sábado, 16 de fevereiro de 2013

A comédia da Maldição!


A COMÉDIA DA MALDIÇÃO
Texto e Direção de Cacá Araújo 
Música de Lifanco

| Domingo, 24 de fevereiro de 2013 | 20h |
| Praça da Sé | Crato | Cariri | Ceará | Brasil |

A fantástica e misteriosa história de uma bela jovem que se amancebou com um padre e foi condenada a uma terrível maldição: virar mula-sem-cabeça! Uma das mais tradicionais lendas brasileiras recontada num grande espetáculo de rua para todas as idades...

Elenco:
Jonyzia Fernandes – Ana Expedita
Márcio Silvestre – Vigário Felizberto
Cacá Araújo – Tandô
Orleyna Moura – Viúva Fantina
Joênio Alves – Mãe Luzia e Zulmira
Joseany Oliveira – Beata Carmélia e Leide Zefa
Samara Neres – Irmã Francilina e Ladra
Michelle Lima – Cibita
Henrique Macêdo – Fotógrafo Jorjão
Paulo Fernandes – Dono da Bodega
Emerson Rodrigues – Padre Sebastião
Josernany Oliveira – Brincante da Mula

Músicos:
Lifanco – viola
Jean Alex – rabeca e percussão
Jéssika Bezerra – percussão
Elenco – percussão

Técnica:
Texto e Direção Geral: Cacá Araújo
Assistência de Direção: Orleyna Moura
Cenografia, Sonoplastia e Iluminação: Cacá Araújo
Maquiagem e Figurino: Joênio Alves
Guarda-Roupa: Luciana Ferreira
Operação de Som e Luz: Emerson Rodrigues
Música: Lifanco e Cacá Araújo
Cenotécnica, Fotografia e Vídeo: Wideny Toyota
Produção Executiva: Joseany Oliveira
Produção Geral: Sociedade Cariri das Artes
Realização: Cia. Brasileira de Teatro Brincante


COMENTÁRIOS SOBRE A OBRA:

DRAMATURGIA MATUTA
Por Oswald Barroso (dramaturgo e encenador)

Li o texto A Comédia da Maldição com atenção e interesse. Trata-se, ao meu ver, de uma dramaturgia matuta, correlata, portanto, à chamada poesia matuta, mais que à narrativa do cordel, embora tenha alguma coisa desta. Ou seja, o texto tem o espírito do gracejo e do imaginário sertanejo, seu dialeto e seu humor. Só um autor que tenha familiaridade com esta cultura matuta seria capaz de escapar ao folclorismo, ao pitoresco e à imitação depreciativa, tão usual entre os que se arriscam neste caminho. Cacá Araújo consegue. Seu conhecimento da linguagem do causo, da lenda, da estória popular sertaneja, o coloca no rastro de um Patativa do Assaré ou de um Zé da Luz, para falar apenas nos que fizeram uma boa poesia matuta.

Assim, Cacá consegue um texto, ao mesmo tempo surpreendente e cheio de espírito, que sugere uma encenação deliciosa, qualidade que imagino iluminada por sua condição de ator/encenador.

No final, nada de chave de ouro, moralidade fundamentalista, o castigo punitivo, mas a abertura para novas peripécias, o que dá ao texto um sabor de coisa nova, sinais de modernidade. Nem com os castigos do céu, Ana se emendou e já se arrisca em uma nova transgressão, de olho na batina do padre que faz o casório. Tal desfecho nem no cordel estava previsto.

VERSO, MÉTRICA, RIMA E INSPIRAÇÃO
Por Josenir Alves de Lacerda (cordelista)

“A Comédia da Maldição”, peça teatral de Cacá Araújo, chegou-me de forma inusitada, surpreendente como chegam os presentes especiais. E foi um maravilhoso presente que recebi e de imediato usufruí saboreando cada cena.

Se alguém me perguntar se assisti a esta peça, vou responder que sim, sem medo de estar mentindo, pois realmente a “assisti” da forma mais completa com a força plena da imaginação. Ao ler o texto, não fui apenas leitora ou expectadora de platéia... Invadi o palco e misturei-me aos personagens, rindo, chorando e me deixando envolver pela emoção de cada um, tal a força da veracidade que me invadiu. Senti em cada personagem a incorporação do próprio autor, que tal qual pai extremoso e dedicado repassa aos filhos com energia e amor, princípios e ensinamentos.

De parabéns Cacá pelo tema, de essência telúrica, valorizando as nossas raízes, o nosso povo, a nossa crença, resgatando essa cultura tão rica e tão nossa. Como se isso não bastasse, ele ainda põe em tudo isso o toque mágico da poesia e oferece um verdadeiro espetáculo de verso, métrica, rima e inspiração.

Saúdo com louvor o poeta, o escritor, o teatrólogo e tantas outras referências sintetizadas na figura polivalente de Cacá Araújo, cuja trajetória conheço e assisto agora em mais uma realização.


RESGATE DAS TRADIÇÕES
Por Lia Machado e Estela Piancó (professoras)

O Nordeste brasileiro é rico na sua cultura, em virtude da capacidade de perpetuar lendas e mitos onde se misturam crenças as mais diversas.

Conhecedor profundo e amante dedicado de tão preciosa cultura, o autor Cacá Araújo tem dado provas de trabalhador incansável na luta pela preservação, valorização e divulgação dos nossos costumes. Assim é que ele nos premia, mais uma vez, com uma obra da mais fina qualidade.

A peça, intitulada “A Comédia da Maldição”, é popular e profana justamente por tratar da cultura popular do nosso Nordeste, não reverenciando os interesses burgueses, e por poder ser representada onde o povo pode estar: praças, escolas, parques...

O autor expressa a história com tal valor e graça que a torna digna da apreciação de todos, sejam intelectuais ou pessoas simples. Narrada em versos populares (sextilhas, quadras, moirões, decassílabos), todos cuidadosamente metrificados, a peça representa tipos humanos bem demarcados na cultura nordestina: beatas, padres, ciganos, caboclos, cantador, quenga, o bêbado de bodega, umbandistas, católicos, fotógrafos de lambe-lambe, violeiros, tocadores de pífanos e zabumbeiros.

O autor mescla, ainda, tipos extraídos do cotidiano, estereotipados dos vários segmentos sociais, com tipos fantásticos, originários da imaginação popular (mula-sem-cabeça), da religiosidade mítica através de santos, anjos e demônios que simbolizam o Bem e o Mal.

A poesia do texto se expressa em todo o seu teor pelas emoções e linguagem das personagens, dando um colorido quente e humano, bem-humorado, com características próprias do sertão cearense.

“A Comédia da Maldição” é, portanto, um texto que reúne, no seu conjunto, o resgate das tradições de contos pitorescos e a legitimação do poder do imaginário popular na formação do homem.

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