segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

AINDA QUE FALASSEMOS A LINGUA DE GÁIA...


Quantos de nós já não ouviu falar dos perigos provocados pelos desastres ambientais que assola não só o Brasil, mas todo o mundo, aquecimento global, efeito estufa, ondas de calor todo esse vocabulário emblemáticos das discussões ambientalistas, se apresentam para nós , como uma falação desgastada, “clichês orgânicos”. Por que será?, que motivos nos levam ao total desapego a questões tão importantes e ao mesmo tempo tão renegada aos planos inferiores, que vão desde nossas práticas mais simples , de lavar nossas calçadas até a inoperância de políticas públicas incisivas que dêem cabo das pressões antropicas geradas, seja ,pela construção civil,seja pela interiorização da industria desenvolvimentista.

O que nos leva por exemplo, a ficarmos por alguns instantes emotivos com a situação dramática por que passa as comunidades interioranas das serras do Rio de Janeiro e logo após estejamos festejando a vinda de Ronaldinho Gaúcho para o flamengo por exemplo, sedimentando nossa atenção a outros olhares. A resposta é a mais cética e seca: NÃO É CONOSCO!!!, e esse sentimento tem tudo haver com a forma em que encaramos as nossas vidas, os valores que acumulamos ao longo dela, a disputa pêlo espaço ao sol, a luta diária pela sobrevivência, não nos permitimos em pensar naquele que do lado está. A sociedade de consumo na qual vivemos orquestrada pelo grande capital,nos forja, nos educa e como um dogma de fé, nos aprisiona em nossas próprias mentes para crermos que o ter, o poder, e o conhecimento, é particular, e somente os INDIVÍDUOS abastados e iluminados tem acesso a eles, que fazem pessoas acreditarem que existem humanos melhores que outros, sulistas melhores que nordestinos, intelectuais melhores que proletários, brancos melhores que negros e assim por diante, desde o advento da propriedade privada e o escambo dando espaço a moeda de troca, nós caminhamos da mesma forma, sozinhos, pesando que o mundo é nosso e que podemos escravizar as pessoas e de sobremaneira a NATUREZA.

A ocupação dos espaços, dessa vez, não desordenada, como nos casos das favelas, mas arquitetadamente planejada, burlando-se a frágil legislação ambiental, conseguido com o uso de subterfúgios que só os grupelhos da pequena burguesia política sabem fazer, licenciamentos ambientais de instalação e operação de condomínios luxuosos em áreas de encosta, nos leitos dos rios, gerando mais impactos ambientais, sem se quer manter projetos de ações mitigadoras, onde o Plano Diretor das Cidades são constantemente desrespeitados. Enfim, uma infinidades de ações individuais que trazem enormes conseqüências negativas ao meio ambiente assim como toda coletividade. A prova maior de tudo isso, é o que está sendo noticiado pelos meios de comunicação, onde, até o momento em que debulho em letras esse pensamento já morreram mais de 400 pessoas no Rio de Janeiro em conseqüências das chuvas.

Somente a partir do enrijecimento da legislação ambiental, com penas mais severas aos que insistem em desmanchar a Floresta do Araripe em carvão, por exemplo, secar nossos mananciais, traficar nossos fósseis, caçar nossos animais, e principalmente edificar condomínios em áreas de proteção ambiental, e acabarmos com práticas muitas vezes fisiologistas de órgãos ambientais e Secretarias INOPERANTES Municipais de Meio Ambientes e com políticas publicas que saibam promover ações de fato integradas com vistas a sustentabilidade real com as demais ações de governo, é que quiçá, poderemos enxergar melhor essas ambientais questões, de forma comum aos nosso dia-a-dia e não distantes do nosso vocabulário corrente.


Prof. Samuel Duarte Siebra
Biólogo

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