terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A rapadura é nossa! Por: Mariana Buck


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A rapadura é nossa!

fonte:http://leituragastronomica.wordpress.com/category/1/page/4/
Mariana Buck
A cana-de-açúcar, é uma gramínea proveniente do sudeste asiático. Os indianos há cerca de 3 mil anos atrás descobriram que o xarope extraído da cana (moída), quando  fervido dava origem ao açúcar mascavo.

No século XVI chegaram ao Brasil os portugueses e junto com eles, a cana-de-açúcar. Neste período, nasceram os engenhos para produção de açucar, uma especiaria muito valorizada na época.

A cana era colhida e processada, a partir daí seu suco (garapa) era extraído e passava for um processo de fervura que fazia com que o açúcar, natural da cana, se cristalizasse. A camada superior, mais clara, era retirada para comercialização e consumo dos Senhores de Engenho. A camada inferior, que passava alguns dias a mais Depurando, era raspada e  consumida, em lascas,  pelos escravos. O nome rapadura é proveniente desta forma de consumo. Seu preparo em forma de tabletes, é elaborado apenas alguns séculos mais tarde, por volta do século XVII, com o objetivo de facilitar o transporte e aumentar seu tempo de durabilidade.
Alimento rico nutricionalmente, a rapadura é dez vezes mais rica em sais minerais  do que o açúcar branco. Além disso, é rica em carboidratos, como sacarose, glicose e frutose, sendo caracterizada como ótima fonte de energia. Tem mais, a rapadura ainda é rica em vitaminas, como B1, B2, B5, B6 , C , D2, E e PP. 
Atualmente, o sitema de produção da rapadura é de baixo custo, é vinculado à propriedades familiares – na maioria das vezes. Isso torna difícil uma padronização da produção. A região nordeste do país, é responsável por 67% da produção nacional, sendo o Ceará  seu principal produtor.
Mas a rapadura, não é produzida somente em território brasileiro. Mais de 30 Países estão nesta lista, e quem lidera é um a Índia, responsável por 67% desta produção. O Brasil está em sétimo nesta lista, com uma produção de 80 mil toneladas por ano e consumo de 1,4 quilos por habitante, anulamente.
Aproveitando o espaço aberto pelo post anterior de Bianka Saccoman, Patrimônio gastronômico cultural, é impossível deixar de falar sobre a empresa alemã Rapunzel Naturkost, que em 1989, patenteou a Rapadura – exigindo royalties a quem desejasse comercializar o doce.
A descoberta deste registro, veio à tona apenas em 2006. E causou indignação, na época pedidos de anulação da patente foram enviados ao Itamaraty, Ministério Público Federal e à embaixada da Alemanha. A Ordem dos Advogados do Brasil ( OAB), tomou as dores do produtores brasileiros e resolveu processar a empresa, por violação do Tratado de Paris – que não permite aos países signatários patentear algo que seja patrimônio de um país. Portanto, se uniram ao clamor nordestino “a rapadura é nossa”. Após longas negociações, a empresa alemã renunciou o registro.
A rapadura deveria ser proclamada, assim como o acarajé, patrimônio imaterial da nação, para que os brasileiros possam preservar seu patrimônio cultural. Para os interessados, a rapadura possui até um museu. Faz parte da Universidade Federal da Paraíba no Centro de Ciências Agrárias Campus III , é o Museu da Rapadura. Instalado em 1978 ( em um antigo Engenho), composto por dois prédios, este museu guarda a história sócio-cultural do ciclo da cana de açúcar na região.

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