quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A história por trás de uma capa clássica: SECOS E MOLHADOS!

FONTE: http://www.somvinil.com.br/nos-compramos-os-albuns-white/

SECOS&MOLHADOS
O primeiro disco do “Secos e Molhados”, que leva o nome do grupo, completou recentemente os 40 anos de seu lançamento (1973), impressionou o país e foi relançado recentemente em Vinil de 180 gramas.
A performance e as caras pintadas dos integrantes foram a inspiração para o Kiss, segundo boatos que dizem que foi um produtor gringo que após uma tentativa frustrada de trabalhar com o Secos & Molhados teria criado o Kiss.
Boatos ou não, a verdade é que os caras criaram algo totalmente diferente e inusitado à época. Além das letras de teor político, cômico e ao mesmo tempo ácido, os caras apareciam de caras pintadas e apresentavam performances ainda inéditas no palco.
Fazendo jus ao nome do grupo, um então fotógrafo do jornal carioca Última Hora, chamado Antônio Carlos Rodrigues, produziu uma mesa de jantar com produtos vendidos em armazém (nome genérico para secos e molhados), com pães, linguiças, cebolas, grãos de feijão, vinho de marca barata, etc. O nome do grupo, em cima da mesa, em letras roxas brilhantes, alude à placa que João Ricardo teria visto numa visita à Ubatuba e que lhe deu a ideia para o nome do conjunto. Dentro das bandejas, estão as cabeças de Ney Matogrosso, João Ricardo, Gerson Conrad e Marcelo Frias, o baterista que não aceitou integrar o grupo.
Rodrigues já havia fotografado a cabeça de sua mulher servida num prato na revista Fotoptica, inspirado por meninas na praia com o rosto pintado e, por trabalhar no mesmo jornal que João Apolinário, pai de João Ricardo, não demorou em conhecer o grupo. “Eu ainda não conhecia o grupo e quando fiquei sabendo do nome, montei uma mesa no meu estúdio com vários secos e molhados, coloquei a cabeça deles ali e os maquiei”, contou em entrevista à revista Bizz. No estúdio fotográfico, demoraram uma madrugada para a sessão de fotos da capa. Por debaixo da mesa estavam sentados em cima de tijolos. “Ficamos lá a madrugada inteira, sentados em cima de tijolos”, conta João Ricardo, “e fazia um frio horroroso debaixo da mesa”. Ney Matogrosso lembra que “Em cima queimava, por causa das luzes [...] comprei os mantimentos no supermercado, a toalha foi improvisada com plástico qualquer, a mesa era um compensado fino que nós mesmos serramos para entrarem as cabeças.” Segundo João, “Tínhamos fome e estávamos duríssimos, fomos tomar café com leite. Não sei por quê, mas não me lembro de termos comido os alimentos da mesa.”
Alguns autores notam que já na capa do disco existe uma cena e um comprometimento antropofágico, com as cabeças sobre bandejas numa mesa “para o deleite gastronômico dos ouvintes”. A capa integrou uma exposição em junho de 2008 no Centro Cultural da Espanha, em Miami, que reuniu as 519 melhores capas do pop e rock latino-americano. Em 1995, a banda Titãs produziu o clipe da música “Eu Não Aguento” com a introdução do baixo de “Sangue Latino” e com a cabeça de seus integrantes à mesa, em pratos. Em 2001, o jornal Folha de S. Paulo a elegeu como a melhor capa de LP de toda a história da música popular brasileira.
O disco navega pelos tons da MPB e do Rock Progressivo, além de trazer o místico e incrívelNey Matogrosso nos vocais. O álbum já mostrava toda a originalidade de um dos maiores fenômenos da música brasileira e vendeu mais de 300 mil cópias. São oito faixas, sendo sete do compositor e violonista João Ricardo. Fazem parte do disco os sucessos “O Vira”, “Sangue Latino”, “Mulher Barriguda”, “Assim Assado” e uma melancólica versão de “Rosa de Hiroshima” (Gerson Conrad/Vinicius de Moraes) interpretada pela inesquecível voz de Ney Matogrosso.
LADO A
1. SANGUE LATINO
2. O VIRA
3. O PATRÃO NOSSO DE CADA DIA
4. AMOR
5. PRIMAVERA NOS DENTES
LADO B
1. ASSIM ASSADO
2. MULHER BARRIGUDA
3. EL REY
4. ROSA DE HIROSHIMA
5. PRECE CÓSMICA
6. RONDÓ DO CAPITÃO
7. AS ANDORINHAS
8. FALA

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...