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terça-feira, 20 de abril de 2010

Dia Nacional do Índio


Ministro Juca Ferreira integra comitiva presidencial em visita à Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima

Como parte das celebrações ao Dia do Índio, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, fez uma visita à Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, nesta segunda-feira, 19 de abril. A comitiva presidencial, que foi integrada pelo ministro da Cultura, Juca Ferreira, esteve na Comunidade de Maturuca, onde um grupo de lideranças indígenas de diferentes etnias se reuniu para recepcionar as autoridades.
O presidente Lula destacou, em seu pronunciamento durante a cerimônia, que a luta dos índios por terra nunca reivindicou nada que não fosse realmente deles. “Nós não conhecemos, na história, nenhum momento em que uma nação indígena invadiu a terra de outro para tomar conta. Pelo contrário, o que acontece, normalmente, são os outros invadirem as terras indígenas, tentando se apossar de uma terra que não é deles.”
Ainda quanto à homologação definitiva da demarcação contínua das terras da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, Lula também ressaltou que a área não poderia ser dividida em ilhas: “Ela é a grande terra-mãe de todos os povos que aqui vivem desde o início dos tempos, os netos de Makunaimî.”

Valorização das Culturas Indígenas
Por meio de ações da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, o Ministério da Cultura tem atuado junto aos povos indígenas e, no âmbito do Programa Mais Cultura, que integra a Agenda Social do Governo Federal, apoiou a criação de 30 Pontos de Cultura Indígenas (PCIs). Até o final deste ano, a previsão é de implantar mais 165 espaços, com investimentos de R$ 27 milhões.
As comunidades indígenas já contempladas com a instalação de PCIs receberam kit multimídia, capacitação em cultura digital e produção audiovisual para viabilizar o desenvolvimento de conteúdos audiovisuais, rádios comunitárias, projetos de valorização das culturas e preservação da língua, além de acesso à Internet. Leia mais: Pontos de Cultura Indígena marcam presença na TEIA 2010 e elaboram propostas e Representantes do MinC reúnem-se com lideranças indígenas na Raposa Serra do Sol.
Apoio à Demarcação
Em 2008 e 2009, o ministro Juca Ferreira e outros dirigentes do MinC acompanharam de perto o julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre a demarcação contínua das terras da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol. O tema, relevante para a identidade e diversidade cultural brasileira, trata do direito dos índios de viverem nas terras que tradicionalmente ocupam e que estão relacionadas às suas próprias culturas.
“Quem conhece a questão indígena no Brasil sabe que o rompimento da integridade territorial implica a morte do modo de vida e, portanto, da cultura e do modo de ser do índio”, afirmou o ministro Juca Ferreira em um dos artigos no qual defendia a demarcação das terras da reserva. Leia mais: Terra, Território e Diversidade Cultural e Aos Ministros do STF.

sábado, 30 de janeiro de 2010

OS CARIRIS

(Da esquerda para a direita: Dona Tereza Kariri, Bida Jenipapo-Kanindé, Cacique Pequena Jenipapo-Kanindé, Fernando Tremembé e Jamille Kariri. Participantes do II Encontro do Povo Kariri, realizado em Crateús - Ceará, em junho de 2007).

Cariri é a designação da principal família de línguas indígenas do sertão do Nordeste, bem como vários grupos locais ou etnias foram ou são referidos como pertencentes ou relacionados a ela.

Apesar de comprovadamente presente em todo o semi-árido nordestino, apenas quatro das línguas cariri chegaram a ser minimamente descritas, todas elas da região ao sul do São Francisco: o Dzubukuá, falado por grupos no arco do submédio São Francisco (entre o que é hoje Petrolina e Paulo Afonso); o kipea, falado por índios que se tornaram conhecidos como quiriri (ou Kiriri) principalmente na bacia do Itapicuru, Bahia; e o camuru (ou cariri) e o sapuiá, de duas aldeias próximas na região de Pedra Branca (bacia do Paraguaçu), também na Bahia.

Atualmente a comunidade indígena cariri no município de Crateús possui 116 pessoas. (FONTE: WIKIPÉDIA)

O Crato é uma cidade pacata situada na região do Cariri, mais precisamente ao sul do Ceará, ao sopé da Serra do Araripe. Berço da tribo Cariri, índios que habitaram a localidade durante muito tempo. Esta é basicamente a informação que a maioria das pessoas tem a respeito da história do município. Porém, iremos mostrar mais detalhadamente os fatos que marcaram época e os cidadãos ilustres que dedicaram sua vida ao bem estar da comunidade cratense e ao desenvolvimento do seu povo. Buscando conhecer um pouco mais acerca de nossas raízes nos surpreendemos com a beleza e a riqueza dos acontecimentos. Expomos aqui um resumo que pode ser de muita ajuda para aqueles que por ventura possam se interessar pelo assunto.

A região era uma aldeia habitada pelos índios Cariris, um povo pacato, característica que os batizou com esse nome porque no falar de Porto Seguro, Kiriri significa: Calado, tristonho, sincero.

A tribo subdividia-se em grupos de diversas denominações, de acordo com os dialetos falados: Quixeréus, Curianêses, Calabaças, Cariús, Tremembés, Pacajus, Icós, Cariris, Carirés, Jucás, Jenipapos, Jandaias, Sucurus, Garanhuns, Chocos, Fulniês, Acenas e Romaria. Qualquer índio da região era conhecido como Cariús, por ser a maior tribo existente na época.

Os índios Cariris eram originários da Ásia e chegaram ao novo mundo pelos rios Amazonas e Tocantins. Dois tipos étnicos chegaram à América no período neolítico: os Sudésticos e os Brasilídios, a procura de um lugar que lhes dessem melhores condições de vida. Os Brasilídios geraram 12 tribos que se espalharam e povoaram quase que completamente o continente sulamericano. Uma dessas tribos foi a nação Cariri que chegou ao sul do Ceará nos séculos IX e X da era Cristã em busca de terras férteis, úmidas, quentes e de fácil plantio, de onde pudesse retirar o sustento da família e conseqüentemente melhor qualidade de vida. Encontraram no Cariri, mais precisamente onde hoje é o Crato, o ambiente propício às suas aspirações; com suas fontes e riquezas naturais a região propiciou-lhes uma vida fácil e primitiva, retirando da natureza, em abundância, uma diversidade de alimentos como macaúba, babaçu, pequi e araçá, dentre outros. Dedicaram-se ainda ao plantio da mandioca, do milho e do algodão. A caça e a pesca, farta nas matas e rios, faziam do ambiente um verdadeiro paraíso tropical onde suas famílias puderam viver em paz durante muito tempo.

A vida na tribo era tranqüila. Suas residências eram construídas com palha de palmeiras locais. Usavam utensílios feitos de forma artesanal como cabaças, cuias e coités. Fabricavam seus utensílios domésticos. Dentre eles destacamos o pilão de socar, a arupemba, o abano, esteiras de palha de palmeira e artigos feitos em cerâmica como vasos, pratos e panelas onde podiam fazer seus cozidos provenientes da farinha de mandioca, (produzida em estilo rudimentar, em casas de farinhas primitivas). e do milho. O bejú, a tapioca, a puba, a canjica, o cuscuz e muitas outras receitas nutritivas vieram dos nossos antepassados indígenas. A maioria destes costumes, comidas e ambientes foram e são utilizados pelas comunidades, até mesmo nos nossos dias.

Nos séculos XVII e XVIII, na Serra do Araripe, os índios cariris foram descobertos pelos povoadores do ´Ciclo do Couro` de Sergipe, Pernambuco e possivelmente da Casa da Torre, da Bahia. Missões Indígenas espalhadas pelos Sertões Pernambucanos catequizaram e civilizaram a tribo Cariri. Documentos antigos relatam a presença dos missionários na região a partir de 1730. È aí que se inicia a história do Crato.
TEXTO: Evandro Rodrigues de Deus

ADENDO: Nunca é demais lembrarmos do massacre genocida representado pela colonização européia para os povos nativos do que hoje chamamos América, sendo a catequese fator decisivo no processo de exterminio físico e cultural daqueles seres humanos.

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