segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

DELIRANDO DE FEBRE OU A FEBRE DOS COLETIVOS NO CARIRI - Por: Antonio Sávio


A manipulação da juventude caririense e a lavagem cerebral ideológica


Qualquer pessoa comum que debruce um olhar mais atento sobre a realidade pode achar que está ficando louco, ou, como comumente lhe passam, não tem “nível suficientemente alto” para entendê-la. Essa ideia de ter que ter um ingresso dado por uma escola ou universidade brasileira para entender a realidade é fruto de um culto ao leviatã ( O Estado) denunciado por Hobbes, que hoje se personifica em nosso sistema educacional, e isso nunca me entrou na cabeça.

A suposição que no ambiente universitário você encontrará mentes aptas a lhe esclarecer alguma coisa e daí, você possa ter uma visão mais crítica (perdoe-me pelo uso dessa palavra, mas é a que o pessoal mais usa) da realidade é de uma falta de senso do ridículo incomum. A realidade mostra-se ao ser humano de acordo com sua vontade e esforço de captá-la, e isto, definitivamente não está nas mãos dos atuais professores universitários, salvo, como sempre, alguma exceção.

A tolice institucionalizada pelas universidades brasileiras tem feito um estrago mortal ao país. Muita gente inocente, de mente deveras brilhante, empreendeu suas forças por causas realmente ridículas, levados por gente mais experiente em aliciar e distorcer a realidade dos fatos. O fenômeno merece atenção, não pela qualidade das ideias produzidas, coisa que a história é sempre implacável, e os renegará ao lixo das eras, mas, o efeito que as ideias têm tomado na cultura e política do país é algo que merece atenção imediata. Os moldes da nossa atual cultura superior está no rebaixamento à ideia de “intelectual coletivo” do Antonio Gramsci que, vendo que a revolução pode ser feita pela corrupção contínua de uma cultura, corrompendo, distorcendo fatos, ocultando obras, tudo fica bem mais fácil. Deste modo, poucos estudantes universitários dos cursos de ciências humanas, apesar do acesso a internet, tem se perguntado sobre o conteúdo que lhes estão sendo entregues dia a dia em sala de aula.

Não se trata aqui de nenhuma “teoria da conspiração”, a estratégia embora de fato tenha sido empreendida pelas esquerdas brasileiras que trabalham dia e noite na empreitada, ainda tem como vantagem a inexistência de uma direita, uma soma enorme de analfabetos e miseráveis onde o primeiro discurso é o bastante para manipulá-los. Ora, assim é vitória certa. A prova que nos falta à ideia do que seja um estudo ou cultura de qualidade que dificilmente encontraremos um estudante que não tenha entrado em contato com as obras de Marx na universidade de modo direito ou indireto, mas, sequer ouviram falar em nomes como Edmund Burke, Samuel Coleridge, Thomas Carlyle, Henry Maine, ou pelo menos em brasileiros como Meira Penna, Mário Ferreira dos Santos, José Guilherme Merquior etc. É claro que, em tempos de supremo relativismo moral haverá quem diga: - Cada um segue o que quer! Mas a sentença aí só passa a ser verdadeira se puder existir apoditicamente a possibilidade de escolha, coisa que, é claro, que doutrinadores ideológicos não seriam inocentes de deixar.

O que vemos, portanto é uma série de acontecimentos que tem sim uma explicação histórica e filosófica. A propagação desse coletivismo é uma afronta à realidade. Não há nenhuma possibilidade de coletividade sem a existência individual. A própria constituição garante isso, porém, há quem ache que a nossa existência só pode ser vista de modo político-coletivo. Neste caso, você deixa de existir e passa a ter a ideia corrompida pelo grupo, pelo time de futebol, pelo partido, pelo coletivo. É claro que não é conveniente dizer que essa coletividade partidária ou não mataram por meio de suas ideologias mais de duzentos milhões de pessoas ao longo do século XX. As mesmas são frontalmente contra o que se desenvolveu filosoficamente na Grécia ou pelo pensamento medieval pelo fato de ambas professarem uma responsabilidade ao uno, ao indivíduo. Não há possibilidade de melhoria política da comunidade sem que antes a noção de responsabilidade sobre si seja tomada como prioridade.

A juventude como combustível.

Evidentemente que, a preparação dessas coletividades só se faz em bases frágeis ou inocentes, que facilmente cedem ao canto da sereia dada as suas carências. De um modo geral essas características podem ser vistas historicamente sobre os jovens. A necessidade de autoafirmação e pertencimento vem a ser o principal ingresso de jovens nas mais diversas ideologias, juntamente com a promessa de “fazer um mundo melhor”. É a supremacia do “intelectual orgânico” ou “intelectual coletivo” do Gramsci, citado acima. Uma vez que qualquer pessoa pode ser considerada intelectual para poder abranger toda uma massa de jovens que queira sua autoafirmação.

No Cariri, a propagação desses coletivos ideológicos tem sido difundida seguindo a regra a receita, de modo consciente ou não. É claro que muitos dos participantes dessa coletividade são pessoas idôneas que, em sua inocência aderiram à causa seja “por um mundo melhor”, “contra o imperialismo”, por um “mundo verde”, “ecologicamente correto” etc. Os jovens são incentivados as mais diversas ações sem nenhuma base de leitura política ou filosófica. A “preparação” é feita com base em leituras superficiais dos panfletos ideológicos com a intenção de por em atividade, o mais rápido possível, o jovem carente por elogio que, a partir daí receberá seus aplausos no fim do dia de modo garantido.

Enquanto isso na sala de justiça... Os responsáveis pelos grupos estão sempre muito ocupados. Se tiver um membro novo tem lá alguém que ver se o mesmo leu direitinho o manifesto comunista, se tem outros mais adiantados temos que ver quando será a próxima reunião, além de ter que receber os panfletos a serem distribuídos na próxima performance, além de uma infinidade de outras pseudo-ocupações que passam a impressionar os mais jovens.

Uma pergunta curiosa que eu faria caso estivesse em algum destes grupos é: - Como seguimos uma pessoa que professa uma doutrina que supostamente está acima do entendimento da maioria da população alienada, se ele mesmo, muito ocupado como percebemos, não tem tempo de abrir um só livro? E, supondo que a existência de tudo, haja uma dialética, como não pode ele estudar literalmente nada que seja contrário ao seu pensamento? Com que autoridade alguém que questiona o sistema capitalista pode fazê-lo se nunca leu nenhum economista, se não sabe o que é uma comparação de estados estacionários, nem uma taxa de poupança, nem um impacto de moeda corrente? Saberiam os revolucionários do Cariri quem são Covarrubias, Luis Saravia de la Calle, Pedro João de Olivi, Santo António de Florença e, principalmente, São Bernardino de Sena? Ou saberiam que essa ideia de concorrência (em latim, concurrentium) que eles tanto abominam já tinha sido dada no século XVI? Indo em direção as artes alguém pode imaginar que as maiores obras da cultura Ocidental foram feitas por um grupo? Da Vince, Michelangelo e Sandro Botticelli seriam “Coletivo Renascentista”, ou no barroco teríamos Caravaggio, Rembrandt e Geoges de La Tour como o “Coletivo Ave Maria”? Sabemos muito bem que o contexto histórico que vivemos é totalmente diferente, mas, como diria o Paulinho da Viola: “Tá legal, eu aceito argumento, mas não me altere o samba tanto assim…”.

O que sabemos é que desde que o mundo é mundo, cada um pensa com sua própria cabeça, individualmente! Esta é a condição de existência do homem, que, de fato não lhe impede nenhuma caridade. Mas caridade e alienação política são diferentes. Uma parte da ordem exterior, de um comando ilegítimo a outra da própria consciência. É óbvio que o direito de expressão é algo garantido constitucionalmente. O que não garante nossa constituição é a qualidade do que será expresso, e nem a premissa que ele seja inquestionável.

Por: Antonio Sávio

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