quinta-feira, 8 de julho de 2010


O cordel como gênero épico: a constituição do herói popular


(*) Tânia Maria de Sousa Cardoso


O grande número de títulos de cordel referentes a Lampião não deixam margem de dúvida em relação ao verdadeiro fascínio que os feitos, verdadeiros ou fictícios, do “rei do cangaço” exercem sobre os cordelistas e, por conseguinte, para os leitores do cordel. Entre esses muitos títulos, citamos alguns exemplos. Visita de Lampião a Juazeiro (de José Bernardo da Silva), O Grande debate que Lampião teve com São Pedro (de José Pacheco da Rocha), Lampião e Maria Bonita no Paraíso do Éden, tentados por Satanás (de João de Barros), Lampião na Bahia (de José Bernardo da Silva), João Peitudo, o filho de Lampião e Maria Bonita (de José Soares), ABC de Lampião, Maria Bonita e seus cangaceiros (de Rodolfo Coelho), Conselhos do Padre Cícero a Lampião (de Francisco das Chagas Batista), etc.

Considerando que a maioria dessas obras de cordel, ainda quando se propõem a descrever os atos violentos de Lampião, terminam contribuindo para a afirmação de valores identificados com a figura do herói, tais como bravura, destemor e uma certa expressão da coletividade – o que permite a Hobsbawn identifica-lo como um bandido social -, abre-se a possibilidade de pensarmos a literatura e cordel em termos comparativos com obras clássicas do gênero épico, no qual é patente o anseio do narrador em afirmar as virtudes de um herói. E para que melhor possamos demonstrar qualquer aproximação com o gênero épico, apresentamos uma análise histórica que aponte as raízes de sua formação 2.

A história que enredou o surgimento do gênero épico ocorreu em diferença cronológica de milênios com o legado homérico. O rapto da rainha Helena, de Esparta, por Páris, um nobre Troiano, registrado na Ilíada, motivou a coesão das cidades-estado gregas em torno de uma causa comum: Atenas, governada pelo soberano Agamnenon, Esparta, pelo rei Menelau e a ilha de Ítaca, território do herói Ulisses, lutaram com estoicismo durante dez anos na península da Ásia Menor, onde ficava o célebre reino de Príamo, a invencível fortaleza troiana, com seus muros intransponíveis. Batalhas foram travadas sem que houvesse definição de vitória, quando Ulisses teve a idéia de construir um grande cavalo de pau, escondendo os seus homens dentro da obra de arte.


Fingindo cansaço, mensageiro destacado no plano do herói grego conversa com os troianos e afirma que os companheiros já tinham voltado para a terra natal e que haviam deixado aquele presente aos vitoriosos. O rei Príamo ainda é alertado por seu vidente, mas os deuses já haviam decretado o destino da guerra.

O imenso cavalo de pau foi levado para dentro da inexpugnável cidadela e quando todos os troianos dormiam os gregos colocaram o plano em andamento, abrindo os portões para que os outros, escondidos em posições estratégicas, pudessem vencer os inimigos.

No retorno, descrito ao longo de outra obra homérica, a Odisséia, Ulisses desafia Poseidon, senhor dos mares profundos, que o amaldiçoa com uma condenação categórica, deixando-o sem rumo, com a sua tripulação, no mar mediterrâneo.

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2. A palavra gênero é aqui empregada nos termos em que Soares (1993) a concebe, ou seja, com o sentido de agrupamento de obras literárias a partir de semelhanças formais, temáticas, estilísticas, etc. Nessa perspectiva, a obra literária se filiaria em um dos três gêneros fundamentais: a) o lírico, marcada pelo desejo do narrador de expressar suas próprias emoções; b) o dramático, voltada para a representação teatral; e c) o épico, no qual o narrador descreve as aventuras do herói, muitas vezes representando todos os valores de uma nação.

Quinze anos longe do seu reino, ao voltar o soberano de Ítaca encontra sua esposa assediada pelos guerreiros que conseguiram retornar, reivindicando o trono que lhe pertencia. Disfarçado de mendigo, ele se apresenta em momento certo, elimina os inimigos e novamente reina em seu lugar.

Cria-se, então, a figura lendária do herói popular, cuja inteligência e argúcia estimulam significativamente o imaginário na Grécia escravista, marcando com bastante ênfase a vida social e a produção cultural, visto que;


O imaginário não é a negação total do real, mas apóia-se no real para transfigurá-lo e deslocá-lo, criando novas relações no aparente real. A negação do real, na qual está contida a concepção de loucura e ilusão não tem nada a ver com o conceito de imaginário, pois encontram-se no imaginário, mesmo através da transfiguração do real, componentes que possibilitam aos homens a identificação e a percepção do universo real. (Laplatine e Trindade, 1997, p. 28).


Essa marca indelével no imaginário grego serviu de condicionante ao modo de produção escravista que necessitava de artifícios a fim de manter coesas as relações sociais de produção, evitando, dessa forma, migrações penalizantes à estrutura do status quo, motivo pelo qual todas as explicações estavam na vontade divina.

Sem dúvida, um dos maiores legado grego para a literatura universal foi o gênero épico, visto que precisavam construir a figura do herói invencível, com influência marcante no imaginário popular, arquétipo e símbolo nacional com quem o povo teria identificação, remontando, provavelmente ao domínio da civilização Micênica, época em que o homem conseguiu evoluir e trabalhar com o bronze.

Os dois clássicos supostamente escritos pelo poeta Homero que chegaram aos dias atuais, se constituem na expressão maior do gênero épico, influenciando a construção do herói individual ou no herói enquanto culto da pátria em obras posteriores, como Virgílio (Eneida), Dante (Divina Comédia - ( 1998) ), Luiz Vaz de Camões (Os Lusíadas – (s./d.) ) e Basílio da Gama (O Uraguai – (1998) ). Todos esses autores se inspiraram no enigmático introdutor do gênero épico, conforme afirmação de Nunes (apud Homero, 1974, p. 3-24).

Uma característica marcante desse gênero é que a narrativa "é feita em versos, que ressalta as excelentes qualidades de um herói, protagonista de fatos históricos ou maravilhosos" (Campedelli e Souza, 1999, p. 31). Ademais, nos textos épicos se sobressai a junção de temas relativos ao nacionalismo com o caráter maravilhoso das coisas e fatos, com o sobrenatural assumindo dimensões fantásticas através da interferência divina nas aventuras heróicas, ajudando ou atrapalhando os protagonistas.

Outra marca do gênero literário tem a ver com o fato de se constituir em "uma poesia objetiva, impessoal" (De Nicola, 1999, p. 54), concentrada no passado e com conotações nostálgica em que o narrador faz uso geralmente de verbos no pretérito.

A epopéia, cuja etimologia significa, em grego, "faço versos" (épos, "verso" + poieô, "faço"), exatamente porque a narrativa tem essa forma, foca sua temática sobre os interesses de um povo que, movido pela incerteza e a falta de perspectivas em múltiplos setores, se coadunam com a necessidade de se criar o mito, o herói no imaginário popular. Por essa razão, contextos sócio-culturais diversos abarcam com menor ou maior intensidade a proposta do defensor eleito, mais em sociedades cujas forças produtivas se encontram no mesmo patamar que a intransigência das relações sociais de produção em acenar com mudanças do que nas sociedades cujo grau de desenvolvimento é mais acentuado.

É nessa perspectiva que afirmamos a proximidade do cordel com as grandes epopéias, visto que também na literatura popular nordestina os autores voltam-se para a construção do herói, construindo sua obra a partir de elementos do imaginário popular.

Convém destacar, a esse propósito, que desde as primeiras décadas que se seguiram à colonização do Brasil, o Nordeste, constituído como centro de interesses dos portugueses, tomou contato com a tradição épica européia, resultando na criação de canções, poesias e composições em prosa que procuravam imitar, seguir as diretrizes gerais e composição dessas obras trazidas com o colonizador.

É desse contato e da necessidade de adaptação do conteúdo ao contexto local pelos poetas populares, quase sempre autodidatas e de baixa escolaridade, que os folhetos de cordel apareceram no século XVI, conforme Daus (1982, p. 11). As novas obras, assim, serviam para (re)contar histórias antigas que hoje podemos destacar na literatura contemporânea. Em suma: o que vinha de Portugal era assimilado e recontextualizado, o que explica o fato de ainda nos dias atuais encontramos na literatura de cordel reminiscências da guerra de Tróia, Carlos Magno, Cavaleiro Roldão e tantos outros.

Essa permanência da épica européia é destacada por Kunz (2001, p. 73-85), que reflete sobre a presença de elementos da saga carolíngia no cordel, transmitidos através das gerações pela oralidade:


A Batalha de Oliveiros com Ferrabrás, A Prisão de Oliveiros, O cavaleiro Roldão, A Morte dos Doze Pares de França. os títulos de folhetos evocam a presença do ciclo carolíngio da canção de gesta francesa na literatura de cordel.

Mais de 1200 anos após a Batalha de Roncesvales, travada na Espanha em 5 de agosto de 778, os Pares de França permanecem como modelos de valentia nos versos da literatura de cordel. Que sejam puras ficções ou que sua existência hesite entre história e lenda, Roldão e Oliveiros resistem. O sobrinho do Imperador Carlos Magno e seu fiel companheiro Oliveiros cavalgam, intrépidos e imortais, as sextilhas heptassílabas de Leandro Gomes de Barros, Antônio Eugênio da Si1va, Marcos Sampaio e outros emblemas de coragem e altivez, valores em apreço no meio do povo sertanejo.

A popularidade dos heróis é ainda motivo de inspiração em outras manifestações da cultura tradicional brasileira. Luís da Câmara Cascudo (1984) aponta vários exemplos da expansão e contaminação do tema.


Assim, todos as grandes obras européias chegaram até nós, se inserindo no processo de construção do imaginário popular e oferecendo aos cordelistas os grandes arquétipos da épica. Ademais, com a ida de nossos poetas à colônia, nossa poesia popular foi também “contaminada” por um fluxo de amorosidade, o que resultou em uma transformação da épica popular, desviando-a um pouco de termos morais e heróicos.

Aos poucos, os cordéis passaram a incorporar a discussão dos fatos locais, embora tenha permanecido uma certa tendência à grandiosidade e ao tom solene por parte dos cordelistas, herança ainda dos épicos europeus. Nesse processo de incorporação da matéria local, a literatura de cordel revela sua condição de importante articulador da comunicação do sertão esquecido e inculto, pois, como afirma Batista (1977, p. 17):


Se a memória popular vai conservando e transmitindo velhas narrativas e acontecimentos recentes esta transmissão está sempre marcada pelo espírito desta sociedade. E não é por outra razão que a memória popular vai conservando os fatos narrados, transmitidos com as adaptações de cada narrador aquilo que foi ouvido. E quando se trata de alfabetizado, a transmissão se torna ainda mais fácil, porque oriunda da própria leitura dos folhetos.


Essa função da literatura de cordel pode ser facilmente observada na produção de Leandro Gomes de Barros e Francisco das Chagas Batista, enfatizando a tarefa de aglutinar idéias e fatos, se transfigurando em importante fonte de informações, haja vista que na literatura popular encontramos traduzido o próprio espírito da sociedade. Daí por que muitas velhas narrativas, tradicionalmente transmitidas, vão se enriquecendo de comentários favoráveis, ou desfavoráveis, conforme o caráter do personagem ou personagens, é visto pela sociedade local. Há como que uma incorporação da figura-herói ou bandido, vítima ou criminoso - aos próprios valores de julgamento do meio social. (Idem, ibid.).

A condição da literatura de cordel de ser reflexão de valores culturais, que alimentam a imaginação popular, através de fatos políticos, econômicos, sociais, religiosos, etc. faz com que numa sociedade inculta, carente de toda infra-estrutura básica, o cordel desempenhe um papel de extrema relevância, principalmente por levar notícias para o povo, que se encarregava de disseminá-las em alpendres, durante as famosas retretas regionais em que se encontravam para conversas etc.. O cangaço, por ser um assunto próximo, despertava o interesse dos espectadores, fazendo com que o caráter informacional dessa literatura tivesse sua efetivação.

A concepção da literatura de cordel como porta-voz do povo, é a tônica que predomina na leitura que Kunz (2001, p. 60-61) efetiva dos folhetos populares, destacando nesse tipo de literatura o que ela denomina de revanche poética:


A virtuosidade e o talento dos poetas populares do Nordeste brasileiro eclodiram e persistem nessa região cuja cronologia é a das secas e das inundações, das grandes fomes históricas, ou das fomes mudas, cotidianas e crônicas, onde o analfabetismo e o subdesenvolvimento econômico sustentam-se um ao outro , onde a fome de pão muda-se em fome de vida e a espontaneidade poética parece nascer da dificuldade de sobreviver.

Por ser não só o testemunho mas também o representante dessa realidade dolorosa, o poeta popular não saberia retratá-la sem que o quadro fosse ao mesmo tempo requisitório (...).O poeta é a voz do silêncio.

Porém o requisitório não deixa de ser fragmentário, a crítica pontilhista nunca se torna global, o fato é analisado fora do sistema que o gera, o acontecimento social é raramente encarado como acontecimento político. Não se trata aqui de pensar na ideologia, explícita ou não, veiculada por essa produção literária. Parece-nos impossível conceber a literatura de cordel como um todo monolítico e catalogá-la como conservadora, alienada ou revolucionária. Multifacetada, é sua diversidade que seduz, muito mais que sua elaboração em sistema coerente e homogêneo. No entanto, é verdade dizer que, entre silêncios e protestos, raramente surge uma vontade de mudança: os conflitos são neutralizados, o governo não é considerado como acidente histórico mas como poder de direito divino. A contestação da ordem terrestre abalaria a ordem celeste... O receio de cair na desordem e na subversão desvia o discurso de sua função libertadora. Mas, ainda que exprima de modo espontâneo uma crítica social sem palavras de ordem que coalizem, o poeta oferece ao seu público, através de seus versos, uma forma de revanche poética.


Pelo que se deduz das palavras da autora, há um componente reivindicatório, ainda que difuso e nem sempre coerente, que perpassa toda a literatura de cordel. Esse vetor de luta, que segue enviesado, em ziguezague, faz da literatura de cordel um instrumento de afirmação dos valores do povo, os quais são encarnados nas protagonistas das histórias criadas no espírito inventivo dos autores.

Exemplificando essa questão, Kunz faz referência à figura do boi fujão, bastante freqüente nos cordéis. Para a autora, o fato do boi quase sempre ser destacado como um ser indomável, que vence a astúcia do vaqueiro e não se deixa domesticar, repõe no nível ficcional o desejo do povo em libertar-se, ao mesmo tempo em que contesta a ordem do mundo, no qual os menos favorecidos são espoliados:


O mistério de suas [do boi] aparições imprevisíveis e desaparições inexplicáveis, a impossibilidade de captura-lo e domá-lo, fazem obstáculo à harmonia do mundo, desregram a realidade. (...).

[Assim,] O animal fabuloso torna-se o símbolo da resistência insurrecional, [pois] a ficção é o lugar da desobediência à História. (...).

A insubordinação [do boi] pode ser lida como sinal de alguma falha no poderio político e econômico do fazendeiro, o animal tem o couro marcado mas leva com ele a força e o mistério de seu reino. A busca do boi encantado, rebelde e solitário, enaltece o vaqueiro, sua coragem e tenacidade. É a busca do ideal difícil de atingir. O animal acossado tem a forma de uma idéia, encarna a liberdade e abre o caminho da resistência, o boi propõe ao homem sertanejo uma decifração do universo que o informe sobre seu lugar e sua função no mundo.

Nessa perspectiva, a de leitura do cordel como revanche poética, mesmo a morte adquire uma função libertadora. (Op. cit., p. 64-66).


Nessa identificação da protagonista, no caso o boi, com o povo, leitor dos folhetos, que reforça a idéia do componente épico do cordel. Da mesma forma, a intenção de tratar das grandes questões que aflige o povo, ainda quando tratando de casos banais ou jocosos, com o fim de dar equação aos problemas observados, confere aos folhetos uma grandiosidade própria às grandes obras épicas, considerando a caracterização que faz Massaud Moisés (1993, p. 70) do gênero épico através do contraponto com o gênero lírico:


A épica, não [pode ser descrita] no sentido meramente formal, métrico, [pois] caracteriza-se por transmitir a busca ou o encontro duma cosmovisão capaz de conciliar ou harmonizar as antíteses que o mundo revela ao olhar do artista ou do homem de pensamento. Irmã da Filosofia nessa ânsia de integração do Universo numa síntese, nada tem que ver com o decassílabo heróico ou a versificação de acontecimentos históricos. Tanto é épico Homero, Virgílio, Camões como Dante, Baudelaire e Fernando Pessoa. E a poesia em que o poeta se reflete para fora de si, alargando o eu até o limite do nós: na subjetividade do poeta se reflete um povo, uma raça e mesmo toda a Humanidade. Enquanto isso, o poeta lírico, desprezando ou amoldando a si o plano exterior, se dobra para dentro de si, numa autocontemplação narcisista e solitária. A lírica, poesia confessional, expressa os conflitos “pobres”, localizados na área da sentimentalidade e do “eu-gosto-você-me-gosta” de que fala Drummond. Poesia de subjetividade de superfície, facilmente captável pelo homem comum, que ali encontra expressos seus próprios e inefáveis sentimentos. Lamartine, Musset, Gustavo Adolfo Becquer, Heine, Garrett, Casimiro de Abreu constituem exemplos de poetas líricos.


É a partir desse “compromisso” do épico em dar resposta aos problemas observados na realidade circundante, que veremos a seguir em folhetos de Rodolfo Coelho e José Pacheco, o cangaceiro Lampião, tão decantado nos cordéis, assumir estranhamente um papel singular no processo reivindicatório e de ânsia de emancipação popular, tão singularmente captada pelos dois cordelistas.


(*) Tânia Maria de Sousa Cardoso, Pedagoga/Supervisão Escolar, formada pela atual Universidade Federal de Campina Grande/UFCG, Centro de Formação de Professores/CFP, Campus de Cajazeiras – PB. Especialista em Literatura Brasileira pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN. Professora da Rede Municipal de Ensino de Mossoró/RN.

Um comentário:

  1. Olá!

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    (DORAVANTE SÓ CONTINUAREI SEGUINDO BLOGS QUE ME SEGUIREM. IMPOSSÍVEL FORMAR REDE SÓ QUANDO UM LADO SEGUE - PRECISAMOS SOMAR - RECIPROCIDADE)

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