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sábado, 19 de março de 2011
quarta-feira, 16 de março de 2011
Cleivan Paiva
"Cleivan Paiva é de Simões, Piauí. Cearense por destino. Em sua primeira arribada pousou, de viola em punho, no Cariri cearense. Em Crato, início dos anos setenta, uniu-se a poetas do Grupo de Artes Por Exemplo-principalmente ao poeta Rosemberg Cariry. Nasceram as primeiras parcerias e vieram os tempos dos "Ases do Ritmo", grupo local de bailes, e as apresentações, como compositor, no movimento artístico da região. No violão e na guitarra, Cleivan tecia o fio de sua trajetória musical. Tudo lá, registrado no seu fraseado: do toque seresteiro-herança paterna- à batida de bossa nova; do ponteio da viola de feira àquela escala ao modo de um velho blue; beatlemania, bandas cabaçais, jovem-guarda, rodas de maneiro-pau e tropicália; balacubaco geral que o artista mais atento e inquieto incorpora sem copiar e devolve sob a forma de composições de extrema originalidade. Tudo, enfim, sem render-se aos modismos das chamadas "indústrias de cultura". "Guerra e Paz" é isto aí: uma mostra da materialização dessa longa trajetória sonora, vivenciada na geografia de díspares regiões. Nos anos 70, Cleivan formou, ao lado de Bá Freire, Isânio Santos, Audizio (Tapioca) e Bill Soares (ex- Papa Poluição) - o Ave de Arribação. O grupo arribou mesmo e, fatalmente, atuou em São Paulo; shows no metrô, nas praças e nos teatros da periferia. Quando desfeito, seus integrantes buscaram outros rumos musicais. Cleivan fez (faz) de tudo no ramo; desde gravações, como acompanhante em estúdios, até apresentações em casas noturnas. Também atuou em festivais: na Tupi classificou "Perímetro Urbano" (Nota: Na ocasião defendida por Marku Ribas) , incluída nesse disco (nele rende tributo a Victor Assis Brasil, tocando-a com arranjo do genial saxofonista). Antes disso, participou do Festival Universitário de SãoPaulo, com trabalhos de parceria com Rosemberg Cariry e Ivan Alencar. Conhecíamos Cleivan através de inúmeras fitas que caíam em nossas mãos, neste circuito ultramarginal, revelador das mais ricas reservas musicais que não estão no mercado. Mas, por aí a obra fica escondida e só os mais chegados tem o privilégio de ouvi-la. É necessário, então, romper o cerco imposto pela indústria fonográfica multinacional, aliada a certos impérios da comunicação vendidos aos seus interesses. E pinta o inevitável disco independente ou alternativo. Guerra e Paz é mais um nesta desigual batalha contra os "gigantes" que anunciam um certo "marasmo cultural"no atual momento brasileiro e tiram do colete rendosos modismos musicais que vem "salvar"o país desta suposta indigência criativa . Toda esta farsa se passa na terra de Vandré, Hermeto, Elomar, Cego Oliveira e Chico Maranhão; isto sem falar em tantos outros músicos e compositores de extraordinário talento que só tem suas canções registradas nos cassetes da vida. São os passageiros daquele trem que avança, conforme escreveu Marcus Venícius, "sem chegar a nenhuma estação/de rádio/sem fazer nenhuma parada/de sucesso!" Até quando permanecerá este boicote contra a mais legítima música popular brasileira ? Sabemos apenas que é preciso teimar na resistência, na lutra contra este imperialismo cultural."
Texto de Firmino Holanda escrito em 1984. Atualmente Cleivan Paiva mora no Crato, CE.
FESTA DA MENTIRA - no Pink Floyd Bar

Comemorar o dia da mentira? Normalmente esse dia é comemorado enviando-se alguma mentira para alguém. São brincadeiras feitas para se rir depois do efeito da mentira. As brincadeiras, algumas delas às vezes bastante pesadas, fazem alguém que a recebeu ficar com cara de bobo. No entanto vimos que a data está um pouco esquecida, ou "não se fazem mais Dia da Mentira como antigamente!". Pensando nisso, a Sertão Pop Produções resolveu reavivar a data, mas de uma forma diferente. Não mais com "mentiras verdadeiras" ou chacotas, mas sim com muita diversão e alegria.
Para isso programou a "FESTA DA MENTIRA", numa alusão à data. Cotratou as duas melhores bandas de rock, pop e blues do Cariri cearense, e utilizou o material gráfico para brincar de mentirinha. No cartaz diz que a festa será aberta pelo saudoso Chacrinha, e que bandas como Pink Floyd, Led Zeppelin, Beatles, etc, e artistas como Michael Jackson, Tim Maia, Cássia Eller e outros, estarão presentes na festa. As bandas que farão o som da festa são NIGHTLIFE E LOS THE OS, porém no cartaz diz que elas não estarão na festa. Tudo mentira, é claro. A única verdade é que o som vai rolar e será uma noite muita divertida. Outro detalhe do cartaz da festa é a presença do personagem "Pinóquio", personagem infantil de Walt Disney que dá ênfase à brincadeira.
terça-feira, 15 de março de 2011
TEATRO PARA CRIANÇAS EM CRATO
RELEASE:
Uma adaptação da famosa história do boi mansinho, acontecida na região do Cariri que envolveu Padre Cícero e o Beato José Lourenço. A peça narra a história de um boi zebu encantado pela Bruxa Valquíria Valdete e ofertado ao Mago Carequinha que, por sua vez, doou o bovino ao líder Lorenzo, fundador da Comunidade Baixa Verde. Fábula com todos os ingredientes dos clássicos infantis: princesa e príncipe encantado, bruxa, reinado, magias. 60 min.
SINOPSE:
“O Mistério do Boi Mansinho” é uma criação coletiva, inspirada nos clássicos infantis e conta um acontecimento verídico passado no ano de 1922, entre Juazeiro do Norte e o Sítio Baixa Dantas no Crato. Um boi zebu foi presenteado ao Padre Cícero que, por sua vez, doou o bovino ao Beato José Lourenço, fundador da Comunidade Caldeirão. Esta história do Boi Mansinho ficou conhecida depois do povoado acreditar que ele era santo.
A comunidade Oitão transcreve para a cena teatral essa memória da cultura caririrense, tendo os Contos de Fadas como referência para a contextualização do fato histórico em uma fábula que contenha os ingredientes dos clássicos infantis: princesa e príncipe encantado, bruxa, reis e reinados, magia, etc.
ATUAÇÃO:
Alan Oliveira - Mago Carequinha
João Heriberto - Príncipe
Edimilson Soares - Bruxa Valquíria Valdete
Leka Lourenço - Dona Glória
Jaqueline Dantas - Sr. Lorenzo
Suzana Carneiro - Aninha
Wagner - Boi Mansinho
FICHA TÉCNICA:
Direção e Técnico de Som - Mauro César
Dramaturgia, Adereços, Cenário, Figurinos, Iluminação, Maquiagem, Música de Cena e Produção - Comunidade Oitão
REALIZAÇÃO:
Movimento Guerrilha do Ato Dramático Caririense
Sociedade Cariri das Artes
Sociedade de Cultura Artística do Crato
APOIO:
Prefeitura Municipal do Crato
Secretaria de Cultura do Município do Crato
Jovens Representam Brasil na Espanha
Os alunos Robério, Fábio, Isis e Francisco dos Santos, com o professor Fábio Rodrigues, vão representar o Ceará em exposição contemporânea de artes visuais na Espanha
FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS
FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS
15/3/2011
Alunos dos Curso de Artes Visuais da Urca vão articipar de uma exposição na Espanha com "Fertividade"Juazeiro do Norte. Com uma ideia na cabeça, a produção do curta "Fertividade" fez um grupo de quatro alunos do Curso de Artes Visuais da Escola de Artes Violeta Arraes Gervaiseau, da Universidade Regional do Cariri (Urca), estar entre os 32 países participantes de uma exposição, que irá percorrer em várias localidades da Espanha. Eles estão entre os selecionados no Prêmio de Arte Digital - Digital Art Awards Lúmen Ex 2011, da Universidade de Extremadura, da localidade de Badajoz.
A exposição será aberta no próximo dia 24 de março, no Museu Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporânea (Meiac) e os estudantes estão otimistas como a participação. A turma buscará apoio para a viagem junto à Secretaria da Cultura do Estado (Secult). Esta será a única representação brasileira no evento. A comunicação veio no dia 8 de março, após o processo de inscrição por meio de edital, no mês de janeiro deste ano. A seleção está entre 180 trabalhos enviados de diversos países.
"Foi uma grande surpresa para nós e é uma grande oportunidade estarmos lá representando o Estado", diz o estudante do quarto semestre do curso de Artes Visuais, Carlos Robério. Ele afirma que o curta de 2 minutos e 50 segundos foi desenvolvido numa atividade normal.
O vídeo expõe uma ideia simples, mas dentro de um contexto que envolve a fertilidade humana e do mundo, começando pela imagem simbólica de uma fecundação. "Tivemos a preocupação em simbolizar a linguagem e não fazer do contexto de entendimento algo simplório", diz Robério.
Desmistificar
O estudante Francisco dos Santos ressalta o jogo de imagens bidimensionais e tridimensionais contidos no curta. Para ele, a inserção dos símbolos sexuais é também forma de desmistificar. "Tivemos uma preocupação estética com o trabalho para não banalizar".
Segundo o diretor da Escola de Artes, o objetivo da exposição é consolidar um acervo de arte contemporânea, com apoio em várias linguagens artísticas. "Será uma oportunidade de os alunos manterem esse intercâmbio e isso dá um diferencial no trabalho que vem sendo desenvolvido e do potencial criativo desses artistas". O trabalho conta com a produção, além de Robério e Francisco dos Santos, de Isís Xenofonte.
MAIS INFORMAÇÕES
Escola de Artes Violeta Arraes Gervaiseau. Avenida Castelo Branco, 150, Bairro Pirajá, Juazeiro do Norte
Telefone: (88) 3571.2151
ELIZÂNGELA SANTOS REPÓRTER
fonte:http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=947414
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PROGRAMA CARIRI ENCANTADO – SONORIDADES (16/03/2011)
Interessante, Forte! Fatinha*
Imperdível! Janinha*
Foto capturada do blogue Cultura do Cariri
Manel D’Jardim, de acordo com o ponto de vista, pode ser definido como um músico endiabrado ou um músico divino; ou, talvez, a melhor definição possa ser as duas conjugadamente: um músico divinamente endiabrado. Afinal, bem e mal são faces de uma mesma moeda.
O escritor José Flávio vieira, foi por demais feliz e preciso ao falar sobre o talento e a personalidade sempre controversa de Manel D’Jardim:
“Se existem almas penadas, um poeta nosso definiu, com a genialidade única dos poetas, Manel D’Jardim é uma alma empenada. Com a mesma maestria com que empena aquela tradicional maneira de pensar e sentir a natureza, nosso artista empena o som, empena os costumes e as etiquetas, empena aquela embolorada maneira de arpejar o violão. Extremamente lúcido na sua loucura, Manel mostra a todos que a beleza e a verdade se escondem na dissonância da vida e que para transformar o planeta é preciso abrir novas sonoridades, criar novas veredas, transvê e desformar a harmonia imutável deste mundo. Seu violão derrama as pétalas das flores do jardim que floresce no seu sobrenome e na sua alma. Úmido de irreverência, prenhe de rebeldia, seu som mais desperta e fustiga que tranquiliza. É como se ensinasse a todos que a reta certamente não é o menor caminho entre dois pontos e que é preciso provar da fruta doce do bem e do mal. (...) Empenem e empinem as asas da imaginação e curtam a música sacrossantamente profana desta alma empenada”.
O programa Cariri Encantado Sonoridades vai, portanto, empenar os ouvidos, avisados ou desavisados, com a sonoridade de Manel D’Jardim & Convidados.
REPERTÓRIO MUSICAL
1. Paula e Bebeto (Caetano Veloso e Milton Nascimento)
2. Maninha (Abidoral Jamacaru e Cláudia Rejane)
Participação: João do Crato e Abidoral Jamacaru
3. Na baixa do Sapateiro (Ari Barroso)
4. Leia na Minha Camisa (Luiz Carlos Salatiel e Geraldo Urano)
Participação: Luiz Carlos Salatiel
5. Something (George Harrison)
Participação: Hélio Ferraz
6. É (Gonzaga Júnior)
Participação: Demontier Dellamone
7. Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro)
8. O Poeta (Abidoral Jamacaru e Xyco Chaves)
Participação: Abidoral Jamacaru
9. Me Deixa em Paz (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro).
Participação: Leninha Linard
10. Punk da Periferia/Rock do Segurança (Gilberto Gil)
Participação: João do Crato
11. Nossa Canção (Luiz Ayrão)
Participação: Luiz Carlos Salatiel
12. Bye Bye Brasil (Chico Buarque de Hollanda)
Participação: Zé Nilton
13. O Xote das Meninas (Luiz Gonzaga e Zé Dantas)
14. Quem Fez o Mar Sofrer (Abidoral Jamacaru)
Participação: João do Crato
15. Semente do Amor (Mu e Moraes Moreira)
Participação: Rinaldo
FICHA TÉCNICA
O programa Cariri Encantado Sonoridades é produzido pelas Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados – OCA, e transmitido todas as quartas-feiras, das 14 às 15 horas pelas ondas sonoras da Rádio Educadora do Cariri AM 1020.
Seleção musical e redação de Carlos Rafael Dias.
Apresentação de Luiz Carlos Salatiel.
Operação de áudio de Iderval Silva.
Fonte: www.blogdocrato.com
Carlos Rafael
Cego Aderaldo, quem é?
Aderaldo Ferreira de Araújo, o Cego Aderaldo, nasceu no dia 24 de junho de 1878 na cidade do Crato — CE. Logo após seu nascimento mudou-se para Quixadá, no mesmo estado. Aos cinco anos começou a trabalhar, pois seu pai adoeceu e não conseguia sustentar a família. Tomou conta dos pais sozinho. Quinze dias depois que seu pai morreu (25 de março de 1896), quando tinha 18 anos e trabalhava como maquinista na Estrada de Ferro de Baturité, sua visão se foi depois de uma forte dor nos olhos. Pobre, cego e com poucos a quem recorrer, teve um sonho em verso certa vez, ocasião em que descobriu seu dom para cantar e improvisar. Ganhou uma viola a qual aprendeu a tocar. Mais tarde começou a tocar rabeca. Algum tempo depois, quando tudo parecia estar voltando à estabilidade, sua mãe morre. Sozinho começou a andar pelo sertão cantando e recebendo por isso. Percorreu todo o Ceará, partes do Piauí e Pernambuco. Com o tempo sua fama foi aumentando. Em 1914 se deu a famosa peleja com Zé Pretinho (maior cantador do Piauí). Depois disso voltou para Quixadá mas, com a seca de 1915, resolveu tentar a vida no Pará. Voltou para Quixadá por volta de 1920 e só saiu dali em 1923, quando resolveu conhecer o Padre Cícero. Rumou para Juazeiro onde o próprio Padre Cícero veio receber o trovador que já tinha fama. Algum tempo depois foi a vez de cantar para Lampião, que satisfez seu pedido — feito em versos — de ter um revólver do cangaceiro. Tentando mudar o estilo de vida de cantador, em 1931, comprou um gramofone e alguns discos que usava para divertir o povo do sertão apresentando aquilo que ainda era novidade mesmo na capital. Conseguiu o que queria, mas o povo ainda o queria escutar. Logo depois, em 1933, teve a idéia de apresentar vídeos. Que também deu certo, mas não o realizava tanto. Resolveu se estabelecer em Fortaleza em 1942, onde veio a abrir uma bodega na Rua da Bomba, No. 2. Infelizmente o seu traquejo de trovador não servia para o comércio e depois de algum tempo fechou a bodega com um prejuízo considerável. Desde 1945, então com 67 anos, Cego Aderaldo parou de aceitar desafios. Mas também, já tinha rodado o sertão inúmeras vezes, conseguira ser reconhecido em todo lugar, cantara pra muitas pessoas, inclusive muitas importantes, tivera pelejas com os maiores cantadores. E, na medida em que a serenidade, que só o tempo trás ao homem, começou a dificultar as disputas de peleja, ele resolveu passar a cantar apenas para entreter a alma. Cego Aderaldo nunca se casou e diz nunca ter tido vontade, mas costumava ter uma vida de chefe de família pois criou 24 meninos. Texto extraído do livro "Eu sou o Cego Aderaldo", prefácio de Rachel de Queiroz, Maltese Editora — São Paulo, 1994.
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