domingo, 8 de agosto de 2010

Ao boêmio: Por, Janinha!



Saudade, a que não se explica, não tivemos história juntos, não acordei com seu bom dia
Não me acompanhaste nas lições da escola e nem da vida
Mas essa saudade vem do que não se viveu
De te identificar em mim, de ter teus mesmos gostos, traços da tua face
cor, projetos, humor, ser reconhecida como tua filha e ter dia-a-dia que conviver com  a sombra
o peso e a leveza de tua presença
Reúno memórias das pessoas que conviveram contigo
Te construo na imaginação
Ah, o boêmio, o bom, cantor, humilde, inteligente, violonista, poeta...
Lembro de certa carta escrita por ti em que falava de como te lembrariam quando já não estivesse aqui
Usava um tom irônico
e entre as palavras mencionava
"como ele era inteligente, como ele era inteligente..."
Dizendo com isso que tua inteligência não o tornou sábio e desperdiçaste tua vida indo embora com apenas 40 anos...
nessa carta de despedida citou também:
"Fiz as pazes com a minha própria consciência"
Ando copiando teus passos...
a tua herança é a música em minha vida
A arte, a sensibilidade, a ironia, o destemor...
Estranho amar quem não se conhece...
Praticar o exercício do perdão à quem foi embora a tanto tempo
sorrir por lembrar que houve festa e serenata ao som do maestro Azul na tua despedida...
Carregar a responsabilidade de ser filha de José Humberto Bezerra, o boêmio...simples assim
E tão intenso pra mim...
Saudade meu Pai...
Obrigada pela música que deixaste de herança no meu sangue!

Janinha Bezerrra!

* Só me resta o consolo e a alegria, de saber que depois da boemia, é de mim que você gosta mais!

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