quarta-feira, 29 de maio de 2013

Confraria destaca origens interioranas!

Juazeiro do Norte. Eles são nordestinos natos, a maioria cearense, mas sempre com a raiz fortalecida nas origens interioranas. E foi por esta razão, que nasceu a Confraria Chapéu de Couro, prestes a chegar aos quatro anos de criação. São pesquisadores, professores, jornalistas, advogados, médicos, filósofo, eletricista. Não há padrão, mas critérios de fazer parte de um grupo que tem como uma de suas principais finalidade promover e valorizar a cultura, a amizade e a integração, com fraternidade e solidariedade. O grupo, de 32 pessoas, pela primeira vez visita o Cariri, para saudar o patrono, Patativa do Assaré, em seu território.

O grupo é composto de 32 membros e visitou espaços importantes da cultura popular do Cariri, como o Memorial Patativa do Assaré FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS

Durante este final de semana os confrades visitaram espaços culturais da região, com o Memorial do Patativa, além de museus de Santana do Cariri e Nova Olinda. E o que não falta é alegria para os participantes que recitavam a poesia de Patativa, agora poderem estar no ambiente em que viveu o seu patrono. A marca do grupo é forte. São as três letras ´c´ que formam o símbolo da confraria. E fazer parte da irmandade significa incorporar o nome, literalmente. O velho chapéu de couro dos vaqueiros do sertão está nas cabeças de homens e mulheres da confraria, com o registro do nome e a marca feita a ferro quente. O jornalista e documentarista Roberto Bonfim tem chapéu número um. Inspirou o grupo. Ele fala do sentido informal em que foi criada a confraria, entre amigos, mas uma coisa séria, que não era reservada apenas a reuniões de grupo para "bebericar". Era algo mais, que merecia uma amplitude que pudesse também levar o conhecimento e a valorização das raízes do povo nordestino.

Palestras
E isso tem acontecido, nos últimos, segundo Bonfim. Alguns dos próprios profissionais confrades se encarregam de fazer palestras e eles seguem uma pauta de atividades.

A ideia, segundo o atual presidente do grupo, Paulo André Viana, é produzir todo esse material e publicá-lo dentro de um breve espaço de tempo.

Ele disse que está sendo criado um site da Confraria, no intuito de ampliar esse conhecimento. Estar na terra de Patativa, conforme ele, é um motivo de realização para todos os confrades. Esse trabalho não se resume apenas a incursão pelo lugar onde nasceu o poeta, mas uma pesquisa sobre a cultura popular.

Roberto destaca que a confraria tem a finalidade de valorizar, cultuar e estudar as raízes nordestinas, e principalmente do Ceará. "Nós nos reunimos há quatro anos, e por conta do nosso aniversário, estamos vindo ao Cariri e chegarmos à casa do nosso patrono", diz ele. Mesmo algumas pessoas do grupo já tendo o conhecimento do Memorial do Patativa, a visita deste final de semana foi diferente. Agora não é só a poesia que inspira os confrades, mas o ambiente onde e viveu Patativa do Assaré.

Outro aspecto importante para os componentes do grupo é a valorização da gastronomia. "Pesquisamos nessa área, por vemos uma riqueza variada no cardápio nordestino", diz o jornalista. O grupo foi iniciado por quatro amigos cearenses.

Choque
As conversas sempre eram diversificadas e Roberto Bonfim, como documentarista, com o seu usual chapéu de couro, trazia assuntos relacionados aos seus documentários e a cultura nordestina. Daí, veio a ideia da confraria. "Era uma brincadeira. Não tínhamos a intenção de ser o que nos tornamos", afirma.

Choque
Desse momento, segundo Paulo André, veio o choque no início de algo que se tornou realmente algo sério.

Foi criado estatuto, regimento, marca e a adoção do chapéu de couro, marca registrada, além das reuniões periódicas, no segundo sábado de cada mês. O grupo sai Ceará afora com o estandarte feito em couro, com a marca e a imagem do poeta Patativa do Assaré.

Para se tornar integrante da confraria não é tão simples. É preciso identificação, conhecimento de algum dos integrantes para receber o convite, além de frequentar três reuniões seguidas, e depois ser submetido a uma votação para ser parte do grupo. Depois é usar a blusa e o chapéu nas reuniões e encontros de forma obrigatória.

A Confraria Chapéu de Couro mantém sócios correspondentes em outros estados, como Minas Gerais, Paraná, Rondônia, Pernambuco e ainda em Brasília.

Mais informações:
Confraria Chapéu de Couro

Fortaleza - CE

Telefone: (085) 8744.8106

ELIZÂNGELA SANTOS
REPÓRTER 

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