segunda-feira, 31 de maio de 2010

Era só o que faltava, e agora Ariano?

Com foco em expandir sua marca no Nordeste, a Disney entrou em contato com alguns artistas para criar versões mais regionais do símbolo maior da companhia: Mickey Mouse.

Derlon Almeida, do Recife, Érica Zoe, de Fortaleza, e Cau Gomez, que nasceu em Belo Horizonte mas trabalha há muitos anos em Salvador, são os nomes que readaptaram o popular ratinho para contextos mais nordestinos.

fonte: http://culturanordestina.blogspot.com



Nas mãos desses ilustradores, Mickey Mouse tocou berimbau no Pelourinho, foi "xilogravado" no melhor estilo da Literatura em Cordel pernambucana e se uniu ao trio de forró do Ceará.

Breves considerações sobre a problemática das secas no semiárido brasileiro



(*) José Romero Araújo Cardoso

A maior área semiárida povoada do mundo é o sertão nordestino somado ao norte do Estado de Minas Gerais. Isto singulariza esta região, conhecida por Polígono das Secas, quanto a diversos fatores naturais e sócio-econômicos. Desertificação e desempregos estrutural e conjuntural se coadunam no que tange aos desequilíbrios da ação do homem e de suas relações sociais de produção, a título de exemplos.  A hinterlândia, povoada a fim de fornecer a subsistência litorânea apresenta problemas insolúveis que se perpetuam no tempo. A irregularidade do clima, enfatizando estiagens periódicas, muitas avassaladoras com incalculáveis perdas de preciosas vidas, moldam formas específicas e intensas quanto aos transtornos exibidos no processo de construção social.
                                  Segundo Villa, o drama das secas tem uma longa história: o primeiro registro da ocorrência de seca nos documentos portugueses é de 1532, três anos após a chegada do primeiro governador-geral, Tomé de Sousa (2000, p. 17).
                                  Este autor frisa, ainda, que;
 
                                 É muito provável que uma das razões da movimentação espacial dos indígenas antes da chegada dos portugueses esteja relacionada com períodos de estiagens e secas e com a disputa pelas terras com abundância d’água” (Id., ibid.).
 
                                  As secas assolam área total da ordem de 700 mil km2, onde vivem 23 milhões de brasileiros – entre os quais, quatro milhões de camponeses sem terra – marcados por uma relação telúrica com a rusticidade física e ecológica dos sertões, sob uma estrutura agrária particularmente perversa (AB’SÁBER, 1999, p. 07).
                                  Esta estrutura agrária, ainda perversa, faz com que boa parte da população se veja quando das secas literalmente privada de acesso até mesmo a bens ditos coletivos, como os recursos hídricos dos açudes construídos com dinheiro público.
                                   Autores vários já demonstraram preocupação diante das condições edafoclimáticas da zona submetida às secas. Duque (1980, p. 49) afirmou que;
“O desnudamento do solo não conduzirá o Polígono a um deserto físico como o Saara, com as suas tempestades de areia e ventos sufocantes, nem diminuirá o total de chuvas, porém provocará os extremos meteorológicos, a insolação aumentada, o calor excessivo, o ressecamento intenso, a erosão eólia, que produzem cheias mais impetuosas e secas mais violentas, que fazem minguar as fontes da produção, que diminuem a habitabilidade e o conforto que resultam, enfim, no deserto econômico”.
                                  As manifestações de estio são conhecidas há tempos imemoriais, como o que grassou na região entre os anos de 1877-1879. Segundo Guerra, nesta seca o Nordeste foi desfalcado de quinhentas mil vidas (1981,  p. 35).
                                  Exemplificamos as buscas em amenizar os problemas das secas no que está explicitado em destacada publicação de Alípio Luiz Pereira da Silva, por título “Consideração Gerais sobre as Províncias do Ceará e Rio Grande do Norte”, datado de 1885, edição registrada no Rio de Janeiro, frisando que;
“A solução que se pretende dar ao problema das secas, quer se considere a questão sob o ponto de vista do projeto, já conhecido, de canalização do Rio São Francisco, com o qual se despenderão somas fabulosas e longos anos, por terem-se de rasgar serras de rochas vivas de grande extensão para formação do canal, serviço este impraticável; quer se o considere pelo lado da construção de grandes açudes e estradas, nenhum resultado benéfico trará à Província do Ceará e dará os mesmos resultados produzidos com a prestação de socorros públicos”. (In: ROSADO, 1985, p. 111)
                                  Promessas antigas, resultados duvidosos ou nunca postas em prática, eis o velho dilema do semi-árido brasileiro.
                                  No passado, acreditava-se que o semi-árido devesse quase que exclusivamente a sua grande extensão às disposições orográficas. Constatou-se que as altitudes do planalto da Borborema por si não responderiam à indagação, enfatizando-se com ênfase à formação de uma grande célula de alta pressão sobre a região, provavelmente a extensão meridional do anticiclone dos Açores (CONTI & FURLAN, 1998, p. 106), impedindo a penetração de massa úmidas provenientes da área equatorial. Esta afirmação coincide com a apreciação de Euclides da Cunha (1982) quanto a prováveis hipóteses da gênese da seca do norte, como então era designado o conjunto acima do mais desenvolvido pólo, ainda ativo e dinâmico, sem possível concorrente que lhe ameace a hegemonia.
                                  Citando as grandes secas que atormentaram o homem do semi-árido em momentos distintos, das quais inúmeras se apresentam, da mesma forma, em datas repetidas, Cunha (1982) enumera diversas fases crônicas de estio, a exemplo das secas ocorridas entre os anos de 1710-1711, 1723-1727, 1736-1737, 1744-1745, 1777-1778, no século XVIII, e as registradas em 1808-1809, 1824-1825, 1835-1837, 1844-1845, 1877-1879, no século XIX. Em seguida faz correlação entre os períodos que a sucedem. Hoje o aquecimento e o resfriamento das águas do pacífico dão respostas mais precisas, alicerçadas na evolução do padrão tecnológico. Ele soube sintetizar como poucos suas impressões sobre esses terríveis flagelos que periodicamente assolam o semi-árido brasileiro.
                                  Após a edição de “Os Sertões”(1902), inúmeras secas se sucederam no século XX, como as de 1915 e de 1919. Na primeira, segundo Villa, a média anual pluviométrica em Conceição do Piancó foi 83,4 mm, quando no ano anterior fora de 1.613,1 mm (2000, p. 132). Sobressaíram-se ainda as de 1932, 1958 e 1979-1984, considerada esta última a maior de todas nesta época. Quanto à seca de 1932, seu principal cronista afirma que;
“Desde 1926 que a região ingressara no regime de chuvas escassas com interrupção em 1929, quando ocorreu uma pluviosidade abundante que se manifestou em boas e compensadoras safras.
 Entretanto, no ano seguinte a seca reiniciou o seu trabalho de destruição anulando grandemente as reservas do trabalho   intenso de 29.
Veio mais violenta, agredindo todas as energias de uma luta política cheia de animosidades.”(BARBOSA, 1998, p. 27)
                                             Nas palavras de personagem proeminente do período, organizador efetivo da Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (IFOCS), marcado pela citação acima, impunha-se, portanto, a integração definitiva da Inspetoria no coração da zona flagelada, no anfiteatro das secas, cujos efeitos teria que combater (ALMEIDA, 1982, p. 382). E o Estado centralizado permitiu tentar rever antigos ideais de buscar a redenção das terras do Norte. Exemplo disso encontra-se na concretização das obras de açudagem que tantas lutas demandaram.     
                                  A irregularidade é a marca indelével do semi-árido, com esta sendo capitaneada pelas secas. Catástrofes personificadas em enchentes, quando dos términos desses períodos de rigores da natureza, se responsabilizam pelo recrudescimento de dolorosos dramas, como atesta renomado cientista ao afirmar que as inundações catastróficas que ocorrem, de tempos em tempos no Nordeste, são reflexo do regime pluvial irregular, por vezes torrencial, e da topografia plana da região (MENDES, 2003, p. 26). 
                                  Ainda sobre secas, Mendes ressalta que existem dois tipos destas no semi-árido nordestino, ou seja, a estacional, percebida todos os anos como parte do regime hidrológico da região, em virtude do período chuvoso geralmente se estender de janeiro a junho e as periódicas, as quais podem se apresentar como total, parcial e hidrológica (1997, p. 29).
                                  A seca total é a mais grave, a que acarreta danos humanos e sócio-econômicos consideráveis, desarticulando a economia regional e agravando as contradições que ainda aviltam o homem do semi-árido. O grito de rebeldia ecoado em Canudos naqueles tristemente célebres anos finais da década de 90 do século XIX, percebido por Facó (1988), tinha vínculo com o desespero de milhares de pobres desprezados dos campos secos do semi-árido. As secas minavam-lhes as forças e o refúgio sagrado da Meca de palha e barro às margens do Vaza-Barris virou um monte de escombros, soterrando sonhos e anseios da comunidade alternativa que ousou desafiar o império da República recém-instalada.
                                  Apesar da destilação gratuita de adjetivos pedantes e ofensivos ao sertanejo e ao líder espiritual da Tróia Sertaneja, a exemplo de Quasímodo-Hercúleo e Átila Bronco do Sertão, respectivamente, a obra de Euclides da Cunha, por título “Os Sertões: Campanha de Canudos” revela inteligência ímpar e precisa quanto à abordagem dos fenômenos das secas, observando-os enquanto agentes de transtornos sociais e econômicos condicionados por fenômenos físicos dos quais haveria contato tanto na orografia como na força barométrica atuante, ressaltando o peculiar em uma análise de um positivista convicto. Dessa forma, secas e uma indisfarçável sugestão a referendo ao conceito mesológico de Buckle tem vínculos sugeridos na definição de toda construção da nacionalidade do sertão, compondo preocupações do grande sábio que esteve em Canudos como correspondente do Jornal O Estado de São Paulo quando da famigerada campanha pelos sertões baianos. Ressalta-se ainda referencial a partir das compreensões do naturalista germânico A. Von Humboldt acerca do semi-árido, corrigindo-se Hegel quanto a uma categoria geográfica não citada, quer seja, a complexidade da geografia do semiárido.
                                        Secas e bem estar social, eis um dos desafios do semi-árido nordestino. Não há como evitá-las, mas o empenho em buscar soluções de convivência deve nortear qualquer prática governamental e privada, principalmente quando desafios de desenvolvimento sustentável são enfatizados em virtude do grau de agressão ambiental que se responsabiliza por significativas mudanças regionais, tanto de ordem física como social e econômica, enfim, de qualidade de vida.

Cobertura fotográfica da Celebração do Encantamento

O Blog do Crato está disponibilizando a cobertura fotográfica completa da festa Celebração do Encantamento, ocorrida neste último sábado 29, em comemoração ao primeiro aniversário do programa radiofônico Cariri Encantado. O programa é apresentado por Luiz Carlos Salatiel na Rádio Educadora do Cariri AM. Por sua vez a festa foi trasmitida ao vivo direto do Salão Nobre do Crato Tênis Clube e contou com grande participação de público. Na ocasião aconteceram diversas apresentações dos artistas da região e foi prestada homenagem de reconhecimento a cerca de quinhentas personalidades ligadas ao fazer artístico e cultural do Cariri cearense.

As fotos são de Dihelson Mendonça e podem ser vistas AQUI.

domingo, 30 de maio de 2010

Conclusão do curso de regência e coral, painél FUNARTE!

Agradecimentos à grande maestrina Isaíra Silvino, que através da sua influência conseguiu trazer para nós caririenses esse grande curso, com professores doutorados em música, brilhantes!

“Aos Pés de São Sebastião”: Um resgate histórico

(*) Jerdivan Nóbrega de Araújo

          Ao banhar-se nas preciosas águas do velho açude de Condado, o sertanejo não imagina quantas histórias há a lhe contemplar do alto daquele imenso e inexorável paredão, construído com barro sangue e o suor do homem sertanejo.
          As pedras que calçam as ruas de Condado, Malta e Pombal também são testemunhas incontestes destas histórias que o tempo trata de sepultar, juntamente com a memória dos seus anti-heróis. Mas, e os livros, o que estes dizem a respeito destes fatos?
          O regionalismo de Ignez Mariz em “A barragem” e José Américo com “A bagaceira” trouxe aos nossos dias a fadiga diária do homem do sertão e a sua luta para sobreviver nas terras dos seus senhores, porém, por serem ambos parte da elite exploradora, se negaram a mostrar a face dos que realmente sobreviviam da exploração do sertanejo em sua condição de homens oprimidos. Relataram o sofrimento do sertanejo como se fosse, este sofrimento, a conseqüência natural do esturricante sol que queima as caatingas. O que aconteceu na Paraíba foi o espelho dos mesmos fatos acontecidos, num mesmo tempo, em todo o Nordeste coronelista e poderia ser contado por Graciliano Ramos ou por Euclides da Cunha e até, por que não, pelo grande Luiz Gonzaga. Porém, este também descreveu o homem sempre como vítimas dos poderes de Deus, personalizado - este poder - na seca causticante que põe o homem com o pé na estrada.
          Existe, no relato desses fatos, uma lacuna a ser preenchida. Se havia explorado, acredito, deveria haver exploradores, porém, quem seriam eles? Não pode toda a culpa recair sobre o clima e os poderes de Deus.
          Confesso que quando fui convidado pelo escritor e professor universitário José Romero Araújo Cardoso para fazer a apresentação de Aos pés de São Sebastião, eu pensei ser mais uma novela regionalista onde o homem do sertão aparece como vitima da seca. Fiquei surpreso, ao encontrar naquele relato o outro lado da medalha: um algoz a mais que não fosse só os “castigos de Deus”. Encontrei ali a figura do Coronel, dono da terra e de tudo que há sobre a mesma, inclusive os destinos dos homens.
          “Aos Pés de São Sebastião” teve, entre outros, o mérito de contar em um micro espaço físico o que acontecia, na época, em toda uma região. A força política sobrepondo-se aos interesses de uma maioria; a seca produzindo riqueza para uma minoria e, afinal, colocando, como diria mãe Lourdes (**), o preto no branco. Se há explorado tem que haver exploradores e, no relato de Aos pés de São Sebastião, este preto e este branco se apresentaram de forma clara.
Ao contrário do que eu esperava, o sertanejo entra como coadjuvante necessário, numa trama envolvendo a arrogância de famílias poderosas que se alternavam no comando do destino do homem do sertão. É a luta do coronel com o coronel. “No fritar dos ovos”, ambos ganham e só sertanejo perde.
          Muitas histórias de coronéis ainda hão de surgir em páginas de livros. Não se trata de revanche ou da tentativa de denegrir imagens de pessoas que hoje dão nome às ruas em cidades do sertão, pois, também os coronéis, foram produtos do meio. É, antes de tudo, uma forma de lembrar que o coronelismo não derrubava apenas governos provincianos: muitos sertanejos foram, e continuam sendo, derrubados pelo coronelismo que ainda impera no nosso sertão.
          Lembrar, também, que do açude de Condado ao Canal da Redenção nada, para o sertanejo, mudou. No primeiro caso, quem teve em suas mãos a construção do açude ganhou a prefeitura. Hoje é a Paraíba que se rende ao canal da redenção. Se em Condado o açude represou água, poder e voto, o canal não tem função diferente.


(*) Jerdivan Nóbrega de Araújo é Bacharel em Direito, escritor, poeta e funcionário da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).

(**) Mãe Lourdes (Benigna Lourdes de Sousa) era natural de Pombal, estado da Paraíba, nascida a 04 de outubro de 1901 e falecida a 21 de abril de 1995 em João Pessoa, estado da Paraíba.

Como acabar com a miséria e as injustiças sociais

(*) José Romero Araújo Cardoso


          Desde que os homens aprenderam a dominar a natureza aos dias atuais o mundo nunca foi tão sofisticado, informações sendo veiculadas num piscar de olhos, revolução técnica sem precedentes e recordes em safras agrícolas sendo contabilizadas. A humanidade atingiu o apogeu da hybris, a natureza finalmente sucumbe à arrogância humana e lhes dá maravilhosos frutos.
          O modo de produção capitalista promoveu o avanço de técnicas impensáveis na antiguidade, quando o simples apropriar-se do fogo sagrado condenava semideuses ao suplício eterno na mitologia de época. No entanto, relações sociais de produção vigentes no modo de produção capitalista multiplicam situações humilhantes de seres humanos relegados a condições de excluídos na sociedade.
          A fome que atinge milhares de pessoas em todos os continentes poderia ter sido abolida da face da terra se a ganância cedesse lugar ao amor, ao respeito e à compreensão entre as pessoas. Josué de Castro ao receber prêmio internacional por sua luta pela paz, contra a fome e a opressão afirmou que o planeta tinha condições de se livrar do flagelo da subnutrição se houvesse empenho dos governantes, principalmente de Estados mais opulentos.
          Apesar dos avanços, a terra ainda está mergulhada em problemas infindáveis. Conflitos regionais e a ameaça de se tornar global, violência urbana, conturbações no campo, destruição da natureza, exigência de reforma agrária em países subdesenvolvidos, tudo isso faz com que os temores da humanidade se redobrem. Há sustentabilidade para o planeta com tantas colheitas de ódio e rancor? Haverá condição de se harmonizarem todas as nações, todos os povos e todas as crenças?
          Há dez anos o mundo vivia uma incógnita, a bipolaridade ainda suscitava dúvidas, seria o fim da humanidade junto com os percalços dos desafios da construção de uma nova ordem, personificada na trajetória globalizadora e na tendência neoliberal em crescimento vertiginoso. A arrogância capitalista pelo menos era freada com a “ameaça comunista”, encarando-a de frente.
Hoje, com a “ameaça” neutralizada em tese, vigora como nunca as leis do mais forte, da pouca ética e do desprezo aos valores que deveriam ser naturais aos seres humanos.
          Amor, respeito, consideração, apreço, ternura são valores desprezados pela humanidade, presente em todas as classes sociais e em todos os níveis de uma escala, de uma hierarquia. Individualmente cada país tem seus graus internos de intolerância, dos intocáveis indianos aos negros norte-americanos, ainda discriminados, dos argelinos sufocados num passado próximo pela França aos favelados brasileiros, não esquecendo o papel ridículo que tem sido exercido pela minoria que se arvorou do poder em nosso país, submetendo negros e índios a suplícios inenarráveis ainda hoje.
          A miséria e as injustiças sociais são produtos do homem, a complexidade da dominação soa draconiana se pensarmos que um dia os seres humanos foram felizes, sem miséria, convivendo harmonicamente num modo de produção que é chamado de comunismo primitivo, dividindo eqüitativamente os frutos de suas colheitas entre os membros de suas tribos. Era o tempo das cavernas, quando o homem vivia “despreocupado”, sem as tormentas das bolsas de valores ou do desemprego estrutural.
          Lennon, em um tributo à paz, cantou o amor e a harmonia entre os homens, bradando contra a construção dos territórios e das virtudes da hegemonia e do poder, lançou um grito anárquico pela união com base na luta pela fraternidade entre todos que habitam o planeta terra.
          A exclusão social só será vencida se houver consciência de que as chances, as oportunidades em suas diversas concepções devem ser estendidas a todas as pessoas, a todos os povos, eliminando-se qualquer coisa que sirva de empecilho à concretização da cidadania, assim suprimir-se-ão todas as formas de injustiças, a situação de miséria que atinge boa parte da população do globo e o caos que se instituiu desde que o escravismo antigo sucedeu ao comunismo primitivo.

(*) Professor-adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão tTrritorial e em Organização de Arquivos. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente – PRODEMA – UERN. E-mail: romero.cardoso@gmail.com. (MSN)romeorc6@hotmail.com.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Grupo Ferro Gaita Hoje em Crato!

Hoje , na cidade do Crato, o grupo de Cabo Verde: Ferro Gaita, fará apresentação às 20:00 hrs no teatro do Centro Cultural do Araripe, O nome ferro gaita vem da combinação dos dois instrumentos: o ferro (pedaço de metal tocado com uma faca) e a gaita (tipo de acordeão), utilizados na música tradicional cabo-verdiana, como instrumentos base do género musical mais tocado pelo grupo: o funaná, que teve a sua génese, com a chegada do acordeão a cabo verde, com o camponês do interior de Santiago a apoderar-se deste instrumento e a cantar a sua alma e a sua vivência típica; com muita pobreza, revolta e contestação escondidas, motivos que levaram a que essa música fosse proibida em lugares públicos, durante a época colonial.

Grande espetáculo, imperdível!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A CELEBRAÇÃO DO ENCANTAMENTO

Veja recente atualização da lista de homenageados na festa "A Celebração do Encantamento" no link: http://cariri-encantado.blogspot.com/

Ouvimos todos e consideramos algumas sugestões.

Luiz Carlos Salatiel
Presidente da OCA – Officinas de Cultura e Artes

Josué de Castro: Ainda um ilustre desconhecido Por: José Romero Araújo Cardoso

          A publicação pelo alto comando militar do Ato Institucional número 1, em abril de 1964, trouxe em sua lista os nomes cassados de vários políticos e personalidades ligados ao governo deposto de João Goulart, encontrando-se entre esses o do médico, geógrafo e sociólogo brasileiro, cidadão do mundo, Josué Apolônio de Castro, autor de grandes clássicos como Geografia da Fome (1946) e Geopolítica da Fome (1951), considerados importantes contribuições para as causas humanas, publicados pós-segunda guerra mundial.
          Josué de Castro escolheu a França para o exílio, voltando a ministrar aulas em grandes instituições de ensino superior, como a Sorbonne e Vincennes. Instalado na capital francesa, intensificou a luta humanista que marcou toda a vida do grande cientista nacional.
          No Brasil, a ditadura militar considerou Josué de Castro persona non grata, recolhendo seus livros das bibliotecas e das universidades nacionais. Quem fosse pego lendo Geografia da Fome, ou outro clássico escrito pelo homem que lutou contra a desnutrição e em prol da paz, estava passível de ser enquadrado na lei de segurança nacional, pois sua produção tornou-se tema proibido.
          Escancarar as estruturas de dominação forjadas pelo homem contra o próprio homem foi considerado o grande pecado de Josué de Castro, pois sua ousadia ao denunciar as injustiças sociais garantiu-lhe a ira de inimigos poderosos, pessoas beneficiadas pelo modelo que ainda tem sua vigência nos dias atuais, principalmente quando, com a urbanização anômala e acelerada, recrudesceu o problema da fome e da miséria.
          Constatar que Josué de Castro e sua vasta produção ainda são desconhecidos soa como algo misterioso e inadmissível em pleno século XXI, tendo em vista a importância e a atualidade do pensamento deste teórico nacional para a compreensão e elucidação dos graves transtornos sociais que se agigantam cotidianamente, pois a confirmação de profecias feitas há mais de quarenta anos é reconhecida no presente.
          Por esta razão justifica-se a busca para alcançar objetivos definidos em projeto de extensão apresentado ao Departamento de Geografia do Campus Central da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, denominado Discutindo a importância e a atualidade o pensamento de Josué de Castro em Escolas Públicas Municipais e Estaduais de Mossoró/RN.
          Intuindo assinalar a participação da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte nas comemorações do centenário de nascimento de Josué de Castro, ocorrido no ano de 2008, buscamos assistir a um público-alvo bastante parecido no que tange às origens do injustiçado cientista brasileiro.
          Quando da aplicação desse projeto de extensão, observamos imediata identificação dos alunos com a vida, com as idéias e com a permanência de suas defesas. Nascido em zona miserável da capital pernambucana, no dia cinco de setembro de 1908, Josué de Castro nunca esqueceu suas origens, pois mesmo quando desempenhava a mais alta e importante função, quando de suas gestões no Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, criada sob os auspícios do seu particular amigo Lord J. Boyd Orr, sempre voltava aos mangues recifenses para ouvir seus personagens de infância, os catadores de caranguejos, saber como vivam, o que pensavam e o que sofriam devido à intensidade das mazelas sociais que nos dias de hoje são mais intensas e profusamente presentes em nossa sociedade.  
           Josué de Castro teve a iniciativa de pintar o quadro social com cores berrantes, não poupando o dramático e tétrico problema da fome em sua real dimensão, tendo alertado as autoridades mundiais para o colapso geral caso não abrissem mãos das vantagens impressionantes desfrutadas por uma pequeníssima minoria privilegiada e agraciada com todos os benefícios da exclusão da grande maioria, pois afirmou que um terço da população mundial não dormia temendo os outros dois terços que passavam fome.
          A defesa intransigente da paz se constituiu em um dos pilares das propostas de solução para o problema da fome no planeta. Josué de Castro defendeu com entusiasmo que a segurança social, compreendida pelo investimento em saúde, educação, cultura, nutrição, etc., é muito e infinitamente mais importante que a segurança nacional baseada em armas, não se justificando o destino astronômico de recursos para a modernização do setor armamentista, o qual tem uma única finalidade, quer seja, fomentar a morte e a destruição.
         Com certeza, encontramos uma importante explicação para o ódio devotado pela ditadura militar contra Josué de Castro nesta máxima em prol da vida, da harmonia e da solidariedade entre os povos.
         A indicação de Josué de Castro duas vezes para o Nobel da Paz encontra-se na intransigência com que defendeu a idéia de que a felicidade humana, traduzida na segurança social, é mais importante do que a ênfase aos disparos de canhões e metralhadoras que levam a desgraça aos quatro cantos do planeta.
          Levar o exemplo de Josué de Castro para estudantes do ensino fundamental de escolas públicas municipais e estaduais, seja de Mossoró ou de qualquer outro município potiguar ou brasileiro, constitui-se, indubitavelmente, em importante fundamento que alicerça a formação de novas consciências, tendo em vista que ao superar a pobreza crônica, apostando na educação e na cultura, fez de Josué de Castro modelo a ser seguido a fim de buscar novos horizontes em uma sociedade estruturada de forma rígida e inflexível no que diz respeito à manutenção dos privilégios que a cada dia que passa se tornam mais intensos e desrespeitosos para os que sofrem com as condições sociais aviltantes impostas pelos homens contra os próprios homens.

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-adjunto do Departamento de Geografia da UERN. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente.
Contatos: Rua Raimundo Guilherme, 117 – Quadra 34 – Lote 32 – Conjunto Vingt Rosado – Mossoró – RN – CEP: 59.626-630 – Fone: 084-3314-4099 – E-mail: romero.cardoso@gmail.com.





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José Romero Araújo Cardoso



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José Romero Araújo Cardoso

A celebração do encantamento








Senhoras e Senhores! Respeitável Público!
No próximo dia 29, sábado, estaremos - o programa Cariri Encantado - comemorando o nosso primeiro ano de vida nas ondas do rádio. Passaram por nossa "sala de visitas" em torno de cinquenta convidados que discorreram sobre os mais variados temas de interesse geral, quase sempre ligados aos campos da arte e da cultura. Assim, festejaremos com a presença de todos num grande palco que será transformado o Crato Tênis Clube. O programa será transmitido ao vivo, a partir das 20 horas.
Para marcar ainda mais esta data memorável, a OCA-OFFICINAS DE CULTURA, ARTES & Produtos Derivados e a revista virtual CaririCult reconhecem
os que estão nomeados a seguir, como aqueles que verdadeiramente cumprem (ou cumpriram) a missão honrosa de fazer deste cariri cearense a região do patrimônio imaterial mais expressivo do nordeste brasileiro.

PROGRAMAÇÃO
17:00 h- No final da tarde, todos os artistas que tiverem material para expor já podem chegar ao Crato Tênis Clube para acomodarem o seu mine-stand (livros, discos, cordel, quadros, etc.), como também as Ongs, Pontos de Cultura e outras instituições que desejarem, podem levar banners, folders, cartazes, etc. e tal para divulgarem os seus trabalhos. É recomendável aos atores e artistas de um modo geral,que venham caracterizados (maquiados, roupas coloridas, etc. e tal) para que atmosfera de encantamento seja ressaltada. Entretanto, esclarecemos, que cada um se responsabiliza pela infra-estrutura do seu próprio espaço;

18:00 h- A partir dessa hora abriremos inscrições para os músicos, poetas e cronistas que desejarem se apresentar no programa Cariri Encantado que será transmitido pela Radio Educadora a partir das 20 horas;

20:00 h- Início da transmissão ao vivo do programa radiofônico Cariri Encantado, direto do Crato Tenis Clube, pela Rádio Educadora do Cariri, em parceria com o CCBNB-Cariri;

22:00 h- Encerramento do Programa Cariri Encantado;

22:15 h- Tertúlia - com Batista e sua Banda

00:30 h Encerramento


FORMATO DO PROGRAMA RADIOFÔNICO E CONTEÚDO
A intenção é fazer do Cariri Encantado um programa de auditório com a mesma animação dos antigos programas que eram feitos na época de ouro do Rádio, com atrações, brindes, disputas de dança de salão, piadas de salão, apresentação dos patrocinadores (CCBNB-Cariri e Rádio Educadora do Cariri), diplomação dos artistas, etc. e tal;

Inserido neste mesmo programa, será feito o lançamento do livro "IMAGENS - Cento e Vinte e Cinco Anos com a família Gonzaga de Oliveira", pesquisa de Jackson Bola Bantim e texto de Luiz Carlos Salatiel.

IMPORTANTE:
ESTE EVENTO FOI INSERIDO NA PROGRAMAÇAO OFICIAL QUE COMEMORA OS 60 ANOS DO CRATO TENIS CLUBE.

HOMENAGEADOS
HONRA AO MÉRITO ARTÍSTICO CULTURAL

MÚSICA
1. Abidoral Jamacaru
2. Aécio Ramos e Tereza
3. Alemberg e Roseane Quindins
4. Álvaro Holanda
5. Amélia Coelho e Haarllem Resende
6. André Saraiva
7. Auci Ventura
8. Audízio Brizeno
9. AudízioTapioca
10. Bá Freire
11. Banda ABanda
12. Banda Glory Fate
13. Banda Nacacunda
14. Banda Night Life
15. Banda Sétimo Selo
16. Batista e sua Banda
17. Cacá Malaquias
18. Cael (Carlos Sérgio Teixeira)
19. Calazans Callou
20. Calé Alencar
21. Cassiano Diniz
22. Célia Dias
23. Cícero Gnomo
24. Cleivan Paiva
25. Daniel Peixoto
26. Demontiê Dellamona
27. Diana Pierre
28. Didi Moraes
29. Dihelson Mendonça
30. Divani Cabral
31. Dr. Raiz
32. Eduardo Júnior
33. Elisa Moura
34. Ermano Morais
35. Família Linard
36. Família Ulisses (Franciné, Nivando, Lora e Nilda)
37. Fatinha Gomes
38. Fernando (cantor irmão de Dote)
39. Fernando Gino
40. Flaviano Callou
41. Fran Galdino
42. Francisco Di Freitas
43. Francisco Saraiva
44. Francisco Silvino
45. Galdino (Maestro)
46. Geracina Nepomuceno
47. Geraldo “Pixa”
48. Geraldo Júnior
49. Gilberto Filho (Teto)
50. Grupo Herdeiros do Rei
51. Grupo Liberdade & Raiz
52. Grupo Os Extras
53. Grupo Zabumbeiros Cariris
54. Hildelito Parente
55. Ibbertson Nobre
56. Izaíra Silvino
57. Janinha
58. Jayro Starkey
59. João do Crato
60. João Nicodemos
61. John Taylor
62. Jonhatas David (Sonata)
63. Jord Guedes
64. José Flávio Teles
65. José Landim
66. Josílson Lobo
67. Junior Rivadave
68. Lamar
69. Leonardo Léo (Regente Banda de Música de Boa viagem)
70. Lifanco
71. Lívia França
72. Luciano Brayner
73. Lúcio Ricardo
74. Luis Fidélis
75. Luiz Pé de Pato
76. Luiz Soares
77. Maestro Bonifácio
78. Manel D’jardim
79. Marta Freitas
80. Micaelson Lacerda
81. Michel Macedo
82. Mons. Ágio Augusto Moreira
83. Neto Menezes
84. Nivaldo Oliveira
85. Pachelly Jamacaru
86. Paulinho e Marcos Damasceno
87. Paulo Chagas
88. Peixoto
89. Tiago Araripe
90. Ulisses Germano
91. Vicente Padeiro
92. Xico Carlos
93. Zé Nilton Figueiredo

TEATRO
1. Amarílio Carvalho
2. André de Andrade
3. Ângelo Gomes
4. Blandino Lobo
5. Cacá Araújo
6. Coroné Barduíno
7. Danielle Esmeraldo
8. Dudu Campos (som e luz)
9. Ediceu Barboza
10. Fátima Morimitsu
11. Fernando Pianco
12. Flávio Rocha
13. Herê Aquino
14. Jean Nogueira
15. João Neto
16. Joaquina Carlos
17. José Correia
18. José Luiz Penna
19. Kélvia Maia
20. Ladislau Ribeiro
21. Lucion Caieira
22. Ma. Luíza Martins
23. Margarida Militão
24. Mauro Cesar
25. Orleyna Moura
26. Paula Agra
27. Paulo Fuísca
28. Polliana Esmeraldo- Dançarina
29. Renato Dantas
30. Ricardo Correia
31. Rita Cidade
32. Roberto Piancó
33. Rogério Proença
34. Salete Libório
35. Sandra Albano - Dança
36. Thaylita Feitosa
37. Thiago – Dançarino
38. Tica Fernandes
39. Tio Bibi
40. Tranquilino Ripuxado
41. Vanderley Pekovsky
42. Vanderley Wancilus


ARTES PLÁSTICAS
1. Alexandre Lucas
2. Bosco
3. Bruno Pedrosa
4. Cizim ( Escultor)
5. Edelson Diniz
6. Edilma Saraiva
7. Eduardo Leite (escultor)
8. Fidel
9. Francisco Correia (Lídio)
10. Francisco dos Santos
11. Francorli
12. Gabriela (restauradora)
13. Galdino (Artesão - Belmonte)
14. George Macário
15. Geraldo Simplício (Nêgo)
16. Gilberto Pereira
17. Giovanni Sampaio
18. Glauton Vieira
19. Guto Bitu
20. Janjão
21. João Alberto Lupin
22. Jorge Guerreiro
23. José Lourenço
24. Luiz Hernane Arraes
25. Luiz Karimai
26. Macarim – Xilogravurista
27. Moésio Sousa Filho (MOSOFI)
28. Múcio Duarte
29. Nega Ni – Papel Machê
30. Nilo
31. Pedro Ernesto Alencar
32. Petrônio
33. Reginaldo Farias
34. Romildo Alves
35. Samuka
36. Sérvulo Esmeraldo ( Escultor)
37. Stênio Diniz
38. Telma Saraiva
39. Zada


ARQUITETURA
1. Waldemar Arraes


FOTOGRAFIA
2. Ademar de Sandrinha
3. Augusto Pessoa
4. Bárbara Cariry
5. Ernesto Saraiva
6. Gilberto Morimitsu
7. Henrique Maia
8. Jean (fotógrafo)
9. Nívea Uchoa
10. Sérgio Bade
11. Tiago Santana


LITERATURA
1. Amanda Teixeira
2. Antoliano Alencar
3. Antonio Sávio
4. Bastinha
5. BC Neto
6. Carlos Eduardo Esmeraldo
7. Cauê Alencar
8. Chagas
9. Claude Bloc
10. Cláudia Rejane
11. Domingos Barroso
12. Edésio Batista
13. Emannuel Nogueira
14. Emerson Monteiro
15. Ermano Moraes
16. Eugênio Dantas
17. Everardo Norões
18. Fanka
19. Francisco de Assis Sousa Lima
20. Francisco Rodrigues Cordeiro (O Poeta Sonhador)
21. Francisco Salatiel de Alencar Barbosa
22. Freitas
23. Geraldo Ananias Pinheiro
24. Geraldo Urano
25. Hamurabi
26. Hermano Roldão
27. Huberto Oliveira (Bebeto)
28. Iris Tavares
29. J.Lindemberg de Aquino
30. João Matias de Oliveira
31. João Teófilo Pierre
32. José do Vale Arraes Feitosa Filho
33. José Flávio Vieira
34. José Helder França
35. José Newton Alves de Sousa
36. José Nilton Mariano Saraiva
37. José Peixoto de Alencar
38. José Ronaldo Brito
39. Josenir Lacerda
40. Kleilson
41. Luciano Carneiro
42. Lupeu Lacerda
43. Maércio Lopes
44. Magérbio Lucena
45. Mana- Cordelistas Malditos
46. Marcos Leonel
47. Miguel
48. Napoleão Tavares Neves
49. Nezinho Patrício
50. Odon Antão de Alencar
51. Olival Honor
52. Oswaldo Alves de Souza
53. Padre Ágio Moreira
54. Paulo Henrique
55. Raimundo Araújo
56. Raimundo Menezes- Juazeiro
57. Rejane Gonçalves
58. Roberto Jamacaru
59. Roberto Marques
60. Socorro Moreira
61. Tadeu Alencar
62. Tancredo Lobo
63. Willian Brito
64. Wilson Bernardo


CINEMA/VÍDEO
1. Adilberto (terrana)
2. Catulo Teles
3. Elvis Morais
4. Fernando Garcia
5. Francis Vale
6. Franklin Lacerda
7. Glauco Vieira
8. Hermano Penna
9. Jackson Bola Bantim
10. Jefferson Júnior
11. José Roberto França
12. José Wilton Conrado (Dêdê)
13. Júnior Balú
14. Luciano Francioli
15. Nemésio Barbosa
16. Petrus Cariry
17. Rosemberg Cariry
18. Valmir Paiva
19. Virgínia Moura
20. Ythalo Rodrigues


GESTÃO DA CULTURA
1. Carla Vanessa – SESC CRATO
2. Dane de Jane – SESC CEARÁ
3. Elmano Pinheiro Rodrigues (Biblioteca)
4. Jorge Carvalho – Rapadura Culturart
5. Lenin Falcão –CCBNB -Cariri


PRODUÇÃO CULTURAL1. Batata
2. George Belizário e Regivânia
3. Hudson Jorge
4. Kaika
5. Mônica Vitoriano
6. Teta Maia


COMUNICAÇÃO
1. Almeida Jr.
2. Antonio Vicelmo
3. Blog do Crato
4. Blogue Cariricaturas
5. Carlos Bezerra
6. Ed Alencar
7. Evandro Bezerra
8. Francildo Gonçalves
9. Geraldo Correia Braga (Geraldinho)
10. Geraldo Menezes Barbosa
11. Gomez
12. Guilherme Farade
13. Heron Aquino
14. Iderval Silva - Seu Zezé
15. Jesus de Almeida
16. João Hilário
17. José Iran - Barretão
18. Jurandy Temóteo
19. Lucion Oliveira
20. Marcelo Fraga
21. Mazinho
22. Roberto Lima
23. Sérgio Ribeiro e Josane Garcia
24. Tarso Araújo
25. Xico Sá


MESTRES DA CULTURA ENCANTADA1. Dona Edite - do Côco da Batateira
2. Espedito Celeiro, esposa e filhos
3. Irmãos Aniceto
4. Mestra Zulene Galdino
5. Mestre Aldenir Calou
6. Mestre Cirilo
7. Pedro Bandeira e João Bandeira (violeiros)
8. Reisado Dedé de Luna
9. Silvio Grangeiro (violeiro)


PROJETOS CULTURAIS
1. Banda de Música Municipal do Crato
2. CCBNB-CARIRI
3. Cia. Cearense de Teatro Brincante
4. Coletivo Camaradas
5. Coral Adulto e Infantil da SCAC
6. ECO-BIKE
7. Mostra SESC Cariri de Cultura
8. Rapadura Culturart
9. Revista A Província
10. Sertão Pop
11. Seminário Cariri Cangaço (Severo)
12. Sociedade Cariri das Artes


INSTITUIÇÕES
1. Academia de Cordelistas do Crato
2. Associação Allysson Amâncio Cia. De Dança
3. AVBEM
4. Centro Cultural BNB Cariri
5. Crato Tênis Clube – homenagem aos 60 Anos
6. ELAN Cariri
7. Fundação Casa Grande
8. Fundação Mestre Elói
9. Fundação Verde Vida
10. Geopark Araripe
11. GRUTAC- Grupo de Teatro de Amadores Cratenses
12. Instituto Ecológico Cultural Martins Filho – Projeto Terreiro dos Brincantes
13. Intituto Cultural do Cariri - ICC
14. Jornal do Cariri
15. Lira Nordestina
16. ONG Juriti
17. Radio Sociedade Educadora do Cariri
18. SCAC
19. SEBRAE -Ceará
20. SESC Crato
21. SESC Juazeiro do Norte
22. SOLIBEL – Sociedade Lírica do Belmonte
23. URCA – Homenagem aos 23 Anos


MEMORIALISTAS1. Armando Rafael
2. Huberto Cabral


PERSONALIDADES
1. Almina Arraes
2. Antonio Higino
3. Chaguinha (engraxate)
4. Dona Sonia Bezerra da Cunha
5. Fabiana e Flora Vieira
6. Marcos Cunha
7. Maurício Tavares
8. Prof. Alzir Sobreira
9. Sílmia Sobreira
10. Socorro Sidrim
11. Wanda Lúcia Medeiros

INESQUECÍVEIS (IN MEMORIAM)
1. 90 (noventa)
2. Alderico de Paula Damasceno
3. Almery Cordeiro Lima
4. Audísio Gomes(pai)
5. Beto Fernandes
6. Cacheado
7. Capela
8. Cego Oliveira
9. Célio Silva
10. Chico e João Aniceto
11. Correinha
12. Eloi Teles
13. F.Monteiro de Lima
14. Geraldo Maia
15. Gil Grangeiro
16. Hilário Lucetti
17. Irineu Nogueira Pinheiro
18. J.de Figueiredo Filho
19. Jefferson da Franca Alencar
20. Jefferson de Albuquerque e Souza
21. José Alves de Figueiredo
22. José dos Reis Carvalho
23. Jota Davi (radialista)
24. Júlio Saraiva
25. Lira
26. Maestro Azul
27. Maestro Benício
28. Maestro Hildegardo
29. Maestro Salpéter
30. Maria dos Remédios Sobreira
31. Martins Filho
32. Mestre Bigode
33. Mestre Carnaúba
34. Mestre Dedé de Luna
35. Miguel Batera
36. Miúda
37. Nair Silva
38. Nélio Clayton
39. Nino
40. Normando Rodrigues
41. Padre Antonio Gomes de Araújo
42. Padre Antonio Vieira
43. Padre Davi Moreira
44. Patativa do Assaré
45. Paulo Elpídio Martins
46. Pedro Maia
47. Pedro Vinte e Um
48. Raimundo de Oliveira Borges
49. Roberto Piancó
50. Sara Cabral
51. Socorro Alencar
52. Soriano Albuquerque
53. Tomé Cabral
54. Violeta Arraes
55. Waldemar Garcia
56. Wilson Machado (radialista)
57. Zé de Matos
58. Zé dos Prazeres
59. Zé Gato

Oca-Officinas de Cultura Artes e Produtos derivados
Gestão de: Carlos Rafael Dias e Luiz Carlos Salatiel



CaririCult:
administração de Luiz Carlos Salatiel
lcsalatiel@hotmail.com


fonte: blog do crato

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Fuxico - Um resíduo social.


Luiz Domingos de Luna*
Desde o umbral da historia do homem em sociedade, que um resíduo sociológico, vem, das mais priscas eras, perpassando por todos os períodos, colado no cotidiano dos seres humanos, como um vírus a espalhar doenças contagiosas, pois, têm um poder letal em qualquer agrupamento sociológico, quantos danos provocados no processo interativo, prejuízos enormes na convivência humana, porém a força do fuxico, sempre presente a assombrar os mais fiéis crédulos, é uma arma apontada para um alvo, que se desconhece vez que, o fuxico pode, em questão de segundos, transformar-se num boato forte, consistente e às vezes com um agravante maior, o apoio da mediana da sociedade, os fundamentos racionais, em muitos casos, nem existirem, mas o boato voa, tem um poder incrível de manter-se vivo e atuante no espaço social.

Dada a força histórica que o fuxico exerce na argamassa humana no espaço tempo, deve sim, pelo menos em teoria ter algo positivo e afirmativo para a constância deste resíduo sociológico que vem se mostrando um gigante na formação diária de boatos, mitos, lendas... E, por conseguinte, toda a literatura ficcional, que, embora distante da realidade, às vezes como as linhas paralelas têm o seu encontro no infinito.
A Admiração dos seres humanos pelo mundo ficcional é um imbróglio a incomodar sempre os “puristas racionais”, pois, o fuxico, não necessariamente, nasce de uma mentira, mas sim de uma especulação, que ganha milhares de adeptos, ou não, dependendo da aptidão social para tal fim, como saber se um fuxico é verdadeiro ou não? Se o seu alimento é a difusão social, pois, quanto maior for à adesão social, maior o seu poder de destruição ou não.
A Transmutação do fuxico para o boato é uma forma de defesa da sociedade? Estes vetores sociológicos fazem parte da civilização humana? Sem estes “pigmentos” o espaço social seria mais civilizado, e, por conseguinte mais harmônica a civilização do homo sapiens?
Com certeza não sei.
-Mas é assim que a coisa funciona.
( *)Professor –Aurora -Ceará
(*) Colaborador do blog cultura no cariri




Convite

Convidamos a todos para o lançamento do livro "IMAGENS - Cento e Vinte e Cinco Anos com a família Gonzaga de Oliveira", pesquisa de Jackson Bola Bantim e texto de Luiz Carlos Salatiel.

O lançamento do referido livro acontecerá por ocasião da Celebração do Encantamento, alusivo ao primeiro aniversário do programa Cariri Encantado.

Data: Sábado, 29 de maio, a partir das 20 horas
Local: Crato Tênis Club

Atenciosamente,

Jackson Oliveira Bantim (Bola)

“Lampeão, sua história”: Objetivos da primeira biografia erudita do “rei do cangaço”


(*) José Romero Araújo Cardoso

          Publicada no ano de 1926, pela Imprensa Oficial do Estado da Parahyba, o livro “Lampeão, sua história”, de autoria do jornalista Érico de Almeida, é a primeira biografia erudita do “rei do cangaço”.
          Almeida militou anos a fio no Jornal paraibano “O Norte”. Quando da ênfase às inovadoras políticas públicas encabeçadas pelo governo Epitácio Pessoa na presidência da República (1919-1921), engajou-se como funcionário do Ministério da Agricultura, lotado no Escritório deste órgão em Princesa (PB), cujo objetivo principal consistia em combater a lagarta rosada, a qual era sério problema para a cultura algodoeira, principal produto da pauta de exportações do Estado da Paraíba na época.
          Quando do término do triênio Epitacista, houve total desestímulo dos esforços, empreendidos por parte do sucessor, o mineiro Arthur Bernardes, que escandalizado com a onda de corrupção que marcou o período anterior desestruturou as obras de açudagem e outros projetos importantes, incluindo a campanha contra as pragas que atingiam os algodoais.
          Com o fechamento dos Escritórios do Ministério da Agricultura espalhados pelo Estado da Paraíba, inclusive o posto estabelecido em Princesa, Érico de Almeida ficou desempregado, como muitos outros, tendo gerado a sensibilidade do “Coronel” José Pereira Lima, que resolveu unir o útil ao agradável, talvez levando em conta o consórcio do jornalista com mulher da localidade, da família Duarte, de nome Rosa.
          Devido ao ataque cangaceiro a Sousa (PB), pois antes Lampião desfrutava de proteção integral na região, graças ao acordo firmado com o “Coronel” Marçal Florentino Diniz e seu filho Marcolino, Zé Pereira se viu na contingência de desviar a atenção dos fatos através da ênfase à literatura voltada para a negação do óbvio.
          O ofício de jornalista auxiliou bastante Érico de Almeida quando foi contratado para escrever o que seria a primeira biografia erudita de Lampião, pois o costume de anotar tudo quando do exercício de suas funções como funcionário do Ministério da Agricultura foi de fundamental importância para a elaboração de sua obra.
          Os objetivos do livro são claros, pois negar a melindrosa relação de coiterismo que existia há tempos imemoriais na região de Princesa não era tarefa fácil. Lampião, sentindo-se traído, passou a berrar aos quatro cantos as facilidades e as serventias de sua “profissão” aos que estavam lhe perseguindo tenazmente devido à forma como se efetivou o ataque cangaceiro à cidade de Sousa.
          No livro “Lampeão, sua história” há a defesa que as perseguições aos cangaceiros datavam de antes do “rei do cangaço” decidir enviar seus homens para levar avante a vingança pretendida por humilde bodegueiro da localidade de Nazarezinho (PB), então distrito de Sousa, contra importante oligarca local de nome Otávio Mariz.
          Episódios conhecidos da história do cangaço, como a morte de Meia-Noite nos grotões ermos do saco dos Caçulas, foram deturpados propositalmente a fim de eximir de culpas importantes personagens que fizeram a história do movimento, como Manuel Lopes Diniz, conhecido por Ronco grosso, homem da inteira confiança dos “Coronéis” José Pereira Lima, Marçal Florentino Diniz e de Marcolino.
          O livro de Érico de Almeida não cita que Lampião passou meses sendo cuidado nos Patos de Irerê por dois médicos, depois que foi ferido gravemente no tornozelo pelos disparos feitos pelos volantes comandados pelo Major Teófanes Ferraz Torres, da força pública pernambucana.
          João Suassuna, presidente paraibano na época, é elevado à categoria de verdadeiro santo protetor, exponencializando consideravelmente a campanha deflagrada pelo gestor paraibano contra os cangaceiros.  A forma como Érico de Almeida trata Suassuna em seu livro levou literatos de peso a afirmarem categoricamente que se tratava de um pseudônimo utilizado pelo presidente paraibano para se autopromover.
          Elpídio de Almeida afirmou que era Suassuna o real autor do livro, enquanto Mário de Andrade, sutilmente, em “O Baile das Quatro Artes”, enfatizou que havia comentários de que realmente era Suassuna o autor da primeira biografia erudita de Lampião.
          Em contato com pessoas que conheceram o jornalista, quando de sua estadia em Princesa, a exemplo dos senhores Zacarias Sitônio, sua esposa Hermosa Goes Sitônio e Belarmino Medeiros, todos residentes em João Pessoa (PB) na época do resgate do livro de Érico de Almeida, encontramos provas suficientes sobre a real existência do autor, como a certidão de casamento e fotografia em que aparece discretamente o jornalista.
          Entrevistado em Limoeiro do Norte (CE), quando da fuga alucinada depois da tentativa de ataque a Mossoró (RN), no ano seguinte à publicação do livro de Érico de Almeida, Lampião destilou ódio contra o “Coronel “José Pereira Lima, chamando-o de falso e mentiroso, pois havia se beneficiado com todos os favores de sua “profissão” e depois o havia traído.
          Após a revolução de trinta, o livro de Érico de Almeida foi sendo gradativamente esquecido, colocado entre os malditos, fruto de uma estrutura carcomida que precisava ser apagada em prol da edificação de uma nova ordem econômica, política e social.
          Com o apoio indispensável do senhor Zacarias Sitônio,que apresentou-nos o livro raro escrito pelo jornalista Érico de Almeida,  conseguimos resgatá-lo, no ano de 1996, após matéria publicada no jornal paraibano “Correio da Paraíba”, datado do dia 12 de agosto de 1995, sendo reeditado, setenta anos depois, pela editora universitária da UFPB, que se responsabilizou pela terceira edição em 1998.
          Não obstante os profundos vínculos com as estruturas de poder dominantes na República Velha, era imprescindível que o livro “Lampeão, sua história” saísse do ostracismo ao que foi relegado pelos novos mandatários que assumiram o poder com a vitória dos revolucionários em outubro de 1930, pois cessando os exageros existem informações preciosas sobre o ciclo épico do cangaço e sua época que não podem ficar ocultas dos historiadores e dos que apreciam as velhas coisas sobre o semiárido do nordeste brasileiro.

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo (UFPB). Professor-adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Campus Central, Mossoró/RN. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA/UERN)



--
José Romero Araújo Cardoso

Considerações geohistóricas sobre a conurbação caririense CRA-JU-BAR


(*) José Romero Araújo Cardoso

Entende-se por conurbação como a contínua, progressiva ou lenta conexão urbana interligando cidades, sendo mais constante em importantes pólos que concentram de forma efetiva o grande capital. Encontramos exemplos disso, respectivamente correspondentes aos mundos desenvolvido e subdesenvolvido, nas megalópoles que foram sendo estruturadas entre Boston e Washington (EUA) e Rio de Janeiro e São Paulo (Brasil).
Fenômeno interessante vem sendo registrado no sul do Ceará, região fertilíssima que perfaz verdadeiro oásis, no qual se intercalam espécies vegetais características de quatro biomas (Mata Atlântica – Caatinga – Floresta equatorial Amazônica – Cerrado), na qual o Juazeiro do Norte se destaca como o mais importante centro, constituindo-se na segunda cidade do Estado do Ceará em população e importância econômica, status não muito tempo desfrutado por Sobral.
Surgida entre Crato e Barbalha, a atualmente importante cidade cearense de Juazeiro do Norte fôra outrora, no século XIX, pousio de tropeiros que iam e vinham pelas trilhas tortuosas das quebradas do sertão central, palmilhando a extensa zona que tinha Aracati como destino dos velhos almocreves que marcaram toda uma fase econômica no sertão nordestino. O Joazeiro, onde descansavam os importantes agentes econômicos sertanejos, os quais eram os responsáveis da condução do transporte de cargas, em um passado não tão remoto, foi abrigando ao seu derredor pessoas de várias procedências, já existindo, no ano de 1872, modesta capela dedicada a Nossa Senhora das Dores.
Integrante do espólio do Padre Pedro Ribeiro, o pequeno lugarejo do Joazeiro era composto de setenta e duas casas humílimas quando da chegada daquele que se tornaria o principal personagem da história do lugar. Acompanhado da mãe e das irmãs, vindos do Crato, Padre Cícero Romão Batista encontrou na localidade farta matéria-prima a fim de trabalhar vocação sacerdotal, tornando-se respeitado em razão da forma como efetivou reversão da penosa realidade moral do Joazeiro, verificada quando de sua fixação, a qual se revelaria definitiva e profundamente marcante para a expressão espaço-temporal do mais importante município que integra a conurbação Cra-Ju-Bar.
Protagonizando “milagre” quando ministrou comunhão a uma beata de nome Maria de Araújo, em missa celebrada na capela de Nossa Senhora das Dores, no início do mês de março de 1888, Padre Cícero, sem perceber de imediato, dava início a complexo processo de crescimento e conquista de importância político-econômica contínua, avassaladora e impressionante do mísero lugarejo, cuja população ainda era formada em boa parte por gente extremamente sofrida, excluída inflexivelmente da estrutura abastada e exclusiva formada a partir das práticas fomentadas a partir do final do século XVII pela “nata” da sociedade sertaneja agro-pastoril, responsável pelo implemento colonizador das perigosas porções interioranas, principalmente as do semi-árido nordestino.
Mitos antes mesmo da morte do velho vigário, no ano de 1934, o ícone Padre Cícero e o culto à sua figura assumiram proporções inacreditáveis, crescendo de forma impressionante nas décadas seguintes. Representam, em nossa época, uns dos mais importantes elementos culturais que singularizam o nordeste brasileiro.
Romarias contínuas, ano após ano, foram implementando fixação populacional em Juazeiro do Norte, a qual foi sendo direcionada em rumo dos vizinhos municípios do Crato e de Barbalha. Com significativo percentual de alagoanos e descendentes, tendo em vista que, de forma interessante, ecos do “milagre da hóstia” ressoaram impressionantemente em Alagoas, as manifestações da religiosidade popular nordestina refletem-se sobre os territórios dos três municípios caririenses, através da crescente massa de romeiros que decide ficar morando na terra em que o Padim Ciço deixou as marcas de seus calçados.
Molas propulsoras da dinâmica economia Juazeirense, os romeiros transgridem enraizadas tradições e disputas que marcaram as relações históricas entre os centros urbanos que integram a conurbação caririense conhecida por Cra-Ju-Bar. Lócus de disputas políticas acirradas, as quais marcaram indelevelmente as primeiras décadas do século XX, Juazeiro do Norte e Crato, principais cidades que integram o intrigante e interessante fenômeno urbano que singulariza a geografia urbana do sul do estado do Ceará, interconectam-se como fossem metáfora, referente às formas assumidas pelas exigências do capital, pois se faz necessária explicação sobre impossível processo em tempos pretéritos, a qual é compreendida através da divisão radical entre os dois núcleos, registrada pela história quando da mais impressionante demonstração de força efetivada pela articulação inusitada do messianismo com o coronelismo, cujo ponto culminante foi a guerra de 1914.
Rabelistas e Aciolistas, sendo que os primeiros, quando da guerra de 1914, se concentraram no Crato, enquanto os segundos ocupavam as trincheiras defensivas no Juazeiro do Padim Ciço, digladiaram-se em feroz luta armada que culminou na ocupação de Fortaleza pelos romeiros do Padre Cícero, comandados pelo caudilho Floro Bartolomeu da Costa, os quais retiraram à força, do comando no governo do estado do Ceará, Marcos Franco Rabelo, militar que representou a experiência salvacionista na terra de Iracema, cuja prática política foi enfatizada na gestão Hermes da Fonseca enquanto medida severa contra o eterno predomínio de tradicionais oligarquias que enfeudaram todas as regiões brasileiras durante maior parte da denominada república velha.
Em Barbalha, terra da matriarca Bárbara de Alencar, a ênfase à conurbação caririense segue sem se chocar de forma significativa com a história e a memória locais. Espaço e tempo, em ambos núcleos urbanos, estando Barbalha localizada a cerca de 15 km do segundo município do estado do Ceará, enquanto o Crato dista 16 km da terra do Padim Ciço, frisam às categorias harmonia efetiva da primeira cidade, acima mencionada, com o Juazeiro do Norte, em razão que não houve confrontos sérios como os que marcaram profundamente as relações sócio-culturais entre a terra que o Padre Cícero elegeu para efetivar-se e a que ele nasceu, velho burgo caririense comandado, por longo período, pelo “Coronel” Antônio Luís Alves Pequeno, padrinho e protetor do vigário Joazeirense.
A conurbação compreendida pelo eixo urbano formado pelos municípios cearenses do Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, se constitui em um dos mais curiosos fenômenos apresentados na paisagem e no espaço da geografia urbana estruturada pela ação do homem em território brasileiro, pois tal efetivação exige que explicações complexas articulem holística expressão de interdisciplinaridade enquanto fundamento às análises científicas concisas acerca da dimensão assumida pela importante estrutura geográfica que continuamente se efetiva, ano após ano, alicerçada indubitavelmente nas práticas culturais que permeiam a preservação e permanência das tradições populares nordestinas quanto ao culto devotado ao Padre Cícero, célebre figura de sua época, a qual tornou-se expressão tentacular e multifacetada da complexidade e dos desdobramentos do movimento que liderou e o tornou figura de proa da única manifestação messiânica brasileira que conquistou sucesso e respeito entre os donos do poder, os quais , experts na arte de ludibriar, há tempos imemoriais manipulam complexas estruturas que garantem a reprodução da hegemonia e da dominação.
Espaços nos quais se localizam no presente importantes atividades econômicas, responsáveis pelo fomento à lógica do capital, o eixo Crato-Juazeiro-Barbalha se caracteriza pela variedade das estruturas antrópicas apresentadas em suas paisagens artificiais, sejam no âmbito econômico-financeiro-industrial ou sócio-cultural, além das manifestações contraditórias do espaço, definidas pela forma como as relações sociais de produção são fomentadas. O fenômeno urbano que singulariza o cariri cearense desperta interesse pela forma ímpar como se concretiza, principalmente entre os geógrafos, em razão de permitir necessária compreensão da totalidade geo-histórica que embasa o polivalente e valioso objeto de estudo daqueles que enxergam o nordeste como fonte inesgotável de implemento a estudos científicos sobre a região que se singulariza pela proeminência de problemas e urgentes necessidades de se enfatizar proposta para soluções de dolorosos dramas sociais que persistem, tornando indignas as condições de vida da maioria, na qual se encontram diversas famílias de romeiros, entregues à própria sorte em espaços extremamente desconfortáveis, nos quais a carência impera, personificando, dessa forma, dramática injustiça social que desafia as lutas por melhores condições de vida para os excluídos da riqueza produzida na rica região polarizada pela “Meca Nordestina”.

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo (UFPB). Professor-Adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão Territorial (UFPB) e em Organização de Arquivos (UFPB). Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA/UERN). Contato: romero.cardoso@gmail.com.


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José Romero Araújo Cardoso



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José Romero Araújo Cardoso
 

terça-feira, 25 de maio de 2010

Zé Lourenço e Antônio Conselheiro se Encontram no Cariri Cangaço 2010 Por: Manoel Severo

O Sítio Histórico do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, em Crato; palco da vida e obra do Beato José Lourenço, acolhe os convidados e participantes do Cariri Cangaço 2010, na manhã se seu segundo dia.

O Caldeirão foi um dos mais significativos movimentos messiânicos do Nordeste; acontecidos em terras cearenses. A comunidade formada por mais de mil pessoas era liderada pelo paraiano de Pilões de Dentro, José Lourenço Gomes da Silva, mais conhecido por Beato Zé Lourenço. No Caldeirão, os romeiros e migrantes trabalhavam todos em favor da comunidade e recebiam sua cota da produção. A comunidade era pautada no trabalho, na igualdade e na religiosidade, sob as bençãos de Padre Cícero Romão Batista. Após a morte do sacerdote de Juazeiro, os seguidores de Zé Lourenço foram obrigados a sair do Caldeirão, até que foram vítimas anos depois, de chacina na Mata dos Cavalos, na Serra do Araripe.

Já Antônio Conselheiro, o cearense de Quixeramobim, seguidor de Padre Ibiapina, escreveu uma das mais fortes páginas da história nordestina através do Arraial de Canudos, no sertão da Bahia no final do século XIX. Também perseguido pelas forças do governo foi vítima junto com sua comunidade em outubro de 1897 de uma das maiores tragédias do Brasil, quando foram mortas mais de 25 mil pessoas e queimadas mais de 5 mil casas.

Depois de todos esses anos, Zé Lourenço e Antônio Conselheiro se encontram no Cariri Cangaço 2010. Na abertura do segundo dia de atividades, na Capela de Santo Inácio de Loyola, no Sítio Caldeirão do Deserto, a partir das 9:30 h da manhã teremos as Conferências: Religiosidades, Memórias e Movimentos Sociais; com o professor doutor Lemuel Rodrigues; e a Conferência: Antônio Conselheiro, O Perfil, com o pesquisador Múcio Procópio.

O Moderador do debate será o Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, que contará ainda com as participações dos professores Domingos Sávio, Sandro Leonel, bisneto de Severino Tavares, do pesquisador Paulo Medeiros Gastão e Honório de Medeiros.

O Cariri Cangaço acontece de 17 a 22 de agosto na região do cariri; é uma promoção da Cariri do Brasil, uma realização das prefeituras de Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Missão Velha e Aurora; da Universidade Regional do Cariri - URCA e o apoio do ICC - Instituto Cultural do Cariri, do Centro Pró Memória, do ICVC - Instituo Cultural do Vale Caririense, do Memorial Padre Cícero, SEBRAE, SESC, CCBNB, Revista Nordeste VinteUM, Empresso Guanabara e SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço.


Por: Manoel Severo

Reportagem de Fagner da década de 70!


Esta linda foto (sem crédito de autor) ilustrava uma reportagem sobre Fagner no final dos anos 70. Era a época em que ele gostava de dar aquelas declarações “bombásticas” que, de certa forma, assustavam os jornalistas e já mostravam sua personalidade forte e a certeza do que ele queria e onde pretendia chegar. O título desta era: “O lugar de Roberto Carlos ainda será meu”. A matéria, assinada por Suzel Mendonça, tinha o seguinte texto:

“Há alguns anos, um “pau-de-arara” chamado Raimundo Fagner saiu do Ceará em busca do sucesso nas grandes cidades. Veio para o Rio, batalhou, lançou alguns discos e de repente a consagração pintou. A música “Revelação”, de Clodo e Clésio foi o grande barato, que inclusive fez surgir no mundo musical um novo símbolo sexual. Hoje Fagner desperta os suspiros apaixonados das ninfetas da zona sul do Rio, onde quer que apareça. E isso a tal ponto que há algumas semanas, uma delas invadiu literalmente seu apartamento, jogando-se em seus braços e fazendo uma apaixonadíssima declaração de amor. Mas Fagner não quer falar sobre isso. Segundo ele, a última coisa que pretende com seu trabalho é tornar-se um “sex symbol ” tupiniquim. Afinal de contas, da profissão ele quer muito mais. E diz até que está preparado para assumir o lugar de Roberto Carlos dentro da música brasileira.

-Olha, não me espanta nem me assusta assumir o lugar do Roberto. Inclusive, quando ele esteve lá em casa, no Ceará, conversamos a respeito. Existe uma admiração recíproca entre nós e a gente se curte muito. Eu sei que essa barra de ídolo está começando a acontecer comigo e, por isso, acho que tenho que ter tempo para refletir. Aliás, a reflexão é a minha saída para continuar coerente comigo mesmo e com meu trabalho.

Mas, nos últimos tempos, o que mais preocupa Fagner é a desesperada necessidade do descanso. Sua vida, meio na surpresa, se transformou num verdadeiro corre-corre contínuo entre produções de discos para outros artistas, arranjos, composições, shows e a gravação de seu próprio disco, “Beleza”. Por isso ele agora deu um tempo. Foi para Fortaleza, onde passará todo o verão junto da família, matando a saudade acumulada em tantos meses fora da terrinha. Voltar mesmo, só em março, depois de se apresentar em Salvador, Aracaju e Recife.

-Preciso por as idéias para a temporada que estou pretendendo fazer no Canecão, no Rio, em março. Ainda nada confirmado, mas os planos são quase definitivos. A direção dever ser de Miéle e Bôscoli. Queremos fazer um espetáculo bonito sem, entretanto, sair do meu estilo de trabalho. Não teria sentido apresentar algo que não tivesse a ver comigo.

E se a popularidade de Fagner cresceu de uma hora para outra, a vitória no Festival 79 da Tupi, com a música “Quem me levará sou eu”, de Dominguinhos e Manduka, só serviu para reforçar ainda mais. Os empresários estão aí, acenando com propostas mais tentadoras que ele, ao contrário do que se poderia esperar, recusa:

-Não quero lotar minha agenda com um show atrás do outro. Isso não me interessa. Eu preciso de tempo para me estruturar de forma certa. E estou apenas começando. Tudo o que consegui foi com meu próprio esforço e agora não adianta correr. Para mim, quanto mais devagar, melhor. O tempo passa e a gente amadurece. E eu acho que estou conseguindo esses primeiros passos agora. Por isso que esses títulos tipo “símbolo sexual” não estão com nada. A gente é sempre mais que esses rótulos.

Aos 29 anos, Raimundo Fagner ainda se diz muito novo e pronto para “meter a cara” em todos os sonhos. Entre eles, uma agência para cuidar de seus negócios e transações artísticas. Sem grandes vaidades, não troca o sossego do apartamento em Santa Teresa pela badalação de Ipanema. E nem as confortáveis camisetas de times de futebol por nenhum modelo mais requintado. Econômico, ele anda comprando umas terras no Ceará para construir seu “refúgio de descanso”. E agora um aviso para quem anda com pretensões mais sérias em relação ao rapaz. Apesar de se dizer um incurável apaixonado, ele não pretende trocar o estado civil. Sendo ou não um símbolo sexual.”

fonte:http://musicadoceara.blogspot.com/

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Jardim Suspenso é uma banda cearense formada em março de 2010, faz releitura da obra de Rita Lee, focando a fase mais roqueira da cantora repleta de personalidade de seus integrantes. Embora façam tributo à roqueira paulista, a banda não se limita apenas a esta proposta.

Confira o vídeo do primeiro ensaio
http://www.youtube.com/joanice07#p/a/u/0/etZwanMoUmE

Seus integrantes são:

Joanice Sampaio (voz): Jornalista, compositora, escritora, produtora cultural e integrante do grupo Urbanóides Poemas, pesquisadora musical focando a música cearense. Já participou de festivais, integrou a Contrabanda, banda que se apresentava em calouradas. Apresentou em shows em que participaram nomes como Blues Label, Karine Alexandrino, Helô Sales e Alyne Costa. Participou como palestrante convidada da mesa-redonda sobre revistas produzidas no Ceará, na IX Bienal Internacional do Livro do Ceará. É responsável pela assessoria de Comunicação do Festival de Inverno da Serra da Meruoca, Acampamento Latino Americano da Juventude, cantor Pingo de Fortaleza e cantora Fhátima Santos.

Pedro de Farias (guitarra): Acadêmico de Música da UECE, integrou a banda Mafalda Morfina e Ênfase, The Doors Cover.Beto Martins (baixo): Integrou a banda Electocactus e Ênfase,The Doors Cover.

David Alencar (teclados): Advogado, integra o projetos Meu Canto (Carlinhos Perdigão).

Carlinhos Perdigão (bateria): Professor, músico e escritor integra a banda Zeppelin Blues e o grupo Urbanóides Poemas. É mentor dos projetos Bateria Brasileira, Poesia, Blues e Rock´n Roll, Força Tropical e Meu Canto. Já tocou com nomes como Manassés, Lúcio Ricardo, Téti, Isaac Cândido, Marta Aurélia, Tino Freitas, com o guitarrista mineiro Alexandre Araújo e com o gaitista Jefferson Gonçalves, da banda carioca Baseado em Blues.
fonte:musicadoceará
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