terça-feira, 15 de junho de 2010

Alceu desabafa: a fuleiragem music vai destruir o Brasil lá fora!



Eis algumas das opiniões de Alceu Valença sobre a indústria da música e seus meios: FORA DAS FMs

"É um negócio complexo para a minha pessoa, porque faz muito tempo que aconteceu isso. Fiz parte da destruição da MPB. Ela foi destruída por gravadoras. Eles quiseram, além de ganhar o dinheiro do que eles vendiam, o direito autoral do artista. Ofereciam música aos artistas para o direito autoral ir para a gravadora. Na RCA, eles tinham várias pessoas que compunham para os artistas. Depois que fiz Estação da luz, eles me ofereceram uma música para eu gravar e não aceitei. Deixaram de botar minha música para tocar. Um clipe que fiz pra Globo, eles tiraram. Então resolvi mandar as gravadoras para a puta que pariu".

PORTUGAL

"Nós do Brasil somos escrotos com Portugal. A gente fala da nossa africanidade, com toda razão, porque ela está presente. Fala-se da nossa coisa indígena. Ninguém fala em Portugal, incrível.
Portugal trouxe pra cá o trovador, trouxe pastoril, o fado, músicas juninas, e ninguém fala nisso?"

GIL, O MINISTRO

"Gil não fez absolutamente nada pela MPB. O ministério dele foi melhor do que o de Weffort, Ponto de Cultura é um negócio bacana. Mas música brasileira nada. Não vi nem uma vez ele fazer um esforço e levar todo mundo lá para fora. Houve esforço para levar ele. Eu tentei levar, fiz um projeto para levar todo mundo, o Brasil Novo Tempo, mas não deu certo. O Brasil está sendo
divulgado lá fora por um tipo de música canalha! Mas pense o Brasil divulgado pela coisa bonita brasileira, pela sua identidade. Porque os gringos são apaixonados pelo samba, pelo choro. O mundo gosta do Brasil, mas o Brasil não gosta de se mostrar pro mundo".

COMPLÔ

"Tenho quase certeza de que a destruição da música brasileira foi um movimento que veio do Departamento de Estado e Propaganda dos Estados Unidos. Não posso entender, como é que você pode destruir uma indústria de um bilhão de dólares? A MPB dava 800 bilhões de dólares. A MPB de qualidade era detentora de 80% do mercado de música brasileira. Os caras chegaram e trocaram Chico Buarque por Ursinho blau blau. Em 1986, tudo acabou. Dentro da minha loucura eu digo
o seguinte: isto se deve à queda da ditadura. A MPB era contra a ditadura. Então ficaram com medo de uma nova Cuba, pela influência desses artistas de esquerda. Quem ouviu Bethânia, Chico, Milton tocar depois de 86? Tudo isso podia até ter acontecido, de uma maneira mais vagarosa. De repente caiu tudo, e veio outra coisa".

FULEIRAGEM MUSIC

"Eles são absolutamente negociantes. A fuleiragem music vai destruir o Brasil lá fora, porque o axé destruiu a imagem de música de qualidade que se tinha do Brasil. Existia na Europa a boa música brasileira. Só iam para Europa os tampas de crush, Caetano, Chico, Gil, Milton. O besta aqui foi muitas vezes. Tinha um tipo de público do cacete. Aí, quando entrou o axé, a fuleiragem, sabe qual o público desta música? Quenga. A fuleiragem aconteceu, mas será que são os músicos que fazem a música? Quem faz é o cara que não gosta de música, mas sabe trabalhar a coisa, contrata uns caras, o jabaculê come por todos os lados, mas não se faz arte".

Fonte: Entrevista publicada no Jornal do Comercio, Recife Pe, em fevereiro 2009.

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