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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Sonhando com o retorno da Estrada de Ferro Mossoró-Sousa




Sonhando com o retorno da Estrada de Ferro Mossoró-Sousa



(*) José Romero Araújo Cardoso



Pensar a produção econômica é pensar o racional, principalmente no quesito meios de transportes. A produção, sobretudo perecível, necessita ser escoada com o mínimo de custos e de obstáculos.


O sonho de Ulrick Graff foi a construção de uma via férrea que ligasse Mossoró ao São Francisco, objetivando viabilizar, sobretudo, o escoamento da produção salineira para as regiões meridionais do Brasil.


Somente no final da década de cinqüenta do século passado, após tentativas frustradas de conseguir tal desiderato, partidas de mentes lúcidas como Jerônimo Rosado e Felipe Guerra, entre outros, foi que os trilhos da velha ferrovia do oeste potiguar chegavam às portas de Sousa, Estado da Paraíba.


Se isso tivesse ocorrido quando os pioneiros começaram a arquitetar o traçado da ferrovia, a situação privilegiada de Mossoró no cenário econômico regional e nacional teria sido mais enfática.


O fluxo da produção paraibana em direção a Mossoró teria sido multiplicado sensivelmente. O trabalho árduo dos velhos tangerinos e as perdas decorrentes dos riscos das viagens, com certeza, teriam diminuído significativamente.


Nenhuma nação rica e industrializada prescinde de suas ferrovias, pois os transportes são racionalizados ao extremo para que a produção de bens e de serviços cumpra sua efetiva racionalidade. É marca indelével na postura do Estado e do empresariado em países desenvolvidos.


Então, o que falar sobre a prioridade ao transporte rodoviário em um espaço marcado pela dinâmica da produção da fruticultura tropical irrigada, do sal e do petróleo? Posso destacar inúmeros benefícios de um transporte que permita viabilizar a produção de bens em larga escala, exigente de uma infraestrutura de grande porte que não torne caótico o cotidiano das pessoas.


Estradas esburacadas e a falta de segurança devido ao tráfego intenso de veículos, sobretudo de grande calado, são apenas exemplos simples dos transtornos causados pela opção desastrada de priorizar o objetivo das transnacionais, principais beneficiárias da desdita econômica de uma região.


Não adianta liberar recursos para recuperar estradas que serão destruídas em poucos meses, graças ao fluxo constante de veículos pesados que em um vai-e-vem contínuo deram novas nuances ao cotidiano local, tendo substituído o silvo harmônico das locomotivas pelo ensurdecedor som das buzinas apressadas.


Temos também que ser racionais, pois precisamos repensar a Estrada de Ferro Mossoró-Sousa como expressão prioritária de todos as propostas públicas e privadas. A ferrovia é a única forma de revitalizar economicamente o município e a região no que diz respeito às exigências sensatas pertinentes aos meios de transportes adequados para determinadas situações que envolvem a produção econômica, caso da fruticultura tropical irrigada.


Mas não basta apenas revitalizar a Estrada de Ferro Mossoró-Sousa se não houver modernização, com a dotação de infraestrutura que atenda a população e as empresas, condição indispensável para que a competitividade da produção local não fique prejudicada.Com a volta do trem, Mossoró, o Estado do Rio Grande do Norte, o Estado da Paraíba, o Nordeste e o Brasil só tem a ganhar, trazendo ainda o romantismo de outrora através da retomada do modus vivendi dos usuários deste importante meio de transporte que nunca pode ser relegado ao ostracismo.



(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-adjunto da UERN.
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