quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O DIA DE TODOS OS MORTOS

O dia de Finados é o dia da celebração da vida eterna das pessoas queridas que já faleceram. É um dos cultos mais antigos, presentes em quase todas as religiões.
A princípio era ligado aos cultos agrários e de fertilidade: para os mais antigos, os mortos eram como sementes, e por isso eram enterrados com vistas à ressurreição.
O dia dos Mortos, na prática da Igreja católica,surgiu como uma ligação suplementar entre mortos e vivos e o mundo acabou aderindo tal prática.
Desde o século 1º os cristãos rezam pelos falecidos, a princípio os mártires. No século IV já encontramos a Memória dos Mortos na celebração da missa. Mais foi a partir do século XIII que o dia anual dos mortos é comemorado no dia 02 de novembro, porque no dia 1º é a "Festa de Todos os Santos".


31/10- Véspera do dia de Todas as Almas: em inglês "All Hallow's Eve" (reduziu-se para "Halloween") - celebra todos os que morreram e foram condenados ao inferno ( esse dia não é reconhecido no calendário cristão ou católico)
01/11 - Dia de Todas as Almas ou Todos os Santos : celebra todos os que morreram em estado de graça e não foram canonizados.
02/11 - Dia de Todos os Mortos ou Finados : celebra todos os que morreram.

No Rio de Janeiro, e em muitas cidades do Brasil,o dia dos mortos é objeto de uma cerimônia verdadeiramente imponente, durante a qual é impossível não se experimentar alguma comoção. A igreja de São Francisco de Paula, também chamada de Cáritas a mais procurada entre os fiéis, pois é célebre pelos milagres atribuídos à imagem do seu patrono, que se supõe restituir a vida aos moribundos e, também, pela espécie de proteção que São Francisco concede aos ossos que não pode salvar. Ao entrar pela capela, passará por uma longa galeria, cujas paredes estão cobertas de votivas e de quadros representando pessoas enfermas em seus leitos, ou indivíduos sofrendo diversos acidentes. A todos São Francisco aparece descendo do céu sobre uma nuvem. Acredita-se que se livra sempre do perigo aqueles quem desta maneira se mostra. Nada é mais variado que estes ex-votos: pernas, braços, cabeças, seios e outras partes do corpo humano, executados em cera com espantosa veracidade.



A morte é o inevitável fim, o ponto final, a passagem desta para a outra, que não sabemos se melhor ou pior. É ainda o maior mistério da vida.
Muitos contos de fadas terminam como "viveram felizes para sempre". Na vida real em que para sempre não existe, o máximo que se pode almejar é ser feliz até morrer.
A morte faz parte da vida e está dentro da categoria das pouquíssimas certezas que podemos ter. Um dia ela chega, e isso serve para todos. O que nos diferencia uns dos outros é a forma de encará-la.
Nas culturas ocidentais, a partir do século XIX há uma mudança de mentalidade influenciada pelo iluminismo. Com o avanço do individualismo, diminui-se a imposição do enterro dentro dos templos. Nascem aí os cemitérios. Mas a morte como tema literário é uma marca do período romântico.

Ao longo da civilização ocidental, a morte ainda é um dos principais tabus, é tudo pelo qual se evita falar por pudor, crença ou superstição: uma interdição de ordem cultural e social.
Por causa disso foram criadas diversas supertições em torno da morte:

• Quando morre uma pessoa, deve-se abrir todas as portas para a alma sair. Fecham-se porém os fundos da casa. A alma deve sair pela frente. A casa não deve ser fechada antes de sete dias pois o fel (as vísceras) do defunto só se arrebentará nesse prazo. Então a alma vai para o seu lugar. A novena de defunto é para a alma ir para onde foi destinada.


• Não se deve chorar a morte de um anjinho, pois as lágrimas molharão as suas asas e ele não alcançará o céu.

• Quando numa procissão, o féretro pára defronte de alguma porta de uma casa, é isso presságio de morte de alguma pessoa dessa casa.


• Homem velho que muda de casa, morre logo.

• Acender os cigarros de três pessoas com um fósforo só, provoca a morte da terceira pessoa. Outra versão: morrerá a mais moça dos três fumantes.

• Derrubar tinta é prenúncio de morte.

• Quando várias pessoas estão conversando e param repentinamente, é que algum padre morreu.

• Perder pedra de anel é prenúncio de morte de pessoa da família.


• Quando uma pessoa vai para a mesa de operação, não deve levar nenhum objeto de ouro, pois se tal acontecer, morre na certa.




• Doente que troca de cama, morrerá na certa

• Se acontece de se ouvir o som de uma coruja, é sinal de má notícia.


• Defunto que fica com o lóbulo da orelha mole, é indício de que um seu parente o segue na morte.

• Quando o defunto fica com os olhos abertos é porque logo outro da família o seguirá.

• Não se deve trazer terra do cemitério quando se volta de um enterro, pois ela traz a morte para a casa.

E vai por aí vai ...

Ao contrário de nós e não muito longe daqui, todos os anos durante a noite do dia 1º de novembro, os nossos irmãos mexicanos têm um encontro muito importante com a morte.
Povoados inteiros vão aos cemitérios para honrar os restos de seus finados.Levam flores, comida, doces, velas e tequila. As tumbas se vestem de festa porque nesta noite, os defuntos vêm de visita.
Os mortos revivem nas lembranças dos vivos, que evocam suas maneiras de ser, seus gostos, suas virtudes e defeitos.
Entre as almas esperadas e os vivos, se estabelece um diálogo intenso. Mas, a celebração também é feita em muitos lares mexicanos, com o tradicional Altar dos Mortos, que é uma oferenda feita para honrar aos familiares falecidos, já que segundo a crença popular, eles visitam seus lares e suas famílias neste dia.


É uma celebração feita de forma festiva, pois leva a idéia de renovação da fertilidade. O culto aos mortos no México é uma maneira de dizer que a memória de seus seres queridos ocupa o lugar sagrado que corresponde a um altar, onde são levadas flores, adornos, doces e alimentos, cada um dos quais tem um significado especial.
Postas junto ao altar tradicional dos santos ou na mesa principal da casa, a oferenda mostra variações regionais, ao mesmo tempo que compartilha certos elementos formais. Uma mesa ou prateleira coberta com uma toalha, preferencialmente branca com bordados que na atualidade, em algumas ocasiões foi substituído por uma toalha de plástico estampado, são a base para qualquer altar na República Mexicana. Na frente ou atrás da mesa, em algumas ocasiões se pendura flores de papel, papéis recortados, que acompanham as fotografias dos parentes que se foram, geralmente colocadas entre vários vasos de flores, especialmente as "cempoatxóchitl", conhecidas no Brasil como cravos de defunto. Na frente da mesa, sobre uma esteira nova, pode-se colocar um ou mais incensários.


Também pode integrar a oferenda alguma vestimenta ou objeto emblemático do defunto. São colocadas imagens de santos e velas para iluminar as oferendas, a comida favorita do morto é preparada e colocada no altar, geralmente em vasilhas de barro, junto com sua bebida preferida.
Caveiras de açúcar, pães especiais (pan de muerto, que tem formato de gente e é decorado com tirinhas brancas que representam ossos), frutas e doces são colocados no altar.
Os quatro elementos, água, terra, fogo e ar, também são representados no altar. A água vem numa pequena vasilha, presença física, para que o morto possa lavar-se após chegar do longo caminho poeirento que separa o reino dos vivos do reino dos mortos. O fogo aparece na chama das velas e a terra vem representada por seus frutos. O ar é representado pelo papel de seda (papel picado), devido a sua leveza.

A festa de mortos é uma das tradições mais enigmáticas da cultura mexicana. Mistura de antigas crenças indígenas e elementos da religiosidade católica, é, por definição, uma mostra do sincretismo que caracteriza a cultura do México.
Assim, enquanto para os europeus, a simples menção da morte é um tabu, como a recusa do pensamento pudesse evitar o acontecimento, o mexicano se familiariza com a idéia desde a mais tenra idade.


A visita anual dos mortos não é uma ocasião de luto, mas sim motivo para celebrar uma grande festa, na qual as famílias contam piadas e também choram. Nesta noite, a vida e a morte são uma só coisa. Os defuntos apenas se adiantaram no caminho que todos empreenderemos.
Assim como os astecas deviam agradar aos seus deuses do passado, os mexicanos têm de agradar seus antepassados, que esperam as oferendas, e as lembranças...


( Fonte: Consulado Geral do México )

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Bem, seja lá como for, enquanto a morte não vem a gente se inspira e cria.
Assim, quando ela chegar - a indesejável das gentes - é certo de que estaremos plenos de literatura e de poesia.

Que a PAZ e o BEM estejam sempre conosco .
FONTE:http://silnunesprof.blogspot.com/

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