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terça-feira, 8 de março de 2011

Ulisses Germano – O homem traquino das múltiplas artes


A traquinagem não é coisa só para menino. Ulisses Germano é um desses exemplos, artista comprometido com o seu tempo navega pela música, poesia, artes visuais e pelas suas constantes invenções. Bebe da teoria e da sabedoria do nosso povo para construir no palco da vida uma arte humanizadora. “A pratica é a mãe ou o carrasco de toda e qualquer teoria” como afirma o artista traquino, Ulisses Germano.

Alexandre Lucas - Quem é Ulisses Germano?

Ulisses Germano - Um ser em construção, impermanente.

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Ulisses Germano - Comecei ainda menino por pura necessidade, e como a necessidade é a mãe da invenção, fiz e faço desta vida um meio de expressar aquilo que sinto e vejo.

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Ulisses Germano - Em relação à música, minha primeira influência veio mesmo da família. Meu avô, José Facundo, tocava clarineta na antiga Banda de Música de Jucás-CE., e meu tio Álvaro Correia era maestro desta banda de Jucás. Respirava essa atmosfera musical familiar junto com minhas tias Cely Correia e Maria José que, mais tarde, adotaria o nome artístico de Mazé do Bandolim e gravaria um disco ontológico no ano de 1999 chamado Terra dos Bandolins com músicos de ponta como Luizinho Duarte (violão e bateria), Adelson Viana (acordeom), Heriberto Porto (flauta) e Carlos Ferreira (clarineta). Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Dorival Caymmi e os cegos cantadores fizeram parte da trilha sonora de minha infância, depois vieram os sambistas Noel Rosa, Wilson Batista, Pixinguinha, etc., enfim, de Miles Davis a Pink Floyd, Beatles a Cego Aderaldo, de Egberto Gismonti a Mestre Aldenir, da Banda de Pífano de Caruaru ao e dos Irmãos Anicetos. Compartilho da idéia de que só existem, esteticamente, dois tipos de música: a BOA e a RUIM. É como gravidez, não tem meio termo. Mas de tudo que eu já escutei na vida nenhum músico me sensibilizou mais do que o genial Hermeto Pascoal. Hermeto, para mim, é o representante musical de nosso Planeta.

Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória?

Ulisses Germano - Comecei em Fortaleza tocando saxofone e flauta numa banda chamada Material, depois fiz parte da Tracajá Blues Band. Na década de oitenta comecei a tocar numa banda de Rock Progressivo chamada Trem do Futuro. Gravamos dois CDs. Está banda hoje faz parte do catálogo internacional da MUSEA – França. Paralelo a tudo isso eu ensinava flauta doce para adolescentes de numa escola pública CERE de Antonio Bezerra e formamos o Grupo Doce Flauta que tinha um repertório bem eclético e chegamos a tocar O Canto do Pajé de Villa Lobos com a orquestra Eleazar de Carvalho no Theatro José de Alencar em Fortaleza. Também realizei durante seis anos um trabalho voluntário numa ONG em Fortaleza no Bairro das Seis Bocas chamada REVARTE (Resgate dos Valores pela Arte). Cheguei ao Crato em 2003 para trabalhar como professor de Artes do Colégio Pequeno Príncipe e estou até hoje. Minha primeira apresentação foi no SESC, que é uma instituição cultural que eu tenho enorme gratidão, junto com o Di Freitas e seu violoncelo de papelão; toquei um instrumento que eu criei chamado Ovo de Dinossauro que tinha um timbre parecido com a tabla indiana. Josenir Lacerda foi quem me motivou a fazer cordel e Gomez (Zé de Calu) foi quem me apresentou os compositores e artistas da Região. Com o saudoso Correinha formei o Grupo CRATETO e com Mestre Aldenir (meu pai cultural) aprendi um pouco sobre reisado. Foi na Região do Cariri, morando no Crato, que eu encontrei minha verdadeira identidade cultural. Já ouvi da boca de muita gente viajada dizer que nossa região é a mais rica do país em termos de arte popular. Quem vem por estas plagas fica imantado por uma energia que até hoje eu não sei de onde vem nem de como se processa.
Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Ulisses Germano - Querendo ou não a política e as artes perpassam todas as ações do nosso dia a dia. Bertolt Brecht analisou tudo isto com muita propriedade. De uma forma mais concreta e em relação à música, esta ligação já foi bem mais estreita. Falo de modo particular em relação à música chamada de protesto. Podemos observar essa mudança vasculhando as gravações fonográficas desde os tempos da Odeon até os dias de hoje. Mas o homem deixou de ser um animal político para se transformar num animal absurdo! E arte também acompanha esta absurdez em que a espécie humana foi reduzida, porque Arte é poder. Nietzsche já sinalizava escrevendo sobre o medo que os políticos de uma forma geral têm da poesia e da filosofia. Os grandes compositores brasileiros e os artistas populares de peso, de um modo geral, são formadores de opinião e podem decidir uma eleição. Tiririca é um bom exemplo de como um excelente subproduto da alienação humana pode fazer em termos de avacalhação generalizada. Neste mundo em que o dinheiro compra tudo, a tal da sonhada democracia sofre de uma disenteria crônica e os que se deixam ser vencidos e vendidos por esta engrenagem alienante acabam, como dizia o Barão, sempre recebendo bem mais do realmente valem.

Foto: Evandro
Alexandre Lucas – Você consegue juntar o popular e o contemporâneo no trabalho que você desenvolve?

Ulisses Germano - Creio que sim. Quando eu fiz a escultura intitulada A INDIFERENÇA, premiada com medalha de ouro no VI Salão de Outubro no Crato, minha intenção era modelar uma peça capaz de expressar de forma clara e significativa esse sentimento tenebroso chamado indiferença. Então eu modelei um rosto com um olho vazado e outro sem ser vazado, mas olhando para baixo. O resultado é que o espectador jamais conseguia olhar diretamente no olho da peça, pois o que caracteriza a indiferença é o olhar que não olha ou pelo menos finge não olhar. Essa expectativa do espectador de tentar em vão achar o olhar da indiferença resultou num cordel que eu escrevi em parceria com poetisa Josenir Lacerda chamado A POÉTICA DA INDIFERENÇA. A peça em argila contempla o
contemporâneo em sua forma distorcida e o cordel é em si popular... Confesso que passo mal ouvindo esses discursos prolixos sobre Arte. Sei que a teoria é importante, mas sempre fico cabreiro em relações a rótulos. Procuro não rotular nada do que vejo ou do que faço. Se definir é matar, rotular é matar duas vezes.


Alexandre Lucas - A sala de aula é um laboratório de arte?

Ulisses Germano - Certamente. A ação de ensinar traz como conseqüência a ação de aprender, e é nesse jogo de reciprocidade, de vice-versa que a Arte em sala de aula se processa. Diria que não só na sala de aula. Um professor criativo sabe que os laboratórios não só de Arte, mas de Química, Matemática, etc., estão espalhados pelo mundo! A cozinha é pura alquimia, em todo canto existe geometria!


Alexandre Lucas – Ainda tem gente que acredita que a arte é dom?


Ulisses Germano - Tem gente pra tudo. Tem gente até que acredita que o homem não foi pra lua! –“Ora – dizem – se o homem tivesse ido pra lua tinha falado com São Jorge!” RS Deixando o gracejo, esse assunto é polêmico e requer uma análise mais aprofundada. Quando Mozart ainda criança revelou de forma surpreendente suas habilidades musicais para reis e princesas de Veneza, todos, obviamente, falavam de um prodígio, de uma coisa sobrenatural, de um “dom”. Lógico que ele nasceu com uma forte aptidão, o que ninguém viu foi a metodologia empregada pelo velho Leopold Mozart (seu pai) para aperfeiçoar o gênio do filho! As chamadas “Crianças Índigo” que estão brotando em diversas partes do mundo têm abalado a idéia dos que rejeitam a possibilidade de alguém nascer com um dom. Eu realmente fico bestificado com as pictografias, os desenhos mediúnicos feitos pelo mundo afora. Mas como professor de Artes acredito que todos nós temos habilidades para fazer arte. Definitivamente, Arte não é um dom, ou pelo menos não deveria ser encarado dessa forma em termos pedagógicos. Arte é uma energia que passeia pelo ar e que qualquer receptor mental vivo pode captar.


Alexandre Lucas – Esse crença acaba afastando as pessoas das artes?

Ulisses Germano - Lógico! Se a Arte é um dom, então não haveria necessidade do ensino das artes na Escola! Eu tenho um aluno no 8° ano que é um excelente desenhista, mas sempre traz na mochila um caderno cheio de desenhos. Quer dizer, ele pratica o tempo todo, através de erros e acertos ele foi aperfeiçoando suas habilidades. O conceito de arte hoje em dia é bem mais abrangente e está intimamente ligado ao projeto político-educacional mais revolucionário do mundo que é de EDUCAR OS CORAÇÕES! A arte ensina a Educar os Corações, lapidando os sentimentos... Por isso que o ensino das Artes do Brasil foi sempre colocado em segundo plano. Prá quê ensinar arte se o que interessa é o vestibular. O que não “cai” no vestibular não cabe na lei do mercado. Recuso-me a chamar os aprendentes de “clientela”.


Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?


Ulisses Germano - Creio que o que mais se aproxima dessa pergunta tenha sido o lançamento do cordel DO SELO LAMBIDO AO PONTO COM em parceria com o professor Zé Mauro. Foi o primeiro cordel publicado em Braille pelo Instituto Benjamim Constant. Fez parte de um projeto de Belo Horizonte –MG – Livro de Graça na Praça onde aproximadamente 40 mil livros foram distribuídos de graça. Meu mais recente cordel As Proezas do Peixe Pedra, em parceria com a URCA/Geopark, será lançado e distribuído nas Escolas Públicas.

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?

Ulisses Germano - Gravar um CD com minhas composições fatigadas.

OLHAR DE MULHER

segunda-feira, 7 de março de 2011

CARNAVAL DA CRIANÇADA

Nesse dia 8 de março, minha homenagem às GRANDES MULHERES DO CARIRI! Por: Janinha.

Izaíra Silvino
Orleyna Moura
Gabriela Frederico


Danielle Esmeraldo
Dane de Jade
Josenir Lacerda
Mônica Vitoriano
Fatinha Gomes
Irene
Maria


Claude Bloc
Lamento a falta de algumas grandes mulheres por não ter arquivos fotográficos, Deus as ilumine sempre, dando força, coragem e poder para nos representarem tão bem!

8 de março, dia Internacional da Mulher, centenário de Maria Bonita!

fonte:http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=620288

No Dia Internacional da Mulher, amanhã, Maria Bonita, a companheira de Lampião, faria 100 anos, caso estivesse viva

Crato. Violência, sexualidade, trabalho, política, saúde e etnia. Estes serão os eixos temáticos a serem desenvolvidos amanhã, Dia Internacional da Mulher, pelo Conselho Municipal da Mulher Cratense, dentro da “Primeira Conferência de Formação em Gênero e Feminismo”, que será realizada no Parque de Exposições do Crato. A data também marca o centenário de nascimento de Maria Bonita, a companheira de Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Lampião.

No Crato, a população feminina deverá marcar presença na programação que oferece uma passeata contra as demissões e reduções dos salários. Outro assunto a ser levantado pelo Conselho é uma campanha em favor da doação de medula. A plenária final será realizada no bar da “Casa de Artes Olhar”, na Praça da Sé, com uma atividade cultural.

Além destes temas, será prestada homenagem à cangaceira Maria Bonita, na passagem do seu centenário de nascimento. Ela nasceu no dia 8 de março de 1909. “Vamos falar da importância de uma mulher que rompeu todas as barreiras de preconceitos e entrou para a história do País”, justifica a professora Verônica Neuma Carvalho, coordenadora do movimento feminino.

Maria Bonita foi responsável por introduzir vários costumes no meio dos homens do Cangaço, já que a presença de mulheres no movimento era proibida até a entrada dela no grupo, segundo o escritor Magérbio Lucena, autor do livro “Lampião e o Estado Maior do Cangaço”. “Ela foi um dos maiores expoentes da cultura nordestina”, atesta o pesquisador.

A cangaceira está sendo também homenageada pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), no I Seminário Internacional sobre o Centenário de Maria Bonita: a rainha do cangaço, promovido pela instituição, em parceria com a Prefeitura de Paulo Afonso e a Secretaria Municipal de Turismo.

O evento termina amanhã no auditório do Departamento de Educação (DEDC), do Campus VIII da Uneb, e vai contar a história de vida de quem popularmente foi conhecida como Maria Bonita, a companheira de Lampião. Uma das atrações é a presença dos ex-cangaceiros Teófilo Pires e Aristeia Soares, além de Neli Conceição e João Souto, filhos dos cangaceiros Moreno e Durvinha.

“O seminário integra a comemoração do centenário de Maria Bonita e, para tanto, queremos estudar o papel da mulher no Cangaço, a partir do que foi a sua vida de liderança e companheirismo, ao lado do cangaceiro Lampião”, destaca Juracy Marques, coordenador da iniciativa.

Para Juracy, não por acaso, Maria Bonita nasceu no Dia Internacional da Mulher, festejado em 8 de março. “Vamos encerrar o evento comemorando o dia em que o povo sertanejo, em especial, comemora os 100 anos dela”, complementa.

Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita, foi a primeira mulher a aparecer no cenário do Cangaço, revolucionando a sua época (século XX) e introduzindo vários costumes no meio de homens guerreiros que até então não permitiam mulheres entre os seus pares. Nascida em 8 de março de 1911, em uma fazenda na Malhada da Caiçara, na Bahia, casou-se aos 15 anos com um sapateiro, com quem vivia brigando. Durante uma das separações de seu marido, Maria Bonita conheceu Lampião e apaixonou-se. O rei do Cangaço, nesta época, tinha quase 33 anos e Maria, pouco mais de 20.

Musa e rainha
Maria Bonita entrou para o bando ao final de 1930 e tornou-se musa e rainha do Cangaço, ocupando-se, entre outras coisas, de costurar a indumentária dos cangaceiros. Depois dela, os outros do grupo também trouxeram suas companheiras para fazerem parte do bando.

Em alguns momentos, a intervenção de Maria Bonita impediu vários atos de crueldade de Lampião. Os historiadores afirmam que a presença das mulheres no Cangaço humanizou uma das mais violentas fases da história nordestina, com prática, inclusive, de estupros. Maria Bonita era a musa e a rainha do Cangaço e serviu de referência para um grupo de mulheres que passaram a fazer parte do bando, modificando a forma de atuação junto aos grupos considerados inimigos. Dizem que elas participavam de todas as atividades, inclusive dos combates.

Antônio VicelmoRepórter
FIQUE POR DENTRO

Casal teve uma filha após oito anos de convivência
Virgulino Ferreira, o Lampião, arregimentou 47 homens e mulheres de várias ramificações familiares para o movimento. Maria Bonita conviveu durante oito anos com Lampião e teve uma filha, Expedita. Como seguidora do bando, Maria foi ferida apenas uma vez, em 28 de julho de 1938, na Fazenda Angicos, Estado de Sergipe, durante um ataque feito pela Polícia ao bando. Ali, morreu o casal. Eles foram brutalmente assassinados, transformando suas vidas em um marco da história nordestina. Além dela, outras mulheres também se destacaram no Cangaço: Dadá, esposa de Corisco; Lídia, mulher de Zé Baiano; e outra Maria, mulher de Pancada.

Mais informações:
Dia Internacional
da Mulher no Cariri/
Conselho Municipal da Mulher
Parque de Exposições do Crato, (88) 8819.8277/ (88) 3102.1202

SERTÃO CENTRAL

Passeata, palestra e entrega de comendas marcam data

Municípios do Sertão Central realizam programação para marcar o Dia Internacional da Mulher na região

Quixadá. “A nossa luta é todo dia! Somos mulheres e não mercadoria!”. O grito de ordem ecoou pelas ruas de Quixadá na manhã de ontem. Eram trabalhadoras rurais da região, marchando em protesto por melhorias na assistência à saúde e menos violência. Fortaleciam o movimento realizado no dia anterior, quando outras centenas de mulheres partiram do Fórum Desembargador Avelar Rocha para o Centro da Cidade, reivindicando a criação de uma delegacia e de uma vara de Justiça especializada.

Faziam questão de salientar que não eram mobilizações paralelas, mas a continuidade de ações promovidas pela cidade na “Semana da Mulher”. Lutam pelas mesmas conquistas. Tratamento digno e igualitário, sem violência e sem medo. Quer seja na segurança ou na saúde, as carências ainda são muitas. Somente com a união, mobilização de lideranças políticas e milhares de assinaturas, essas conquistas chegarão, segundo a diretora do Conselho da Mulher de Quixadá, Sheila Gonçalves, sobre a espera de mais de 15 anos pela Delegacia da Mulher no município.

Além de prefeitos e deputados do Sertão Central, representantes do Poder Judiciário e da Polícia Civil apoiam a mobilização e as reivindicações. Acreditam na sensibilização do governador Cid Gomes em relação à causa. O juiz de Direito, Flávio Marques, e o promotor de Justiça, Nelson Gesteira, informaram que mais um juiz está chegando para atender à região. Não descartaram a possibilidade da criação imediata da vara especial da mulher. Cabe apenas ao Governo do Estado a decisão pela implantação.

Fechando a semana dedicada a elas, na programação da Câmara Municipal de Quixadá estava prevista a entrega da medalha “Personalidade Política” a homenageadas. Na solenidade, mais cinco mulheres serão agraciadas com a comenda Luiza Henrique de Oliveira. A juíza de Direito, Ijosiana Cavalcante Serpa; a promotora de Justiça, Ana Karine Serra Leopércio; e a secretária municipal de Educação, Lígia Maria Saraiva Leão, receberão o título de cidadã do município.

Em Quixeramobim, o movimento iniciado ontem prossegue até a próxima quarta-feira, dia 11, com um fórum de debates no BNB Clube.

Alex PimentelColaborador

Maria Gabriela Federico – Artista, restauradora e visionária


Gabriela é uma viajante, uma cidadã do mundo, com uma sensibilidade e inquietação aflorada que descobriu há alguns anos a cidade do Crato - CE (localizada no espiritual Estado do Cariri) e um dos seus empreendimentos foi o Olhar Casa das Artes, uma espécie de casa de convivência entre público e artistas. Essa peregrina da arte é uma das principais restauradoras de peças artísticas da cidade do Crato.


Alexandre Lucas - Quem é Maria Gabriella Federico?

Maria Gabriela Federico - Sou profissional da área de restauração e gosto muito da profissão que escolhi; por isso me dedico ao trabalho com fervor e emoção. Gosto da diversidade, a humanidade me fascina. Sou uma observadora atenta a tudo e a todos, principalmente no que diz respeito à cultura e as artes. No campo das artes, gosto da pintura, da escultura, da música, do teatro, do cinema, etc. Procuro me rodear do belo no tocante a arte e da amizade no relacionamento com as pessoas. Sou caseira e muito ativa. Não consigo ficar um instante sem fazer algo, sempre procuro me ocupar: seja organizando a casa, cozinhando, restaurando, lendo, ouvindo música, etc. Esse comportamento dinâmico, meu filho, o trabalho e os amigos me dão forças para ter uma vida equilibrada e a medida do possível feliz. Sou também uma colecionadora compulsiva: gosto de sapatos – ás vezes me sinto a Imelda Marques … aquela das Philipinas (risos). Coleciono também livros, esculturas, pinturas, fotografias. Sou uma pessoa alegre e parecida com tantas outras. Como diria Rita Lee: “Uma pessoa comum, um filho de Deus… remando contra a maré” só que acreditando nas pessoas e com muita Fé !!

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Maria Gabriela Federico - Há um bom tempo. Desde minha infância na Itália. O trabalho com Restauração começou na minha adolescência.

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Maria Gabriela Federico - O meu trabalho tem influência do trabalho de meus mestres restauradores da Itália. A arte do Império Romano Antigo, do Renascimento Italiano, do Maneirismo, do Barroco e do Rococó com há qual muito convivi em Roma, também tem reflexo no meu trabalho.

Alexandre Lucas - Como você se tornou restauradora?

Maria Gabriela Federico - Quando terminei meus estudos na Academia de Artes em Roma, ainda não tinha clareza de qual profissão seguir. Minha mãe trabalhava com alta costura e tinha conhecidos no “mundo da moda italiana”, com isso comecei a fotografar na Itália para empresas particulares e para álbuns de modelos. Naquela época eu fotografava com máquinas analógicas, e o custo com películas fotográficas, viagens e estadias, me fez perceber que tinha mais despesas que lucro em essa profissão. A concorrência acirrada, também me afastou da profissão de fotógrafa. Voltei para as artes decorativas. Como já trabalhava com cerâmica, comecei a decorar peças de barro cozido, com pigmentos coloridos para forno. Também fui monitora de artes para doentes mentais em um consultório psiquiátrico e em um abrigo para crianças abandonadas.

Tempos depois conheci uma restauradora renomada em Roma que me convidou para trabalhar em seu atelier. Com quatro meses de trabalho já dirigia restaurações de afrescos em prédios históricos – responsabilidade a mim concedida por minha “Maestra”. Havia muito trabalho e ela confiava na minha aptidão ao trabalho de restauro.

Mais adiante, fiz cursos de aperfeiçoamento em escolas de artes particulares. Fiz cursos de estética e história da arte, técnicas e materiais de restauração, restauração de esculturas, restauração de afrescos, decoração em falsos mármores, aplicação de folhas de ouro e prata em objetos artísticos, técnicas de pintura, etc. Trabalhei em uma dessas escolas como restauradora exclusiva por dois anos. Em seguida abri minha própria firma de restauração em Roma.

Alexandre Lucas - A restauração possibilita para você um contato com a história dos lugares?

Maria Gabriela Federico - Sim, muito! Por exemplo, restaurei aqui no Crato, há alguns anos atrás, a imagem da padroeira da Cidade – Nossa Senhora da Penha. Símbolo maior da comunidade Católica do Crato. O Crato Nasceu de uma Missão Católica vinda de Pernambuco para se fincar num aldeamento indígena na região. Os capuchinhos que aqui chegaram trouxeram a devoção de Nossa Senhora. Portanto quando restauro um símbolo de devoção popular de longa data, entro em contato com a história do lugar.

Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória como restauradora?

Maria Gabriela Federico - Todos nascemos com uma determinada aptidão, às vezes a desenvolvemos, às vezes não. Quando pequena, eu recolhia cacos de cerâmicas quebrados de algumas coisas na cozinha, tinha seis anos e colava as partes diretinho, lembro-me que já entendia que se tivesse uma cor para complementar a pintura, a rachadura seria disfarçada, era uma brincadeira que me dava prazer. Tudo o que fiz me serviu de preparação profissional. Descobri isso, tempos depois, e por acaso.

Trabalhei com restauração (Afrescos) na Italia: Roma, Napolis, Frascati (Interior do Lazio) Milão e Torino. Outros lugares foram Barcelona, Creta e Ginevra, sempre trabalhei intensamente, até mesmo nas férias, pois não consigo ficar parada.

Aqui no Brasil cheguei no ano 1996. Mas de inicio não trabalhei com restauração, porque meu filho era muito pequeno e resolvi me dedicar a ele. Mas, depois de um tempo, abri um espaço comercial em Santa Maria no Rio Grande do Sul que era meu atelier. Os meus clientes eram antiquários e colecionadores de arte. No ano 2000 trabalhei para prefeitura do Rio de Janeiro com restauração de painéis de azulejos portugueses. Depois, fui a São Paulo, na cidade de Pindamonhangaba e finalmente em Vitória, no Espírito Santo onde fiz vários trabalhos na minha área de atuação. Voltei para o Sul e de lá vim para o Nordeste. Primeiro Fortaleza onde trabalhei para o IPHAN e depois me estabeleci aqui no Crato. Vim para o Crato para restaurar a imagem de Nossa Senhora da Penha na Igreja Matriz. Por essa terra me apaixonei e aqui estou até hoje: sempre restaurando e me aperfeiçoando nesta arte.

Alexandre Lucas - Quem mais restaura no Brasil?

Maria Gabriela Federico - Quem mais restaura são os restauradores contratados pelo governo Federal, principalmente a serviço do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. Outros que contratam serviços de restauradores são: Antiquários, Museus, Igrejas – principalmente a Igreja Católica, Institutos do Patrimônio Histórico de alguns estados da federação e alguns setores da iniciativa privada.

Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Maria Gabriela Federico - A arte está atrelada as relações humanas. Conseqüentemente é fruto dessas relações. Estas relações podem ser históricas, políticas, sociais, etc. Então, no meu entender, a arte não está desvinculada da política.

Alexandre Lucas - Quais as principais dificuldades técnicas encontradas pelo restaurador?

Maria Gabriela Federico - Algumas, principalmente a falta, aqui na região, de materiais adequados para o restauro. Grande parte do meu material de trabalho tenho que comprar em grandes centros comerciais como São Paulo. Outras dificuldades podem surgir, mas tento sempre contorná-las usando minha criatividade. No meu trabalho tento me espelhar nas regras impostas pelo IPHAN de acordo com normas internacional com a utilização de materiais reversíveis nas restaurações: colas animais, pigmentos naturais de qualidade superior, resinas de fácil remoção.

Alexandre Lucas - Quais seus próximos trabalhos?

Maria Gabriela Federico - Espero contribuir com a preservação do patrimônio artístico do Cariri. Desejo restaurar sempre com qualidade e dedicação.

quinta-feira, 3 de março de 2011

APELO:ASSOCIAÇÃO DOS FILHOS E AMIGOS DO CRATO

A AFAC-ASSOCIAÇÃO DOS FILHOS E AMIGOS DO CRATO solidaria à situação de varias famílias cratenses que perderam seus pertences na ultima enchente, vem apelar para a solidariedade dos cratenses residentes em Fortaleza, e solicita a doação de lençóis, toalhas e roupas usadas, alimentos não perecíveis e/ou cestas básicas.

As doações poderão ser entregues nos endereços abaixo:

AUDITECE Associação dos Auditores Fiscais do Tesouro do Estado do Ceará
Rua Frei Mansueto Nº 106 (entre a Av. Abolição e Av. Beira Mar)
Bairro Meireles
Fortaleza – CEARÁ

CASA DO LEÃO - Lyons Clube de Fortaleza
Rua João Cordeiro 2181 (entre as ruas Padre Valdevino e Av. Antônio Sales)
Bairro Aldeota
Fortaleza – CEARÁ

As doações serão enviadas para o CORPO DE BOMBEIROS EM CRATO-CE para distribuição entre famílias cadastradas pela Defesa Civil do Município.

CONTATOS DA AFAC:

Wilton Soares: (85) 9613-3936
Graça Barreto: (85) 9959-5242
Amarillo Santana: (85) 9621-6702
Luis Santos: (85) 9621-7016
Pedro Jorge: (85) 8785-6582
Cicera Policarpo: (85) 3246.3662


A AFAC AGRADECE A AJUDA DE TODOS

REPASSE ESSA INFORMAÇÃO PARA OS SEUS AMIGOS

Teu cheiro de jasmim


O dia anoitece
A chuva no meio do caminho
Nossas almas lavadas
Nossas bocas grudadas
Nossos suspiros musicados
A chuva paira,
Acordo e você jaz
Do meio do caminho
O sol acordou apaixonado
Quentinho
E eu fui seguindo
Com o sonho da madrugada
Terra molhada
E os céus endiabrados
E com cheirinho de jasmim.

Alexandre Lucas
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