segunda-feira, 29 de abril de 2013

A SAGA DA FAMÍLIA IGNÁCIO CARDOSO D'ARÃO: A PRESENÇA DE UMA COMUNIDADE JUDAICA EM POMBAL (PB). Por Ignacio Tavares

A SAGA DA FAMÍLIA IGNÁCIO CARDOSO D'ARÃO: A PRESENÇA DE UMA COMUNIDADE JUDAICA EM POMBAL (PB)
Por Ignacio Tavares (Foto)
Não sabemos com precisão o ano que os irmãos João Ignácio Cardoso D’arão e Francisco Ignácio chegaram à cidade de Pombal. Admite-se que tenha sido no começo do século XIX. O que se sabe que eles são originários do sítio Jacoca, hoje Conde, do engenho Forte Velho e do engenho Tibiri, hoje, localizado no município de Santa Rita. Segundo a Professora Anita Novinsk em seu livro “Inquisição - Rol dos Culpados”, em 1732 o senhor Ignácio Cardoso, Cristão Novo e um dos proprietários do Engenho Tibiri, foi alcançado pelo o Tribunal do Santo Oficio, através da sua representação na Cidade de Recife, por praticas religiosas não compatíveis com o pensamento único da Fé Cristã.
O senhor Ignácio Cardoso, abjurou o Judaísmo, submeteu-se ao batismo forçado e momentaneamente, tudo ficou resolvido. Acontece que mais ou menos no fim do século dezoito para o inicio do século dezenove, ocorreu mais uma denuncia, desta vez feita por um padre que se indispôs com a família Cardoso por razões de ordem sentimental, pois este padre se apaixonara por uma bela moça daquela família. Este talvez tenha sido o grande motivo para mais uma dispersão da família Cardoso, em particular os descendentes de Ignácio Cardoso. É provável que João Ignácio Cardoso D’Arão, seja filho de Arão, filho de Ignácio Cardoso. A cultura familiar Judaica costuma adicionar o nome do pai aos descendentes. Eis a razão do nome João Ignácio Cardoso D’Arão, que quer dizer, João Ignácio Cardoso, filho de Arão.
Embora os mais velhos da família soubessem de toda história, as gerações mais novas pouca ou nada sabiam. O desenrolar do processo contra a família Cardoso, muita gente da família sabia, através da tradição oral, passada de pais para filhos. Assim sendo, as historias que chegaram ao nosso conhecimento é essa mesma que os livros contam. Naquela ocasião, os FAMILIARES, como eram chamados os denunciantes ou os dedos duros a serviço do Tribunal do Santo Oficio, que se fez presente na Paraíba, juntamente com o senhor vigário, fizeram graves denuncias contra a família Cardoso o que resultou numa reação instantânea tendo como vitima principal o senhor vigário e alguns elementos dos FAMILIARES, particularmente aqueles mais exaltados. Por conta desse entrevero, grande parte da família Cardoso foi obrigada a buscar outros lugares onde pudessem viver longe das perseguições religiosas e neste momento, também policiais.
João Ignácio Cardoso D’Aarão e seu irmão Francisco Ignácio fugiram para o Estado do Ceará, mais precisamente para serra dos Cardosos, situada entre os municípios do Crato e Juazeiro onde já residiam parentes seus. Não deu certo porque os motivos religiosos nessa região eram fortes e eles podiam ser descobertos. Vieram para o Estado da Paraíba, mais precisamente para uma pequena povoação conhecida como Umari dos Seixas, localizada no município de São João do Rio do Peixe. Nesta povoação conheceram duas irmães, Catarina Moura Mariz e Isabel Moura Mariz. João Ignácio Casou-se com Catarina e Francisco Ignácio com Isabel.Surgiu um novo problema. Catarina e Isabel descendiam de um Padre que teve um caso de amor furtivo com uma mucama mulata, filha de uma escrava. As duas jovens viviam sob a custódia do vigário. Dessa forma não era interessante pra eles viverem sob a dependência de um religioso que pouco tinha a ver com os princípios religiosos herdados de seus antepassados. Assim sendo resolveram migrar para o município de Pombal, longe da curiosidade do senhor vigário.
Ao chegarem em Pombal, compraram as melhores terras do município localizadas ás margens do rio Piancó. Construíram suas casas próximas á margem do rio, que mais tarde denominou-se Rua de Baixo em contraposição à Rua de Cima, como era a conhecida Rua do Comércio Velho. A família se multiplicou assim como o número de casas e nesta localidade nasceram, Israel que morreu muito jovem, Abel, Aarão, Luiz D’Arão, Benigno, Florência e Filadélfia, Ana, Regina, Generosa e Guilhermina, todos filhos de João Ignácio Cardoso D’Arão e Catarina Moura Mariz de quem sou descendente pela quarta geração. Não há registros ou batistérios nos arquivos da Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso de nenhum filho de João Ignácio. Isso, por conta da sua indiferença ao batismo segundo os preceitos da igreja católica. O que se sabe, segundo o Historiador Wilson Seixas, parente pelo lado de Catarina Moura Mariz, é que existia por trás do arruamento dos Cardoso uma casa de oração onde eles se reuniam semanalmente para fazer suas preces e leituras, segundo as suas convicções religiosas.
Com o tempo essa casa foi destruída pelo o avanço das águas do rio restando apenas os escombros que aos poucos foram soterradas por conta do assoreamento. O irmão, Francisco Ignácio gerou também muitos filhos entre ao quais se destacam Luiz Ignácio Cardoso, França, Caboclo Liberato e tantos outros. Os filhos de João Ignácio, todos casaram e geraram filhos.
Aarão Ignácio Cardoso, casou-se com a sobrinha Facunda Liberato de Alencar, filha da sua irmã Ana Cardoso de Alencar, esposa de Felix Antônio Liberato de Alencar, também da mesma família. O senhor Aarão preferiu construir, em 1870, sua residência na rua de cima, hoje rua coronel João Leite, número 323, casa esta que se propõe o seu tombamento, posto que, é a única que guarda o registro do passado judaico da família Ignácio Cardoso, pois no seu frontispício foi erguido uma espécie de candelábrio oriental encimado por uma estrela de David.
A família Cardoso, cresceu progressivamente. Para se ter uma idéia, um neto de João Ignácio Cardoso, José Liberato de Alencar, ao morrer em 1943, deixou 36 filhos vivos, sendo 4 homens e 32 mulheres, isto é de três casamentos. Outros familiares seguiram caminhos parecidos, o que assegurou um alto índice de reprodução familiar. Naquele tempo não havia restrições quanto ao tamanho da família porque a maior riqueza era a terra e eles eram grandes proprietários e assim sendo podiam acomodar toda família na medida do seu crescimento.
A vasta área de terra que pertencia a família Cardoso compreendia uma extensão de beira rio que ia do xique-xique a camboa, seja quase seis quilômetros de extensão ainda as propriedades mufumbo, juá, estrelo, nova vida, capim verde e genipapo. Dessa vasta área de terra pouca coisa pertence a família, hoje. A família cresceu, urbanizou-se e se espalhou por todos os recantos do Brasil.
Esta é a história da família Ignácio Cardoso D’Arão, que por muito tempo permaneceu no silêncio da família e de certo modo compreensível porque se tratava de uma questão de segurança. Os mais velhos da família, adeptos do cristianismo, falavam que ser judeu no sertão não era boa coisa. Lembravam que todas as vezes que iam a missa na semana santa, na homilia o padre fazia questão de enfatizar a participação dos judeus na condenação de Jesus e no outro dia a população estava malhando Judas como se fosse o símbolo do povo judeu. Neste caso é justificável tão profundo silêncio.
Temos ainda outras informações sobre o resto da família, mas carece de fundamentos e sendo assim preferimos não relatar neste texto.
Ignacio Tavares - Contato: itavaresaraujo@yahoo.com.br
As fotografias acima é de uma residencia situada na Rua do Comércio, Pombal-PB, construção do final do século 19(1874?). Trata-se de uma prova inconteste da presença judaica na nossa cidade.
Foi residencia de Airão Inácio Cardoso que era filho de JOÃO IGNÁCIO CARDOSO D’ARÃO E CATARINA MOURA MARIZ F1 – Benigno Ignácio Cardoso D’Arão cc Cândida Coelho Cardoso N1 – Ana Benigno de Sousa cc Filemon Estevão de Sousa Fugidos da perseguiçao católica, os Cardosos vieram para Recife e Joao Pessoa. Os Cardosos de Pernambuco fugiram para EEUU e fundaram nada menos do que New York. Outra parte fugiu para os sertões da Paraiba (Pombal) e do R.G do Norte.
Toda a rua do Comercio, assim como o centro de Pombal, encontra-se tombado pelo IPHAEP. Esperamos que esta parte da história de Pombal não seja demolida.
Obs.1: O candelabro da foto encotra-se estilizado (modificado) por conta do medo que os Judeus tinham da perseguiçao. No entanto, deve-se observar que foi muita "ousadia" e demostraçao de fé, colocar na porta de casa um simbolo judaico.
Outro fato é que a familia Cardoso teve um membro (a jovem Branca Dias) retirada do seio da familia pelo tribunal inquisitor e levada para a Bahia e de lá para Portulgal aonde foi queimada viva. Na época a familia cardoso d'arão ocupava toda a area onde hoje situa-se Gramame, distrito industral , Conde e parte de Santa Rita (a Fazenda Engenho Velho).
Ignacio Tavares, tetra neto de Joao Inacio Cardoso D'árão se interessou em adquirir a residencia só que não teve exito. Pombal precisa preservar o frontispício desta resdiencia. (texto de Romero Cardoso)

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