quarta-feira, 2 de junho de 2010

Barbalha se torna vitrine de manifestações folclóricas durante a Festa de Santo Antonio

REISADO DE BAILE, que estava extinto, foi resgatado no Município de Barbalha. O grupo se apresentou na abertura da Festa de Santo Antônio. Para quem visita e participa da programação é uma oportunidade de conhecer a cultural local do Cariri. Durante 13 dias, a cidade de Barbalha está cheia de atrativos para quem quer reverenciar Santo Antônio

Barbalha. A Festa de Santo Antônio foi aberta no domingo, mas a tradicional programação durante os 13 dias de festa continua sendo realizada. Um dos principais atrativos são os grupos folclóricos. São cerca de 50, entre os quais penitentes, vaqueiros, maneiro pau, bandas cabaçais e reisados. Eles desfilam pelas ruas centrais da cidade. As imagens coloridas dos grupos enchem as ruas. A cidade se transforma numa vitrine das manifestações culturais da região do Cariri. A imagem de Santo Antônio visita diversas ruas da cidade. Na Igreja Matriz é rezada a trezena, uma espécie de novena, que, diferentemente, da novena rezada em nove dias em homenagem ao santo (por ser o dia 13 o seu dia de festejo) é rezada em 13 dias. A trezena iniciada em Portugal foi levada pelos portugueses para outros países e antigas colônias. Ao lado da igreja, foram instaladas quermesses. É o ponto de encontro da tradicional família de Barbalha.

É a festa do reencontro, da confraternização e do aperto de mãos entre conterrâneos que estavam morando fora. A Prefeitura montou palcos em quatro pontos estratégicos da cidade com o objetivo de promover shows com artistas regionais. No palco Marco Zero, a programação foi aberta, ainda no domingo, com Dorgival Dantas, Cheiro Nordestino Fernandinho e Banda Casa de Reboco. Na Praça da Estação, já se apresentaram Ítalo e Reno, Flávio Leandro e Maninho e Banda. No Largo do Rosário, Caninana do Forró Joãozinho do Exu Luiz Fidelis. A maior movimentação ocorre no Parque da Cidade, um espaço reservado para eventos. A programação abriu com Nando Cordel, Chico Pessoa e Os Águias. Estão confirmados shows com Louro Santos e Victor Santos, Forró Moleca Atrevido, Yegor Gomes, Forró Tapera, Arreio de Ouro, Banda Encantus, Índio e Sua Tribo, Diassis Martins, Forró Caboclo, Chicabana, Forró de Taipa e Leonardo.

Uma figura que já virou destaque na cidade foi a empresária Socorro Luna. Solteirona "juramentada", como diria Odorico Paraguaçu, personagem da novela "O Bem Amado", ela transformou sua casa, na Rua do Vídeo, Centro, no polo de divulgação dos poderes milagrosos de Santo Antônio, conhecido como "Santo Casamenteiro". Ali, são vendidos kits com simpatias para casamento. A renda é destinada à paróquia. É uma forma de alimentar a crendice de que a moça solteira que pega no pau da bandeira casa em menos de um ano. Em nome dessas lendas, são vendidos chás e kits milagres feitos com a casca do pau. Este ano é um jatobá, espécie considerada como medicinal. Socorro que, segundo afirma nunca casou porque não quis, mas sempre conseguiu pretendentes, graças a Santo Antônio, mandou estampar em frente à sua casa a frase: "Socorro Luna, a solteirona mais famosa do Brasil". É verdade, a solteirona já foi entrevistada nos programas Jô Soares e Mais Você, da Rede Globo. Este ano, sua casa foi transformada num ponto de visitação. Ela diz que ser solteirona bem sucedida é um privilégio. Não faltam pretendentes.

Além de vender os kits feitos da casca do pau, Socorro mantém sob seu controle uma rede de devotos e devotas de Santo Antônio que conseguiram "desencalhar", ou estão com o casamento marcado. É o caso de Camila Soares que tocou na árvore da festa do ano passado. Este ano, ela voltou com o noivo, Alan Luna, com o casamento acertado para o próximo mês. A origem da fama de Santo Antônio como santo casamenteiro, segundo o padre Renato Simoneto, vigário de Barbalha, deve-se ao fato de que ele era um excelente conciliador de casais. Segundo a lenda, essa fama do Santo remonta talvez a um episódio em que uma senhora, que fora reduzida à miséria, decidiu prostituir a própria filha para sair da pobreza. A moça então recorreu à ajuda de Santo Antônio. Rezou com todo o fervor diante da imagem dele quando, de repente, caiu das mãos da estátua um bilhete que a moça pegou nas mãos. O bilhete era dirigido a um próspero comerciante da cidade e dizia: "Senhor N..., queira obsequiar esta jovem que lhe entrega este bilhete com tantas moedas de prata quanto for o peso do mesmo papel. Deus o guarde! Assinado: Antônio".

A jovem teve fé e levou o bilhete à loja do comerciante que pesou o papel, colocando o bilhete num prato da balança e uma moedinha de prata em outro. Mas, para surpresa, o bilhete pesava mais do que a moedinha de prata, e o comerciante, sem entender o que se passava, começou a colocar mais e mais moedas no prato da balança até conseguir equilibrar os dois pratos da balança com a soma de 40 escudos. A história correu pela cidade e a moça passou a ser procurada por rapazes bons e honestos que lhe propunham casamento. Ela escolheu um bom moço, casou-se e foi feliz. Daí em diante as mulheres que querem casar recorrem a Santo Antônio para pedir ajuda.


Antonio Vicelmo
Repórter do Jornal Diário do Nordeste

Colaborador do Blog do Crato

fonte:http://blogdocrato.blogspot.com/

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