cantar, dançar e interpretar. Esse momento ímpar, é também uma grande oportunidade de praticar e propagar a minha dança, junto á crianças dos quatro canto da nossa cidade. Se amar é viver, eu danço a vida. Não consigo sem a dança. Estamos voltando, através da Cia. Municipal Crato de Dança, Cia. Cultural do Cariri e Cia. Mi de Dança, com a produção de alguns espetáculos que já estão em fase de elaboração e criação... Pra materializar, espero que sua entrevista dê sorte Alex (Alexandre Lucas), gostaria de ter condições de estrear ainda esse ano, o Bárbara Mulher (Espetáculo Solo), Caldeirão (Espetáculo de Arena in loco), Mi- (Duo), e ainda RFFSA e Cia.





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