quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Confederação dos Cariris (Guerra dos Bárbaros)*

* Bárbaros - índios não Tupis, ou nativos que não falavam tupi-guarani - os índios de língua travada Entenda-se por Cariris os Tapuias em geral. Pelo exposto, já é possível concluir que o mundo indígena findou-se com o avanço das fazendas de gado do branco colonizador (que assassinava os gentios, violentava-o sexualmente, usurpava as terras deste) e com a própria ação dos missionários católicos, os quais, na pretensão de catequizar o nativo, acabaram por destruir-lhe a cultura e o modo de viver.

Os índios, todavia, jamais aceitaram passivamente a dominação do homem branco, reagindo de modo heróico contra as circunstâncias. Tal reação veio de diversas maneiras, como escapando dos aldeamentos, fugindo do cativeiro e armando-se para lutar abertamente contra o invasor, atacando-lhes as vilas e as fazendas, trucidando-o. O europeu, em contrapartida, fazia a "guerra justa", enchendo os sertões de sangue e cadáveres.

Um dos grandes exemplos da resistência indígena no Brasil deu-se com a chamada "Guerra dos Bárbaros" ou "Confederação dos Cariris", que durou cerca de 30 anos (1683 - 1713), na qual nativos do Rio Grande do Norte e principalmente do Ceará, e alguns de Pernambuco, Piauí e Parnaíba se uniram em uma confederação para enfrentar o conquistador branco.

Os cariris ocupavam a vastíssima região compreendida entre a margem esquerda do Rio São Francisco e as quebradas das serras do Araripe e da Ibiapaba. Habitavam o sertão mas, ao longo dos rios e de suas cabeceiras, estendiam-se até as proximidades da costa ou para lá se dirigiam de outubro a novembro, para a colheita do caju, que usavam como alimento e na fabricação do vinho denominado mocororó.

Em face da gravidade da situação, dos pedidos de socorro que lhe chegavam das zonas conflagradas, não dispondo de forças suficientes para reprimir a revolta, frei Manuel da Ressurreição, então no governo-geral do Brasil, decidiu requisitar bandeirantes de São Paulo e de São Vicente, para acabar com a anarquia.

A presença dos paulistas não evitou que a guerra entre os brancos e os silvícolas confederados se dilatasse anos seguidos das fronteiras do Rio Grande do Norte ao interior do Ceará. Os Baiacus foram os mais terríveis e constantes inimigos dos colonizadores na zona do baixo Jaguaribe.

No ano de 1713 a Confederação mostrou-se ainda viva na revolta geral desencadeada pelos Baiacus, Anacés, Jaguaribaras, Acriús, Canindés e Jenipapos, que forçaram os Tremembés a segui-los.

A vila do Aquiraz, então sede da Capitania, foi inopinadamente atacada. Na sua defesa morreram 200 pessoas. O resto da população fugiu, defendendo-se como pode pelo caminho, que se semeou de mortos, indo acolher-se à proteção dos canhões da fortaleza de Nossa Senhora da Assunção na foz do Pajeú.

Entrou então em ação o famoso regimento de ordenanças do coronel João de Barros Braga. Essa cavalaria, vestida de couro como os vaqueiros e composta de homens conhecedores do terreno em que pisavam, bem como do modo de guerrear dos indígenas, exterminou-se em violentíssima guerra de morte, que subiu pelo vale do Jaguaribe ao do Cariri e aos confins piauienses.

Assim, acabou melancolicamente a terrível Confederação dos Cariris que durante 30 anos trouxe em sobressalto as gentes que iam povoando e civilizando as terras do Rio Grande do Norte e do Ceará.

FONTE:http://br.oocities.com/helderx/indios.htm

2 comentários:

  1. Fico com meu coração apertado,quando leio sobre a extinção dos nossos ancestrais os verdadeiros dono desse chão.Gostaria que tudo fosse diferente,em fim como ser humano tento fazer o melhor dentro do meu convivio social.

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  2. A história do indígena sempre foi muito mal contada. Os índios ferozes foram exterminados, os mais solícitos foram incorporados (mesmo escravizados, ou não) aos brancos pobres. As índias, com suprema inteligência, sempre se juntaram ao "mais forte", os brancos, e o sangue indígena está presente em 90% das pessoas do Brasil. Quase todos os brasileiros têm uma "pitada" dos indígenas. Daí o "gosto de viver", a "alegria pela vida", a "tristeza momentânea", "o nordestino taciturno sertanejo", etc. Houve extermínios vergonhosos, sim, mas bem menos do que em outros países (Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, França, México, Peru, etc.). A colonização do Brasil foi uma das mais pacíficas da História da Humanidade. Por isso continua protelando o "desenvolvimento" do povo pobre, concentrando a riqueza nas mãos de políticos e dos que sabem enganar as pessoas simples. A esperança de melhora existe, mas não com esses governos que têm se sucedido no Brasil, roubando 53% do PIB para seus "cumpadres"....

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