terça-feira, 8 de junho de 2010

Culé de Mexê Dôce: Ermano Morais


Teus amô é parecido cum culé de mexê dôce
Meus amo é cuma fosse o dôce que é mexido
E pra dize mais dizido teus amô vô cumparando
Cum fugão de lenha assando os bolo de sentimento
Que carrego cá pro dentro e que vão te alimentando

Teus amô tem as feição dos miolo dos toró
Das bença de minha vó dos chucaio dos truvão
Teus amô é cansanção numa pele de sodade
Teus amô é de verdade digo isso pro que vi
Teus amo me invadir numa noite de eternidade

Teus amô só me judia quando faz seus catimbó
E esconde em seus cocó as pegada das puisia
Pro donde eu caminharia pastorando os relampejo
E os rebanho de bêjo que teus amô me ofertando
Meus amô segue aboiando pros curral do meus desejo

Teus amô tava escrivido nas taba dos nevoêro
Nas conca dos imbuzêro nas prosa dos falecido
Nos rastro dos foragido no sabão das lavadêra
Nos canto das rezadêra nos oceano dos pote
E nas mola dos pinote das infância baguncêra

Teus amo tem as fragância das fulô que deus criô
E pingô no teus amo pra ti dar tanta cherança
Teus amô é as criança nas fulô das inucênça
Teus tem as urgênça das coisa que demoraro
E que por isso pagaro o imposto da intransigênça

**Ermano é um poeta que me emociona por eu ter a certeza de estar diante de um grande cantador, cordelista, artista, poeta.
Tem no timbre a força e o meloso sotaque nordestino, que nos envolve e nos transporta às doçuras do sertão, a paixão que todo nordestino têm em sê-lo, as casas de taipa, ao cheiro de fogão à lenha.
a sagacidade e inteligência do povo matuto, conseguindo com sua arte nos fazer ouvir o canto dos pássaros, recordando as coisas do sertão tão defendidas pelo Mestre Helói!

Um comentário:

  1. eu sou fã do trabalho desse artista
    é uma das grande revelação
    do nosso cariri
    parabens poeta..........

    EDINHO LOPES

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